10 coisas que eu odeio em você
24 Capítulo 23 - Especial Gruvia
Notas iniciais
Juvia
x
Lyon: Bom dia, linda!
Juvia: Boa tarde! Desculpe-me pela demora.
Respondi a mensagem que Lyon me mandou só depois das provas do dia e como resultado já era tarde. Às vezes me perguntava o porquê de eu ainda continuar aquele relacionamento com ele. Estava ficando sério e isso me assustava, porque, contrário a todas as minhas expectativas, o que eu sentia por Gray ainda estava lá.
(flash back on)
— Eu nunca beijei ninguém dessa roda – Gray falou, e nesse momento ele olhou diretamente para mim.
Eu peguei outra dose de tequila, mas minha cabeça já estava em outro lugar. Aquilo fora uma espécie de indireta? E a questão mais importante, por que ele tinha que fazer isso? Ele me deixou encontrar com o Lyon, não deixou?
(flash back off)
Eu tinha que parar de pensar nisso. Precisava focar nas provas de amanhã e no filme que iria ver com a Lucy hoje.
Lyon: Podemos nos ver hoje?
Merda, especialmente hoje eu não queria vê-lo. Não acho justo sair com ele quando, na verdade, passei a manhã pensando em outra pessoa. Uma que não me merecia, mas que eu queria mesmo assim.
Juvia: Eu tenho duas provas amanhã e não estou sabendo nada da matéria. Fica para outro dia, pode ser?
Lyon: Pode.
Acho que eu devia ter dito que iria ao cinema com a Lucy.
x
Gray
x
— Você está caidinho por ela, cara – falei quando Natsu me contou que tinha feito as pazes com Lucy.
— Eu não estou caidinho por ela, toma tendência Gray!
— Dorme comigo, Luce – falei imitando-o.
— Eu... Você ouviu isso? – ele perguntou meio sem graça. Era impagável irritá-lo.
— Ouvi – afirmei rindo – mas vamos supor que você não esteja, para onde você vai mais tarde?
— Eu vou ajudar a Lucy a dar banho no Plue. Aquela peste foge e molha a casa inteira, alguém tem que segurá-lo e... E isso não significa nada, ok? Ok – completou apressadamente, finalmente entendendo o que eu queria dizer.
— Nãããão, imagina! Significa que eu estou a fim da Lucy – respondi debochado.
— Você está? – falou virando o rosto abruptamente.
— Claro que não, idiota – falei batendo em minha própria cara. Natsu era tão burro às vezes. Foi então que eu vi que as meninas estavam jogando vôlei no pátio principal. Todas elas terminaram a prova antes de nós e provavelmente pediram uma bola para passar o tempo até todos podermos abandonar aquele inferno e ir para casa. Mas não foi exatamente isso que me chamou atenção. Foi Juvia recebendo uma bola de manchete. Os cabelos presos em um rabo alto com algumas mechas soltas, o short justo realçando suas curvas... Eu poderia morrer agora e estaria feliz.
— Gray! Eu estou falando com você. Você vai?
— Vou, claro – respondi sem menor ideia de com que concordei.
— Sessão das nove, hoje. Quando eu chegar quero minha pipoca me esperando – Natsu concluiu e eu não entendi nada.
— Espera, o que?
— Se você parasse de secar a Juvia dois segundos ia saber do que eu estou falando – ele respondeu debochado.
— Eu não estava secando a Juvia.
— E eu não tenho cabelo rosa. X-Men: Apocalypse, 21h, no shopping, não se atrase.
— Tá bom – concordei, eu queria assistir esse filme mesmo.
x
Juvia
x
20:58h – Shopping Magnólia
Já era a terceira vez que eu ligava para a Lucy e nada. Se ela não atendesse daquela vez alguém iria morrer amanhã.
— Finalmente – exclamei assim que ouvi sua voz do outro lado da linha.
— Me desculpe Juvia, meu celular estava no silencioso. Mas acho que não vou poder ir ao cinema hoje.
— Eu já estou aqui. Por que você não avisou antes? – não vou negar, fiquei um pouco chateada.
— Você sabe que eu não lido bem com horários, tinha me esquecido completamente. E... – ouvi uns ruídos de conversa do outro lado do telefone – para, Natsu! Como eu estava dizendo, me esqueci completamente e ainda não estudei para a prova de amanhã. Por favor, me perdoe!
— O Natsu está aí, já entendi porque você se esqueceu – respondi maliciosa – eu te perdoo, mas se isso se repetir juro que te mato.
— Entendido, senhora. Aproveite o filme, amanhã conversamos mais. Beijo.
— Outro, loira avoada.
Resolvi comprar uma pipoca e uns doces antes de o filme começar, com sorte só perderia os trailers. Quando ia entrar na fila quilométrica, esbarrei em alguém.
— Eu sinto muito... Gray? O que você está fazendo aqui? – perguntei para a última pessoa na face da Terra que eu esperava encontrar ali.
— O mesmo que você, só que o merda do Natsu desmarcou comigo faz um minuto e agora estou que nem um idiota segurando duas pipocas e dois refrigerantes. Você está sozinha?
— Eu vinha com a Lucy, mas ela desmarcou de última hora também. Então, sim, estou sozinha – respondi sinceramente, não tinha como mentir.
— Aqueles dois... Você aceita a pipoca e o refrigerante extra? No ritmo que essa fila anda, quando conseguir comprar o filme já vai ter terminado – Gray ofereceu. Ele estava bem mudado comigo ultimamente, isso eu tinha que admitir.
— Aceito. Deixe-me pegar o dinheiro para te pagar aqui.
— Imagina, não precisa – falou e uma parte do meu cérebro o elogiou por ser cavalheiro, mas eu não deixei que ela se manifestasse em voz alta.
– Obrigada – disse apenas.
— Qual filme você veio assistir?
— X-Men, e você?
— Também – ele revelou e eu só pude pensar que era muita coincidência.
x
Gray
x
E então, contra todas as expectativas, eu estava indo ao cinema com a Juvia. Se eu convidasse, ela provavelmente não teria aceitado. Era muita coincidência estarmos ali sozinhos, no mesmo lugar, naquela mesma hora. Eu com pipoca sobrando. Era coincidência até demais, se eu fosse mais burro iria achar que fora apenas isso, uma coincidência. Porém eu sabia que havia a força de um deus poderoso atuando por trás daquilo tudo, que também atendia pelo nome de Lucy Heartfilia nas horas vagas. Mas devo admitir, levei alguns minutos para juntar as peças.
Gray: Então quer dizer que acidentalmente Natsu me convidou para sair hoje e não veio e que coincidentemente você deixou a Juvia na mão? Você é uma peste mesmo, Heartfilia.
Lucy: De nada, Gray. Agora para de falar comigo e fala com a Juvia.
Gray: Não sei o que você viu nesse merda do Natsu, mas aproveite BASTANTE aí também.
Lucy: Não seja indecente, Fullbuster. Ele já foi.
— Olha lá, mamãe! Que casal mais lindo! – a voz de uma menininha me chamou a atenção – o cabelo dela é azul que nem a Dori – ela completou apontando para nós.
— Filha, não fique apontando o dedo para as pessoas. É feio.
— Mas é azul, mamãe!
Ouvi uma risada melodiosa que pertencia a Juvia ao meu lado, me virei para observá-la e vi que ela sorriu e deu um tchauzinho para a garotinha que também exibiu um sorriso. Ela nem negou que éramos um casal, acho que isso é um bom sinal.
x
Juvia
x
A verdade é que a companhia de Gray foi bem divertida. Eu e ele gostávamos de fazer pequenos comentários durante o filme, coisas do tipo “que batalha foi essa?” ou “agora que o filho chora e a mãe não vê”, indo até “então esse é o tal Apocalipse?” e “não acredito que esperei dois anos por essa continuação”. Se eu estivesse sozinha não teria sido tão bom. E isso era ruim.
— Não sabia que você gostava dos x-men – ele comentou.
— Gosto muito deles, mas prefiro os quadrinhos. São menos confusos que os filmes.
— Concordo. Eu não sabia por onde deveria começar a assistir.
— Meu Kami, aquilo é uma barraquinha de paleta mexicana? – exclamei com os olhos brilhando. Eu simplesmente amava paletas mexicanas. Elas têm gosto de céu.
— É! A gente precisa ir lá – Gray exclamou junto me puxando pela mão. Como se precisasse, eu já ia lá de qualquer jeito. Mas o fato de ele segurar minha mão fez com que eu percebesse como aquilo se parecia com um encontro. E pensar que se me falassem semanas atrás que eu sairia com o Gray (-sama) eu iria ter um treco. Agora eu estava só quase tendo um treco. Deveria ter deixado para perceber isso mais tarde.
— Eu vou querer um de chocolate recheado de morango e leite condensado e... – falei olhando para Gray em uma pergunta silenciosa.
— Um de chocolate recheado com Nutella.
Paguei pelas duas paletas para compensar pela pipoca de mais cedo. Mesmo que Gray tenha insistido em pagar tudo. Acabei soltando de sua mão porque comecei a me sentir desconfortável com aquela situação. Gray nem deve ter percebido que ainda a estava segurando.
— Gray, eu acho que já vou indo.
— Eu te acompanho até a saída – ele disse e foi comigo até o estacionamento, onde ficava o ponto de táxi – Juvia, eu sei que provavelmente eu não deveria fazer isso, mas me controlei a noite toda e não acho que posso aguentar muito mais.
Eu olhava para seu rosto sem acreditar em suas palavras. Ele então tomou meus lábios nos seus com certa necessidade. Eu simplesmente me deixei levar naquele momento, lhe retribuí o beijo na mesma intensidade. Suas mãos deslizaram para minha cintura, apertando-a suavemente. Tudo estava perfeito. Seu perfume, seu toque, aquela intensidade que suprimia pensamentos lógicos. Eu levei meus dedos aos seus cabelos e os entrelacei ali.
— Juvia? – ouvi uma voz conhecida me chamar e de súbito, o encanto se quebrou.
— Lyon – falei assustada me soltando de Gray.
— Então era isso que você ia fazer quando disse que não podia me ver hoje? – ele disse irritado. Ele estava entendendo tudo errado.
— Lyon, não é nada disso. Eu ia sair com a Lucy e ela não veio...
— E o pior é que eu achei que você fosse diferente – Lyon me interrompeu.
— Pelo menos me deixe explicar – implorei com lágrimas se formando nos olhos, ele estava me ofendendo.
— O que eu vi não precisa de explicação – terminou ele e começou a andar para dentro do shopping.
— Lyon...
— Juvia, você está bem? – Gray perguntou erguendo meu queixo para que eu olhasse para ele.
— Eu... Me desculpe, eu preciso ir Gray-san – falei me virando e me joguei no primeiro táxi que apareceu.
x
Gray
x
Eu realmente não acreditava no que eu estava fazendo quando segui Lyon a fim de explicar o que tinha acontecido. Se ele não queria escutar a Juvia, iria me escutar. Por bem ou por mal. Eu sei, era idiota ajuda-lo quando eu a queria, mas não seria certo deixá-la em maus lençóis por uma coisa que eu fiz.
— Ei, Lyon – chamei colocando a mão em suas costas.
— Me deixe em paz – falou com desprezo.
— Você tem que ser muito otário para falar com a Juvia desse jeito. Ela estava falando a verdade, ela vinha para cá com a Lucy e eu vinha com o Natsu. Só que nenhum dos dois veio. Acabamos nos encontrando na porta do cinema e fui eu que a beijei agora na saída. Se quiser pode ler as mensagens que Natsu mandou desmarcando – despejei de uma vez para ser indolor.
— Não precisa. Eu não sei se te agradeço ou te soco a cara agora – ele disse e eu ri. Como se eu fosse perder para ele em uma briga, mas eu não queria causar uma cena ainda maior no shopping.
— Vocês estão sérios, por acaso? – perguntei. Era uma curiosidade que eu tinha, porque nesse caso, eu realmente não deveria ter beijado a Juvia.
— Na verdade, não. Mas eu gosto muito dela, espero o tempo que precisar para que ela goste de mim também – ele respondeu.
— Boa sorte, cara. Vou ficar fora do caminho dela, se assim ela preferir – falei e me virei para ir embora.
Eu preciso falar com a Lucy. Espero que ela ainda esteja acordada.
Juvia: Gray-san, queria pedir desculpa mais uma vez. Não quero que pense nada errado de mim. Podemos conversar pessoalmente amanhã?
Gray: Podemos.
x
Juvia
x
Eu sabia o que aquilo parecia. Eu estava tão ferrada. Agora Lyon vai pensar que eu menti para ele e saí com o Gray e o Gray vai pensar que eu fiquei com ele namorando outra pessoa, no caso o Lyon. Parabéns, Juvia!
Preciso consertar isso. Primeiro eu vou respirar fundo, vou mandar uma mensagem para o Gray pedindo desculpas e uma chance para me explicar e depois vou mandar uma mensagem para o Lyon também pedindo uma chance para me explicar. Acho que devo terminar com ele, eu achei que pudesse me esquecer do Gray-san com ele. Mas isso nunca funcionou, nem nunca vai funcionar. Se eu tiver que superar alguém, vai ser ficando sozinha e aproveitando a vida de forma leve, sem amarras e sem preocupações.
x
Continua...
Fale com o autor