Notas iniciais
Minna! Seguinte, esse especial acontece no final da festa/dormidão da Erza. Eu ia fazer o capítulo sobre a festa primeiro, mas minha inspiração não colaborou. Então ele ficou para semana que vem. Nesse capítulo Erza e Jellal se alternam nas narrações. Fiz com muito carinho. Boa leitura!

Erza

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Já eram quatro e meia da manhã. A madrugada estava fresca e uma brisa agradável soprava na sacada. O céu já estava azul menos escuro e as estrelas já não podiam vistas. Lá dentro do quarto todos dormiam e nem perceberam minha saída. Não havia nada melhor do que aquele cenário para acompanhar os pensamentos de uma mente confusa, não era como se eu fosse dormir mesmo. Sentei-me na borda da sacada, onde geralmente se apoiava os braços para observar a vida passar.

Adorava me sentar ali para pensar desde criança, embora minha mãe sempre me censurasse dizendo que um dia eu ainda ia cair feio dali e me machucar. Meu quarto ficava no segundo andar. Apesar de a “festa” ter sido ótima, eu me questionava o motivo de ter feito aquilo, em primeiro lugar. Tudo me parecia tão estúpido olhando agora. Fora uma fuga ridícula. Que importava ele ter ouvido aquela conversa? Os garotos só estavam me convencendo a brigar porque queriam assistir duas mulheres pegando no tapa. Que importava a opinião de Jellal?

A verdade é que eu me importava sim, com a opinião dele. E havia mais, o único motivo para aquela provocação de Minerva me atingir era exatamente esse garoto. Fora isso ela só era uma infeliz que me odeia por nada. E honestamente, não encarar isso, fugir de toda essa situação, fingir que não sinto nada não é nem um pouco parecido com o que sou. Estou cansada de adivinhar o que ele pensa, de vê-lo agindo como se não desse a mínima. Eu não sou do tipo que senta e espera. Eu iria ser direta com ele. O seu próximo amor não tem culpa do anterior, foi o que Lucy me disse. Eu não posso viver com medo de me decepcionar, de repetir os mesmos erros.

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Jellal

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Eu não conseguia pregar o olho. Não seria a primeira vez naquela semana. Eu não estava confuso em pensamentos, pelo contrário. Eu tinha apenas um, venho o tendo desde que beijei Erza no MacLaren's. Era o seguinte: eu era um completo idiota. E provavelmente a magoei. E provavelmente estraguei tudo. E não era o suficiente para ela. Como poderia? Erza é linda, forte, sincera, inteligente, sexy como o diabo, independente... É o pacote completo. Ela nunca vai me ver como eu a vejo, como sempre vi. E mesmo compreendendo isso, por que eu ainda quero ser correspondido? Por que, mesmo falando para mim mesmo há tanto tempo que tinha desistido, resolvi tentar uma última vez? Ainda me lembro, como se fosse ontem, quando a vi pela primeira vez.

(flash back on)

Acabava de sair de uma longa viagem que me deixou extremamente entediado. Estávamos nos mudando para Magnólia e eu tinha cinco anos. A mudança já estava feita e a casa pronta, só faltavam os residentes chegarem. O carro estacionou em frente ao meu novo lar e quando eu olhei para a casa em frente vi algo que me chamou a atenção. Uma garota corria pelo gramado do jardim da construção de dois andares exatamente do lado oposto a onde eu agora moraria. Ela exibia um sorriso no rosto e seus cabelos voavam. Cabelos escarlates. E eu só consegui ficar parado na calçada observando-a. Agora voltando consigo ver que ali foi o princípio das coisas que passei a sentir desde então. Ela parou quando chegou à calçada e acenou para mim mantendo o sorriso no rosto. Eu nem sei se acenei de volta.

No dia seguinte, no parquinho do bairro, eu a vi novamente.

— Oi, sou Erza. E você? – perguntou ela se sentando no balanço ao lado do meu.

— Só Erza? – devolvi também com um questionamento.

— Scarlet. Erza Scarlet – ela respondeu num sorriso tímido.

— Como seus cabelos. Nunca vou me esquecer – disse genuinamente impressionado.

— Você ainda não me disse seu nome.

— Jellal Fernandes.

Eu só consegui pensar que considerando todas as ruas, todas as casas, todas as pessoas, eu tive a sorte de ser vizinho de Erza Scarlet. Era um pequeno milagre. Mas isso eu só percebi mais tarde.

(flash back off)

Vendo que eu não iria mesmo conseguir dormir resolvi tomar um ar na sacada. Passei pela porta de vidro e a fechei. E a cena que eu vejo faz com que eu me esqueça de respirar por alguns segundos. Erza estava sentada na sacada, o vento balançava levemente seus cabelos e sua camisola lilás. Perfeita...

— Se importa se eu te acompanhar? – perguntei de forma baixa. Eu não esperava encontrá-la ali.

— De maneira nenhuma.

— Também não está conseguindo dormir? – não pude evitar ficar curioso em relação ao motivo. Apoiei os braços na murada ficando ao lado dela, porém de pé.

— É, estou pensando demais para ter uma noite tranquila de sono – respondeu desviando o olhar da vista e mirando-o em mim.

— Sobre? – falei mirando minha casa do outro lado da rua, incapaz de manter aquele olhar por muito tempo. Não era minha culpa se ele não me deixava pensar direito.

— Sobre você – ela respondeu simplesmente e eu quase derrubei o anel com que eu brincava por entre os dedos sempre que estava nervoso ou entediado.

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Erza

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— Sobre mim? – ele exclamou voltando a me encarar. Senti aquela angústia e medo que acompanham um momento “tudo ou nada” como aquele. Mas eu iria até o fim.

— Eu não sei muito bem como dizer o que eu tenho para dizer, mas aqui vai uma tentativa. Jellal, eu estou cansada dessa situação. Eu entendo que você estava bêbado quando me beijou, que pode ter se arrependido. Mas eu quero avisar que eu não preciso que você fique comigo por nenhum outro motivo que não seja espontânea vontade, então não precisa ficar esquisito. Eu vou entender qualquer decisão que tomar, não sou nenhuma criança – disparei analisando suas reações. Ele estava exibindo as feições levemente tristes.

— Erza, eu não... – começou ele, mas eu não poderia parar ainda.

— Por favor, me deixe terminar ou eu perco a coragem. Estou cansada de fingir que está tudo bem, que eu não sinto nada por você, que você ficar distante do nada não me afeta. E peço desculpas por não ter sido mais madura e falado isso antes – falei e fiz uma pequena pausa para continuar – Jellal, eu preciso que você seja sincero comigo. Costumávamos ser melhores amigos, nos afastamos por motivos que eu sequer me lembro e isso machucou, quando voltamos não foi mais a mesma coisa, e como poderia? Eu não o via mais da mesma forma. Faz um tempo que eu já não o vejo mais como amigo, mas se for isso que você quer que sejamos, eu me esforçarei para voltar a enxergá-lo dessa maneira. É o que dizem, as piores armaduras que você pode fazer são aquelas para o coração. Elas não demonstram coragem e sim covardia. E eu estou me despindo da minha agora – me sentia, de certa forma, leve, independente do que ele dissesse em seguida.

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Jellal

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Dizer que eu estava sem fala era pouco. Era surreal ouvi-la dizer que gostava de mim mais do que eu sempre fui para ela, um amigo. Quando nos beijamos achei que ela o fez porque estava bêbada, eu só calhei de ser a pessoa disponível. Eu saí com ela porque quis tirar minhas dúvidas, afinal eu não tinha certeza que aquele fora mesmo o motivo. Só que me lembrei quão melhor do que eu ela era. Mergulhei em dúvidas novamente, fui um completo idiota e a magoei. Exatamente o que eu não queria fazer. Você tem uma coisa que se chama boca, Jellal Fernandes! Devia usá-la para perguntar ao invés de ficar imaginando coisas.

— Você gosta de mim? – perguntei ainda incrédulo.

— Gosto... – ela admitiu olhando para baixo e corando.

— Eu vou ser sincero com você – comecei olhando-a nos olhos, eu diria tudo. Tudo que sempre quis dizer e que não tive coragem, ela não merecia nada menos do que a verdade – para isso temos que voltar ao dia em que nos conhecemos. Assim que te vi, o pequeno eu de cinco anos não sabia, mas iria se lembrar até hoje daquele momento. Nos tornamos melhores amigos, Natsu morreu de ciúme quando fomos para a escola juntos porque eu havia roubado a vaga dele – ela riu e eu a acompanhei – bom, quando eu tinha 10 anos, descobri que estava apaixonado. Apaixonado por minha melhor amiga. Não contei isso para ninguém além de meu pai e continuei, pelo menos tentei continuar, agindo normalmente. Meu pai disse que era coisa de criança e que devia passar, e eu acreditei nele. Então eu completei 15 anos, muito coisa havia mudado, nossa amizade ficou menos forte. Você ficou com outras pessoas, eu também. E eu quase achei que aquele sentimento havia ficado para trás. Aceitei ser apenas seu amigo, quase acreditei que era só o que eu queria mesmo. Até que você começou a namorar Simon. E veja, eu tentei lidar com isso, tentei mesmo! Mas isso acabou trazendo tudo o que eu sentia à tona.

— Jellal...

— Não fale nada ainda. Sem querer eu comecei a me afastar. A gota d'água foi quando Simon me pediu que eu me distanciasse, ele percebeu que eu gostava de você. E ele disse mais e isso aqui é uma citação "ela nunca vai gostar de você cara, então porque não faz um favor para todo mundo e fica longe?". Honestamente, não sei o que você viu nesse cara. Admito que fiquei com raiva, ainda mais porque acreditei que ele estivesse certo. Eu havia perdido a oportunidade de ter feito algo antes – concluí e esperei pela resposta dela.

— Acho que estou com vontade de acertar a cara desse desgraçado de novo! Uma não foi o suficiente. Não acredito que ele disse isso – ela afirmou e inspirou profundamente – na verdade acredito, acredito sim.

— Eu nunca tive essa oportunidade. Mas eu quis muito fazer isso quando ele começou a espalhar sobre... Você sabe bem o que. Pena que estávamos na escola.

— Eu nunca te agradeci direito por ter me avisado – ela falou com um sorriso doce e triste ao mesmo tempo.

— Ele achou que eu não fizesse diferença, que não teria problema eu ouvir. Foi um grande erro.

(flash back on)

O local era o vestiário da Fairy Tail. Estávamos no final do terceiro período. Naquele dia a turma de meninos dos primeiros A e B se juntaram. Simon estava conversando com alguns amigos e bom, todo o vestiário podia ouvir. Natsu e Gray já tinham saído. Inclusive acho que foi por isso que ele resolveu abrir a boca para falar o seguinte:

— Vocês não adivinham o que aconteceu ontem à noite – Simon começou e eu achei que seria apenas mais uma daquelas conversas estúpidas de vestiário e dediquei a mínima atenção para ouvir. Mas não daquela vez.

— Fala logo, cara – alguns de seus amigos incentivaram enquanto outros falaram “lá vai ele contar mais uma vez”.

— Eu comi a Erza ontem – ele revelou e eu preferia levar um tiro a escutar isso. Nesse momento ele lançou um olhar desafiador para mim. Senti meus punhos cerrarem.

— Você tá brincando! – alguém exclamou.

— Não estou, eu falei para vocês que conseguiria. Deixa eu falar para vocês: que ela é gostosa vocês já sabem, o que vocês não sabem é o quanto – ele começou e na sequência veio uma descrição bastante detalhada do ocorrido e alguns comentários ainda piores por parte dos amigos dele. Eu mal consegui ouvir, meu sangue começou a ferver nas veias. Aquele desgraçado estudava na turma B, devia estar falando disso a manhã toda e a essa altura todo mundo devia estar sabendo. Mas a Erza provavelmente não está! Merda, ninguém mais ouviu além de mim. Pelo menos ninguém que se importe. Eu tenho que avisá-la.

Saí batendo a porta do vestiário. Passei os olhos pelo refeitório e a vi chegando acompanhada de Levy e Juvia. Estava com um sorriso no rosto. Exatamente o que eu temia, ela não sabia. Fui correndo em direção a ela. Dava para ver as pessoas comentando em volta e encarando a ruiva. Seu sorriso foi sumindo.

— Noite animada ontem, ruiva? – uma garota da turma B perguntou maliciosa quando passou por ela. Imediatamente a puxei daquele lugar e a levei para parte de trás da escola. Ela não protestou, apenas me seguiu inexpressiva.

— Erza, olhe para mim. É verdade, teu namoradinho está falando da noite de vocês para todo mundo, com riqueza de detalhes. Eu tive que tirar você de lá – informei com o tom mais calmo que pude obter naquele momento.

— Não pode ser verdade – ela falou baixinho.

— De que outra forma eu saberia então?

Ela caiu em meus braços após eu ter dito aquilo e me abraçou, a realidade daquilo se abatendo sobre ela. Mas não derramou nenhuma lágrima. Ficou assim por algum tempo e depois disse firme:

— Tem uma coisa que eu preciso fazer.

Dito isso, saiu andando decidida até o refeitório e eu a segui a alguns metros de distância. Ela achou o local onde Simon estava sentado e o puxou do banco. Então deu um soco certeiro em seu nariz e completou puxando a gola de sua camisa:

— Eu não quero ver você, ouvir você, sequer respirar o mesmo ar que você outra vez. Se eu não posso confiar em você, então eu não preciso de você por perto. Estamos entendidos?

— E-estamos – ele disse de forma entrecortada pelo sangue que escorria de seu nariz agora. Eu apenas acompanhava a cena, como todos do refeitório.

— Ótimo.

Erza foi aplaudida por várias pessoas. Eu não era o único que achava aquela atitude completamente babaca. Ela sempre sabia se virar, cuidar de si mesma. Era um dos motivos de eu admira-la.

(flash back off)

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Erza

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Eu me sentia culpada por tê-lo deixado se afastar. Por não ter agradecido quando ele, mesmo não tendo qualquer tipo de relação comigo mais, veio me ajudar. Mas o que eu podia fazer em relação a isso, teria que ser feito agora. Meu relacionamento com Simon foi exatamente aquele primeiro amor que te deixa meio cega para outras coisas, como amigos e família. E Kami-sama sabe o quanto eu me arrependo disso. Além disso, ainda estava meio estática pela revelação tão genuína por parte dele. Nunca ia imaginar que passei pelo menos um ano atrasando essa conversa, quando era correspondida desde sempre.

— Me desculpa. Eu não queria que nossa amizade acabasse por conta de alguém tão sem importância. Obrigada, por tudo. Por nunca ter desistido de mim, mesmo quando eu não merecia – falei descendo da murada e me colocando ao seu lado.

— Eu nunca vou achar que você não mereça – ele disse com um meio sorriso nos lábios. Meu coração pulou uma batida – na verdade, eu que preciso me desculpar. Eu meti os pés pelas mãos desde que decidi tomar uma atitude em relação a você. Não queria ir embora de Magnólia, para faculdade e tudo mais sem ao menos ter tentado.

Nossos olhares se encontraram. Havia aquela atração inegável entre os corpos. Analisei aquela tatuagem no olho direito que o deixava sexy e misterioso, os cabelos azuis bagunçados, eram assim desde que eu me lembro, os olhos de um tom escuro de verde e a boca fina. Ele era lindo. Eu queria muito beijá-lo. Ele veio se aproximando o rosto e eu fiquei até preocupada com a possibilidade de ter expressado minha vontade em voz alta. Finalmente a distância entre nós foi finalizada pelo encontro de nossos lábios. Era um beijo caloroso e ao mesmo tempo carinhoso. Minhas mãos foram automaticamente para seus fios azuis e sua mão pressionou minha cintura, como se aquele fosse o exato lugar em que ela deveria ficar. Nossas línguas se entrelaçaram em uma dança suave. Eu podia sentir seu perfume levemente amadeirado que combinava perfeitamente com ele. Quando finalmente nos separamos o sol estava nascendo tingindo o céu azul de vermelho.

— Jellal, a gente pode começar de novo? – expressei o desejo que ficou em meu coração desde que havíamos colocado todas as cartas na mesa.

— Achei que nunca fosse perguntar.

— Prazer, Erza.

— Só Erza? – ele perguntou reencenando nossa primeira conversa e apertando minha mão. Eu também lembrava vividamente daquele dia.

— Scarlet. Erza Scalet.

— Jellal Fernandes – ele disse e completou — e acredite, o prazer é todo meu – aquilo definitivamente não estava no script de 13 anos atrás. Senti meu rosto corar.

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Continua...

Notas finais
E aí, o que acharam? Jellal tinha os motivos para ser lerdo, espero que vocês o entendam. Tentei fazer uma coisa amorzinho. Espero ter agradado. Deixem a opinião de vocês nos comentários. Perdoem-me por qualquer erro e por não ter feito o capítulo da festa. Beijos! P.S: pelo amor de Deus, comentem do capítulo novo do mangá de FT comigo se quiserem. Estou morta feat. enterrada com esses últimos acontecimentos.