01-22

1 Capítulo 1


Ela olhava direto nos meus olhos. Sentia o quente de sua presença e o frio de seu coração, não sabia seu nome, com certeza, deveria ser nova na faculdade. Queria avisá-la dos perigos que ali corria.

– A aula mal começou e vocês já estão tagarelando – risos.

Nosso professor Flavio era sem noção, porém engraçado, única aula que eu gostava de ver. Ele continuou:

– Temos uma aluna nova, dêem as boas vindas para mais nova aluna da Hummel, Marcela.

Ouvi o coro da turma dizendo olá para a nova aluna. Ela vestia um vestido rosa, nada curto e nem vulgar. Ela mostrava ter estilo vintage. Seria tímida? Pelo jeito sim. Ficou corada com a reação da turma e esboçou um pequeno sorriso.

Flavio deu sua aula, não prestei atenção como prestava nas outras segundas feiras. A aluna nova prendia meus pensamentos, ela anotava atentamente o que Flavio dizia e sorria anotando. Finalmente, naquela sala preta e branca, consegui enxergar uma cor.

– Oi – Ela virou bruscamente pra trás

– Olá

Conseguia sentir seu perfume doce e seu hálito de menta de longe. “Não é paixão”, eu pensava. Pobre de mim.

– Meu nome é Marco – Ela sorriu ao saber meu nome, com um gesto meigo colocou uma mecha castanha de cabelo atrás da orelha e disse:

– Prazer em conhecê-lo, sou Marcela.

Queria dizer a ela, que sabia seu nome pelo acontecimento em sala de aula, mas aquele “mini” papo estava bom e a companhia dela me agradava de uma forma que me trazia paz. Uma paz interior que talvez, não conhecia.

- Eu não sei para onde é meu dormitório, poderias me levar? – Como diria não para uma princesa?

- Claro – disse – Porque vir para Hummel?

- Ah, chegou uma carta pra mim, não pensei duas vezes. É um novo acontecimento para mim.

“Malditos, pegar um coração tão bom para estragar, torturar?” Hummel é uma faculdade que acumulava espíritos negativos em cada buraco, cada lugar. Além de negativos, são traiçoeiros, enganam, bagunçam e destroem.

Ano passado, havia me apaixonado por um. Ana. Uma beleza radiante com um coração tão frio, sem nexo e sem sentido. No fundo, sentia que Ana que escolheu Marcela para tentar me afetar, entretanto me perguntava o porquê disso.

- Aventura com terror, talvez. – risos.

Percebi que ela não havia entendido, mas sorriu para me agradar. O quarto dela era o de número 22 do primeiro prédio. Meu prédio era do lado do dela, talvez conseguisse protegê-la, talvez não.

- O que você quis dizer “aventura com terror”?

Queria dizer a ela o que acontecia. Que nessa faculdade quem comandava eram os espíritos, espíritos superiores que iriam sugar a alma de todos os alunos. Queria dizer a ela que eu, eu estava perto de partir.

- Estava brincando.

- Certo. – risos. – Foi um prazer enorme te conhecer, mas acho que é aqui, não é?

- É sim, primeiro prédio. Não esqueça que seu quarto é o de número 22 e que eu estou bem do teu lado, se precisares.

- Tudo bem. – Ela me deu um beijo calmo e quente na bochecha, que consegui ir aos céus e voltar em menos de um segundo.