Ícarus, anjo noturno

7 Definir o amor, indefinido


Caro leitor,

De clichês vivemos a vida.

Se você me acompanha em meus confusos textos, muitos os quais mal escritos e de uma gramática nada perfeita, sabe como minha cabeça é com pensamentos, e, ultimamente eles estão mais presentes do que nunca. Arrisco-me a dizer que centenas de milhares de novas coisas invadiram já o que não restava de espaço em minha mente.

Bem, nos últimos meses venho me perguntando: o que é o amor?

Diversas vezes paro e converso com meus botões sobre esse sentimento, do qual eu não sei ser bom ou ruim, sinceramente.

Difícil definir, até porque definir só irá limitá-lo. Mas tentarei juntar pedaços afim de explicar o que é para mim, o que andei pensando nesses meses.

Acredito que há vários tipos de amor, o pela família, pelo animal de estimação, pelo amigo, pelo amante; cada um com um grau maior que o outro, por exemplo, o amor de mãe é maior que o amor da namorada. As pessoas confundem amar como sendo um sentimento de casais e muitas até não entendem quando um amigo diz amar outro, havendo confusão no meio termo.

Mas venho falar sobre o amor sobre o outro, não sobre a família ou animal de estimação. Porque somos seres errantes que não sabemos quando amamos alguém fora de nossa família.

Amor é a calma descontrolada. É a venda nos olhos de quem ama, não enxergando os erros e defeitos, até mesmo de quem possui uma mente perspicaz. É a dor ao perceber que o outro não sente o mesmo, ao esperar certas palavras e atitudes que nunca irão acontecer.

Amor machuca com a ausência de certas coisas, ao mesmo tempo que cura com a presença de um sorriso. É acreditar nas palavras, mesmo na hora da raiva, após todo o machucado que o outro causou a nós.

Amor é se preocupar, cuidar, esquecer de seus problemas e dificuldades para elevar o outro, para estar sempre presente, sem esperar nada em troca, embora no fundo sempre espera e ao perceber que o outro não faria o mesmo, acaba desabando de amor em um abismo sem fim.

Amor é lembrar de cada palavra, promessa, olhar, sorriso, abraço. Cada detalhe. Amar é a dor da saudade de algo que aconteceu, nunca mais acontecerá e nunca aconteceu. É o medo de perder, é usar todas as energias do corpo tentar puxar o outro para seu lado, quando há o afastamento, mesmo que isso sugue todas as energias e que você fique fraco... mesmo que seus esforços tenham sido em vão.

Amor é ver o outro ir embora para ao lado de outras pessoas, é ficar feliz por ele, mesmo que você esteja totalmente destruído. É ver todas as palavras que foram ditas serem jogadas ao ralo, enquanto promessas feitas e não cumpridas martelam em sua cabeça.

Acredito que um “eu te amo” só possa ser dito de forma sincera. Quando sentir que o seu coração está em harmonia com o do outro, quando abraçar e sentir como se fossem um só. É se sentir único e especial como nunca antes e sentir como se nada mais pudesse te fazer da mesma maneira.

O amor nada mais é do que um mix de sentimentos, ele nos enche de vida e a tira, ele nos fornece felicidade enquanto deixa a tristeza tomar conta. Não é questão de dizer se é bom ou se é ruim, o amor é simplesmente isso o que é. Mas se discorda, entendo, pois o amor é para cada um.