01-22

2 Capítulo 2


- Marcela narrando.

Achei Marco um cara legal, sério. Olhos castanhos, cabelo ralinho. Achei bonito. Misterioso, entretanto um pouco agradável.

Meu quarto era um cubículo, além de ser escuro como toda a faculdade, ele é sombrio. Havia um “mini” banheiro nos fundos, uma “mini” cozinha e a cama estava grudada nela. Para ser sincera, parecia uma cela de prisão.

- Até que enfim alguém novo!

“Wtf, eu tinha uma parceira? Porra, não poderia piorar.” Ela continuou:

- Perdão se lhe assustei, não foi minha intenção.

- Ah, tudo bem. – Tudo bem é o caralho!

- Meu nome é Ana, meus pais são donos daqui. – Já imaginei bonita, cheirosa e loira, tinha que ser rica. – Por isso não saio muito do quarto. Meus pais consideram os alunos daqui bajuladores.

- Então você deveria estar num quarto só seu. Sou aluna, esqueceu? – risos

- Mas você, querida, é aluna, é mulher. Os homens me bajulam. – HUMILDE! – e muito, para falar a verdade.

- Entendo, na real não, mas imagino. Enfim, seremos parceiras, é isso?

- Problema?

- Lógico que não.

Ela parecia falsa, mas era gostosa demais. Não sou lésbica nem nada, mas nela cairia de boca fácil. Que horror, eu pensando nisso, mas minha cabeça estava confusa desde meu último relacionamento.

“Nem sei seu nome”, ela disse.

- Marcela, prazer.

Meu último relacionamento tinha sido tubuloso, por mais que no final do dia pense nele, sei que eu agüentaria firme. Era louca por ele e ele louco por mim, mas me apaixonei, sim, por uma garota. Lisa. Dona do sorriso perfeito, do cabelo mais sedoso, dona da voz mais linda e do coração mais bondoso.

Claro que tudo isso, até saber que eu estava quase noiva. Entretanto, isso não vem ao caso. Não estava nos meus planos me apaixonar por mais uma mulher. Minha família, que é crente não me aceitou em casa, não tinha para onde ir e por isso estou aqui. Atordoada e sozinha, completamente sozinha. Agora com Ana, mas amanhã sozinha.

- Então Marcela, quer fazer alguma coisa?

“Sexo talvez” – O que gostarias de fazer Ana?

- Ficar aqui – me surpreendi

- Ficar aqui?

- Vou ser sincera. Não saio porque meus pais não suportam a idéia da “filha ideal” olhar para bunda de garotas invés de garotos.

ELA LIA MEUS PENSAMENTOS? Ela era lésbica ou bi, isso deu para perceber e não sei se isso foi uma indireta, mas a queria. Talvez achasse errado o fato de estar querendo a filha dos donos da faculdade, capaz de me expulsarem daqui.

- Como?

- Ah não. – ela suspirou. – Você é crente?

- Mas não eu! – Ela riu.

Ela colocou uma mecha castanho claro atrás da orelha e sorriu discretamente vindo ao meu encontro. Fiquei sem jeito, mas ela vinha calmamente, lógico que não iria querer nada comigo. Nem a conhecia direito, para ela chegar de tal forma perto de mim.

- Eu vi você entrando hoje e...

- E?

- E imaginei você minha.

Aquilo me excitou, eu sabia que era errado, mas ao mesmo tempo certo, por ver que era correspondido. Eu a queria.

Ela passou a mão pelos meus cabelos, me fazendo arrepiar. Seu rosto veio de encontro ao meu e me beijou no rosto, descendo seus lábios avermelhados até minha boca. Ela me beijou. Um beijo calmo, mas ao mesmo tempo ardente, foi como se ela quisesse aquilo por anos e anos. Foi como se nós estivéssemos na mesma sintonia.

Ela estava no controle da situação, não porque ela queria, mas porque eu deixava.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.