2 Temporada Julie e os Fantasmas
13 E inicia-se....
Notas iniciais
– É um seguinte... – Pietra explica sua ideia para por Demétrius e Eduardo de uma vez por todas na cadeia. – Agora é só falar com ela.
– Ela deve estar na escola uma hora dessas. – comenta Felix.
– Se eu correr, da tempo. – fala Pietra e ela some.
– Tomara que de tudo certo. – comenta Martin.
Daniel somente se afasta dos amigos e vai para o canto da cela, Martin e Felix até pensam em ir falar com ele, mas sabem que a única pessoa que pode anima-lo é Julie.
Quando Pietra chega à casa de Julie, vê somente Pedrinho e Raul andando pela casa, então ainda invisível vai ao quarto da garota e a vê deitada na cama.
– Perfeito, poderei falar com ela. É só esperar os outros saírem e pronto. – diz Pietra mentalmente.
Quando já eram por volta das 07h30min, já não tinha ninguém em casa, exceto Julie. Então Pietra percebe que Julie se mexia na cama e não perde a oportunidade, fica visível e a chama:
– Julie. – nada acontece. – Julie. – novamente, nada. – Julie! – somente dessa vez, a garota desperta.
– O que foi? – ela diz assustada, coça os olhos e ao ver Pietra. – Quem é você? Não me diga que é uma... – ela foi interrompida.
– Pietra Castilho. – responde Pietra se aproximando de Julie. – E sim, sou fantasma. Mas não precisa se assustar, vim ajudar você.
– Mas... como posso saber se realmente posso confiar em você?
– Calma vou te explicar tudo... a historia é um pouco longa.
Pietra conta tudo a Julie, desde como conheceu os meninos, as suas suspeitas, sua ideia e finalmente faz a proposta:
– Então Julie, será que não pode nos ajudar? Ajudar a mim? Aos seus amigos e a si mesma?
– Tá posso até aceitar, mas como vou saber se não é um truque?
– Você se parece tanto com o Daniel, não é atoa que estão juntos. Desconfiados vocês, hein! – comenta Pietra. – Vou providenciar tudo que precisa. Instalarei as câmeras na edícula e você vai sempre estar com as escutas. Entendido?
– Sim e aceito se for realmente a única forma de ajuda-los a sair daquele lugar. – responde Julie.
– Que bom, sabia que não ia deixa-los na mão, eles estão contando com você. – as duas apertam as mãos. – Pra começar, precisa se encontrar com Eduardo durante a aula e de alguma forma... traze-lo até a edícula.
– Só tenho aula com a irmã dele amanhã.
– Não tem problema, assim, hoje mesmo coloco as câmeras e você já vai pensando em como vai agir.
– Tá ok.
– Ah, mas antes de eu ir. Não posso deixar de dizer que eles sentem muita falta sua e principalmente o Daniel. – Julie dá um leve sorriso ao saber que está ao menos na memoria deles. – No começo de tudo, ele se negava a deixar você ajudar a gente. Preferia sofrer e ficar longe de você, mas não coloca-la em risco.
– Esse é o Daniel por quem me apaixonei. – sussurra Julie a si mesma.
Enquanto isso, os três esperavam a volta de Pietra ansiosos. Já era por volta das dez da manhã e nada dela voltar, mas de repente, ela surge.
– E ai, como foi? Ela aceitou? – pergunta Daniel.
– Sim aceitou, no começo desconfiou de mim, mas depois cedeu. Ela é difícil de se convencer! – responde Pietra.
Daniel gosta do comentário de Pietra, afinal imagina que se Nicolas tentasse fazer algo para ficar com Julie, teria que ter ótimos argumentos.
– Já instalei as câmeras e o plano inicia amanhã. – ela diz. — Bem, espero que tenham uma boa tarde. – ela desaparece.
Na parte da tarde, Bia decide ligar para Julie e perguntar o porquê dela ter faltado. Julie somente diz que faltou por falta de animo e Bia não faz mais perguntas.
Por volta das cinco da tarde, Julie tocava pequenos acordes no violão, porém não tinha animo para cantar ou compor. De repente, a campainha toca e é Pedrinho quem vai atender, era Nicolas:
– Entra ai Nicolas, a Julie tá ali na sala.
Nicolas entra e se senta ao lado de Julie.
– Oi. – ela diz desanimada.
– Oi. – ele responde. – O que foi? Por que faltou na aula?
– Não estava com disposição.
– Estava ensaiando e eu te interrompi, certo?
– Nada, só estava aqui de bobeira. Nada de mais.
– Aposto que o tal Daniel está aqui. – diz Nicolas já com irritação.
– Não Nicolas, ele não esta e para de implicar com ele. O coitado não fez nada.
– Me desculpa ser grosso, mas... – ela o interrompe.
– Já sendo!
– Não gosto que defenda ele, afinal eu sou seu namorado. Não acha meio estranha essa sua relação com ele, estando comigo?
– Não vamos discutir agora, por favor.
– Você anda estranha, não fala mais nada pra mim, não liga, me evita... o que tá acontecendo, hein?
– Não tá acontecendo nada.
– Ah com certeza está. Poxa Julie, não confia em mim?
– Confio, mas porque eu diria algo que não está acontecendo?
– Am? O que quis dizer?
– O fato é: não tem nada de errado, não se preocupa.
– Vamos dar uma volta, o que acha?
– Não estou com vontade, desculpa.
– Ah, você também não colabora.
Após Nicolas dizer isso, Raul entra em casa e diz ao chegar à sala:
– Não sabia que tinha visita, Julie.
– Eu já estava de saída. Tchau Seu Raul e... tchau Julie. – diz Nicolas e ele vai embora.
– Sabe que não gosto dele. – comenta o pai de Julie.
– Achei que tivesse aceitado.
– Mesmo assim, não gosto. Ter aceitado, não quer dizer ter gostado dele.
Julie se levanta e vai para o quarto, não estava com animo para discutir com o pai. Na hora do jantar, novamente ela não come e logo vai dormir.
No dia seguinte, ela se levanta, toma café e vai ao colégio. No meio do caminho se encontra com Bia:
– Ainda está pensando neles? – pergunta Bia.
– Claro, eu estava acostumada a todo dia ver eles e de repente... eles somem, são presos e eu sou a culpada.
– Ai, Julie calma. Tudo bem que você não devia ter contato com eles, mas eles foram presos por outros motivos também.
– Mesmo assim... aposto que se sentiria assim se estivesse no meu lugar e seu namorado juntos com outros dois amigos estivessem a ponto de morrer pela segunda vez! – diz Julie de uma vez só, sem pausar.
– Relaxa Julie, vai ver que vai dar tudo certo. E do jeito que você diz, parece até que não sou amiga deles também.
– Acho que agora não é o melhor momento pra discutirmos, certo?
– Tem razão, vamos logo antes que a gente se atrase.
E as duas continuam conversando até chegarem ao colégio. Julie não pensava em nenhum momento contar o tal plano para poder tirar os três de lá. Todo cuidado era pouco quando estava se referindo a Eduardo e Demétrius.
Elas chegam e vão direto para a sala, Julie nota que Nicolas a observava, mas não se manifesta. Cada um senta em sua carteira e a aula se inicia. Julie só veria Eduardo na ultima aula, afinal era o horário que ela tinha aula com a irmã dele e ela já podia sentir o frio na barriga de se encontrar com ele.
Durante todo o intervalo, Julie ficou “na sua”, não estava se importando com o mundo em volta, estava concentrada e pensava o que diria a Eduardo. Teria que ser algo que realmente o influenciasse a ir para a edícula, algum assunto que o deixasse curioso o bastante para que ele quisesse saber mais e Julie ainda não sabia o que dizer.
Na quarta aula, Julie perdeu totalmente a atenção, se a perguntassem que matéria foi dada, ela não tinha a menor ideia. E passou o tempo todo ensaiando, mentalmente, o que ia dizer.
P.O.V. Julie:
Não queria chegar ao ponto de dizer isso, mas... vai ter que ser. Afinal o que eu poderia falar? “Ai nossa, bem que você podia me ajudar no dever de casa, afinal é irmão da Marlee”. Ai, que tonta!
...
Já era a quinta aula e a professora Marlee, diz:
– Bom pessoal, estamos já na ultima semana de novembro, daqui mais ou menos um mês, vocês já estarão de férias e sinceramente sei que já estão exaustos, certo. Então para colaborar com vocês, quero que façam uma pequena redação contando como esperam que seja as férias e o ano que vem. – todos dão aquele suspiro de “Aff, mais tarefa”. – Pra que todo esse desanimo? Podem começar aqui e terminarem em casa. – conclui Marlee.
Alguns começam a fazer a atividade, outros decidem conversar. Bia por exemplo foi conversar com Valtinho e deixou Julie de lado. Julie decide fazer a tarefa em casa e desvia o olhar involuntariamente para a professora, nisso percebe que Eduardo estava ali.
Então, Julie se levanta e pede para a professora deixa-la ir ao banheiro. Assim que Julie passa próxima a Eduardo, ela diz:
– Quero falar com você depois da aula, é importante. – e ela sai da sala.
Nicolas mantinha os olhos fixos em Julie e nem nota as inúteis tentativas de Thalita lhe chamar a atenção.
Depois da aula, Julie enrolava ao máximo para guardar o material, queria logo ficar a sós com Eduardo para por o plano em pratica.
– Vamos? – pergunta Bia já com a bolsa nas costas.
– Ai, pode ir. Vou falar com a professora. – responde Julie.
– Bom, você que sabe. – e Bia vai embora sem dizer mais nada.
Nicolas também vai embora, mas fica ainda ali perto, queria ver quando Julie ia embora. Ele estava estranhando o comportamento da garota... e quem não estranharia, não é?
Marlee sai e Nicolas percebe que Julie continuava ali, ele estava a observando pela janela e não sairia dali até ver o que estava acontecendo com sua “namorada”.
Em poucos minutos, já não restava mais ninguém, a não ser Julie e Eduardo. E ele diz:
– E então, que assunto é tão importante para tratarmos a sós? É mais uma daquelas suas ameaças estupidas? – ele sorri com deboche.
– Não... é que na verdade, eu percebi o quanto você estava... certo.
– Certo em relação a que? Em relação ao fato de que jamais você poderá ajudar aqueles três tontos?
– Não também, me refiro ao fato de que você estava certo em relação ao Daniel.
– Como assim?
– Ah... demorou um pouquinho, mas percebi que eu estava marcando bobeira em querer continuar com ele. – ela dá um sorriso que o cativa.
– Sabia que uma hora você ia perceber que eu sou melhor que ele. Qualquer um pode ver isso.
– Sim tem razão. Então... – ela se aproxima dele, passa as duas mãos nos braços dele, até que suas mãos chegam ao peito dele. – Eu ainda estou “em cima do muro”, em relação a você dois. Se é que me entende... e acho que você pode me ajudar nisso.
– Não ache, tenha certeza. – ele sorri para ela e ele é retribuído igualmente. – Onde seria o melhor lugar para a gente... conversar?
– Aqui que não é, certo. Pode ser na minha casa mesmo. Não duvido nada se você disser que já sabe onde moro.
– Você sabe das coisas em garota.
– Então te espero, mas vá lá pras duas e pouquinho, afinal meu pai almoça em casa.
– É, mas não tenho mesmo certeza se vou. – ele diz tirando as mãos dela de cima dele.
– Faça como quiser Eduardo. – ela se aproxima e da um beijo no canto da boca dele. – Eu te espero com muito prazer, mas também não ficarei te esperando a vida toda.
Ela pega a bolsa e vira-se de costas, nisso ela tira o sorriso que tinha no rosto e da lugar a uma preocupação e medo. Sai tão depressa que nem percebe que Nicolas a observava.
Não tinha mais como voltara atrás, as cartas já estão em jogo e as vidas já estão em risco. Não tinha como recuar ou desistir, quando foi dito o sim não tem mais volta.
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