Índigo
9 Capítulo 9
– Ele é Interdimensional, não é? — Perguntei quando consegui me acalmar.
– Exatamente.
– Céus... Eu estou adotando um índigo... Isso é incrível!
– Mas você não disse que acreditava?
– Acreditava, mas não sabia que THE era um deles... Quer dizer, eu até suspeitava, mas era difícil ter certeza. Minha fé estava um pouco abalada pela falta de artifícios cientícos para comprovação... Espere... Agora que eu conheço índigos...
– Pode parar aí, doutora. Não me diga que está pensando em divulgar isso pro mundo.
Encarei Henry Dizim. Era exatamente isso o que eu estava pensando.
– Teria algum problema?
– Todos os problemas, doutora. Escute, eu pesquisei tudo sobre você, fui na sua palestra e procurei você aqui por um único motivo, tentar conseguir uma aliada.
– Aliada?
– Ser índigo não é uma tarefa fácil. Especialistas em várias áreas nos procuram. Médicos querem nos usar para fazer experiências. Igrejas querem nos caçar e nos destruir, porque acham que somos o mal. Seitas nos perseguem por acharem que somos o sinal do Apocalipse. É por isso que não nos revelamos. Temos medo do que farão quando nos descobrirem, levando em conta o que fazem os que já descobriram. Temos nos escondido durante muito tempo. Muitos espíritos de luz voltaram para Alcyone com os assassinatos. No início, achávamos que eliminaríamos o mal do mundo. Mas o mal do mundo nos envolveu... Nós estamos nos apagando. Quase não há mais de nós por aí.
– Mas isso... Isso é terrível! Henry, se tudo o que diz é verdade, logo só haverá cristais por aí.
– E tem mais. Alcyone foi tão afetada que houveram mutações. Nós temos suspeitas de que foram criados outros tipos de aura, além da índigo e da cristal, que são muito diferentes do que nós somos. Ainda não conhecemos, mas... Não deve ser bom.
– Henry, eu só não entendi uma coisa. Por que veio pedir a minha ajuda, se eu sou uma cientista, propíocia a fazer essas coisas horríveis que você disse que estão fazendo.
– Porque eu senti você, Angel. Eu senti que você é boa. É quase como se fosse uma índigo, mas ainda não há adultos índigos por aí. Eu sou o mais velho. Eu senti que você não é uma dessas pessoas obcecadas por nos usar para ficar famosa pelo feito de uma grande descoberta. Você realmente acha que somos especiais, você acredita nisso. E eu nunca encontrei alguém com sentimento tão puro por nós como você.
– Henry...
– Nós precisamos de você, Angel. Precisamos de sua força. Estamos em perigo.
A essa altura, eu estava lacrimejando, então enxuguei as lágrimas antes que elas caíssem.
– Eu quero ajudar. Eu preciso ajudar. Mas eu não faço ideia de como.
– Você pode nos proteger. Alguns dos caras que andam nos caçando, eles rastreiam índigos. Se estivermos perto de você, a situação complica para eles, porque sua aura cristal esconde as nossas auras índigo.
– Então quer que eu cole em vocês vinte e quatro horas por dia?
– Não, isso não ia ajudar. Quer dizer, talvez. Mas o objetivo não é esse. Angel, nós estamos sozinhos no mundo. Não temos a quem recorrer. Nós precisamos ter a quem recorrer em uma emergência. Precisamos do apoio de ao menos um adulto.
– Quando você diz nós...
– Já conheci muitos índigos nessa vida. Já tive mais de dez companheiros, mas hoje só tenho uma, Lizzie.
– Só uma? Por quê?
Henry olhou para o lado como se a lembrança lhe causasse dor.
– Os outros se perderam. Assassinados, capturados ou simplesmente se separando do grupo por motivo de força maior. Nós demoramos a perceber que um grupo maior chamava mais atenção. Por isso estávamos perdendo tantos. Mas eu me lembro deles. De cada um deles, e daria tudo para tê-los de volta... Enfim, nos separamos até que apenas eu e Lizzie estivéssemos juntos.
– Então vocês se conheceram se agrupando e fugindo?
– Exatamente.
– Qual é a classe da sua amiga?
– Artista. Ela faz de absolutamente tudo. Canta, dança, toca violino, desenha, pinta...
– Que ótimo. Quando poderei conhecê-la?
– Na próxima vez que eu vier, talvez a traga. Mas eu não acho muito seguro deixarmos nossos esconderijos, não com os ninjas do Tetsu No Ken por aí...
– Tetsu o quê?
– Tetsu No Ken. Atualmente, nossos piores inimigos. São um clã de descendentes do Japão que se agrupam em pequenas aldeias, e agora estão aqui na América. Eles seguem fielmente seus mitos e crenças desde muito tempo, mas essas crenças são todas falsas, inventadas por alguém que achava que esses mitos eram reais.
– Deixe-me adivinhar. Eles acham que as índigo são perigosas?
– Não simplesmente perigosas. Acham que somos um sinal de que a destruição do mundo está próxima, ou algo assim. Eu não sei. Eu descobri essas coisas quando um grupo de ninjas nos... atacaram. — Pelo tom de voz de Henry, eu soube que esse ataque não foi muito bom. — Eles falaram coisas sem sentido sobre sermos a razão do fim do mundo. Procurei na internet depois, mas as informações que consegui são poucas... Só que eles são um clã japonês e tal.
– Então, eles colocam ninjas atrás de vocês no intuito de eliminá-los.
– Eu não sei direito qual é o intuito. Acho que os ninjas simplesmente querem nos ver sofrer por condenar o mundo a ser destruído. Mas o pior é que não temos nada a ver com essa loucura de fim do mundo. Somos simplesmente dotados de maior capacidade psicológica.
– Você tem visto muitos ninjas?
O olhar de Henry se tornou ligeiramente sombrio, e eu notei uma pequena reentrância na parte esquerda de sua testa, provavelmente uma cicatriz.
– Visto, um pouco. Mas eles estão apenas observando. Houve uma época em que os ataques eram constantes. Duas vezes por dia, até. Ultimamente, temos sido cuidadosos. Tentamos nos esconder, mas eles são treinados para enxergar a aura, e nós não podemos escondê-la. Então sofríamos cerca de um ataque por semana. Mas ultimamente, são pouquíssimos, quase nenhum ataque.
Presumi que isso deveria ser bom, mas a expressão de Henry não sugeria isso.
– Não seria uma boa notícia os ataques estarem diminuido?
– Na prática. Mas em teoria... Nenhum silêncio é bom. Eles não simplesmente sumiram. Ainda estão por aí, mas não se manifestam. Às vezes... Às vezes eu sinto que eles estão perto. Mas não fazem nada.
– Eles podem estar esperando alguma coisa.
– Como um sinal para atacar. Para atacarem todos de vez.
– Ou podem estar espionando e mandando informações para o clã.
– Há muitas possibilidades. Mas isso é muito estranho. Eu e Lizzie estamos com muito medo. Estamos tão desesperados que viemos pedir sua ajuda.
– E eu vou ajudar. Contem comigo para o que precisarem.
– Quando nos encontramos de novo?
– Venha ao nosso esconderijo à noite. Pode levar seu pequeno. Enquanto você estiver perto dele, o perigo será mínimo.
– Tudo bem. Onde é?
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