Índigo

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Devo mil desculpas pelo tempão sem postar... Eu tinha perdido meu pendrive, mas agora que eu achei, vamos voltar à regularidade :)

– Dinheiro não é o problema – eu disse a Russel. — Nós precisamos ganhar.
– Está bem – ele disse. — Eu vou cuidar de tudo. Vou dar entrada no processo ainda hoje, e me informar sobre a situação do THE. Vou tentar descobrir se os Hall-Ether já deram queixa do desaparecimento. Se nós abrirmos o processo antes que ele tomem qualquer iniciativa, vai ser ótimo.
– Como eu posso ajudar? — Perguntou THE.
– Descubra na sua escola se houve qualquer alarme. Eles podem não ter avisado à polícia, mas pedido à escola para notificar caso você aparecesse.
– Vou verificar isso.
– Ótimo. Eu sei que você não está muito contente de ter que estudar mesmo nessa situação, THE, mas além de ser importante para você, pode nos ajudar a ganhar. Sua frequência e desempenho na escola a partir de hoje, para o Tribunal, são um índice para dizer se Angel está ou não sendo uma boa guardiã.
– Nesse caso, vou me esforçar.
– Se minha intuição estiver certa, — eu disse — os Hall-Ether são pais tão pouco dedicados que podem acabar facilitando nossa vitória.
– Eu também acho isso – disse Russel sorrindo. — Bom, as tarefas estão designadas. THE, ser um bom filho. Angel, ser uma boa mãe. E eu, ser um bom advogado. Por enquanto, isso é tudo que podemos fazer, além de continuar torcendo.

Resolvi cumprir minha tarefa e levar THE para a escola. Em casa, ele colocou o uniforme novo e pegou a mochila nova que continha todo o material novo.
– Me mantenha informada. Eu amo você – disse ao me despedir. Dei um, beijo na testa dele e o deixei em frente à escola, observando até que ele estivesse lá dentro. Voltei ao consultório e atendi normalmente até as duas e meia. Os meninos estavam fazendo contato, dando apenas boas notícias. Russel mandou uma mensagem informando que os Hall-Ether, pelo visto, não tinham dado nenhum aviso à polícia. THE ligou, dizendo que estava tudo certo na escola.
– Todos estão agindo normal, desde alunos até a secretaria. Não parecem ter sido avisados de que eu sumi.
– É, realmente eles são péssimos pais...
– Provavelmente estão achando que eu saí por aí e que vou voltar a qualquer hora. Eles não acreditam que eu venha para a escola. Acham que eu sou incompetente, além de estarem com todas as minhas antigas coisas.
– Mas... Nenhuma ligação? Nenhuma mensagem? Isso é muito estranho sim. Eles não parecem nem um pouco preocupados.
– Não estão preocupados, estão furiosos. E espero que continuem assim por um bom tempo, pelo bem do processo.

Fiquei lendo “O Pequeno Príncipe” enquanto esperava Henry Dizim. Ele não se demorou. O interfone tocou dois minutos antes da hora marcada.
– Rosalyn?
– O garoto está aqui.
– Diga a ele para vir para o corredor.
Guarde “O Pequeno Príncipe” e saí da sala infantil. Ele logo apareceu, e eu indiquei meu escritório.
– Então, você prefere ser chamado de Henry ou de Dizim? — Perguntei, enquanto fechava a porta e me acomodava.
– Tanto faz.
– Tudo bem, vai ser Henry então. Pode sentar.
Henry se sentou.
– Pode começar.
– Começar o quê?
– Começar a falar o que veio falar.
– Acho que você sabe o que eu vim falar.
– Eu tenho alguns chutes. Se você me conheceu na palestra, deve querer falar sobre a palestra. Tem dúvidas sobre as índigo?
– Talvez eu saiba mais sobre as índigo do que você. Mas a pergunta é... Você realmente acredita nisso?
Henry, que tinha me parecido tão importante, agora parecia extremamente grosseiro.
– Escute aqui...
– Perdão, Dra. Spark, não era minha intenção ofendê-la.
– Ah, é mesmo? Que comovente. Estou começando a me arrepender. E você me disse que isso não ia acontecer.
Henry suspirou bem fundo e permaneceu em silêncio por alguns segundos.
– Desculpe. Vamos começar de novo. Você realmente acredita, não é?

– É claro que acredito. Por que acha que desenvolvi meu estudo?
Henry deu de ombros.
– Algumas pessoas tem manias meio doidas. Aquele menino que eu vi mais cedo... Era seu paciente?
– Já foi uma vez. Estou iniciando um processo para adotá-lo.
– Mas que... Interessante. Sério mesmo, é uma atitude muito legal. Tem algo a ver com aquelas marcas?
Foi a minha vez de respirar fundo.
– Não estamos aqui para falar sobre THE.
– É claro que estamos. Ele é nosso assunto.
– Como ele pode ser nosso assunto se você nem sabia que ele é meu filho?
Henry franziu o cenho. Tive certeza de que ele estava estranhando o fato de eu chamar THE de filho.
– Nós já temos um assunto definido, Dra. Spark.
Então eu percebi a verdade. O que THE não queria falar sobre a sensação que tivera ao ver Henry. Toda aquela conversa silenciosa entre eles. O brilho nos olhos de Henry. Seu interesse na palestra sobre as índigo. Sua experiência (que ele dizia ter) nas índigo. Por fim, seu desejo de falar sobre as índigo.
As índigo eram nosso assunto, assim como THE. Eles estavam conectados.
– Está me dizendo...
– Exatamente, Dra. Spark. Seu filho é índigo.
Eu não podia acreditar. Um menino que eu mal conhecia estava me dizendo com todas as letras. Eu não sabia se deveria confiar em um desconhecido, mas eu sentia que deveria acrediatar nele. E embora a resposta fosse óbvia, eu perguntei.
– Como você sabe disso?
– Simples, Dra. Spark. Índigos reconhecem uns aos outros. Eu sou um Conceitual.Capítulo 8