10 coisas que eu odeio em você
5 Capítulo 4 - Quando você pensa que cachaça é água...
Notas iniciais
Então era isso, estávamos caminhando meia noite em direção à casa de Natsu. Assim como eu, ele morava sozinho e provavelmente já estaria dormindo. O que eu secretamente desejava, ia tornar o que eu faria mais fácil. Devo admitir que estava meio nervosa.
Finalmente chegamos e coloquei a fase um do desafio em prática. Simplesmente entrei a casa dele. Não era invasão se a porta estava destrancada, não é? Bom, pouco importava. As meninas me seguiram e ficaram observando da janela.
— Lucy – chamou Juvia. Mas não dei atenção. O que acabou sendo um grande erro. Quando encostei a porta e me virei, dei de cara com um Natsu muito bem acordado sentado no sofá ao lado de ninguém menos que Gray, ambos com o controle do Playstation na mão e me olhando com cara de “whaaat?!”. Então parece que será do jeito difícil.
Movida pela coragem líquida que tomara mais cedo e ignorando todas as perguntas que ambos me dirigiram puxei Natsu do sofá e o joguei na parede ao lado. Ele me encarou totalmente incrédulo.
— O-o que você está fazendo Lucy? – perguntou.
— Nada... Ainda, vai dizer que você não quer isso? – sussurrei ao pé do ouvido do rosado, apoiando minhas mãos naquele peitoral definido. Foi aí que percebi que ele estava sem camisa. Por Kami, o que eu estava fazendo?
— Lucy, você está bêbada – afirmou ele.
— Posso até estar, mas não o suficiente para que você se sinta mal por tirar proveito – falei, tentando soar provocante e dei um beijo em seu pescoço.
Então quando ele virou seu rosto pra mim, sua boca vindo em direção à minha, eu joguei o balão de água que segurava nas mãos o tempo todo em sua cabeça, e que ele, surpreso como estava nem percebeu. Gray já havia percebido assim que eu joguei Natsu na parede e segurara o riso para não estragar tudo. Amigo da onça! Afastei-me já esperando que a reação do rosado não seria das melhores.
— Loirinha, eu vou te matar! – gritou – por que você fez isso? — mas eu nem tive oportunidade de responder, porque ele se lançou em cima de mim, jogando-me no sofá e ficando por cima de mim. Me deu um sorriso malicioso. Ai meu Kami, ele não iria... Não foi, mas virou o copo de água que surgiu sabe-se de onde em mim. Soltei-me dele querendo matá-lo também.
– Seu... – mas fui interrompida. Filho da puta, não me deixa nem explicar, vá se fuder. Era o que eu queria ter dito.
— Fui eu quem propôs o desafio, não precisa matar a pobre da Lucy – disse Erza rindo e entrando junto com as outras garotas. Timing péssimo, agora o Dragneel já tinha se vingado.
— Sabia que teria um dedo de álcool e de vocês no meio disso – falou Gray rindo – é quarta-feira ainda meninas, peguem leve.
Eu e o Dragneel ficamos emburrados um com o outro por, bem... Dois minutos. Logo já estávamos rindo como todos ali e jogando conversa fora. Quando já era umas duas e meia, os meninos foram nos levar em casa porque, segundo eles, não estávamos em condições de ir sozinhas. Apagamos assim que nossos corpos atingiram os colchões. Nem me importei que meu cabelo ainda estivesse úmido.
A manhã seguinte foi um caos. Acordamos na hora certa (6:00h), mas a ressaca que estávamos sentindo não era de Kami. Maldita vodka barata! Levamos uns vinte minutos só para criar forças para levantar. Depois de arrumarmos a bagunça feita na noite passada, secarmos o filtro de Levy e vestirmos qualquer roupa, fomos andando para a escola. Maquiagem foi uma coisa que não cogitamos passar, mas deveríamos. E também pegar uns óculos escuros, o Sol sempre foi tão brilhante?
Só de pensar no que ocorreu ontem a noite, já corava fortemente. A bebida realmente transformava as pessoas. Pelo menos isso me aproximou das meninas, o que me fazia muito feliz. Por outro lado, só de pensar em como iria olhar pra cara do Natsu na escola, já sentia vontade de me enterrar bem fundo no chão. E eu pensei que ele iria me beijar naquela hora, mas ele me jogou água. Como sou baka. Ei! Por que estou pensando nisso? Ainda bem que ele não me beijou, talvez eu tivesse que mudar de país só pra nunca mais ter que vê-lo se ele tivesse.
— Bom dia, loirinha! Como passou de ontem? – disse o algodão-doce sentando em seu lugar.
— Cala boca, Dragneel – respondi, sem a menor paciência.
– Parece que alguém está de ressaca, com essas olheiras aí – cantarolou ele. Fui poupada de responder por uma Levy muito mal humorada que se virou pra ele e disse:
– Cala boca Natsu, minha cabeça está estourando, talvez eu te mate se você não parar agora.
— Nossa, parece que alguém realmente acordou de mau humor hoje – disse Gajeel que se sentava na fileira ao lado de Levy, uma carteira atrás, ou seja, ao lado de Natsu. Hmm...
— Nem me fale... – disse, corando levemente.
— Então ele pode falar e eu não? – perguntou Natsu.
– Só cala a boca pelo amor de Kami, Natsu – foi vez de Erza falar. Ele apenas fez bico e olhou para o professor que acabara de chegar. Parecia uma criança.
— É isso que a gente ganha por levar pra casa a salvo um bando de bêbadas... – o ouvi resmungar.
Na hora do almoço, nossa mesa foi preenchida por novos membros. Natsu, Gajeel, Gray e Jellal vieram almoçar conosco. Não imaginava o porquê, já que distribuímos patadas a manhã inteira.
— Olha se não são nossas cachaceiras preferidas – disse Gray, já se sentando.
— Eu não ouvi ninguém te convidando pra sentar – Erza já logo cortou o excesso de intimidade, fazendo ele se levantar.
— Caralho, Erza. Ninguém aqui tem culpa se vocês pensam que cachaça é água.
— Só senta Gray – falou Erza, sem um pingo de paciência pra mimimi.
— Are, are. Mas ainda sobre ontem... – começou ele com a ladainha, pra mim aquele assunto já estava acabado.
— Gray-sama, por favor não – disse Juvia o interrompendo. Bem na hora!
— Só ia dizer pra chamar a gente da próxima – falou ele, com um sorriso enorme. Os outros concordaram. Provavelmente não falaram nada porque estavam comendo como animais, pelo amor de Kami... Pelo menos não falam de boca cheia. Percebi que Juvia ficou um pouco envergonhada, coitada, ela só queria ajudar.
— Vai ser ótimo, tô empolgado. Quem sabe assim eu consiga te dar o troco adequadamente por ontem – disse Dragneel me olhando maliciosamente.
— Não sei do que você está falando. Você já jogou água em mim, estamos quites – falei olhando atentamente para meu sanduíche para evitar corar. Até parei de prestar atenção na conversa que rolava na mesa.
— Você fingiu que ia me beijar Lucy, isso não vai ficar barato. Eu admito que você não é de se jogar fora e tinha intenções de te beijar, mas agora mudei de ideia. Eu vou fazer você me pedir um beijo Lucy... – sussurrou em meu ouvido, já que ele estava sentado ao meu lado. Me arrepiei inteira, mas logo lembrei de ficar irritada.
— E-então espere sentado por isso Natsu, nunca vai acontecer – disse corando fortemente. Que garoto mais abusado!
— Luce, Luce. Você acha que eu não percebi que você se arrepiou inteira só por eu falar em seu ouvido? – falou rindo. Eu não tinha resposta para aquilo, então resolvi me levantar para jogar o lixo fora. Não sem antes dizer:
— Você é muito convencido e um desgraçado irritante, Dragneel. E é por isso que sei que NUNCA vai acontecer – ele apenas riu. Aquele desgraçado tinha algum plano sujo em mente. E eu, bom, eu tenho que resistir até o fim.
Francamente... Ele era demais pra minha cabeça!
Continua...
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