Última Dose de Felicidade
8 My Songs Know What You Did In The Dark
Notas iniciais
– Jes, eu recebi sua mensagem. O que era a emergência? Onde é o fogo? Quem morreu??
– MEU NAMORO COM BENJAMIN HARRIS MORREU! — Gritei para Emma, o que foi um erro, já que ela não era culpada. Mas dizem que gritar quando você está com raiva sempre é bom para extravasar.
– Calma, me expliquem isso direito — pediu Emma.
Jessie explicou para Emma tudo que aconteceu, desde o intervalo em que Ivy me confrontou até o flerte correspondido no campo de futebol, e, enfim, minha discussão com Ben. Eu não estava em condições de relatar os fatos, e só de relembrá-los na voz de Jessie o aperto no meu coração pareceu aumentar ainda mais.
– Mas que filho da... Quem ele pensa que é pra falar assim com você? Quer saber? Acho até bom que ele tenha ido embora, ele é um babaca, um idiota e não te merece – disse Emma quando Jessie terminou de falar.
– E além do mais, a Ivy é uma vadia fútil, ridícula e sórdida – completou Jessie.
– Você está melhor sem ele, acredite, conheci muitos imbecis como ele, esse tipo não merece seu sofrimento – acrescentou Emma.
– Ben pode ser o que for e eu posso estar com muita raiva dele, mas eu o amo demais e não suporto a dor de não poder tê-lo – eu disse, me levantando e indo para o banheiro. Não que eu estivesse com raiva delas pelo que elas falaram, porque no fundo elas estavam certas. Eu só precisava de um tempo sozinha, em silêncio, pra poder colocar as ideias no lugar e pensar um pouco.
Demorei um pouco para conseguir pensar com calma sobre o assunto, já que não conseguia parar de chorar, sem contar que não foi fácil convencer Jessie e Emma de que eu estava viva e elas poderiam parar de gritar de lá de fora.
Passei quase a tarde toda lá, refletindo sem chegar a nenhuma conclusão, quando meu celular começou a tocar. Peguei-o com a intenção de desligar sem atender, mas quando vi o nome de Ben no visor hesitei. Por fim, decidi não atender e desliguei. Mas ele ligou de novo, e de novo, e mais uma vez, até que eu resolvi atender.
– Alô.
– Alô? Hanna? Por que você demorou tanto pra me atender? Eu preciso falar com você.
– Agora você precisa falar COMIGO? Achei que você preferisse falar com a sua nova amiguinha. E tem mais, eu não tenho nada para falar com você.
– Ei, Hanna, vamos conversar sem discutir, por favor? Olha, me desculpe, eu não devia ter gritado com você daquele jeito.
– Não, você não deveria mesmo. Mas tá. Vamos conversar.
– Você está na sua casa? Estou indo aí.
– Não, estou na casa da Jessie.
– Ok. Chego aí em 5 minutos.
Na verdade, ele demorou 8 minutos. Engraçado como mesmo quando se está com muita raiva, o amor consegue fazer você se importar a ponto de ficar contando os minutos. Quando ele chegou, Jessie bateu à porta do banheiro dizendo que Ben estava lá e que queria conversar comigo. Me levantei da banheira onde estava sentada, abri a porta, deixei que ele entrasse e voltei a me sentar no mesmo lugar.
Depois de fechar a porta, Ben ficou parado um instante, me olhando. Eu, para não fazer contato visual, olhava para o espaço vazio na banheira à minha frente. Ele caminhou até a banheira e ficou a observando por uns instantes; talvez estivesse analisando se se sentaria lá também ou não, mas, por fim, acabou entrando e se sentando na minha frente, não me deixando outra alternativa se não olhar para ele.
– E então, você queria conversar? – perguntei, quando a tensão daquele silêncio se tornou muito grande, fazendo com que alguém precisasse quebrá-lo.
– Sim. Olha, me desculpa por aquilo. Eu realmente não devia ter dado atenção à Ivy, muito menos gritado com você, afinal, você tem todo o direito de não gostar dela, nós dois sabemos o quanto ela inferniza sua vida. Eu reconheço que cometi um erro e estou muito arrependido. Você aceita meu pedido de desculpas?
– Eu não sei, Ben. Uma parte de mim realmente quer te perdoar, mas você nunca tinha falado comigo daquela maneira e isso me magoou muito.
– Eu nunca tive a intenção de te magoar, Hanna. A princípio, eu tinha concluído que você queria controlar com quem eu falo, só que depois de muito pensar sobre o que aconteceu eu compreendi que você estava com razão, pois, se fosse eu no seu lugar eu teria reagido da mesma maneira, ou talvez até pior. Eu só quero te fazer feliz e ser feliz com você, meu amor. Me dá outra chance?
– Tudo bem. Mas eu realmente não quero você de gracinha com a Ivy. Com nenhuma garota, na verdade, mas principalmente com a Ivy.
– Relaxa, Han, a única garota que eu quero ficar de gracinha é você. — disse Ben enquanto puxava minhas pernas e me colocava sentada em seu colo para me beijar.
Ele estava mordiscando minha orelha e beijando meu pescoço enquanto eu acariciava seus cabelos. Aquele momento estava tão bom, que me ocorreu um pensamento e eu disse sem pensar:
– Essa posição é bem mais confortável que a anterior.
– Você acha? — ele me perguntou com um sorriso um tanto quanto malicioso nos lábios.
– Sim. Do outro jeito que estávamos sentados estava muito apertado.
– Hahahahaha, realmente. Mas sei de uma posição bem mais confortável — ele disse, impulsionando seu corpo contra o meu, me fazendo deitar e deitando seu corpo sobre mim.
Enquanto ele beijava meu pescoço, eu passava uma das mãos nas suas costas e abdômen, enquanto a outra estava nos seus cabelos. Tirei a camisa dele, abraçando-o e alisando suas costas, diminuindo ainda mais a distância entre nós dois, sentindo seu peito pressionado contra o meu.
Ele deu um chupão no meu pescoço, fazendo meu corpo todo arrepiar, e, sem perceber, eu arranhei suas costas descontando nele toda a adrenalina. Com certeza esse arranhão deixaria marcas, mas estaríamos quites, já que seu chupão também deixaria.
No meio dessas carícias e beijos, ouvi um barulho que não se encaixava nessa cena. Era meu celular tocando. Completamente contrariada, fui obrigada à atender, pois era Louis, quebrando o clima.
– Alô?
– Alô, Hanna? Tudo bem? Você não apareceu em casa pra almoçar, aconteceu alguma coisa?
– Ah, tá tudo bem, é que eu vim pra casa da Jessie pra... hm... ela me ajudar com a lição de matemática. Desculpe não ter avisado.
– Você tá meio ofegante, tá tudo bem mesmo?
– Tá tudo bem sim, é que eu tinha ido beber água lá embaixo e subi as escadas correndo quando ouvi o celular.
– Ah, sim. Você vem pra jantar?
– Aham. Mas eu acho que vou passar a tarde aqui, então só vou chegar em casa na hora do jantar mesmo.
– Tudo bem então. Tchau, se cuida.
– Ok, tchau.
Assim que desliguei o telefone Jessie e Emma estavam batendo à porta perguntando se nós estávamos vivos.
– Vocês duas tem que parar com essa obsessão em checar se eu estou viva – eu disse rindo, após abrir a porta.
– Você pode até estar viva, mas essa marca no seu pescoço sugere que alguém tentou te matar – replicou Emma, me fazendo enrubescer de vergonha.
– Só se for de prazer – disse Ben, saindo do banheiro e abotoando a camisa.
– Ei! – respondi, dando um soco no braço dele, que com certeza doeu mais em mim do que nele. – Ai!
– Calma aí, amor, foi só uma brincadeira – ele pegou a mão que eu tinha batido e deu um beijo, depois pegou um buquê de flores que estava em cima da cômoda e me entregou. – Eu trouxe isso aqui pra você.
***
Fui embora com Emma e quando cheguei lá vi meu irmão todo feliz brincando com alguma coisa pequena, que logo descobri ser uma hamster.
– Hanna, olha o que eu ganhei da Emma! Ela se chama Lucy! — me disse apresentando a hamster.
– Que linda, Tom! – eu disse, brincando com Lucy, enquanto Emma atendia o celular.
– ...tudo bem, Alex. Muito obrigada por me avisar. Beijo, amiga – então, desligou e se virou para mim: — Hanna, minha escola sai da greve amanhã. Eu vou ter que pegar o próximo ônibus para chegar a tempo de poder ir à aula.
– Quem vai pegar ônibus para onde? – Louis entrou na conversa.
– Eu. — respondeu Emma. — Minha amiga me ligou dizendo que hoje acabou a greve, as aulas voltam ao normal amanhã e eu não posso me dar ao luxo de perder nada nessa altura do campeonato.
– Mas de ônibus você vai chegar apenas amanhã de manhã lá e não vai conseguir se concentrar na aula por causa do cansaço da viagem — foi a vez de minha mãe entrar na conversa.
– É verdade. Eu vou te levar. Pegue suas coisas e me encontre lá na frente daqui 15 minutos; eu vou abastecer o carro. — disse meu padrasto, que largou o jantar pela metade e saiu em direção à garagem.
Emma subiu correndo para arrumar as malas e eu fui junto para ajudá-la. Durante toda a arrumação, ela ficou com calor e arregaçou as mangas da blusa e foi nesse instante que eu percebi cortes em seu pulso.
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