17 Again
7 Capitulo 7
Notas iniciais
Sugar estava fazendo o teste para entrar no time. As técnicas que Santana a ensinou, estavam fazendo efeito, pois jogava muito bem. A treinadora Sylvester estava impressionada. Ao final do treino, a mulher chamou a ruiva e Santana a acompanhou para saber o resultado.
– Então.... Sugar, não é mesmo? – perguntou Sue, enquanto anotava algo em seu caderno.
– Isso mesmo.
– Meus parabéns. Está no time. – falou a mulher olhando para a ruiva que deu pulinhos e fez uma espécie de dancinha da vitória, batendo um high five com a latina a seu lado.
– Adolescentes. – Sue bufou e saiu deixando as duas jovens comemorando.
– Parabéns. – Santana falou sorrindo para a ruiva – Olha ali. Se não é o Artie Abrams. – a latina começou a acenar para o garoto.
– O que está fazendo? – Sugar falou tentando esconder o nervosismo, quando o menino acenou de volta.
– Hey Artie. – a latina chamou.
– Samantha, não! – Sugar tentou pará-la, mas já era tarde, pois Artie já caminhava na direção das duas.
– Te ajudando. Ele está vindo pra cá. – Santana falou já se afastando – Arrasa gata! – Incentivou antes de sair deixando Sugar nervosa para trás.
– Eu vou te matar. – murmurou baixo, quando Artie já estava a seu lado.
– Oi. Sugar, não é mesmo? – perguntou o garoto sorrindo e educadamente estendendo a mão para a ruiva.
– Sim. E você é Artie Abrams. – falou apertando a mão do garoto e sorrindo bobamente – O primeiro da turma, presidente do grêmio por três vezes seguidas e integrante do time de basquete! – falou em um folego só, atrapalhando-se com as palavras.
– Então.. Como sabe tudo isso sobre mim? – Artie arregalou os olhos com a quantidade de informação que havia acabado de receber. Sugar havia corado, neste momento estava vermelha como um pimentão.
– Eu... É.... Asperger. – Naquele momento desejou ter um buraco ali onde pudesse se enfiar.
Marley estava nas arquibancadas assistindo ao treino da irmã e de Samantha, esta correu até lá, no intuito de falar com a morena e Marley já se preparava para sair. Não queria falar com a garota, pois achava muito estranho a aproximação repentina da mesma, já estava desconfiando que queria algo consigo. Isso quase se confirma pelo ocorrido de mais cedo naquele dia.
Naquela manhã, no Glee Clube
He's a cold-hearted snake
Look into his eyes
Oh oh oh
He's been tellin' lies
Santana cantava esta parte sem cerimonias, na hora de olhar e até mesmo apontar para Kitty enquanto dançava.
He's a lover boy at play
He don't play by rules
Oh oh oh
Girl don't play the fool—no
E nesta parte a latina olhava para Marley, como se quisesse lhe dizer algo.
O que apenas criou frustração em Kitty e Marley que já não simpatizava com a garota, agora iria fazer questão de passar bem longe de Samantha.
Na quadra.
Marley sacudiu a cabeça afastando aquela lembrança, e tentou sair quando a latina a impediu.
– Hey. Marley.
– O que você quer? – disse a morena, um tanto seca.
– Saber se aceita sair comigo.. – Marley já se preparava para protestar e Santana se explicou — Só como amigas. Tomar um café, quem sabe? – perguntou esperançosa.
– Não!
– Qual é. Por que não? – Falou Santana, tentando esconder a magoa de ser rejeitado pela filha.
– Porque eu te acho estranha pra cacete. – cuspiu as palavras rispidamente.
Marley saiu sem ao menos dar uma chance de Santana retrucar. A latina bufou indignada pela dureza de Marley, aquele dia estava sendo uma total perda, apesar do fato de ter conseguido colocar Sugar no time, não teve tanto sucesso quanto a faze-la se entrosar com Artie. A morena viu quando Sugar passou que nem um furacão, correndo desastrosamente pela quadra, enquanto Artie parecia desconfortável, votando para seus amigos do time.
E para completar, o que ela menos espera acontece, quando uma Bree toda saltitante vem em sua direção.
Ótimo, lá vem a chata – pensa ela forçando-se a pelo menos tentar sorrir.
– Uma pena a Marls não estar disponível. – falou com a voz exageradamente melosa, fingindo estar sentida pela latina – Mas eu estou.
Que vaca oferecida. – a latina pensou, se ao menos ela soubesse que estava dando em cima de uma mulher mais velha que ela.
– É mesmo Bree? Bom pra você. – deu tapinhas no ombro da mesma – Bom pra você.
Santana saiu, deixando a outra sem entender nada.
– Será que foi meu hálito? – Bree perguntou a si mesma, assim que a latina deixou a quadra.
Xx
– Essa não! – Santana bufou ao ver que Kitty, já a encurralava na entrada da escola – O que a cabra azeda quer comigo? – soltou a latina, já se preparando para o vinha a seguir.
– Eu soube que está atazanando minha garota. – disse com ar de quem queria passar medo – Eu tenho percebido suas investidas, o que não são nada sutis a proposito! – a loira falava analisando a latina, Santana apenas revirava os olhos.
Adolescentes e seus dramas! Será que aquele dia não seria mesmo bom? Santana não se lembrava de ter quebrado nenhum espelho para poder estar tão azarada assim.
– Não é o que está pensando.
– Não importa. – disse Kitty – Me escuta e me escuta bem, só vou avisar uma vez. – Apontou o dedo para Santana, alterando a voz, a latina ergueu as sobrancelhas como se a desafiasse a continuar – Quero que fique bem longe da Marley. Me entendeu?
A morena nada disse. Kitty se virou para sair, achando que sua ameaça já havia sido passada, mas virou-se na direção da morena novamente, quando a escutou soltar:
– E se eu não conseguir ficar longe dela, tanto quanto você não consegue ficar longe da droga? – Santana provocou cruzando os braços em frente ao peito e encarando Kitty nos olhos.
Alguns alunos já se reunião ali, todos à espera da briga. Conhecendo a rivalidade da Kitty e da latina, com certeza iria rolar porrada. E quando Santana falou aquilo, todos já soltaram um sonoro – Uuuuh!
– Como é que é?
– Você me ouviu.
Santana viu Kitty se aproximar violentamente e a última coisa que se lembra era de ver o punho fechado da loira vir na direção de seu olho direito, depois disso só acordou quando já estava na enfermaria da escola.
Xx
Marley chegou em casa e teve um susto ao encontrar seu quarto totalmente organizado. Como assim sua mãe se atreve a limpar sua bagunça? E suas coisas, como é que ela iria encontra-las agora? Não, ela teria de tirar satisfação.
– Mãe! – gritou descendo as escadas na direção da cozinha – Mãe. – chamou novamente assim que adentrou o cômodo e encontrou sua mãe preparando o almoço – Arrumou meu quarto! – protestou como se fosse algo ruim e Brittany a fitou sem entender.
– De nada! – disse a loira.
– De nada? E agora? Não sei onde estão minhas coisas. Que porra!
– Olha o palavrão menina! – repreendeu Brittany levantando a faca que usava e Marley recuou um pouco – O que há de tão ruim assim? Agora que tá tudo mais limpo e organizado não é melhor?
– Sim eu acho. Mas eu gosto da minha bagunça é onde me sinto eu mesma. Olha o que fez tirou a minha personalidade. – a morena falava dramatizando tudo, fazendo Brittany apenas achar tudo aquilo um exagero.
Crianças!
– Não é o fim do mundo. Você ainda será capaz de encontra-las.
A loira terminava de fatiar os legumes e os jogou em uma das panelas que estavam no fogo, logo após lavou as mãos e se voltou para a filha que estava com uma garrafa d’agua tomando um gole.
– Vem, senta aqui. – Brittany falou apontando para a cadeira na mesa, pedindo para a filha mais velha se sentar. Esta revirou os olhos em expressão de tédio e a contragosto foi – Vamos conversar.
– Não. Por que? – choramingou fazendo Brittany bufar.
– Não faz essa cara. – repreendeu – Me conta, como foi seu dia?
– Chato, entediante, quero arrancar meus olhos. Posso ir agora? – Marley falava como se fosse a pior coisa do mundo.
– Não. – Brittany deu um tapinha em sua mão, quando a morena fez menção de levantar – Me conta mais. Como vai o namoro com a Kitty? – perguntou interessada.
Realmente fazia muito tempo que não conversava com as filhas. Com o divórcio e a preocupação com sua carreira, a loira acabou por deixar a família de lado, por várias vezes.
– Porque quer tanto saber? Pensei que não aprovasse.
– E não aprovo. – Brittany fez que não com a cabeça – Aquela garota me dá arrepios, não sei como consegue namorar alguém assim. Mas se te faz feliz minha filha, vá em frente. – disse com indiferença.
– Ok. – Marley limitou-se apenas a falar aquilo. Era estranho todo o interesse repentino da mãe.
– E como vai. Hum... – Brittany limpou a garganta – E sua vida... sexual? – a última palavra saiu quase como um sussurro.
Brittany estava se sentindo estranha por perguntar aquilo, mas porquê? Adolescentes normais devem conversar direto aquilo com os pais. Certo?
Marley abriu e fechou a boca tentando assimilar aquilo que acabara de ouvir. Como assim vida sexual? O que sua mãe estava pensando que ela fazia? Não, aquilo era demais para um dia só.
– Hum.. Mãe, eu vou tentar falar isso de um jeito delicado. – falou fazendo pausa e respirando fundo – Eu ainda sou virgem e qualquer “vida sexual” que a senhora pensa que tenho, existe apenas em sua imaginação. – Marley se levantou da cadeira – Acho que terminamos com o interrogatório por hoje, não é? – Saiu antes mesmo de esperar uma resposta.
Brittany deixou o suspiro escapar, não sabendo ao certo se era de alegria ou frustração. Talvez os dois. Alegria por saber que Marley ainda era “pura” e frustração por não poder conversar direito com a filha.
Apesar de se esforçar as vezes, nem sempre conseguia tirar algo das garotas. Sugar sempre fora mais doce e gostava de falar pelos cotovelos, quando lhe dava na telha. Porém Marley era rebelde, queria o queria e recusava-se a falar com a mãe, mesmo quando obrigada.
– Essas crianças! – Brittany falou sozinha.
Xx
– Hija de puta! Esta enana miserables, voy a matar-la! (Filha da puta! Essa anã desgraçada, vou matá-la) – Santana exclamou assim que que acordou e se viu no espelho. O roxo ao redor do olho era gigantesco.
– Mujer calmarse. Esto es una escuela, no se puede matar a alguien aqui (Mulher acalme-se. Esta é uma escola, você não pode matar alguém aqui) – falou Quinn, assim que puxou a cortina da cama que a latina ocupava.
Quinn usava um uniforme de enfermeira com crachá com seu nome escrito, tinha em mãos uma ficha que a latina supôs ser sua. Santana arqueou as sobrancelhas como se estivesse a ponto de perguntar o óbvio e a loira logo se pôs a fazê-lo.
– Sou voluntária no serviço de enfermagem. – explicou e logo desviou para a ficha, lendo algo que Santana queria saber – Não quebrou nada, é só um hematoma. – falou voltando a atenção para a latina – Vai inchar e ficar vermelho por alguns dias. – explicava e a expressão de Santana, era de – não diga! – E talvez doer um pouco. – Quinn levou a mão para tocar o local do hematoma e Santana fez expressão de dor deixando um ai! sair – Ou muito.
– E o que me recomenda?
– Aspirina e um pouco de gelo. E quem sabe... – falou meio incerta sobre continuar, mas a latina a olhava com cara de interessada – Ficar longe de Karley por enquanto.
– Quem? – Santana franziu a testa em confusão. Quem era essa tal de Karley?
– Kitty e Marley. – explicou a loira – Sabe juntando os nomes – fazia gestos com as mãos – Kitty, Marley = Karley.
Santana assentiu mesmo sem entender merda nenhuma. Esses jovens de hoje e seus trecos modernos. Onde é que esse mundo vai parar?
– Ok. Estou pensando em seguir esse seu conselho. – a latina disse balançando a cabeça.
– É sério. Pode parecer que ás vezes Kitty não se importa, mas ela ama muito a Marley. – a loira continuava a falar como se quisesse se explicar a Santana, a latina só não entendia porque – Prova disso é que aquela baixinha irritada tem garotas e mais pilhas de garotas caindo a seus pés, porém ela nunca ficou com nenhuma.
– Hum, e porque me conta isso? – Santana perguntou curiosa.
– Eu vejo o jeito que você olha pra Marley, na verdade para as duas irmãs Pierce. Sei que só quer protege-las.
– Tem razão. É o que mais quero. – Santana falou, aliviada por poder estar falando aquilo com alguém.
– A proposito acho incrível que você tenha enfrentado Kitty. Alguém precisava por ela no lugar. – disse Quinn encostando-se a cama ao lado da latina e Santana riu.
– Concordo. Mas e você, Quinn Fabray?- falou fazendo Quinn olha-la – Você canta, faz parte da torcida, fala espanhol muito bem. – Quinn assentiu corando um pouco – É voluntária na enfermagem e uma ótima ouvinte. O que mais você faz? Por acaso salva o mundo sem que ninguém saiba. – Santana completou a fazendo rir.
– Não. Eu sou só humana mesmo.
– Oh. Isso é ótimo. – Santana comentou rindo.
Santana olhou a hora no celular e se lembrou de que devia estar em casa para contar para Brittany da entrada de Sugar para o time. Pegou a jaqueta e mochila e saiu daquela cama. Aquele estava sendo um dia e tanto.
– Tenho que ir. Valeu pela conversa Quinn.
– Qualquer hora. – a loira sorriu e acenou para a latina a assistindo sair dali.
Xxx
– Sugar – Santana chamou assim que chegou a casa da sua família.
– Aqui no quintal. – gritou a outra.
Santana foi até onde havia chamado e se surpreendeu ao chegar lá. Brittany havia terminado o trabalho de jardinagem e a paisagem que havia criado no quintal estava incrível. Tudo muito verde, e em cima com luzes brilhante. Santana sentiu um orgulho ao ver o trabalho da loira, realmente Brittany tinha muito talento e sua carreira tinha tudo pra dar certo.
– Uau! – a latina disse de boca aberta.
– Incrível não é mesmo. – Sugar falou.
– Então garotas, o que acharam? – Brittany perguntou aparecendo na varanda.
– Tá lindo mãe.
– Brittany, tá incrível. Quando as pessoas virem isso aqui, você irá fazer o paisagismo da cidade inteira. – Samantha falou empolgada.
– Obrigada. Não é pra tanto. – Brittany disse envergonhada por estar sendo elogiada. – Hum... E o que é esse enfeite aí no seu olho? – a loira perguntou e Santana lembrou do olho roxo, quase havia se esquecido.
– É a nova moda, não tá sabendo? – a latina brincou e Brittany sacudiu a cabeça negativamente.
– Moda perigosa essa. – comentou a loira – Sugs, como foi o teste? – perguntou interessada.
Sugar trocou olhar cúmplice com Samantha e se aproximou da mãe loira, com uma expressão triste.
– Então, mãe eu não passei. – disse fingindo desapontamento e Brittany tocou se ombro.
– Oh, filha que pena.
– Tô brincando eu passei sim! – falou fazendo Brittany bufar, depois abraça-la.
Santana sentia orgulho pela segunda vez naquele. A latina sorria largamente ao assistir aquela cena.
– Isso é ótimo Sugar. Parabéns. – falou ao sair do abraço – Agora tenho que ir me arrumar, para meu encontro. – falou despertando a atenção de Santana que agora olhava curiosa para a loira.
– Tá ok. Eu e Sam, vamos treinar.
– Espera. Tem um encontro? – a morena perguntou e a loira a olhou de cenho franzido.
– Sim. – respondeu olhando as horas no relógio – E ele vai estar daqui a meia hora, então acho melhor me arrumar.
– Vamos Sam. – Sugar a puxou para fora e Brittany foi se arrumar.
Xx
Santana andava pela casa, bebendo uma garrafinha de água e parou quando viu Brittany em frente ao espelho da sala, treinando alguns passos de dança. A morena sorriu achando aquilo encantador, Brittany a enxergou no reflexo e se virou na direção da mesma.
– Ah, não pare por minha causa. – a latina falou fazendo Brittany rir.
– Eu sou uma péssima dançarina. – choramingou e Santana negou com a cabeça.
– É uma dançarina incrível.
– O que?
– Quer dizer... – falou atrapalhada – Parece ser uma dançarina incrível.
– Hum. Não sei, não faço isso há muito tempo. Acho que perdi o jeito.
– Bem, vamos recupera-lo então. – Santana deixou a garrafa em cima da mesinha e caminhou até a loira. Escolheu um cd e o pôs no som dando play.
Quando a melodia começou Brittany foi pega pela nostalgia.
– Songbird. Dancei essa música no meu casamento.
– Mesmo? – a morena perguntou fazendo-se de desentendida.
Samantha estendeu a mão para Brittany e a loira meio incerta, agarrou e começou a dançar com a morena. Seria estranho aquela cena, em um milhão de anos nunca pesou estar fazendo aquilo com uma adolescente, porem Samantha era diferente. Brittnay não sabia explicar, mas a morena simplesmente lhe transmitia uma sensação tão familiar, fazia se sentir segura.
– Gira e... Salta. – a latina falou e a loira fez o que ela disse, saltando e Santana a segurou nos braços.
A latina sentiu o coração acelerar, Brittany estava tão perto, a respiração quente da loira batia em seu rosto e os olhos azuis brilhavam tanto. Seria fácil apenas inclinar-se para frente e beija-la e quando estava decidida a fazê-lo, Sugar apareceu chamando Brittany.
– Mãe. – a ruiva chamou, mas Brittany não respondeu – Mãe! – falou novamente e Brittany saiu do transe descendo do colo da latina.
– Ah. Sim Sugar, eu sou sua mãe. – a loira falou passando as mãos toda desconcertada. – Hum. O que é?
– O cara tá esperando lá na porta. – Sugar falou estranho toda aquela cena.
– Tudo bem, só vou pegar a bolsa. – Brittany saiu deixando as adolescentes a sós.
Santana agia estranhamente e Sugar aproximou com o cenho franzido.
– Dança com as mães de todas suas colegas?
– O que? – Santana falou negando em seguida – Não.
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