10 coisas que eu odeio em você

6 Capítulo 5 - Sorvete na cara dos outros é refresco


Notas iniciais
Minna! Para compensar minha demora vou postar dois capítulos hoje. Espero que gostem!

Não bastando as “ameaças” de Natsu no almoço e minha ressaca, lembrei que teríamos ensaio à tarde. Ou seja, mais uma dose de Natsu. Quando foi que ele começou a invadir minha vida assim? Então quando caminhei até o salão naquela tarde, a última coisa que eu estava era animada.

O ensaio passou normalmente, a Aquarius só reclamou três vezes. E por incrível que pareça, o idiota cor-de-rosa continuou a cumprir sua promessa de não fazer nenhuma gracinha durante os ensaios. Eu bem que estava me acostumando a dançar com ele. Mas era impressão minha ou ele estava me agarrando um pouco a mais hoje? Enfim, o mesmo não aconteceu depois que acabou e estávamos voltando pra casa.

— Nee, Lucy – chamou. Estava demorando... Tínhamos voltado até ali em silencio depois de despedir dos outros – você está com fome?

— Eu poderia comer um dragão de tanta fome, por quê? – perguntei.

— Tem uma lanchonete muito boa no final daquela rua, você quer ir comigo? – disse, com aquele sorriso perfeito no rosto.

— Eu vou, mas é só por causa da comida, ok? Isso não significa nada – eu estava me perguntando por que diabos eu aceitei passar mais tempo com ele. Acho que devo estar com muita fome mesmo! E ele foi tão gracinha no ensaio, acho que merece um desconto...

— Eu sei, vamos – disse isso, mas mesmo assim saiu me arrastando pela mão.

17:20h – Central Perk Lanchonete

Pedi um x-bacon e um milk-shake de morango, ele pediu um sundae de chocolate e uma pilha de panquecas com Nutella. Ele tinha razão sobre o lugar, era ótimo, lá servia todo o tipo de coisa meeesmo!

—Nee Luce, por que você veio pra Magnólia? – perguntou.

— Bom, eu morava em Crocus antes e frequentava um colégio de patricinha que realmente não combinava comigo. Quando minha mãe estava à beira da morte no hospital há sete anos, me fez prometer que iria estudar na antiga escola dela em Magnólia e eu obviamente aceitei. Ela sempre contou muitas histórias do tempo em que morou aqui, então eu já gostava sem nem mesmo conhecer. A escola em questão era a Fairy Tail High.

— Eu sinto muito, Lucy – e ele realmente parecia sentir – mas por que você não veio mais cedo?

— Porque eu não tinha lá o melhor relacionamento com meu pai. Ele nunca entendeu essa paixão que minha mãe tinha por Magnólia. Levou anos e algumas confusões para que a gente se entendesse no meio do ano passado. Então só esperei que o ano terminasse pra me transferir. Mas chega de falar de mim, me conta de você.

— Sua mãe tem razão, aqui é um lugar incrível. Bom, eu fui criado nessa cidade. Só que há dois anos meu pai e minha irmã Wendy se mudaram para Acalypha, sede da empresa do meu pai que estava em uma fase difícil na época, eu me recusei a ir porque não queria me mudar daqui e deixar meus amigos, mas os visito sempre que dá. Mas gosto bastante de morar sozinho – disse sério e depois já voltou a ser Natsu – digamos que tenha suas vantagens... – obvio que ele gostava, não consigo nem imaginar o número de garotas que ele já deve ter levado naquela casa.

— E sua mãe? – fiquei com um pouco de medo de perguntar, mas era isso ou responder a provocação dele.

— Na verdade eu nunca conheci meus pais biológicos, eu sou filho adotivo de Igneel. Mas ele que é um verdadeiro pai pra mim. Ele se casou há cinco anos com Grandine, que já tinha uma filha, a Wendy. Ambas são pessoas maravilhosas – ele contou.

— Não sei nem o que dizer – respondi. Que resposta mais idiota, Lucy!

— Não precisa dizer nada, eu não acho que seja algo ruim – falou dando aquele sorriso de novo.

— Parece que nossa comida chegou – quase chorei de felicidade. Dava pra ouvir os roncos do meu estômago de longe. Comemos calados por um tempo, mas Natsu rompeu minha relação de amor com o x-bacon passando um pouco de sundae no meu nariz. Esse desgraçado...

— Por que, Natsu? Por quê? – indaguei, minha indignação chegando ao limite. Ele se limitou a sorrir. E eu não sou mulher de deixar barato, então passei sorvete na bochecha dele também.

— Desculpe-me, se eu soubesse que eram um casal eu teria oferecido o sorvete especial da casa – disse a garçonete que se aproximou da mesa para trazer mais Nutella pro Natsu.

— N-nani? Nós não somos namorados – disse rapidamente enquanto limpava o sorvete do nariz. Ela ri meio sem graça e sai.

­– Poxa Luce, a gente ia ganhar um sorvete, mas você não pode ser minha namorada nem por dois minutos – Natsu reclama, nunca vi gostar tanto de comida.

— Me poupe, Dragneel. Você já tem sorvete – disse.

Terminamos de comer e ele insistiu em pagar porque ele que havia convidado, meus esforços foram inúteis. Então Dragneel sabia como ser cavalheiro às vezes. Caminhamos conversando sobre qualquer coisa como música e os trotes que todo terceiro ano tinha que programar no fim do ano e que eram os mais loucos possíveis. Esse era o nosso ano e ele estava empolgado, já fazendo diversos planos. Quando finalmente chegamos ao meu portão, eu disse:

­– Eu fico por aqui, até amanhã algodão-doce. Até que você é legal quando age como um ser humano normal.

— Lucy, magoou – falou fazendo bico e depois continuou – sabe... – foi se aproximando a testa da minha até que estas se encontrassem – eu não sou um ser humano normal – completou deixando que um sorriso malicioso escapasse.

­– P-para, Natsu – disse sem muita convicção, pois seus lábios estavam roçando em meu pescoço. Era o objetivo dele o tempo todo, e eu abaixei a guarda. Segurei seus braços afastando-o de mim – não vai ser dessa vez, Dragneel.

— Até mais, Luce – disse usando aquele sorriso maravilhoso, depois de me dar um beijo na bochecha. Era óbvio que estava satisfeito consigo mesmo. Droga Lucy, ele percebeu sua hesitação.

O dia seguinte passou normalmente pela primeira vez desde que cheguei nessa cidade. Mas é o que dizem, é a calmaria antes da tempestade. Na sexta-feira haveria a primeira partida da Fairy Tail contra outra escola, a Mermaid Heel. Eu estava encarando a tabela de jogos e me perguntando por que uma escola de meninas ia competir contra o time masculino, quando surge Levy.

­– Você está se perguntando por que a Mermaid participa na categoria masculina e feminina né? – disse ela.

— Estou sim, elas são loucas? – eu já tinha visto o time da Fairy Tail jogando e eles eram incríveis.

— É uma história engraçada. Os jogos acontecem desde o ano passado, nessa ocasião, as meninas da Mermaid que são extremamente feministas falaram que repudiavam a divisão por sexo nos esportes e que se recusavam a jogar apenas contra os times femininos de outras escolas. Negaram o pedido delas e elas ameaçaram queimar os próprios sutiãs em praça pública como forma de protesto. A ameaça bastou para que deixassem que elas fizessem dois times e enfrentassem o masculino também, antes liberar a participação do que causar um escândalo de nudez pública (embora houvessem pessoas que não concordassem em evitar isso) – suspirou – elas acham que tudo é sexismo...

— Meu Kami! Realmente elas são loucas, tudo isso só por jogos – respondi.

— Isso é por que você ainda não as viu em quadra. São muito boas, não perdem fácil pra nenhum homem.

— Estou louca pra ver esse jogo amanhã!

— Fique de olho em mim loirinha, vou ser o cara bonito fazendo cestas e ganhando de lavada – disse aquele insuportável do algodão-doce. Limitei-me a encará-lo com desgosto.

— Natsu, seu pai não te ensinou que é feio ouvir a conversa dos outros? – disse.

— Eu não pude evitar. Vou fazer uma cesta pra você – falou com um sorriso sexy.

— Entendi qual é a sua. Você faz várias cestas, uma pra cada garota que você dá em cima.

— Você é sem graça, Lucy – usando meu nome pra compensar o fato de que era verdade. Acho que preciso de um final de semana sem olhar pra cara dele logo.

Continua...

Notas finais
Esse Natsu... Esse capítulo não tem muitas coisas importantes, mas no próximo melhora. Eu tinha que explicar a história de vida deles. Até o próximo