10 coisas que eu odeio em você
26 Capítulo 25 - Família Dragneel
Notas iniciais
— Por Kami, Natsu! Você tem que parar de invadir minha casa desse jeito – exclamei quando Natsu chegou gritando “bom dia, Luce” em meu quarto. Eu odiava ser acordada tão cedo. Eram oito horas de um domingo, por Kami do céu.
— Eu não tenho culpa se você nunca tranca a porta – isso era verdade— agora levante ou a gente vai perder o trem.
Depois de rolar na cama mais uns cinco minutos, finalmente levantei. O motivo para isso foi um ataque de cosquinha por parte do rosado. Ele realmente não ia me deixar dormir. A viagem até Acalypha levava duas horas e nesse meio tempo descobri que Natsu era simplesmente deplorável com transportes. Assim que o trem entrou em movimento o garoto começou a passar mal. Fiz o que toda pessoa faria, cedi meu colo para que ele deitasse a cabeça. Depois de algum tempo ele finalmente dormiu e deixou-me apenas com meus pensamentos por companhia.
O rosto dele se encontrava tão sereno enquanto dormia que nem parecia o mesmo ser irritante que eu tive a fatalidade, sorte ou azar de me apaixonar. Claro, chega um ponto em que você simplesmente não pode mais negar. Acho que cada pessoa tem um limite de até onde ela pode guardar um sentimento dentro de si, ou de até quando ela pode prosseguir em um amor não correspondido. Eu nunca me senti tão próxima desse limite quanto ontem, quando ele praticamente me salvou de um fim de semana sozinha cercada de memórias tristes e nostálgicas.
— Ei, Natsu! Chegamos.
— Poxa, Luce. Eu estava tendo um sonho tão bom – resmungou baixinho sem abrir os olhos.
— Sobre? – perguntei levemente curiosa, ele de fato tinha dado uns risinhos durante o sono.
— Nada não – disse tacitamente, mas pude ver que ele corou quase que imperceptivelmente.
— Tudo bem, se não quer contar... Mas temos que descer antes que o trem volte a andar e você caia morto em cima de mim de novo – rebati displicente.
— Não! – proferiu ele genuinamente assustado pela possibilidade de passar mais tempo naquele veículo – a gente vai descer é agora – anunciou me puxando com uma mão e pegando as malas com a outra.
Passeamos pelas ruas de Acalypha enquanto Natsu seguia em direção ao bairro em que ficava sua casa. Sugeri que pegássemos um táxi, mas ele recusou dizendo que tivera o suficiente de veículos por um dia. Pelo menos ele estava carregando as malas.
Não havia muito o que ser visto, apesar da praça com jardins exuberantes, era uma cidade pequena. Natsu informou que a vida noturna ali era bem melhor, tinha vários barzinhos e restaurantes. Ao longe, na região mais próxima à rodovia, podia-se ver algumas indústrias se avolumando na paisagem. Natsu prometera que iríamos ver o marco da cidade depois do almoço. Não sabia exatamente o que era, mas ele afirmava que a vista certamente ia compensar pela caminhada.
Finalmente chegamos à uma casa simpática de dois andares na cor amarelo-claro com janelas brancas de madeira. O que mais chamava atenção era o jardim minuciosamente cuidado, preenchido pelos mais variados tipos de flores e arbustos. A casa era bem grande, considerando que moravam apenas três pessoas nela.
Antes que eu pudesse pedir alguns segundos a Natsu, para que me acalmasse e pensasse em como me apresentar, ele tocou a campainha. Não era todo dia que se conhecia a família da pessoa que você gosta, eu tinha que causar uma boa impressão. Porque na última vez que eu chequei, pareci a louca que achava que o Natsu e a prima estava se pegando.
— Natsu, espe... – pedi tarde demais, alguém já vinha atender a porta.
— Natsu, que demora foi essa? – Grandine, uma mulher de cabelos azuis, muito bonita, disse assim que abriu a porta e verificou que era o Dragneel mais novo em carne e osso – e essa deve ser a Lucy que você tanto me falou. Igneel, meu bem, vem ver a namorada do Natsu! – ela disparou em questão de segundos fazendo minha cabeça girar.
— É, bem, e-eu não sou namorada dele – expliquei – e muito obrigada por me receber em sua casa nesse feriado.
— Imagina, o prazer é meu. Entrem ,entrem – disse ela em resposta.
— Oi, Grandine – Natsu respondeu depois de tempos, fazendo com que perdesse o sentido e soasse como uma piada. Tinha um sorriso brincalhão no rosto, como se já estivesse acostumado ao hábito da madrasta falar 700 palavras por segundo – cadê minha pequena?
— Wendy está dormindo ainda – informou um homem de cabelos ruivos grisalhos que surgiu no hall de entrada, obviamente Igneel. Por mais que Natsu não fosse filho legítimo dele, podia-se notar certa semelhança entre eles. Tenho certeza que Igneel arrebatava a mesma quantidade de mulheres que o filho, quando era mais novo.
— Filho, que saudade – Igneel disse abraçando o filho – na última vez que te vi, você ainda engatinhava.
— Exagerado como sempre – Natsu respondeu meio sufocado e sem graça – também estava com saudade.
— Agora me conta quem é essa moça linda – Igneel pronunciou olhando para mim e eu imediatamente corei – Lucy, certo?
— Paai, você está deixando-a sem graça – Natsu reclamou me salvando, porque eu não conseguia achar minha voz. Não sabia o motivo de estar tão nervosa. Era só o pai dele.
— Mu-muito prazer, Sr. Dragneel – cumprimentei – sou Lucy Heartfilia, amiga do seu filho.
— Por favor, me chame de Igneel – falou ele com um sorriso caloroso, depois se curvou para o filho e “sussurrou” – ela é só sua amiga, filho? Você está fazendo alguma coisa errada, só estou dizendo.
– Pai – Natsu censurou-o enquanto Grandine me arrastava escada acima a fim de me mostrar o quarto em que ficaria e acordar Wendy, evitando eu todos vissem meu rosto rubro. A casa era linda, toda decorada em tons claros e móveis de muito bom gosto.
Depois do almoço, Natsu e eu saímos para ver o marco da cidade. Não pude deixar de invejar a relação que Natsu possuía com sua família. Ele era tão amável com a irmã postiça, praticamente a estrangulou num abraço. Era um doce, não tinha o que não gostar nela. Mas era a relação com o pai que realmente me impressionou. De toda forma, ele insistiu em não me contar como seria esse tal marco, alegando que se fosse surpresa seria melhor. Caminhamos pela trilha que serpenteava montanha afora pelo que me pareceram quilômetros e ainda não havíamos atingido o topo.
— Natsu, falta muito? – perguntei já sem esperanças e fôlego.
— Só mais alguns metros – repetiu ele pela terceira vez.
— Eu não acho que eu consiga andar nem mais dez centímetros – revelei.
— Vem, eu te levo nas costas – falou parando e me olhando nos olhos. Eu obviamente aceitei, e durante os últimos metros pude aproveitar seu perfume e seus músculos sob a camiseta. O que eu posso dizer, eu simplesmente não conseguia me controlar perto dele.
— Se eu não te conhecesse melhor, diria que está tirando vantagem disso – provocou Dragneel e eu corei. Ele não precisava ter dito isso.
— De maneira nenhuma – rebati com um tom brincalhão.
Eu tinha que admitir. A vista era de tirar o fôlego, mais do que a própria caminhada para se ter uma noção. O marco era o de menos, apenas uma espécie de poste de bronze com o mapa da cidade entalhado. Agora a visão dali de cima... Era perfeita. Dava pra ver toda Acalypha e os arredores sem contar que tinha uma pedra em que se podia sentar e ficar com apenas ar sob os pés e apreciar. Sentamo-nos lado a lado nessa pedra e eu recostei minha cabeça no ombro dele.
— Nee, Natsu. Você não sente como se fosse infinito quando olha uma vista dessas? – perguntei soando meio besta.
— Agora que você disse, acho que sim – concordou.
Ficamos daquela maneira por alguns minutos até que finalmente olhamos um para o outro, e nesse momento, uma vontade que estávamos para satisfazer desde ontem veio à tona. Nos beijamos, primeiro suavemente e depois de forma mais apaixonada, ou pelo menos eu o beijei de forma apaixonada. Resolvemos que era hora de voltar, acabamos refazendo todo o trajeto de volta em silêncio, por algum motivo que desconheço. Já dentro da residência dos Dragneel:
— Nat-kun, como você não me avisa que vinha para cá? – Meredy questionou se jogando em cima do rosado quando ele voltou à sala de banho tomado. Eu desci as escadas logo depois dele.
— Desculpe-me, eu vim de última hora... – ele começou a dizer meio sufocado, mas foi interrompido pela prima.
— Lu-chan? Você veio conhecer o resto da família? – perguntou me abraçando também – que saudade.
— Estava com saudade também, Meredy-chan – falei.
— Cadê o Zancrow? – Natsu quis saber.
— Zancrow viajou com a namorada também – ela contou.
— Como assim também? – Natsu perguntou o que eu também queria saber.
— Você também viajou com a namorada, oras. Só que para cá e ele para Crocus – provocou mostrando a língua.
— Você é mesmo um capeta – Dragneel se limitou a dizer e eu a rir – por falar em namorado, como anda aquele merdinha que você estava me falando aquele dia?
— Não me fale daquele menino. Terminamos. Você acredita que o Luke teve a capacidade de me trair?
— Ele teve? – Dragneel exclamou parecendo ultrajado – isso não vai ficar assim, onde ele mora?
— Nem comece, priminho. Você não vai socar a cara dele, eu já fiz isso – revelou ela orgulhosa.
— Essa é a minha garota.
— O jantar está na mesa – Grandine anunciou.
Todos seguiram em direção à sala de jantar que possuía uma enorme mesa de mogno, que naquele momento estava repleta de comidas que cheiravam maravilhosamente. Meu estômago de sinal de vida. Havia outras duas pessoas que eu não conhecia na mesa, uma delas era muito parecida com Igneel, então acho que eram a mãe da Meredy e seu marido.
— Lucy, essa é minha irmã, Ingrid. E esse é Simon, marido dela – Igneel apresentou os outros convidados e ambos me cumprimentaram com um sorriso. Tudo ia maravilhosamente bem até que Grandine fez a seguinte pergunta:
— Por que você não nos conta como vocês dois se conheceram?
A garfada que eu estava prestes a engolir desceu quadrada. Olhei para o lado e percebi que Natsu virou o copo de suco com um pouco de pressa.
— Beem, a gente se conheceu na escola. Natsu senta muito perto de mim e começamos a conversar depois que eu praticamente o derrubei no chão quando nos esbarramos – falei, mas na verdade pensei: “Nos conhecemos no shopping quando nos esbarramos e ele derrubou meu suco. Seu filho ficou encarando meus peitos e eu o xinguei de pervertido para o shopping todo ouvir.”
— Foi, Luce é muito desastrada – Natsu continuou corroborando minha história e me encarando.
— A culpa foi toda sua – falei soando ofendida, e me referindo também à história real, aquilo foi tudo culpa dele. Todos na mesa começaram a rir de algo que não entendi muito bem.
— Sobremesa, Grandine – Igneel interrompeu o começo de uma possível discussão – cadê a sobremesa?
Mais tarde, depois de um jantar muito agradável e levemente embaraçoso com a família Dragneel, fui para o meu quarto e resolvi ler um pouco antes de dormir. Ouço minha porta sendo aberta sorrateiramente, depois de uma boa meia hora entretida na leitura de O festim dos corvos. Era ele.
— Natsu, o que você está fazendo aqui? – sussurrei.
— Nossa, esperava mais felicidade com a minha presença – disse fingindo-se de ofendido.
— Nossa, claro! Deixe-me recomeçar – falei na ironia – Natsu Dragneel em meu quarto, mal posso acreditar! Estou respirando o mesmo ar que ele! – encenei uma garotinha fanática vendo seu ídolo. Natsu riu e veio em minha direção de modo a ficar com um joelho de cada lado de minhas pernas. Fechou meu livro e acabou desmarcando a página em que eu estava.
— Tem certeza que quer continuar lendo? – perguntou dando beijos em meu pescoço.
**
— Hmm, estava numa parte bem emocionante – respondi meio incerta. Passou a me beijar nos lábios e eu perdi o rumo da conversa. Nossas peças roupa foram sendo espalhadas no chão até que não restasse nada nos separando.
— Natsu, seus pais... Até seus tios e sua prima estão dormindo aqui hoje – disse entre beijos e meio ofegante.
— É só você não fazer barulho – falou me olhando desejoso e um arrepio percorreu meu corpo – nessa noite, Lucy Heartfilia, eu vou fazer você implorar por mim – completou sussurrando em meu ouvido e senti que fiquei mais molhada, mas não pretendia implorar por ele. Odiava como os toques dele me deixassem tão à mercê. Ou talvez ódio não fosse bem a palavra. Eu estava inebriada pelo perfume dele, pelo seu calor. Meu coração martelava no peito.
Ele me colocou sentada entre suas pernas de forma que eu ficasse de costas para ele. Tirou meus cabelos do caminho e começou a formar uma trilha de beijos em minhas costas, coisa que me causou diversos arrepios. Começou a contornar meus seios com dedos hábeis, massageando o bico deles. Nesse ponto eu já podia sentir seu membro rígido tocando minhas costas. Natsu então finalmente desceu seus dedos para minha intimidade. Começou a me tocar meu clitóris com os dedos, fazendo com que eu sentisse ondas de prazer passando por meu corpo e com que eu soltasse um gemido mal reprimido.
— Quietinha, Luce – falou em meu ouvido em um sussurro quente – você quer que eu te toque aqui? – questionou e eu lhe deixei sem resposta. Em face disso, o garoto introduziu dois dedos em minha intimidade e passou a fazer movimentos de vai e vem enquanto maltratava meu clitóris com o polegar, eu mal continha meus gemidos. Sentia-me muito próxima de um orgasmo, só que de repente ele parou.
— Eu quero ouvir você implorar, Luce – voltou a dizer, com os dedos ainda no mesmo local. Nesse momento, juntando todos os fatores, sentia que minha intimidade praticamente tremia tamanha minha excitação. Eu o queria, eu precisava dele. Então engoli todo meu orgulho quando ele voltou a massagear meu clitóris, apenas aquilo não era suficiente.
— Nat-su, por favor – praticamente supliquei.
— Era tudo que eu queria ouvir – falou me deixando de quatro na cama e introduzindo seu membro em mim. Havia algo de humilhante naquela posição, mas eu honestamente não conseguia me importar naquele momento. Começou a se movimentar dentro de mim enquanto suas mãos passeavam por minhas curvas. Não demoramos a atingir o ápice em um prazer absurdo. Mas ele não parava por aí, e nem eu. Talvez tê-lo privado de sexo por alguns dias não tenha sido uma ideia muito sábia.
Dessa vez eu fiquei por cima e comecei a rebolar sobre ele. Nesse momento, o sexo, que antes era selvagem, adquiriu uma característica diferente. Seus olhos me seguiam com prazer e algo mais naquelas íris escuras. Aumentei o ritmo e senti-me próxima de um segundo orgasmo, porém ele ainda não havia chegado lá. Continuei até que ambos atingíssemos o ápice. Cai exausta ao seu lado e ele me abraçou, depositando um beijo em minha nuca. Meu coração se aqueceu com aquele gesto. Ficamos daquela forma por alguns minutos até que chegamos à conclusão óbvia.
— Você não pode dormir aqui – sussurrei.
— Eu não quero sair – reclamou.
— Eu também não quero que você saia. Só acho que vai ser um pouco difícil de explicar para o seu pai porque você estava nu no meu quarto amanhã – expliquei.
— Eu sei – disse, me deu um selinho e desejou boa noite. Assim que ele sumiu pela porta já vestido, meu coração finalmente voltou a bater normalmente. Coisa que não durou muito, porque um barulho vindo do corredor encheu o quarto. Natsu tropeçara em algo. Espero ter sido a única a ouvir.
Continua...
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