10 coisas que eu odeio em você
9 Capítulo 8 - É melhor correr atrás do carrinho de picolé
Notas iniciais
08:10h – Quarto 201 da Pousada Tenroujima
As meninas acordaram ao som do despertador tocando uma música tema de Missão Impossível, que segundo Erza era para dar inspiração. Enquanto isso no quarto ao lado, os alvos dormiam como bebês. Lucy não tinha dormido muito, ficou repassando o que aconteceu no refeitório entre ela e Natsu. Seus pensamentos questionavam o porquê de ele fazer isso com ela, ele só queria curtir, não é? Queria tê-la em sua cama, como todas as outras sem se comprometer, mas por que se esforçar tanto por alguém que se faz de difícil enquanto poderia estar com outras garotas que facilmente aceitariam sair com ele? Deve ser por conta do desafio que eu represento... Eu odeio esse garoto, poderia facilmente listar 10 coisas que eu odeio nele, pensou antes de cair no sono à uma da manhã.
— Vamos meninas, temos um carro pra roubar e uns idiotas pra enganar, a agenda tá cheia hoje – disse Erza, já desperta e completamente animada.
— Hai... – responderam as outras completamente sonolentas ainda.
Fizeram sua higiene matinal, vestiram roupas curtas e colocaram o roupão floral da pousada por cima de modo que escondesse tudo. Juvia e Lucy se dirigiram para a garagem enquanto Levy e Erza ficaram observando o corredor em busca de qualquer indício dos garotos. Era o início da fase cinco.
08:30h – Garagem da Pousada Tenroujima
— Ohayo, Yamashiro-san – Juvia cumprimentou o homem que cuidava do estacionamento.
— Ohayo, do que a senhora precisa Juvia-sama? – perguntou.
— Eu preciso da chave daquele carro, a BMW azul cobalto ali – respondeu a azulada apontando o carro de Jellal.
— Juvia-sama, mas é um carro de um cliente, não posso te entregar a chave – disse o homem um pouco nervoso. A azulada ia responder, mas recebeu uma mensagem.
Erza: O Gajeel saiu do quarto antes dos outros, Levy está resolvendo isso. Fiquem de olho mesmo assim.
— Ah, está tudo bem, é do meu namorado, Jellal Fernandes, ele veio aqui com os amigos nesse carro e eu com minhas amigas. Ele pediu que eu pegasse a chave dele – Juvia consertou rapidamente – se puder entregar a da minha amiga também, está no nome de Erza Scarlet.
– Claro, Juvia-sama, desculpe-me por ter duvidado da senhora – disse o homem, entregando duas chaves.
– Obrigada Yamashiro-san. Eu entendo, é a política da pousada, o senhor está certíssimo. E mais uma coisa, deixe esses dois carros prontos para sair as 09:20h, por favor.
– Considere feito.
As duas garotas agradeceram e saíram mandando uma mensagem.
Lucy: Erza, já está feito.
08:30h – Corredor próximo ao quarto 201 da Pousada Tenroujima
Erza e Levy espiavam pelo pequeniníssimo vão da porta entreaberta do quarto delas. Então veem Gajeel assobiando pelo corredor. Em um ato desesperado, Levy sai pela porta esbarrando nele e ambos caem. A ruiva apenas observa e atualiza as que estavam na garagem.
— Oe, baixinha, não se sai dessa maneira do quarto. Uma hora você mata um – disse o moreno.
— É você que não olha por onde anda – disse ela irritada.
— Ei, até quando você pretende ficar em cima de mim? – pergunta Gajeel.
— Até quando eu quiser – disse Levy fazendo bico. Então Gajeel finalmente se lembrou do plano dos meninos, ele só ouviu algo sobre seduzir já que se encontrava pensando em outra coisa muito mais interessante do que ouvir marmanjos falando.
— Já que é assim... – ele disse de forma sedutora, trocando as posições e deixando a azulada com as costas no chão.
— Oe, seu brutamontes, o que acha que está fazendo? – disse corando.
— Nada que você não queira – respondeu baixando o rosto lentamente.
— Levy-chaaan, a gente sai pra buscar um remédio e quando volta você já está se agarrando com alguém no corredor? – disse Lucy, chegando junto com Juvia, ambas rindo maliciosamente.
— Não é nada disso que vocês estão pensando – disse a menina corada empurrando o garoto de cima dela e se levantando.
— E-então, re-remédio pra que? – perguntou o garoto já de pé também envergonhado.
— Erza está com um pouco de dor de cabeça – respondeu Juvia.
— Entendi, melhoras pra ela. Acho que depois disso vou até voltar pro quarto...
09:00h – Quarto 401 da Pousada Tenroujima
As garotas esperaram os donos do quarto irem esperá-las no refeitório e foram invadir o 401, porém ficaram paradas na porta do quarto, esqueceram-se de um detalhe muito importante. Pegar a chave extra do quarto. Como iriam entrar agora? Em meio ao desespero de por o plano a perder, Levy se lembra do grampo em seu cabelo, podia funcionar. Mas não funcionou.
— Minna, eu não acredito que um detalhe desses nos passou – disse Levy indignada.
— Somos muito estúpidas, nem merecemos a vingança – reclamou Erza.
— E-eto, tá aberta minna – falou Lucy sem jeito.
Elas entram e partiram pra ação. Juvia pegou uns sacos que ficavam no banheiro para uso das camareiras e distribuiu. Esvaziaram as mochilas, separando o conteúdo de cada mochila em cada saco.
— Eu não acredito que estou tocando em uma cueca usada do Natsu – reclamou a loira, tirando a cueca de um bolsinho separado para roupa suja aparentemente, porque havia meias lá também – pelo menos ele não tem chulé...
— Gray-sama não dobra as roupas, pelo amor de Kami – disse Juvia expirando.
— Vamos meninas, menos reclamação mais trabalho – disse Levy.
– Achei o celular do Gajeel – falou Erza triunfante enquanto terminava de jogar as roupas do mesmo dentro do saco – esses garotos não tem medo de serem assaltados mesmo, porta aberta, celular nas mochilas...
— Tem um aqui no criado-mudo também – falou Levy.
— O do Gray-sama tá no meio da bagunça dele.
— Eu não estou achando o do Natsu... – disse a loira preocupada revirando as roupas – achei!
Encheram as mochilas com os lençóis que trouxeram do quarto delas e saíram correndo em direção à garagem carregando as sacolas e os celulares. Não era necessário vigiar os meninos, o refeitório não tinha visão para a garagem.
09:10h – Refeitório da Pousada Tenroujima
— Cadê aquelas meninas? – questionou Gray irritado.
— Falam pra gente não se atrasar e elas mesmas não cumprem o que pedem – reclama Natsu.
— Sentindo minha falta, Dragneel? – perguntou Lucy apoiando as mãos atrás da cadeira do rosado, por dentro se perguntava por que disse aquilo, foi completamente espontâneo.
As outras chegaram e se sentaram. Então os garotos deram início ao plano deles, que consistia em deixar o peitoral bem definido à mostra afrouxando o roupão um pouco e se necessário utilizar o que eles tinham de melhor além da aparência, a lábia. O lance do peitoral tinha causado um efeito de fato.
Em algum momento durante o café, Jellal comeu uma cereja do bolo que possuía um talinho. Passado alguns segundos, ele mostrou a língua onde estava o talinho, só que formando um nó.
— Sugoy, Jellal – comentou Erza.
— Ah, você acha? Obrigada. É uma habilidade muito útil pra outras coisas também, se é que entende – respondeu o azulado com um sorriso matador. A ruiva adotou a cor dos cabelos na face também depois desse comentário.
Enquanto isso, os outros davam seu melhor usando sorrisos de derreter até a mais difícil, fazendo com que mãos se tocassem para pegar o pão, por exemplo. Gajeel parou por aí, já tinha feito sua parte no corredor e talvez tivesse dado certo se não tivesse sido interrompido, mas Natsu tirou a parte de cima do roupão, este ficou amarrado em sua cintura apenas.
– Tá muito quente aqui né, Luce? – falou o rosado enquanto o fazia. Lucy que bebia seu suco de morango distraída quase engasgou quando olhou pra ele. Gray fez o mesmo com Juvia, mas no caso disse que nem percebeu que havia tirado quando a mesma perguntou o porquê dele estar seminu. Era convincente, o garoto realmente tinha esse hábito de tirar a roupa, porém foi completamente proposital dessa vez.
O café-da-manhã chegou ao fim sem que as garotas cedessem aos encantos dos rapazes, que ficaram extremamente frustrados, mas era certo que o plano tinha uma grande chance de falha. Então elas disseram que já iriam embora e eles falaram que iriam também. Foram em direção ao quarto juntos, assim que eles entraram elas jogaram os roupões no quarto delas e correram como se o diabo estivesse atrás. A fase seis e última estava começando.
No quarto os garotos finalmente perceberam o que aconteceu e saíram correndo atrás delas a tempo de ver pela janela da pousada dois carros na saída buzinando. Não pensaram duas vezes e foram atrás.
— Suas desgraçadas – gritaram ao chegar perto dos carros – devolvam as nossas roupas e o carro!
— Isso é uma lição, a gente sabe o que aconteceu de verdade. Vocês vieram ver A GENTE e olharam por MUITO tempo – gritou a ruiva de dentro da BMW do azulado, onde Lucy estava no banco do carona. No carro de Erza estavam Juvia e Levy.
Conforme o plano, fizeram eles correrem atrás do carro por meio quilômetro até um bairro meio pesado que ficava na saída da cidade, conhecido por ser a rua das prostitutas e dos drogados. Foi aí que as coisas começaram a desandar, praticamente ao mesmo tempo Gray perdeu toda a roupa (não, ele não estava usando nada por baixo) fazendo Juvia quase bater o carro e Gajeel gritou:
— Eu cansei desse chinelo, está me atrasando – lançou o chinelo pelo ar e acertou um drogado que fumava tranquilamente na beirada da rua.
— Vá se fuder, seu filho da puta. Tô aqui na paz fumando meu crack e vem um idiota que nem você e atrapalha – gritou o drogado – Eu vou te arrebentar!
— Nossa, pra você é de graça, chega aqui gostoso – chamou de modo provocante uma prostituta que esperava o próximo cliente do lado de fora de sua casa se referindo a Gray.
Foi então que as meninas decidiram que era hora de encerrar a brincadeira.
— Gray e Gajeel, vão pro meu carro – gritou Erza – Natsu e Jellal entrem aqui.
— Vocês nos pagam – esbravejou Natsu sentando-se no banco de trás – você está me devendo duplamente loirinha.
— Não sei do que você está falando, não fui eu que espiei pessoas em termas pra dever alguma coisa – respondeu impassível virando para encará-lo.
— Já sei como a gente pode resolver isso de uma vez por todas. Queimada! Hoje, 16:00h, no Parque das Sakuras, além de terem todos os pecados perdoados os vencedores podem pedir quatro coisas e pronto, fim das vinganças – anunciou muito sério.
— Tá bom, Dragneel, mas veste umas roupas primeiro. Não dá pra te levar a sério quando metade do seu roupão já caiu – respondeu a loira.
Enquanto isso, no outro carro...
— Gray-sama, não sente nu no banco do carro. Você está atrapalhando a Juvia, que dizer, eu a dirigir – falou Juvia corada.
— Então quer dizer que eu te desconcentro? – perguntou malicioso.
— Baixinha, posso saber por que a língua do meu celular é árabe agora? Sua desgraçada...
Às vezes é melhor correr atrás de um carrinho de picolé do que de certas pessoas, o picolé você tem certeza que vai conseguir.
Continua...
Fale com o autor