- Segredos de um passado obscuro -
3 Lembranças
Notas iniciais
Adália abriu os olhos, sua visão demorou um pouco a se acostumar com a luminosidade que entrava pela janela de vidro, tinha se trancado com Steve dentro da carruagem na noite anterior... e falando nisso, cadê o Steve? Adália percorreu o lugar com os olhos e nada dele, ela se levantou, suas pálpebras quase querendo se fechar de novo devido ao sono mas ainda assim teve coragem de pegar a espada e sair da carruagem...
Era de manha cedinho, metade do Sol surgia no horizonte presenteando o mundo com seus raios cheios de vida, Adália estava no meio de uma estrada deserta pisando em areia fofa, dos lados da estrada somente árvores e mais árvores seguindo mundo adentro sem um fim definido. Ela olhou em volta mais uma vez, no canto da estrada encontrou Steve fincando uma placa no chão sobre um monte de areia revirada.
–O que é isso Steve?
Ele encarou Adália com uma face triste, não respondeu absolutamente nada apenas voltou a bater com as mãos sobre a areia fofa, estava tampando um túmulo...
–Eu nunca aprendi a craftar uma placa direito... – Respondeu Steve falando de canto de boca, estava com os joelhos no chão e de costas pra Adália.
Adália olhou para a placa e viu letras idênticas a de um garoto de cinco anos de idade, que está começando a aprender a escrever, fora que a placa estava toda deformada e mal feita. Adália pegou a placa e apagou o conteúdo da mesma, e o reescreveu:
“aqui jaz o túmulo do cocheiro.” – Um nome um tanto anticriativo.
Naquele clima pesado que se seguia ali, Steve limpou a areia passando uma mão na outra e logo em seguida limpando algumas manchas de sangue da calca, antes de Adália acordar Steve tinha se embrenhado na floresta e catado pedaço por pedaço dos membros do cocheiro morto, ninguém iria ter coragem de fazer aquilo que Steve fez, mas apesar de tudo, nosso pequeno herói achou que ele merecia um enterro, odiava o fato de deixar as pessoas mortas por aí por que dava valor à vida de todos, até mais que a sua própria.
–Obrigado Adália... –Respondeu Steve ficando de pé e encarando-a.
–não foi nada.
Os dois ficaram se olhando, e aos poucos o dia foi nascendo... É verdade que os dois estavam sozinhos no meio do nada mas Adália era a capitã do reino de Théfires e não tinha ganhado esse cargo à toa. Olhou para trás e viu os dois cavalos que puxavam a carroça...
***
–Como é? Por que justo ele papai?!
–Sim minha filha, ele é a pessoa que mais sabe empunhar uma espada e tenho certeza de que não poderia haver ninguém melhor do que ele para exercer tal função... – Respondeu o rei segurando no ombro de Aiden e sorrindo para Saphire, Aiden estava tão enraivecido com aquilo que nem conseguia olhar para Saphire.
–Unf... então está bem papai. –Saphire olhou para o lado e evitou encarar seu pai enquanto falava isso, se o Rei Augustus percebeu que os dois estavam estranhos, conseguiu disfarçar muito bem.
–Aiden. –Augustus encarou ele nos olhos. –Estou confiando a minha filha a você, não me decepcione.
Augustus olhou o mais profundo que pode nos olhos dele, o cinza de seus olhos se perderam no azul lazuli dos de Aiden, ele apenas consentiu com a cabeça, sempre sério.
–Até minha filha.
–Até papai...
Augustus cruzou o quarto e saiu porta a fora, deixando Aiden e Saphire sozinhos no quarto.
Saphire começou se levantando da cama a largando o livro que estava lendo sobre a mesma, foi em direção à janela, por incrível que pareça ela parecia distraída... Como se ele nem estivesse ali...
– Então que dizer que o senhor que é o meu guarda costas? – Saphire falou de uma forma engraçada, como se caçoasse dele. Estava de costas e olhando pela janela do castelo.
–Sim, eu sou. –Ele não iria entrar naquele jogo.
Saphire se virou de frente para Aiden, ele estava do outro lado do quarto bem próximo à porta...
–Sabia que se eu quiser eu posso te matar a qualquer momento?
–Sim você pode, mas não vai fazer isso.
–E por que eu não faria? Você já me ameaçou de morte uma vez, sabia que se meu pai soubesse disso... –Aiden interrompeu o falatório nada amistoso dela.
–Você está errada. –Ele falou sério. –Você pode mas não vai fazer isso por dois simples motivos, o primeiro. –Ele mostrou o dedo indicador. – Que se você me matasse seu pai iria perguntar o por que disso, e Adália não iria ter dó de te matar também.
Saphire apenas cerrou os olhos em resposta...
–E o segundo, se você me matar você iria ter de dizer o porquê, e claro, ia ter de admitir que é feiticeira, e mesmo que você inventasse qualquer besteira a Adália iria abrir o jogo quando voltasse de Viagem. E eu sei que você não iria ter coragem de cortar os dois braços de seu pai...
–Como assim dois braços? Você está maluco?!
–Achei que já tivesse percebido, eu sou o braço esquerdo do seu pai agora e Adália a capitã do exército é o direito!
Saphire engoliu em seco aquelas palavras...
–Você não acha que ele iria confiar a sua filha, seu bem mais precioso a qualquer um não é?
–Achei que você fosse só mais um guarda costas...
Aiden fechou os olhos e sorriu de lábios cerrados.
–Só queria saber como você conseguiu isso... –Saphire roía a unha do dedo mindinho e olhava para o lado...
–Acontece que eu posso ser qualquer tipo de pessoa, dependendo dos meus interesses...
Saphire meio que despertou de um sono.
–E quais seriam seus interesses comigo?! –Perguntou.
–Apenas diamante, acredite, é um saco cuidar de garotas mimadas como você, mas os diamantes fazem tudo valer a pena... – Respondeu Aiden frio como uma rocha, não ligava para os sentimentos dos outros, apenas para os da Adália, mas ela estava bem longe dali...
–Okey! –Respondeu Saphire enraivecida.
***
As colinas verdejantes ficando para trás o vento no rosto e os cabelos esvoaçantes dançando ao ritmo do vento e o balanço do corpo, andar de cavalo era uma das melhores coisas do mundo! Exatamente isso, nosso dois aventureiros corriam a toda velocidade por aquela estrada montado nos animais, Adália de um lado e Steve do outro, passaram a manha inteirinha galopando e parando apenas para fazer o que era realmente necessário, como dar água para os animais e para comer alguma besteira, chocolate! A tarde se seguiu de um todo proveitosa, eles andaram mais um pouco até o entardecer...
–Já está ficando de noite... –Steve era o mais precavido entre os dois.
–Sim Steve! eu sei disso. Vamos ter que dormir no alto de uma arvore hoje.
Adália parou os cavalos debaixo de uma arvore da selva e usando a ajuda de algumas ramagens que cresciam do alto dela foi subindo, seguida por Steve que fez o mesmo. Chegando no alto deitaram sobre um amontoado de folhas fofas que serviram como uma espécie de cama, naquela noite eles dormiram saboreando as últimas barras de chocolate que restaram.
–Amanha de manha chegamos em SummerLand... –Adália era só alegria, enfim voltava ao aconchego do lar.- Espero que meus pais tenham preparado batata assada e alguns biscoitos. Rsrs.
–E um bolo. Rsrs. –Completou.
Steve olhava para as estrelas do céu, estar a vinte metros de altura do solo lhe proporcionava uma sensação de liberdade que a tempos não sentia. E Adália do seu lado compartilhava a mesma sensação, viver experiências boas com outra pessoa, a cada dia que passa eles estão mais próximos um do outro... Pelo menos ali, naquele momento eles tinham esquecido-se dos acontecimento da noite anterior. O mundo de Minecraft é em sua maior parte sombrio, e momentos bons são muito raros de se acontecer, é por isso que dar valor a eles é de extrema importância, pois como dizem, a vida é feita de momentos.
A noite seguiu de um todo muito calma, eles puderam descansar e repor as energias gastas naquele dia cansativo e a lua como sempre, completava seu percurso no céu...
***
“Você deve escolher... Se decida logo! O tempo é curto e cada segundo é precioso Stev...”
–Oi! Vamos acordando Steve! –Adália estava de pé bem na frente do nosso pequeno herói, ela estava com os cabelos e a roupa molhados.
–Você tomou banho? –Perguntou Steve se levantando também.
–Sim! Tem um riacho bem perto daqui, eu vi ontem de noite quando subimos na árvore. – Logo após acordar Steve Adália se pôs a descer a “escadinha de folhas” seguida por ele, começava assim um novo dia...
Eles pegaram alguns frascos de vidro e encheram de água no tal riacho, logo em seguida montaram nos cavalos e se puseram a galopar novamente... quando era por volta das oito horas da manha eles avistaram dezenas de montanhas ao longe...
–É ali que é Summerland? – Perguntou Steve.
–É sim...
Os galopes foram rápidos, sim, em questão de minutos eles foram se aproximando daquele monte de toneladas de terras e pedras.
–SummerLand é basicamente uma cidade construída entre uma cadeia de montanhas... –Adália começou a falar, sempre que chegavam em novo lugar onde Steve nunca tinha ido ela fazia questão. – O nome da cidade é basicamente uma pegadinha, já que Summer que dizer verão, mas na cidade cai neve praticamente o ano todo, e... por causa da cadeia de montanhas que cerca a cidade ela só recebe a luz do Sol apenas cinco horas todo dia...
Steve fez uma cara de assustado. Adália entendeu.
–Mas não precisa se preocupar seu bobo! Rsrs. A cidade é cem por cento livre de monstros, então não precisa se preocupar se não tem sol por lá.
–Mas como assim Adália?- Perguntou Steve curioso, eles galopavam em um ritmo lento para poder conversar...
–É que as montanhas servem basicamente como muralhas naturais! tipo assim, quando aconteceu a invasão mob uma das poucas cidades que não sofreram com os monstros foi Summerland, e justamente por causa das montanhas, e também o formato delas, é outra coisa interessante Steve, só tem uma entrada e uma saída... então é muito fácil inibir a entrada de monstros!
–Nossa, e foi aí que você nasceu e cresceu Adália? –Perguntou Steve, simpático e singelo...
–Sim, mas tem outra coisa... –Adália sorriu e desviou o olhar passando a fitar Steve de canto de olho...
–E o que é? –Perguntou ele.
–Na hora você vai saber. Rsrs.
Os dois foram galopando calmamente até a entrada da cidade, a entrada, se é que se pode dizer assim, é basicamente uma estrada de terra que passa entre duas montanhas, assim que eles entraram puderam ter uma total percepção do que era aquilo, a neve que comumente caía não apareceu quando cruzaram a entrada, estava um clima bom nem muito quente nem muito frio, a estrada tinha pinheiros enfeitados com pequenas glowstones, ao longe era possível ver dezenas de casas, pessoas circulavam pelas ruas de uma lado para o outro, era se podemos dizer uma pequena feirinha de fim de semana ao estilo minecraft, porém diferente de Théfires as lojas eram todas fechadas e com vitrines feitas de vidros transparentes anunciando as mais diversas coisas, a primeira vitrine exibia uma estante com frascos de vidro com líquidos brilhantes e de cores diferentes, essa se chamava poções e cia, na segunda tinha armaduras para cavalos de todos os tipos, desde as de ferro até as de diamantes, também tinha uma loja de venda de roupas de lã, na vitrine eram expostos casacos de zumbis e esqueletos, e nem eram os mais caros da loja por sinal, cada qual custava cinco diamantes, os mais caros era o de enderman que custava sete barras de ouro e oito diamantes, e a de creeper, verde limão, por nada mais nada menos que dez diamantes! Steve usava um casaco de creeper, tingido de branco, e percebeu que ter um daqueles era um tanto caro por ali! (era muito difícil matar um creeper sem deixar ele explodir) a viagem continuou, as lojas eram todas dispostas de forma uniforme na lateral de uma única rua, pelo que parece ali era o centro da cidade de Summerland; barraca de frutas, abobóras da tia Julia, casa do Bacon, luminárias glowstone, dentre tantas lojas a que mais chamou a atenção dos nossos heróis e principalmente de Steve foi uma loja de espadas, mas não por causa dos produtos mas sim do vendedor que veio correndo chamando pelo “Pessoal dos cavalos marrom ae!”
–Ei! Vocês dois aê... –O homem saiu por uma das portas da loja de espadas e parou ao lado do cavalo de Steve. –Eu posso te perguntar uma coisa meu pequeno jovem?
Steve olhou para o homem, ele usava uma bota de couro e segurava em sua mão duas barras de ferro, parecia estar forjando espada quando eles chegaram. Steve por fim encarou Adália, ela não disse nada...
–O que foi moço? –Perguntou Steve.
–Que mal lhe pergunte, mas como você conseguiu essa espada? – O vendedor apontou para a espada de diamantes na cintura de Steve.
–Essa daqui?
–Sim...
Steve lembrou da promessa que fez a zeca de nunca contar para ninguém como conseguiu a tal espada encantada, então...
–Desculpe seu moço, mas eu não posso dizer... –Steve deu de ombros, mas o vendedor insistiu...
–Eu posso segura-la jovem? –perguntou o homem, ele parecia muito entusiasmado com a idéia...
Steve encarou Adália que novamente não fez nada, então desceu do cavalo e entregou a espada para o homem...
–UOU! –Disse o vendedor assim que segurou a espada na mão, Steve levou um susto.
–O que foi?! – perguntou Adália se intrometendo.
–Essa espada desse garoto... É muito leve! Nunca achei que uma espada de diamantes pudesse ser tão maneira. –Depois de responder ele começou a riscar a ponta da espada no chão...
–E o que foi agora moço?
–Nossa! Incrível! Ela tem um aspecto flamejante impecável! Fora que é encantada com um raro feitiço... –o homem ficou com expressões sérias.
–Raro feitiço? –perguntou Steve.
–Sim... gostaria de analisa-la melhor na minha loja mas pelo que parece vocês estão com pressa, mas quem sabe um outro dia não é? Mas olha, uma dica, essa espada deve ter custado muito caro por que é encantada e eu sei que espadas assim só se conseguem com bruxas, não sei que tipo de acordo ou pacto você firmou para consegui-la mas realmente, foi um belo trabalho. Nunca conheci uma bruxa que encantasse com um encantamento de um nível tão superior, fora que a lâmina, é talhada de uma forma que parece que foi feita toda manualmente sem a ajuda de uma mesa de trabalho, pelo menos na lâmina. Mas só uma análise bem detalhada pra dizer...
Steve pensou um pouco para arquivar aquelas informações, o povo de Summerland parecia falar muito, agora estava explicado por que Adália nunca calava a boca.
–Está bem senhor. Muito obrigado. –Disse Steve meio sem jeito.
–De nada, ah, e você poderia assinar minha loja garoto mistério? Rsrs.
Steve ficou mais sem jeito ainda, nunca tinham pedido um autografo dele. Ele amigavelmente foi até a loja do tal homem e assinou em uma placa:
“O garoto mistério esteve aqui, e gostou muito.”
Simples e direto, depois montou no cavalo, Adália estava esperando-o...
–E ai? Curtindo seus quinze minutos de fama “garoto mistério?”? –Adália era muito cômica em relação a isso...
–Só assinei uma placa... –Disse Steve rindo de canto de boca e sem graça.
Os dois foram galopando pela rua... vendo as lojas e as casas em sua grande parte de lã branca de ovelha, outras eram exceções, feitas de lã rosa ou verde o que dava a cidade um aspecto vivo nunca visto em outra... SummerLand era uma cidade pacata e feliz, os monstros nunca foram uma preocupação ali... A alegria só aumentou ainda mais quando Adália viu duas pessoas saindo de uma loja de corantes, sim, eram eles, o pai e a mãe de Adália.
***
Chorar a morte de pessoas que você ama é muito triste, ainda mais depois de perde-las duas vezes da mesma forma... Me sinto culpada... não fui motivo suficiente para fazer minha irmã ter coragem de viver e a alguns anos atrás meu próprio pai... Os dois cometeram suicídio... Hoje estou aqui perante uma corda amarrada no teto do meu quarto... Não posso fazer isso, eu ainda tenho um motivo pra viver. Lágrimas podem escorrer de meus olhos mas a lembrança do toque dele, dos lábios tocando os meus, ainda posso sentir o gosto... Steve... eu preciso te encontrar a qualquer custo!
Ass: Melanie.
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