Oi.

Tudo bem?

É engraçado reler as coisas antigas que escrevemos. A insignificância de três anos mudaram pontos de vistas que eu considerava sólidos em minhas concepções, inclusive certas normas de pontuação e acentuação que, naqueles tempos, defendia com vigor, dentes e unhas. Reler aquelas coisas engraçadinhas e românticas escritas em épocas onde a dissertação-argumentativa não era a obrigação semanal trouxe de volta um sentimento de nostalgia, de saudades das horas em que passava viajando em um mundo próprio buscando lugares, pessoas e situações que eu pudesse minimamente descrever — sem pensar em introduções, teses, argumentações e saídas — apenas para me dar o prazer de poder tornar a ver aquele mundo numa próxima leitura.

Hoje em dia, depois de tantas dissertações objetivas, me é difícil escrever sem não retirar a subjetividade dos meus textos. Escrever narrações então são verdadeiros desafios. E, inconscientemente, me parece errado conjugar os verbos em primeira pessoa. Este pequeno texto, por exemplo, está exigindo, não força de vontade por que a vontade de escrever é imensurável, mas uma força que parece querer romper com fôrmas moldadas na minha cabeça ao longo desses três anos.

É triste pensar que, para conseguir entrar numa universidade e no curso desejado, seja necessário sacrificar tanto uma habilidade que considerava um verdadeiro divertimento nos meus momentos de ócio. Dissertar sobre problemáticas do cotidiano vez ou outra também é algo interessante, porém nada supera a emoção de dar a luz a uma história que saiu dali, da sua imaginação, e vê-la fluir em letras, palavras, frases... Crescer. Desenvolver. Ter em si seus momentos de tristeza, felicidade, amor e ódio. Finalizar.

E uma minúscula fração de sua imaginação ficar materializada assim, com começo, meio e fim.

Na verdade, este devaneio todo é uma desculpa ao meu afastamento do Nyah! sem ao menos dar satisfação aos meus leitores ou, o que é pior, sequer finalizar, mesmo que de forma ridícula, as histórias que havia começado. Já digo que não irei terminá-las. Como disse no início, muita coisa que julgava certo, legal, bonito, etc, já não julgo da mesma forma hoje em dia. Pelo contrário. Me dá vergonha alheia. Tanto que excluí as duas histórias que havia criado, pois não tenho condições de continuá-las ( A Viagem de Chihiro: Sakura no Hana no Rakka e Os Últimos Dias de Jack).

Penso que minhas escritas serão a partir de agora muito menos fantasiosas do que naqueles tempos. Penso também que o mundo ao redor e os desafios do adolescente brasileiro são pautas que devem sim exploradas. Sinto que devo começar por eles e depois partir para a fantasia. Não estou pronto para tornar àqueles lugares que explorava antes. Eles ainda me parecem muito sinuosos e minha sede em esclarecer e justificar coisas desnecessárias tornarão minhas fantasias verdadeiras enciclopédias sobre um mundo que só vai existir na minha cabeça.

Dentre outras questões, meu retorno ao Nyah! Fanfiction envolve sede pela escrita e busca por uma válvula de escape para minhas ideias sorrateiras. Espero poder empolgá-los da mesma que eu me empolgo quando tais histórias me surgem. Não me responsabilizo pelo tédio, nem pelo desgosto, muito menos pelo arrependimento que alguns de vocês podem sentir ao ler meus absurdos, pois quando escrevo não sinto, apenas penso, imagino e crio. Como disse Fernando Pessoa's, sentir, sinta quem lê.

—GW.

  • ID: #341554
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  • Entrou em 12 de jul. de 2013 01:49
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