Ícarus, anjo noturno

8 Que Dia dos Namorados


12 de junho de 2017, 21h51. Estação Paulista do Metrô.

Escrevo esses versos que nunca serão lidos por quem eu queria que lesse.

Há muitos casais passando pelas catracas, casais diversos em cores, tamanhos, gêneros, a grande maioria com buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto.

Fiquei impressionado, pois para mim não existia mais esse tipo de romantismo, principalmente entre os jovens, mas pelo visto é mais comum do que eu imaginava.

É uma certeza, que se fôssemos nós, eu estaria te esperando aqui com um buquê das suas flores preferidas. Mas quais são elas?

Já faz um ano e eu me arrependo profundamente a cada instante por ter dado aquela resposta. Eu não sou egoísta, você sabe, e eu segui dessa mesma maneira quando te respondi. Você não sabe, mas eu pensei em você na minha decisão. Soa estranho, mas eu deixei de ser feliz ao seu lado, eu te deixei em pedaços ao pensar em você. Não posso dizer os motivos por uma simples carta...

Estou sendo torturado nesse dia dos namorados, sua falta está pesando em meu corpo e confesso que estou sentindo um pouco de inveja desses casais se abraçando, beijando, recebendo carinho. Eu sei que nunca tive muito para te dar, mas eu te entreguei meu infinito. Eu segurava sua galáxia enquanto te abraçava e desejava que aquilo nunca chegasse ao fim, porque a felicidade estava estável em nossa conexão. Entretanto nunca foi o suficiente, afinal um covarde como eu nunca poderia fazer alguém como você feliz.

Eu lembro quando você parou de me enxergar e o seu silêncio começou a ficar doloroso. Eu entrei em estado de pânico, nenhuma palavra minha foi capaz de te fazer ficar quando tomou sua decisão. Não imaginava meu mundo sem você e então de repente eu estava sozinho, sem você de mãos dadas comigo. Posso afirmar que em nenhum dos meus pesadelos poderia ser tão horrível quanto foi.

A última vez que eu bebi até perder a consciência dos meus atos, eu te esperava. A cada gole ingerido eu fingia que estava bem, olhava para a porta esperando qualquer sinal da sua presença me acompanhando e reprovando com seu olhar igual sempre fazia. Minha ansiedade atacou, afinal você era minha morfina.

Eu tentei seguir em frente igual a você, mas eu ignorei meu próprio discurso de que não se cura um amor com paixões rasas, sentimentos e corpos que não se encaixam. Então eu desisti e hoje brindo com a solidão, enquanto isso estou aqui esperando o tempo passar, para ver se me acostumo.

Eu não quero arruinar sua felicidade, mas em algum tempo eu pensava que seu coração poderia se lembrar do que sentiu um dia. Eu preciso da sua felicidade, mesmo que seu sorriso mais sincero não seja para mim, mas não precisava matar o meu amor para ser feliz.

Eu ainda tenho muita coisa que eu preciso te dizer, mas de todas essas coisas nenhuma você gostaria de ouvir de mim.

Eu sei que eu devo recomeçar, mas se um dia você voltar, saiba que ainda terá o seu lar. Eu poderia reconstruir o nosso castelo, abandonaria as ruínas do outro que você deixou e plantaria as suas flores preferidas no jardim.

Você é meu verso mais bonito. Triste, mas ainda bonito.