Notas iniciais
Boa leitura, gente! Link para a música: http://www.vagalume.com.br/tokio-hotel/monsoon.html

Vendo aquela cena meus olhos marejaram quase que imediatamente. Não de tristeza, mas de raiva. E de súbito compreendi que era disso que Ivy estava falando. O plano dela era roubar o Ben de mim e jogar isso na minha cara pelo resto da minha vida. Mas dessa vez, ela passou dos limites.

Me virei para frente para tentar disfarçar as lágrimas que me vieram aos olhos, mas já era tarde.

– Han? – Jessie chamou, com um leve tom de preocupação. Tive que me virar, e tenho certeza que ela viu meus olhos úmidos, pois acrescentou: — Calma, não fica assim, tenho certeza de que eles devem estar falando do jogo. Sabe, aquela naja é líder de torcida, então é natural que estejam falando sobre isso.

Assenti e me virei para frente, pois o professor já havia chegado e começara a explicar a matéria, na qual não prestei o mínimo de atenção. Não conseguia parar de pensar no que tinha visto, no que Ivy tinha dito para mim, nas ameaças dela. A explicação de Jessie justificava o fato de eles estarem conversando. A indecência de Ivy explicava o fato de ela estar dando em cima dele. Mas nada explicava o fato de Ben parecer estar gostando daquilo.

Desde que nos conhecemos ele sabe do ódio mútuo entre Ivy e eu, então não se pode alegar que ele fez isso na inocência. E não conseguia pensar em nenhum motivo plausível para que ele agisse daquela maneira. Só tinha um jeito de descobrir: perguntando diretamente para ele.

A aula passou sem que eu percebesse, pois estava muito concentrada no turbilhão de pensamentos na minha cabeça, criando e imaginando hipóteses. Saí da sala, e disse para Jessie que podia ir, porque eu iria procurar Ben.

Fui até o campo de futebol, onde eu achei que o encontraria, mas me disseram que ele havia ido buscar alguma coisa no carro. Então corri até o estacionamento, onde agora só se encontravam alguns poucos carros.

– Ben! – eu meio que gritei quando o avistei – Ben, eu preciso te perguntar uma coisa.

– Oi, Han, não sabia que você inda estava aqui. O que foi?

– Eu que te pergunto. Quero saber o que você estava falando com a Ivy hoje, no treino.

– Como assim, Hanna? Ela é a líder das líderes de torcida, eu sempre acabo falando com ela nos treinos.

– Eu sei, mas a conversa de hoje me pareceu bem mais íntima do que uma conversa casual seria.

– Então você está imaginando coisas, porque nossa conversa foi simplesmente sobre o jogo – Ben estava começando a se alterar, e eu também.

– Ah, claro, porque se você vai ter uma conversa sobre o jogo com alguém você tem que ficar passando a mão no rosto da pessoa, quase agarrando ela.

– E é claro que se você tem um namorado você tem que ficar vigiando ele 24 horas por dia, cuidando da vida dele mais do que da própria, né?

– Eu não estava te vigiando, e eu não estou cuidando da sua vida! Mas você sabe o quanto eu odeio aquela garota, e o quanto ela me odeia! – Minha paciência, que já não é muita quando se trata da Ivy, já havia acabado.

– Exatamente, você a odeia e ela te odeia, eu não tenho nada a ver com isso.

– Então é assim? Custa você tentar manter o mínimo de contato com ela possível? É pedir muito pedir que você faça isso por mim?

– Mas eu tento, caramba! – ele gritou em resposta. — Não é culpa minha que você seja paranoica e fique imaginando coisas, tendo ataques de ciúmes por qualquer coisinha à toa.

– Coisinha à toa? Ela estava se esfregando em você e você chama isso de coisinha à toa? Você não dava o menor sinal de desconforto com a situação e você chama isso de coisinha à toa? Se ela te beijar na minha frente você vai chamar isso de coisinha à toa também?

– Tá vendo como você é maluca e histérica? Eu estava apenas conversando com a garota e olha só no que você transformou isso! Como se você não tivesse amigos homens também.

– Eu tenho, mas nenhum deles te odeia nem fica dando em cima de mim!

– Certo, só que não tem ninguém dando em cima de mim também!

– Não se faça de cego, é óbvio que aquela garota te agarraria na primeira oportunidade!

– E o que você quer que eu faça? Que eu ignore ela toda vez que for falar comigo? Que eu nunca mais olhe na cara dela?

– Isso seria muito bom.

– Hm, pois adivinha só: a boca é minha e a vida também, eu converso com quem eu quiser e se você não estiver satisfeita é só cair fora, ok? – ele respondeu, se virou e voltou para a escola, me deixando completamente perplexa.

As lágrimas ameaçaram voltar para meus olhos, e desabaram de vez quando Jessie chegou e me abraçou, numa tentativa nobre, porém inútil de me consolar.

Ela me ajudou a chegar até seu carro, eu entrei e em meio a lágrimas fui levada à casa dela, o rosto virado para a janela, sem dizer uma palavra.

Subi com Jessie para o quarto dela, onde me sentei na cama, com ela a minha frente.

– Você ouviu tudo? – consegui perguntar depois de alguém tempo, as palavras quase não saindo da minha boca.

– Mais ou menos – e eu sabia que ela não havia ouvido por ser intrometida nem nada, ela era minha amiga e, como me explicou depois, havia ficado me esperando na escola porque queria ver se eu ficaria bem, ela sempre soube como a Ivy consegue me irritar mais do que qualquer coisa. – Vocês dois estavam nervosos e por isso deu no que deu, espere até vocês dois se acalmarem e converse com ele, tenho certeza que vocês vão ficar bem.

– Não, Jessie, eu nunca vi o Ben nervoso daquele jeito, falando daquele jeito comigo nem com ninguém.

– Você também está nervosa. É a tensão do jogo, você sabe como é isso. O jogo é amanhã, então é normal que ele fique assim.

– Eu não sei, Jessie, as coisas que ele disse... eu acho... eu acho que acabou.

Notas finais
O próximo capítulo será postado na segunda-feira por causa do Natal :)