10 coisas que eu odeio em você

4 Capítulo 3 - Abraçando o capeta


Notas iniciais
Olá! Falei que postaria toda sexta, mas mudei de ideia. Boa leitura.

— Está atrasada, Sra. Heartfilia. Que isso não se repita – censurou ela e continuou — ...como eu estava dizendo, não é apenas dança, vocês precisarão atuar um pouco. Ajam como se estivessem apaixonados um pelo outro.

Enquanto ela tagarelava sobre a música, tendo cada uma de suas palavras sendo absorvida pelo técnico Scorpio, eu troquei meus tênis por sapatilhas e me sentei entre Natsu e Levy, sendo observada pelo rosado o tempo todo. Não tardou para que Aquarius começasse os alongamentos (meu espacate ainda estava perfeito) e a nos ensinar os passos. Tive que “abraçar” Natsu (é como dizem, tá no inferno, abraça o capeta) para os passos que vieram após a caminhada para encontrar o par. Minhas bochechas estavam coradas desde que a música se iniciou. Queria estar morta...

— Lucy, se te fizer parar de ficar com essa cara eu juro que não faço nenhuma gracinha – disse Natsu com a boca próxima do meu ouvido. Aquilo me causou arrepios. Mas espera aí, Natsu sendo fofo? Me chamando de Lucy?

— Você está falando sério? – sussurrei de volta.

— Claro, parece que você vai passar mal a qualquer minuto, isso tudo é medo de não resistir ficando tão perto... – se interrompeu rindo – Desculpa, eu disse que não faria nenhuma gracinha.

— O-obrigada – gaguejei de volta, não estava acreditando no que estava acontecendo. E quando vi, ele me levantou do chão. Me assustei, mas logo percebi que era o passo que deveríamos estar fazendo. Droga, eu precisava focar ou jamais conseguiria apresentar.

­– De nada. Isso é pra você ver que eu não sou esse idiota completo como acha que sou – disse ele me colocando de volta no chão.

O resto do ensaio passou normalmente, chegamos até a metade da música. Para o primeiro não estava nada mal. E era duro pra mim admitir, mas devia aquilo ao algodão-doce. Ele era um ótimo dançarino e controlou aquele lado pervertido o tempo todo ou quase... “Nee, Luce. Você fazendo aquele espacate. Achei interessante...” , tenho certeza de que ele estava pensando merda quando disse aquilo.

— Bom, vocês estão dispensados. Só queria dizer algo antes, EU QUERO MAIS PAIXÃO, VOCÊS ESTÃO PARENCENDO MOSCAS MORTAS! – falou Aquarius, se exaltando – De que adianta uma dança perfeita se esta não passa emoção? Sintam a música. Pronto, agora podem ir. Amanhã, mesmo horário.

Até quando ela elogiava, ela xingava, vai entender essa mulher. De repente senti uma necessidade de agradecer Natsu, afinal de contas aquilo tudo só deu certo por causa dele e por causa da química quase natural que tínhamos dançando juntos, mas isso eu nunca iria dizer. Algumas coisas são melhores quando não ditas.

­– Nee, Natsu – chamei.

— O que foi? – disse ele dando uns passos pra trás pra ficar ao meu lado e de Levy.

­– Só queria agradecer de novo, pelo que você fez por mim hoje. Ia ser bem pior se você estivesse sendo, bem... Você – falei rindo.

— Um simples obrigado já vale. Eu disse, vou tirar essa péssima impressão que você tem de mim – disse com um meio sorriso, e logo se virou para ir embora.

— Parece que o Natsu mudou de tática. Ele já percebeu que você não vai se deixar seduzir pelas cantadas baratas dele – disse a azulada assim que o Dragneel tomou certa distância de nós.

­– Ou talvez ele só queira ser amigo – nem eu mesma acreditava no que havia acabado de dizer, por isso ri – tá, é pouco provável. Mas pelo menos com essa nova técnica dá pra aturar ele por perto. Já vou indo Levy-chan. Até amanhã.

­– Até – falou a azulada, sorrindo – ah, Lu-chan, vá dormir lá em casa hoje à noite. Eu, Erza e Juvia faremos a noite das garotas, meus pais estão fora da cidade. Chegue por volta das oito, te mando mensagem com o endereço.

— Ah, vou sim. Obrigada por me convidar – disse feliz. Como já eram seis horas, corri para poder tomar banho e descansar um pouco antes de ir.

Tomei um banho rápido, coloquei um cropped de crochê branco e um shortinho azul, deixei os cabelos soltos e tratei de fazer uma bolsa com pijama, casaco, escova de dente, as roupas e os livros que precisaria no dia seguinte na escola. Chamei um táxi e dei o endereço, o que foi completamente desnecessário, pois a casa da Levy era a um quarteirão de minha casa, só que a novata aqui não conhecia todas as ruas próximas ainda.

Chegando lá, fizemos pipoca de gordo (com manteiga derretida por cima e sazon) e assistimos Amizade Colorida (eu já havia assistido ao filme milhões de vezes, porque era meu segundo preferido). Ao final do filme, Levy foi à cozinha e voltou com uma garrafa.

— Acho devemos levar essa festa a um nível mais adulto – disse rindo.

— Mas temos aula amanhã – Juvia disse o que todas estávamos pensando.

— Ah minna, é só um dia e além do mais, a gente não precisa ficar muito bêbada – falou ainda balançando a garrafa.

­– Tá bom, mas se amanhã a gente perder a hora, vamos te culpar – disse Erza.

— Ótimo, porque eu já tinha trazido os copos.

Cara, eu só conhecia gente louca. E lá estava eu, em plena terça-feira, bebendo vodka pura com suco em pó. Eu já havia bebido antes, mas só uma taça de champanhe no ano novo e eventos do tipo, não aquela vodka do capeta. Então quando terminamos a garrafa estávamos rindo muito e falando bobagens.

­– Minna, tive uma ideia. Vamos jogar verdade ou desafio – falou Erza do nada, olhando pra garrafa vazia.

­– Ah, mas é tão 12 anos – disse eu.

­– Admita Lucy, não importa quão velha você seja, verdade ou desafio nunca perde a graça – disse a ruiva.

— Tá bom, admito. Eu começo girando, tampa pergunta, o outro lado responde – fizemos uma roda e eu girei a garrafa, esta parou com a tampa virada pra mim e base para Levy. Ela escolheu verdade – É verdade que Gajeel-kun é aquele garoto que você diz ser o único pra quem tem olhos?

— C-como você sabe? – disse olhando de forma acusatória para Erza e Juvia – isso nem tem graça...

— Não foram elas, qualquer um com olhos pode perceber o jeito que você olha pra ele – ri da cara dela.

­– Ok, minha vez de girar – disse girando, quem responderia dessa vez seria eu e Erza faria a pergunta. Escolhi desafio, não sei porque, a bebida devia mesmo estar afetando meu cérebro.

—Uuuuh. Deixa eu ver, desafio você a ir a casa do Natsu e... – sussurrou o restante em meu ouvido. Mesmo que a bebida tivesse me deixado menos tímida, minhas bochechas coraram, depois ela continuou – e se não fizer, vai ter que usar as roupas íntimas por cima do que for vestir amanhã.

— Ah, não. Por que justo ele? – resmunguei.

Todas rimos, Erza não jogava pra perder nem quando não estava sóbria. Então se viraram aguardando minha resposta, as duas azuladas extremamente curiosas sobre o que eu teria que fazer na casa de Natsu.

­– Desafio é desafio, não é mesmo? – e quando disse isso pude ter certeza que estava mais bêbada do que qualquer outra coisa, todas estávamos.

O sino já batia doze vezes na catedral Kardia. Mas ninguém deu importância.

Continua...

Notas finais
Então, o que será que Erza propôs? O que acharam do capítulo? Deixem a opinião de vocês nos comentários. Queria dizer que daqui a uns dois ou três capítulos terá uma surpresa pra vocês. Beijos!