10 coisas que eu odeio em você

25 Capítulo 24 - Unindo o útil ao agradável


Notas iniciais
Minna! Perdoem meu pequeno atraso, espero que tenham sentido minha falta. Nesse capítulo temos Lucy narrando e no final tem uma pequena parte na voz da Juvia contando as conversas dela com Gray e Lyon. Ah, e a história avançou duas semanas quando a Lucy narra. Boa leitura!

Lucy

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Seria só mais um dia normal na Fairy Tail High, se aquele lugar não fosse a Fairy Tail High. Não existia tal coisa naquela escola de loucos, acho que pouco a pouco fui me tornando louca também. Ou talvez eu sempre tivera alguns parafusos faltando. Vide minhas más escolhas para garotos e para formas de lidar com problemas. E por falar em garotos, um específico vem à mente. Natsu e eu nos aproximamos muito nessas últimas duas semanas que antecederam a apresentação de dança, que seria amanhã. E eu estava dando o meu máximo para não pensar nela.

Apesar de termos continuado fazendo as mesmas coisas (conversar, discutir, beijar, sair com todo mundo nos finais de semana, sexo etc), eu estou sentindo como se isso não fosse o suficiente. Não era suficiente porque era apenas amizade com privilégios. Eu sabia desde o princípio que isso era uma possibilidade. Meu coração apenas não era tão forte para suportar tê-lo tão perto, mas não tê-lo todo para mim. Além do mais, eu ouço fofocas sobre ele, a maioria não é plausível, porque ele estava comigo e não com alguma garota em algum lugar. Isso não tornava melhor de ouvir, e será mesmo que nenhuma delas era verdade? E se fosse, o que eu faria? Até agora ele não me deu motivos para acreditar no pior, então acho que posso ficar despreocupada.

Depois de todo o tumulto das provas, os dias de aula estavam bem mais tranquilos. Levy e Gajeel estavam oficialmente ficando, ela me contou de todo o episódio na biblioteca, a atitude e o quão direto o moreno foi me impressionaram. Estava muito feliz por eles. Jellal e Erza decidiram recomeçar, mas “todo mundo” sabia que eles estavam se pegando em segredo. Acho que eles não quiseram atrair a atenção da Bruxa Má do Oeste (Minerva), ninguém precisa de uma invejosa cheia de capacidade para estragar tudo bem no início de um relacionamento, não é? Agora o triângulo amoroso do qual Juvia participava era outra história. A situação ficou crítica e eu não pude evitar me sentir parcialmente responsável, mas tudo fora posto a pratos limpos no dia seguinte e tudo estava “bem” agora.

Meu celular tocou. O visor indicava que a ligação era de meu pai.

– Papai? – falei atendendo.

— Lucy, minha filha. Tudo bem? – ele respondeu do outro lado da linha.

— Tudo sim, e com o senhor?

— Também. Filha, sobre a apresentação que você me convidou semana passada... Tenho más notícias – ele disse e eu senti como se um balde de água fria caísse sobre mim. Meu pai iria perder minha apresentação, a primeira que eu fazia para um público.

— Você não vai poder vir? – perguntei já sabendo a resposta.

— Desculpe-me, Lucy. Não vou conseguir, marcaram uma reunião importante do outro lado do mundo e ela é realmente importante. Espero que entenda.

— Eu... Eu entendo, papai. O senhor é ocupado, mas pelo menos vamos nos ver logo. Tem um feriado na terça aqui em Magnólia e vai emendar. Então domingo eu estou pegando o primeiro trem para Crocus e terei três dias com você – falei colocando minhas últimas esperanças nesse encontro.

— Essa viagem vai me consumir todo o fim de semana e a segunda-feira. Eu realmente queria muito vê-la, mas creio que não será nesse feriado. Venha mesmo assim, Virgo sente saudade de você – respondeu coma voz pesarosa, parecia realmente sentir muito.

— Você sabe que dia é segunda? – perguntei indignada.

Nada.

— É o aniversário de morte da mamãe. Você realmente achou que eu iria querer ver aquela casa vazia justamente nesse dia? Que eu iria visita-la sozinha?

— Lucy, eu...

— Não diga nada, papai. Você deve estar muito ocupado para essa discussão – disse e desliguei. Eu sabia que era infantil, mas estava machucada por dentro.

Depois disso eu nem vi o dia passar, meu pai conseguiu arruinar minha manhã. Aquele pensamento me consumiu o dia todo, e o pior é que meus amigos também iriam viajar. Iria ficar sozinha na cidade. Minha vida era mesmo inacreditável.

No dia seguinte me dediquei à apresentação. Ensaiei todos os passos, experimentei o figurino e depois que fiquei completamente arrumada, a crise de pânico finalmente me atingiu. Eu não posso fazer isso! Eu não posso fazer isso! Eu...

— Lucy? – ouvi aquela voz já muito familiar me chamar e interromper minha tortura mental.

— Natsu, estou aqui no quarto – respondi.

— Vim buscar vo... Uau! Você está linda! – Natsu exclamou.

— O-obrigada – agradeci ficando corada pelo elogio tão genuíno.

— Vamos? – falou me estendendo um braço, o qual aceitei de bom grado.

— Vamos.

21:03 – Palco do salão da Fairy Tail High

As cortinas ainda não tinham aberto e minhas pernas pareciam ter virado chumbo. Eu estava morrendo. Quando a música começasse seria o golpe final e eu cairia como um anjo com aquela roupa branca e fluida que eu vestia.

— Luce, olha para mim – Natsu disse saindo de seu lugar e vindo ao meu encontro – dance como se só estivessem eu e você nesse palco. A única pessoa que você tem que olhar sou eu. Não precisa ficar nervosa.

— T-Tudo bem. Acho que eu posso fazer isso.

Então ele voltou ao seu lugar e as cortinas se abriram. Thinking out loud soou nos auto-falantes. A iluminação reduziu um pouco e pequenas luzes de LED se acenderam ao fundo, elas faziam o papel de estrelas. Natsu e eu saltamos, giramos, atuamos como se ninguém mais estivesse naquele palco, naquela plateia. Nós dançamos um para o outro naquela noite. E quando eu finalmente ouvi o som das palmas e gritos enchendo o salão me recuperei do transe.

As cortinas desceram após o agradecimento.

— Nós conseguimos! Eu consegui! – exclamei incrédula com meu feito e pulei para dar um abraço em Natsu, que me segurou e girou – obrigada – essa ultima parte eu sussurrei para que apenas ele ouvisse.

Ninguém demorou muito depois da apresentação ter terminado. Como eu já disse, todos iriam viajar. Despedi-me de todos e desejei que aproveitassem o feriado, acabei não contando para ninguém que não iria mais para Crocus.

— Nee, Luce. Você vai mesmo para Crocus amanhã? – Natsu rompeu o silêncio.

— Na verdade, não. Meu pai tem uma viagem de negócios – respondi tentando não parecer tão miserável quanto realmente estava.

— Venha comigo amanhã para Acalypha.

— O que? Não – falei rindo.

— Venha comigo amanhã. Você não vai fazer nada em Magnólia mesmo.

— Tá, eu vou – anunciei depois de alguns segundos. O que poderia dar errado, não é mesmo? — obrigada.

— Eu que agradeço. Você já conheceu alguns membros da minha família, a galera é louca. E você estando lá vai evitar que eles fiquem fazendo uma entrevista sobre minha vida amorosa.

— Então você só quer que eu vá para servir de distração? – falei maligna.

— Só estou unindo o útil ao agradável – falou com um sorriso brincalhão.

— Idiota.

— Mas você gosta – o sorriso passando a malicioso.

— Você é insuportável, sabia? – disse para lembra-lo.

— Acho já ouvi por alto isso aí – ironizou.

A noite realmente terminou de forma inesperada. Nunca diria que eu iria para Acalypha com Dragneel no dia seguinte quando acordei essa manhã.

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Juvia

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(no dia seguinte ao “encontro” com Gray)

Eu mal dormi na noite anterior. Passei horas tentando imaginar as coisas certas para dizer, eu havia estourado minha cota de erros e o que eu tenho que fazer hoje deve ser cirurgicamente calculado. Ou mais alguém poderia sair machucado.

— Gray-san, podemos conversar agora? – perguntei durante o intervalo e ele assentiu. Caminhamos até uma parte isolada do pátio onde podíamos ter alguma privacidade.

— Antes que você diga qualquer coisa, eu queria pedir desculpa por ter te beijado do nada. Sem nem mesmo me preocupar com a sua situação – Gray disse.

— Tudo bem. Eu não estou tendo nada sério com Lyon, isso não ficou muito claro ontem. Não queria que pensasse que eu sou o tipo de garota que trai o namorado – comecei.

— Ele parece muito sério em relação a você. E não, eu não estava achando isso de você – Gray disse e seu rosto estava indecifrável.

— Eu sei, isso é uma coisa que eu tenho que resolver. Eu achei que nós dois pudéssemos ter algum futuro, mas isso não é verdade – revelei, não tinha motivos para não ser direta a essa altura do campeonato.

— E quanto a nós? – Gray perguntou, tão direto que quase tive um infarto. Por essa eu não esperava.

— Eu estou uma bagunça agora, Gray-san. Eu não sei o que vou fazer como faculdade, onde, se eu vou passar, meus pais talvez se separem e minha vida amorosa realmente supera toda essa confusão e vence como a parte mais bagunçada de todas. Sabe quando você tem aqueles dias em que não sabe quem você é? Tenho bastante desses. Eu não quero te arrastar para o meio disso – disse após alguns segundos e pensei: embora você já faça parte dessa confusão a tempos— eu acho que preciso de um tempo para mim, se depois disso você ainda estiver interessado e eu também, não vejo porque não.

— Juvia... Eu não tinha nem ideia. Só me deixe saber quando você estiver pronta então – Gray falou baixinho e seu semblante refletia tristeza – eu acho que vou voltar para a mesa agora, isso era tudo que você queria dizer?

— Era... Gray-san, espera! – falei e ele se virou para me olhar – obrigada por entender.

— Sem problemas.

Mais tarde na sorveteria, eu me sentava para ter uma conversa com Lyon, que graças a Kami aceitou me ouvir. Odiaria se as coisas entre nós acabassem daquela maneira horrível. Eu gostava de Lyon, só não era da forma que ele queria.

— Gray me explicou tudo, disse que ele ia ao cinema com Natsu e ele desmarcou – Lyon começou – desculpa por ter falado daquele jeito com você ontem.

— Gray te explicou? – questionei não acreditando.

— Explicou.

— Eu não sabia. Mas eu deveria ter te avisado que iria sair com a Lucy ontem. Mesmo que no final das contas ela não tenha aparecido. Tá tudo bem, eu sei o que estava parecendo e imagino que isso foi a causa de você ter se exaltado – respirei fundo para falar a parte difícil da conversa – mas eu não vim aqui só para isso. Não foi certo eu começar a ficar com você quando eu gostava de outra pessoa. Eu achei que poderia esquecê-lo com você, mas isso não aconteceu e a última coisa que eu queria é te machucar.

— Não tem nada que eu possa fazer? – Lyon perguntou triste.

— Não é sua culpa para que você tenha que fazer alguma coisa, Lyon. Você é ótimo, tenho certeza que vai achar alguém que o mereça.

— Não fale isso, Juvia – pediu.

— Eu sinto muito, mas não posso ser essa pessoa. Espero que entenda – falei me sentindo péssima por aquela situação.

— Eu entendo... Agora se me der licença, eu preciso ir – Lyon anunciou com a face voltada para baixo.

— Tudo bem – falei com um nó na garganta. Aquilo era horrível e era minha culpa.

Terminei meu sorvete e fui para casa decidida que apesar de tudo, aquilo fora o certo a se fazer. Deixar Lyon livre para achar outra pessoa, dizer a Gray que eu preciso colocar minha cabeça no lugar antes de começar qualquer coisa com ele é a melhor escolha. Eu preciso cuidar de mim.

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Continua...

Notas finais
E aí, o que acharam? No próximo teremos a viagem desses dois (tô muito animada para escrever essa parte). Deixem aí nos comentários a opinião de vocês, me ajuda muito na hora de escrever. E se alguém tiver algum pedido, pode pedir que eu faço. Até o próximo, amores!