13º Instituto Remanescência
5 Capítulo 5 - Alerta
Todos ficaram atônitos com a informação. Algum Crank desconfiava que eles estavam ali. Ou até mesmo tinha certeza. Os garotos ficaram com medo e logo um milhão de planos de fuga se passaram pela cabeça de cada um. O turbilhão de planos e desespero apenas cessou quando todos ouviram três batidas na porta.
— Abram logo essa porta. Sou eu, o professor responsável por esse laboratório. — disse uma voz impaciente em um tom de sussurro, embora fosse audível o suficiente para que os garotos pudessem entender cada palavra.
Os jovens ficaram ainda mais confusos. Não sabiam o que fazer. Vico se levanta e se dirige até a porta, afastando a mesa com esforço enquanto algumas pessoas tentavam, sem certeza, convencê-lo a não fazer o que planeja. Ele gira a chave, pressiona a maçaneta e abre a porta.
Quando uma pequena brecha se abre, uma pessoa entra apressada na sala, se dirigindo até a mesa menor no centro. Era mesmo o professor. Ele estava suado e vermelho. Suas bochechas estavam rosadas e seus finos lábios tensionados. Em sua testa, gotas de suor se misturavam à franja molhada. Vico não demora a agir e logo fecha a porta, girando a chave e encostando a mesa.
O professor passa apressado pelos garotos, seu jaleco azul balançando ferozmente. Ele se senta na cadeira do centro da sala e começa a ligar o computador. Aparentava cansaço, algo difícil e fácil de se relacionar ao fato de ter uma idade avançada aliada a um corpo jovial. Os garotos ficaram observando o professor mexer no computador.
— Professor, o que o senhor está fazendo? — pergunta Thaís em um tom calmo.
— Dando um alerta à prefeitura. — ele responde.
— Não é melhor comunicar logo aos militares? Eles estão mais perto de nós e podem agir da maneira certa. — sugere Fernanda.
— A prefeitura saberá o que fazer. As coisas são mais complexas do que você imagina, garota. — responde ele, nervoso.
— O que está acontecendo? Por que essas coisas estão aqui na escola? — pergunta Rafaela em seu típico tom apressado.
O professor fica ainda mais estressado. Sem olhar para os garotos, faz um sinal com a mão que representa claramente um pedido de silêncio. Ele começa a digitar coisas no teclado a laser.
— Em breve a escola ficará sem energia, então peguem seus pertences o mais rápido possível. Peguem também objetos que possam servir de armas, além de workpads, para que possam iluminar o caminho se preciso. — diz o professor enquanto digita.
— Vamos sair daqui? — pergunta Juliana.
— Entraremos no ônibus que está estacionado em frente ao Bloco F. — ele responde.
Os garotos ficam ainda mais confusos com tudo. Desejam cada vez mais saber o que está acontecendo e o que vai acontecer. Alguns se preparam para pedir respostas quando são interrompidos por mais um som estranho. Alguém desesperadamente pedia socorro enquanto batia forte na porta.
Os gritos causavam pânico e angústia no coração dos garotos. O professor pareceu não perceber o que estava acontecendo. Estava concentrado em seu computador.
— Se abrirmos, é capaz de os Cranks que provavelmente estão perseguindo essa pessoa entrarem aqui. — fala Débora.
— Não podemos deixar quem quer que seja lá fora! — diz Vico.
— Essa pessoa já está chamando a atenção de toda forma. Os Cranks com certeza vão querer saber o que tem aqui dentro. — diz Eneri.
— E vamos sair da sala para chegar ao ônibus! — conclui Vico.
Vico e Eneri se dirigem apressadamente até a porta. Vico arrasta a mesa e Eneri abre a porta, se deparando com uma mulher.
A mulher vestia roupas sociais amarrotadas e estava suja e ensanguentada. Quando Eneri percebeu o ódio em seu rosto e o sarcasmo em seu sorriso, já era tarde. Fora uma armadilha, e isso ficou provado quando a mulher abriu um sorriso enorme e disse baixinho com ironia:
— Socorro. Eu preciso de ajuda.
Não houve tempo para reação. No segundo seguinte, os garotos estavam se levantando para agir. Vico corria em direção a Eneri. A mulher saltava com os braços arqueados.
A mulher pulou sobre Eneri, segurando seu pescoço com as duas mãos. Eneri e a mulher caem sobre Vico, que tenta escapar do peso e tomar uma atitude. As mãos da mulher começam a arranhar o corpo de Eneri e a puxar seus cabelos. A menina grita aterrorizada enquanto tenta se desvencilhar. Vico gira o corpo para a direita e a mulher cai no chão, ainda segurando a menina. Vico pega apoio com o braço para se levantar. Não demora e a mulher já está de novo sobre o corpo de Eneri, dando-lhe uma mordida na garganta. O sangue jorra como uma fonte, sujando os três que estavam no chão. Vico vê a quantidade de sangue no chão e em sua roupa. Fica estático. Completamente em transe.
Algumas pessoas já estão perto o suficiente da mulher violenta para tirá-la de cima da pobre jovem. Fernanda se posiciona atrás da mulher e a puxa pelos braços, colocando seu pé esquerdo sobre suas costas e empurrando a mulher contra o chão. Já era possível ter certeza que a mulher era na verdade um Crank.
Juliana e Débora puxam Eneri para longe. A Crank grita de raiva enquanto está presa ao chão. Fernanda a segura com força, ainda sem saber o que fazer. Jonathan se aproxima e a ajuda a manter a mulher imóvel. Thaís corre e fecha a porta, dando duas voltas na chave. Heloísa se aproxima de Eneri e vê sua melhor amiga se esforçando para conseguir respirar. Seus olhos fora de foco. O peito de Eneri infla e murcha repetidas revez, tentando puxar o ar. Heloísa deixa escorrer lágrimas pelo rosto. O peito de Eneri infla. Heloísa passa a mão em seus cabelos e diz que tudo vai ficar bem. O peito de Eneri murcha.
E não torna mais a inflar.
A garota estava morta. Parecia um anjo que havia caído do céu e não suportou o impacto. Sua pele clara manchada de sangue.
Fernanda não sabia mais o que fazer, apenas segurava com Jonathan a Crank, que esperneava e gritava. Ela não conseguiria matar alguém, nem mesmo uma pessoa que já perdera toda a razão. Os outros garotos ficam tensos com a situação, também sem saber o que fazer. Preocupados com a atenção que aquela gritaria estava chamando. De repente, o professor se levanta. Pega um equipamento que utiliza para demonstrar o efeito Joule, aperta o botão que ativa sua bateria e se dirige até a mulher. A energia elétrica associada à resistência dos espirais metálicos gera uma incrível quantidade de calor, suficiente para tornar rubro um prego.
Quando ele chega à Crank, ainda segurada por Fernanda e Jonathan, ele puxa sua cabeça pelos cabelos. A mulher grita furiosa, mas o professor se aproveita da situação para colocar o equipamento dentro de sua boca. A mulher começa a se agitar ainda mais freneticamente. Ela tenta gritar, mas seus sons têm dificuldades para sair. Fernanda e Jonathan ficam nervosos, mas não largam a mulher. Thaís está escorada na porta, olhando aterrorizada a cena. O professor sorrindo enquanto observa tudo.
Os jovens ficam ainda sem saber o que fazer. Alguns choram, outros ficam sem reação alguma, indecisos se olham para o corpo de Eneri ou para a Crank sendo torturada.
— Agora só preciso pensar em um jeito de dar fim a esse monstro. — fala o professor dirigindo-se a si mesmo.
Ele sai apressado em direção a um dos armários. Abre algumas portas e procura apenas com a visão até que encontrar o que deseja. Se estica para pegar no compartimento mais alto o objeto que tanto queria. O observa com brilho nos olhos, alisando-o com as mãos. Se dirige novamente à mulher, portando a furadeira elétrica na mão direita.
Encosta a broca na testa da mulher e coloca o dedo sobre o botão que ativa a bateria. O som da rotação do metal em contato com o crânio da Crank é sobreposto por fortes pancadas na porta unidas a uma gritaria e uma gargalhada.
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