10 coisas que eu odeio em você

23 Capítulo 22 - Da água para o vinho


Notas iniciais
Minna! Estou eu aqui com mais um. Fiquei muito feliz com os comentários desse último capítulo. Esse tem a Lucy narrando a maioria e o Gajeel fazendo uma participação especial bem rápida no final. Espero que gostem!

Lucy

x

— Luce, eu vou só trocar de roupa em casa antes. Você vem comigo? – ele convidou. Ainda sentia como se estivesse pisando nas nuvens. Natsu havia passado a noite toda comigo afinal de contas.

— Acho que tudo bem – concordei e o segui em direção a sua casa.

— Nee Lucy – começou ele após alguns segundos e virei o rosto em sua direção – então quer dizer que o Jace é, na verdade, minha pessoa?

— Jace? – perguntei, não sabia o porquê de ele estar falando aquilo.

— Sim, Jace.

A única forma de ele saber sobre esse nome seria lendo meu... Filho da puta! Aquilo ia mal, ia muito mal. Será que ele tinha lido tudo? A opção óbvia é negar. Prefiro beber detergente a admitir que me inspirasse um pouco nele para fazer o personagem principal.

— Você leu meu romance? E não, nem em mil anos você seria o Jace.

— Eu só ia dar uma olhadinha e acabei lendo tudo – afirmou na maior cara de pau.

— Só que ele não é você.

— Tem certeza Luce? Porque eu reconheci algumas falas minhas naquele capítulo.

— TENHO! – eu falei firme, mas por dentro estava morrendo. De vergonha, de raiva. Queria fugir para as colinas naquele momento – algodão doce, só porque estava aberto não significa que você possa ler. E se fosse meu diário?

— Você tem um diário? – respondeu como se só tivesse absorvido as palavras “meu” e “diário”.

— Não desvia a porra do assunto.

Nesse ponto já estávamos no seu quarto, que ao contrário do que eu esperava, era super organizado. Nenhuma roupa sobre a cama ou pelo chão. A cama de casal feita. A parede oposta à cama era inteira coberta por uma infinidade de pôsteres, fotos e bem, qualquer coisa que ele achasse interessante. Sério, tinha até algumas tirinhas. Algumas das fotos afixadas me chamaram a atenção, como as da vez que estávamos em Tenroujima, a dele e da Erza beijando cada lado de uma garrafa de tequila (depois alguém tinha que me contar essa história) e, surpresa! A nossa, do dia em que nos beijamos, bem aquela que eu usava seu cachecol. Aquilo quase me fez perder a noção do que eu estava fazendo ali. Eu estava discutindo com ele, certo?

— Eu não estou desviando o assunto – falou ele.

— Tanto faz. Eu só queria deixar claro que você não pode ficar lendo minhas coisas sem permis... Você vai trocar de roupa na minha frente mesmo? – falei quando ele começou a se despir.

— Você já viu tudo que tinha para ver.

— Eu sei – retruquei corada me virando de costas para ele – mas era uma situação diferente.

— Não precisa ficar tímida – respondeu debochado.

—Você é um babaca insensível, Natsu Dragneel. Eu te odeio. Não sei nem porque eu estou perdendo meu tempo discutindo com você.

— Você tem tanta certeza desse ódio quanto você tem de que eu não sou o Jace, ou seja, nenhuma – fala sério, ele tinha tirado o dia para me irritar!

Eu não percebi mais por quanto tempo aquela discussão perdurou. Sei que depois de discutirmos o porquê de eu odiá-lo, quem torcíamos em Guerra Civil, qual a preferência de achocolatado, chegamos novamente a esse ponto:

— Não interessa, Natsu! De novo, porque estava aberto não significa que era para ler.

— Mas nem era seu diário. E você só está assim porque só não quer admitir em quem Jace foi inspirado.

— Haha Natsu. Óbvio que eu ia inspirar um dos meus protagonistas em um idiota feito você! Preste atenção!

— Seus cabelos de cor exótica faziam um contraste perfeito com sua pele bronzeada. Não seria a menor surpresa me sentir atraída por Jace.

— Não ouse citar minha história. E você acha que cor exótica de cabelo e pele bronzeada são exclusividade sua por acaso?

Já estávamos na escola e eu nem me preocupei com os olhares que atraíamos, só queria acabar logo com aquilo. Era impressionante como quando se tratava de mim e Natsu, a coisa podia mudar da água para o vinho em segundos.

— Já terminaram a DR? – Gray interrompeu.

— Que DR? – Natsu se fez de desentendido – eu só estava zoando a Luce como de costume.

— Ele estava lendo coisas particulares minhas – informei.

— Espera, tem alguma coisa nessa história. Por acaso ele estava lendo aquele romance que fica na sua casa? – Levy perguntou deixando claras coisas que não precisavam ficar.

— Não faça pergunta difícil, Levy-chan – falei corando, aquela baixinha me ferrou agora – eu só não aguento mais ficar no mesmo lugar que essa coisa rosa. Estou indo para sala.

Era verdade, eu só precisava ficar em qualquer lugar que não tivesse o cheiro do perfume dele.

22:00h – Casa da Erza

Fui a primeira a chegar. O que era bom, já que eu e Erza tínhamos que conversar em particular e isso seria impossível durante a festa. Levy havia me contado o motivo de ter um evento em plena quarta-feira e acho que era meu dever como amiga perguntar por que ela estava fugindo mais do que diabo foge da cruz da situação que a levou a dar a festa, em primeiro lugar.

— Erza, ninguém chegou ainda? – perguntei para certificar.

— Ninguém, você foi a primeira. E de brinde vai me ajudar a levar as comidas e bebidas para o andar de cima. Minha mãe falou que lá é todo nosso – falou animada. Ela adorava festas.

— Melhor mãe. Mas Erza, eu precisava conversar com você sobre algo – comecei.

— É sobre a sua discussão com o Natsu hoje de manhã? – perguntou carregando uma bandeja de brigadeiros.

— Isso também. Mas era outra coisa. Por que estamos aqui hoje?

— Porque... Porque eu tive que dar uma desculpa esfarrapada – falou exasperada colocando a bandeja em uma mesa enorme.

— Por que?

— Eu não sei, Lucy. Eu simplesmente travei quando Jellal chegou, falei a primeira coisa que me veio a cabeça.

— Erza, você não pode deixar de encarar essa situação. Eu sei porque a Minerva te incomoda. Você sabe também.

— Eu sei. Sabe quando eu te contei do meu ex? – assenti e ela continuou – eu não contei a história toda. Jellal foi quem me contou o que Simon estava fazendo. Nós já fomos melhores amigos, acredite se quiser. Tudo acabou de repente, eu nunca entendi.

— Melhores amigos? – falei impressionada, já que hoje em dia eles pareciam tão próximos quanto Gajeel e eu – mas o que isso tem a ver?

— Queria dizer que Jellal já foi muito especial, e agora ele é especial de forma diferente. Só que agora ele está agindo estranho, como se não se importasse – ela disse e fez uma pequena pausa antes de continuar – não sei o que fazer, tenho traumas do meu relacionamento anterior, por mais que eu não admita.

— Erza, o seu próximo amor não tem culpa do anterior. Jellal nunca vai ser como Simon. Você não pode se fechar só porque se decepcionou antes – falei finalmente entendendo a situação.

— Eu sei.

— Prometa para mim que você vai pensar nisso e decidir o que fazer – pedi.

— Prometo. Agora me conta da discussão.

— Foi uma coisa muito idiota. Natsu estava brincando comigo/me irritando e aí eu fiquei puta porque ele leu algo que não devia. Depois ele debochou da minha timidez, pelo menos eu achei que debochou e aí eu disse que o odiava. Para de rir.

— Vocês dois tem cinco anos de idade quando estão juntos.

— Eu exagerei, eu sei. Mas agora eu não posso pedir desculpa. Ele errou em ler.

— Ele vai pedir desculpa. Natsu não sabe ficar brigado com ninguém.

— Eu também não sei. E foi tão idiota.

— Foi – concordou e a campainha tocou – Lucy, você pode atender a porta para mim?

— Posso.

Desci as escadas correndo e abri a porta. E como eu sou uma garota de sorte, era justamente o ser com que eu precisava ajustar os ponteiros com. Fiquei parada um tempo encarando-o, coisa que evitei fazer o dia todo. O que não foi tão difícil por conta das provas.

— Luce! – falou surpreso e depois adotou um olhar determinado e completou – a gente pode conversar?

— Podemos – concordei.

Ele passou pela porta e eu a fechei apoiando as costas na mesma esperando que ele dissesse alguma coisa.

— Eu queria me desculpar por hoje – falou meio sem jeito passando a mão pelo cabelo.

— Hmm... – fiz um pequena pausa fingindo pensar.

— Olha, se você quiser eu bebo Nescau o resto da vida. Só me desculpa...

Comecei a rir, perdendo a compostura. Ele TINHA que citar a discussão sobre achocolatado. Ele riu também e foi como se nada daquilo tivesse acontecido. Natsu Dragneel era mesmo um ser inacreditável.

— Não precisa. Eu exagerei um pouco também.

— E como você pretende me compensar por isso? – falou voltando ao modo pervertido usual.

— Fica sendo seu castigo por ler meu romance – retruquei irredutível.

Após alguns minutos todos já estavam presentes, inclusive Mira e Elfman. Gajeel e Levy pareceram meio estranhos, ela chegou com um livro de química com um post-it rosa pendendo para fora e entregou ao moreno alegando que ele o havia esquecido na biblioteca. Mas o Gajeel na biblioteca? E o livro dele com post-it rosa? Eu perguntaria se algo tinha acontecido depois. Tivemos que tirar da sala o irmãozinho mais novo da Erza, Romeo, que amava Jellal e Natsu e não parava de querer leva-los para jogar vídeo game com ele.

— Romeo, eu só vou falar mais uma vez. Essa festa não é para você, então vá para o seu quarto – Erza ordenou já sem paciência.

— Outro dia eu venho jogar com você, cara – Natsu o consolou bagunçando seu cabelo.

Depois de comermos quase tudo que tinha, decidimos fazer um jogo de bebidas para animar a noite. Sentamos em círculo no tapete felpudo da sala e deixamos a garrafa de tequila e os copinhos no meio. Erza explicou que quem já tivesse feito o que a pessoa da vez dissesse que nunca tinha feito, deveria beber uma dose.

— Eu começo – falou Gray empolgado – essa é dedicada para vocês meninas. Eu nunca beijei um homem – terminou, fazendo com que todas as meninas bebessem.

— Ok, minha vez – Erza anunciou – eu nunca... Brinquei de salada mista quando criança.

— É uma frustração muito grande – falei para Juvia ao meu lado que também bebia. Jellal e Mira também beberam.

— Concordo, uma vergonha – ela exclamou antes de virar tudo em um gole.

Depois de várias rodadas, todos já haviam bebido muito. Chegamos ao ponto de falar coisas como “eu nunca roubei um carro” (Gajeel bebeu nessa, segundo ele, já tinha roubado o carro do pai dele uma vez junto com o irmão), “eu nunca joguei strip poker” (Gray, Natsu e Elfman beberam nessa), “eu nunca corri seminua pela rua” (sim, todos os meninos, a exceção de Elfman, beberam por conta daquela nossa pequena vingança) e então Gray falou:

— Eu nunca beijei ninguém dessa roda.

Eu, Natsu, Erza e Jellal não tínhamos nada a esconder e bebemos. Mas algo me chamou a atenção. Uma troca de olhares entre Gajeel e Levy. Alguém tinha muito o que me explicar amanhã. Depois disso, jogamos Just Dance e depois Quem sou eu?, que foi muito divertido porque estávamos esquecendo quem eram as pessoas e quais dicas já tínhamos recebido, já todo mundo ainda estava bêbado. No final da rodada, estavam apenas eu e Natsu jogando.

— Eu sou uma pessoa? – perguntou.

— Sim. Eu sou um animal?

— Eu não sei mais o que você é – falou rindo – ah, lembrei. Sim, você é um animal. Eu sou um homem bonito?

— Sim. Eu sou um coala? – perguntei.

— Não. Personagem de algum filme, novela ou livro?

— Sim. Eu sou grande?

— Não. Eu já sei, eu sou o Jace.

— Ah, não! Eu perdi! – exclamei. O álcool trazendo minha sinceridade à tona. Será que eu tinha colado Jace na testa do Natsu? Não duvido nada.

— Viu? Eu estava certo. Eu sou o Jace.

— Cala a boca.

— Vem calar.

E ao contrário do que ele esperava, eu não o beijei. Apenas me joguei em cima dele e comecei a fazer cosquinha. Acabamos rolando pelo chão da sala rindo. Não que alguém tivesse percebido. Estavam torcendo para Mira acabar com a raça do Gajeel em algum jogo que eu não conhecia. Depois disso decidimos ir dormir. As meninas ficariam no quarto da Erza e os meninos no quarto de hóspedes. Não me encontrava bêbada mais quando fui trocar o pijama. Estava quase entrando no quarto quando sou interrompida.

— Dorme comigo, Luce – Dragneel sussurrou no meu ouvido manhoso.

— Natsu! Você ainda está bêbado? – perguntei baixinho.

— Não.

— Você sabe que eu não posso – respondi e lhe desejei boa noite com um selinho rápido.

— Boa noite, Luce – respondeu ele com um sorriso.

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Gajeel

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Levy chegou toda corada para me entregar o livro de química que eu nem sabia que havia deixado para trás. Agradeci e subi para coloca-lo na mochila quando noto um post-it que não estava ali antes. Puxei para ler o que estava escrito.

Me desculpe pela demora.

Podemos conversar

sobre o que você disse?

Levy

Então ela finalmente entendeu.

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Continua...

Notas finais
E foi isso. Capítulo meio fraco em minha opinião, mas minha inspiração estava com preguiça essa semana e eu não queria deixa-los sem nada por 15 dias. Prometo melhorar no próximo. Fiz um desenho de uma cena do especial Jerza (a do flash back do Jellal pequeno), não ficou grandes coisas, mas fiquei com vontade de fazer. Se alguém quiser dar uma olhada, aqui está o link: https://br.pinterest.com/pin/560698222341153122/ Me digam o que acharam do cap nos comentários. Espero ter agradado e me desculpem por qualquer erro. Beijos!