10 coisas que eu odeio em você
10 Capítulo 9 - Parece que o jogo virou, não é mesmo?
Notas iniciais
Depois que Natsu e os outros se vestiram, devolvemos o carro pra eles bem como seus pertencentes e eles voltaram para pousada para devolver os roupões e pegar a mochila que esqueceram lá. Juvia teria que explicar a confusão toda pra família dela, por isso já fez uma ligação assim que nos despedimos deles sob a promessa de encontrá-los mais tarde no Parque das Sakuras para uma partida decisiva de queimada.
Já em casa, alimentei meu cachorro e resolvi tomar um banho e dormir um pouco, quem sabe até voltar a escrever meu romance, ultimamente voltei a ter inspiração. Fiquei refletindo sobre o fim de semana na pousada enquanto a água descia pelo meu corpo. Eu não posso continuar negando o fato de que uma hora ou outra vou acabar cedendo e beijando o Dragneel. Ele me faz ficar sem graça em 50 maneiras diferentes, é um pervertido de primeira, mas não posso falar que eu não o quero. Ah, eu odeio dar razão para ele. Se ele só quer diversão como eu penso, eu poderia encarar a situação do mesmo jeito. Um beijo não vai nos matar. Só que ele quer que eu peça um beijo pra ele e isso está além das minhas possibilidades, porém isso é fácil de resolver, a queimada hoje marca o fim de todas as vinganças, inclusive a dele, o idiota nem percebeu. Droga, estou pensando bobagens...
Dormi um pouco até às três da tarde, depois fiz um sanduíche (pão australiano com cheddar, bacon bem frito e peito de peru) e suco de limão siciliano. Liguei para o táxi enquanto escolhia a roupa, optei por uma blusa cinza de alcinha onde estava escrito “I only date bad boys” ¹ em azul-marinho e um short preto curto de lycra.
15:55h – Parque das Sakuras de Magnólia
Lucy: Meninas, já cheguei. Cadê vocês?
— Você chegou cedo também – constatou Natsu, chamando minha atenção. Ele estava segurando uma bola, usava uma camiseta branca que realçava os músculos de seu braço e uma bermuda leve preta.
— Eu vim de táxi, ainda não sei andar aqui em Magnólia.
— Você podia ter vindo comigo, você sabe né? A propósito, você está muito bonita. A blusa é uma espécie de indireta?
— Haha, muito engraçado – respondi irônica.
— Vem, a gente vai jogar naquele gramado depois dessa fileira de sakuras – falou ele me puxando pela mão.
— Tá bom – disse corando. Sentamos na grama esperando o resto da turma chegar. E então ele fez algo inesperado, corou um pouco e enfiou a mão no bolso. Tirou de lá um chaveirinho de por no lugar da entrada do fone de ouvido no celular e colocou na minha mão. Na ponta estava o símbolo da Fairy Tail.
— E-eu comprei pra você no caminho pra cá, eu sei como a FT é importante por causa do lance da sua mãe e tal. Achei que fosse gostar – disse ele completamente sem graça, passando a mão pelos cabelos.
— Nat-su... Obrigada, eu amei – falei corando também e dei um beijo na bochecha dele, o mesmo se surpreendeu com tal atitude.
— De nada – respondeu usando um sorriso infantil.
Depois de alguns minutos, finalmente todos estavam reunidos. Tiramos os sapatos para marcar o campo e começamos a jogar pelo direito de humilhar os perdedores em quatro maneiras diferentes. Erza explicou as regras:
— Quem for queimado e queimar alguém pode voltar. O jogo define o final da rodada de vinganças de qualquer tipo entre nós. O time vencedor tem direito a quatro pedidos envolvendo quantas pessoas do outro time quiser, e que podem ser usados daqui até a eternidade.
Fizemos par ou ímpar para decidir quem começava com a posse da bola, levamos a melhor nessa. Erza jogou a bola para acertar Natsu e conseguiu. Ele apenas sorriu, como se tudo estivesse no devido lugar.
— Adorei esse negócio de queimar e voltar, agora não só meu time tem a bola, como o espaço de vocês foi reduzido e eu posso voltar a qualquer momento – provocou ele, não era capitão do time à toa, a estratégia era muito boa.
— Você se acha demais, Dragneel – respondi e só por isso ele mirou em mim, porém consegui me esquivar. O jogo continuou na mão deles por um tempo até que Levy foi queimada por Gajeel. A baixinha já irritada jogou a bola com tudo e acertou a cara do Gray, mas ele segurou. O mesmo jogou a bola querendo queimar Juvia, a bola atingiu o peito da garota, foi para o ar e eu segurei. Ao lança-la novamente, consegui queimar Jellal no pé.
O azulado foi para o campo dos queimados e Natsu cochichou algo em seu ouvido. Jellal partiu para o ataque e queimou a Erza. A ruiva virou um demônio depois disso, se dirigiu para o campo dos queimados e ficou fazendo joguinho para cansar os meninos em campo, em algum momento conseguiu acertar Gajeel. E voltou para o jogo de verdade.
Parecia que a partida já estava ganha, restava apenas Gray e Jellal, e ainda tínhamos três em campo. Foi então que o jogo virou, depois de algum tempo de joguinho, eu e as meninas já estávamos praticamente nos jogando no chão para sobreviver e Natsu finalmente voltou dos mortos queimando Juvia. Novamente com a posse da bola, fizemos jogadas mirando em Gray que acabou sendo queimado. Os garotos continuaram nos cansando, até que Jellal queimou a ruiva novamente, que a esse ponto estava prestes a mata-lo.
— Você está fazendo de propósito, seu desgraçado – reclamou ela enquanto se dirigia para o campo dos queimados – Lucy, contamos com você.
— Hai – estava determinada a ganhar. Realmente não sabia como ainda não havia sido queimada. Continuamos em uma luta para que alguma de minhas parceiras voltasse à ativa, fazendo lances ousados, obrigando os garotos a se jogarem apenas para desviar, entretanto Dragneel acabou pegando a bola por um triz. Fudeu muito!
Eu dei meu melhor, teve um momento em que eu caí fazendo uma ponte apenas para me esquivar. Mas, em um dado momento, aquele idiota rosado me acertou bem nos seios e esse foi o fim para nós. Havíamos perdido e teríamos que realizar quatro desejos.
— Desculpe meninas – disse ainda ofegante devido às tentativas de salvar o time.
— Tudo bem, Lu-chan, você foi incrível – me confortou Levy – o pior vai ser ouvi-los contando vitória...
— Me sinto tão... Vingado – falou Gray.
— Concordo, mas agora temos que declarar nossas condições às perdedoras. Ge-he – concordou Gajeel rindo de orelha a orelha. Eles se juntaram passando o braço uns nos outros formando uma rodinha para decidir. O sol já ia se pondo no horizonte.
— Bom, a primeira exigência é que vocês comprem lanche para nós todos os dias, o dinheiro será nosso, mas terão de ficar na fila e trazer a bandeja, cada uma cuida do lanche de um de nós – anunciou Gray. Nos afundamos no chão, aquilo ia mal.
— Quanto às outras, vamos deixa-las para usar daqui até a eternidade, acho que vocês poderiam usar um pouco de tortura psicológica – terminou Natsu. Suspiramos, poderia ser pior.
— Ok – respondemos a contra gosto.
— Acho que deveríamos ir para uma sorveteria, o que vocês acham? – convidou Jellal.
— Primeira coisa sensata que você faz hoje, Jellal – a ruiva ainda não havia superado.
A caminho da sorveteria, Natsu e eu ficamos um pouco para trás. Conversávamos sobre qualquer coisa¸ só que eu dedicava apenas uma parte da minha atenção à conversa, a outra parte ficava refletindo se deveria ou não fazer a pergunta que girava em minha mente. Optei por fazê-la.
— Natsu, por que você não usou um dos pedidos para me obrigar a cumprir sua vingança? – o questionei.
— Olha Luce, eu não sei que ideia você tem de mim, mas eu nunca iria te obrigar a isso. Ainda mais agora que essa nossa diferença acabou, afinal a queimada terminou com qualquer tipo de vingança entre nós. Mas se você quer tanto assim cumprir, quem sou eu pra reclamar, não é mesmo? – falou a última frase lançando-me um sorriso malicioso.
— Ridículo – reclamei, ele realmente não perdia uma oportunidade – não pensei nada disso, é e-eu... Pensei que você... Deixa pra lá – comecei a gaguejar e desisti de explicar. Como eu ia dizer que queria o mesmo que ele, que achei que ele não perderia a chance de fazer algo acontecer, já que ele parece saber mais que eu mesma das minhas vontades e sabe que beijá-lo não as contradizem nem um pouco.
— Baka – riu – eu só estou brincando, não precisa ficar toda confusa. Sei que você não pensa isso de mim, até porque não dei nenhuma razão para isso – completou ele. É, talvez ele não saiba tanto assim das minhas vontades...
Continua...
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