Comentários em “Pianista Diferente”: “Revanche e Superação”

Freya

É melhor eu gastar a minha empolgação logo no começo desse comentário falando do que eu mais gostei. É claro que os links usados tinham que ser da Valentina Lisitsa! Eu amo Beethoven, amo sonata ao luar e já vi essa mulher tocar essa música ao vivo, os três movimentos! Teatro Alfa, bairro Santo Amaro, São Paulo, 21 de novembro de 2017. Não é que eu decorei a data, não, é que o canhoto está aqui do lado do meu computador enquanto eu escrevo esse comentário. Claro que eu guardei, foi uma das coisas que eu mais gostei de ver na minha vida! E nessa mesma apresentação ela também tocou a rapsódia húngara de Liszt, a mesma que a Viridian tocou na história. Quando Viridian fez mistério para Ricardo sobre qual peça teria ensaiado, eu pensei em Liszt, mas em outra peça, o Feux Follets, porque se não me engano essa é considerada a peça mais difícil pra piano. Mas adorei ter sido a Rapsódia Húngara! E aquela vez no Teatro Alfa não foi a única vez que vi a Valentina tocar essa peça, vi isso mais uma vez poucos meses depois, quando ela retornou a São Paulo e tocou Rachmaninoff no Teatro Municipal, o Liszt foi bis. Então obrigada, simplesmente obrigada, por colocar na sua história duas músicas que eu amo de todo o coração e ainda colocar como referência pra elas uma pianista que eu também adoro e que já vi tocar ao vivo.
A sonata ao luar é linda, tanto o primeiro quanto o terceiro movimento (o segundo, do qual ninguém lembra, também é legalzinho rs) e eu também fiz esse contraste entre a placidez do primeiro movimento e o agito do terceiro numa história que eu escrevi anos atrás. Nessa história um garoto que queria ser músico mas foi forçado pelo pai a fazer administração (pressão familiar, como com a Viridian, mesma intensidade, mas sentidos opostos, né? rsrs), ele passa no vestibular e pede pra mudar o curso, mas não tinha feito o teste artístico pra faculdade, porque não precisava no vestibular pra administração, então um professor deixa ele fazer o teste retroativamente. Quando o professor perguntava o que ele ia tocar, ele dizia que era Sonata ao Luar, o professor pensa "bonita, mas não é o suficiente pra ser nosso aluno" imaginando que ele tocaria o primeiro movimento, mas ele toca o terceiro, surpreende o professor e passa no teste. Essa história não está mais no Nyah!, está no submundo dos arquivos perdidos do meu computador. Mas enfim, espero que meu gigantesco devaneio não tenha estragado esse comentário, que era pra ser sobre a sua história e não sobre a minha rsrsrs

A resolução do caso familiar de Viridian foi extremamente simples, até meio clichê, mas está bom assim porque a história não pretendeu mais do que isso. Foi criado um confronto muito bom entre mãe e filha e se essa história fosse longa, poderia ter estabelecido uma interação muito boa entre as duas personagens ao longo da história, mas o confronto foi resolvido prontamente, de um jeito simples, mas bonitinho e isso está ótimo porque essa interação conflituosa entre as duas não foi prometida pela história. Se essa história fosse adaptada para um filme, seria um curta metragem, então houve tempo suficiente para se dedicar ao confronto das duas personagens dentro do tamanho que a história tem.

E agora vou fazer minha única crítica negativa, que você já viu ali em cima. O arco de Pandora, o desfecho dela, foi totalmente insatisfatório. Ela sim merecia mais "tempo de tela" pra ter um desfecho melhor. Já assistiu Nodame Cantabile? Ela me lembra a Nodame, lendo a partitura e tocando um piano invisível por cima das folhas. E eu gosto de personagens talentosos e arrogantes, um exemplo é a Erika Koenji, do anime Skip Beat!, ela, assim como a Pandora, se acha melhor que os outros por ser talentosa e maltrata a Kyoko, protagonista do anime, como a Pandora maltrata a Viridian, mas com o tempo as duas desenvolvem uma relação, Erika reconhece o esforço de Kyoko e Kyoko admira o talento da Erika, então a rivalidade inicial das duas é substituída por uma amizade. A amizade de Kyoko e Erika é o presente que o roteiro nos dá, a personalidade repulsiva de Erika é o embrulho desse presente. Quando Pandora foi apresentada, com sua arrogância e inveja de Viridian, eu me senti igual, me senti diante desse embrulho, mas o presente nunca veio, porque ela terminou como uma personagem simplesmente arrogante, ressentida, derrotada de forma meio punitivista, o que não é o que se espera pra alguém que a gente tem alguma simpatia, e no caso dela a simpatia era única e exclusivamente pelo talento. Esperava que ela terminasse amiga de Ricardo e Viridian. Ela acabou sendo uma personagem plana, sem desenvolvimento nenhum, é só pura arrogância. Fiquei decepcionada.

No fim da segunda etapa, quando elas brigaram sobre Beethoven, já conhecendo o background de Viridian, me ocorreu que talvez Pandora seja a filha que Rute queria, uma máquina de tocar piano. Ela se acha superior aos outros por ser talentosa, então pode andar de mãos dadas com Rute, que queria sacrificar a liberdade da filha por causa do talento que muitos gostariam de ter, como se isso fosse mais importante que os sentimentos das pessoas.

Eu deixei a crítica negativa pro fim porque queria falar logo do que me empolgou na história, mas terminar o comentário assim pode fazer parecer que minha crítica é negativa. Por favor, não pense isso. Eu gostei muito da história.



O que mais gostei: Viridian e Pandora tocando Beethoven
O que acho que pode melhorar: O arco de Pandora
Metal_Will
Metal_Will Autor

Olá.

Muito obrigado pelo seu comentário. Fico feliz que tenha lido essa fic até o fim, apesar dela ser curta e muita coisa ter sido apressada.

Caraca, você viu a Valentina ao vivo? Que privilégio. Fico contente em ter acertado em uma artista que você também curte. Escolhi Rapsódia Húngara como apresentação final por ser conhecida pela dificuldade e ser um clássico da minha infância tocado em episódios de Tom e Jerry e Pica-Pau (esses desenhos antigos moldaram bastante meu gosto musical por clássicos. Kkkk). Para a Pandora, escolhi aquele noturno do Chopin por ser uma das minhas peças prediletas desse compositor (e, como foi dito na fic, a parte ruim é que ela acaba rápido). No segundo round, foi isso mesmo: achei que o contraste entre o primeiro e o terceiro movimento fosse legal de ser explorado.

Como dito, por ser uma fic curta, creio que muitas coisas ficaram apressadas mesmo. A reconciliação da Viridian com a mãe era algo que eu queria muito colocar e, de fato, a Pandora não foi muito explorada. Poderia ter colocado mais detalhes do porque ela ser tão perfeccionista, mas confesso que não pensei muito nisso. Eu precisava de uma rival e uma garota arrogante que se acha superior aos outros serviu bem para isso. Concordo que ela poderia ser a filha que Rute queria e, pensando agora, acho que um bom background seria colocar a Pandora com um passado parecido com a Viridian, com pais e professores exigentes que a deixaram assim. A diferença é que a Viridian, mesmo com todo o seu talento, só queria ser livre, enquanto a Pandora realmente queria ser a melhor no piano. Bom, talvez um dia em faça um spin-off explicando. Talvez. (Já assisti Nodame Cantabile há um tempo, mas ainda não vi Skip Beat! Vou guardar para dar uma olhada outro dia).

Por fim, agradeço mais uma vez por ter lido. Peço desculpas por eventuais erros de digitação que sempre acabam escapando, mas fico contente que tenha gostado. Faz muito tempo que não recebo comentários aqui e também faz muito tempo que não escrevo nada. Seu comentário até me reacendeu a vontade de voltar a escrever fics (só preciso amadurecer algumas ideias).

Aliás, deixo meu convite para ler outras fics, embora muitas delas sejam bem longas. Até agora, "Casa dos Jogos" e "Pesadelo do Real" foram as melhores que escrevi.

Até mais!

PS: Fiquei curioso com a sua história. Se um dia resolver republicar aqui, manda o link.

Metal_Will
Metal_Will Autor

Olá.

Muito obrigado pelo seu comentário. Fico feliz que tenha lido essa fic até o fim, apesar dela ser curta e muita coisa ter sido apressada.

Caraca, você viu a Valentina ao vivo? Que privilégio. Fico contente em ter acertado em uma artista que você também curte. Escolhi Rapsódia Húngara como apresentação final por ser conhecida pela dificuldade e ser um clássico da minha infância tocado em episódios de Tom e Jerry e Pica-Pau (esses desenhos antigos moldaram bastante meu gosto musical por clássicos. Kkkk). Para a Pandora, escolhi aquele noturno do Chopin por ser uma das minhas peças prediletas desse compositor (e, como foi dito na fic, a parte ruim é que ela acaba rápido). No segundo round, foi isso mesmo: achei que o contraste entre o primeiro e o terceiro movimento fosse legal de ser explorado.

Como dito, por ser uma fic curta, creio que muitas coisas ficaram apressadas mesmo. A reconciliação da Viridian com a mãe era algo que eu queria muito colocar e, de fato, a Pandora não foi muito explorada. Poderia ter colocado mais detalhes do porque ela ser tão perfeccionista, mas confesso que não pensei muito nisso. Eu precisava de uma rival e uma garota arrogante que se acha superior aos outros serviu bem para isso. Concordo que ela poderia ser a filha que Rute queria e, pensando agora, acho que um bom background seria colocar a Pandora com um passado parecido com a Viridian, com pais e professores exigentes que a deixaram assim. A diferença é que a Viridian, mesmo com todo o seu talento, só queria ser livre, enquanto a Pandora realmente queria ser a melhor no piano. Bom, talvez um dia em faça um spin-off explicando. Talvez. (Já assisti Nodame Cantabile há um tempo, mas ainda não vi Skip Beat! Vou guardar para dar uma olhada outro dia).

Por fim, agradeço mais uma vez por ter lido. Peço desculpas por eventuais erros de digitação que sempre acabam escapando, mas fico contente que tenha gostado. Faz muito tempo que não recebo comentários aqui e também faz muito tempo que não escrevo nada. Seu comentário até me reacendeu a vontade de voltar a escrever fics (só preciso amadurecer algumas ideias).

Aliás, deixo meu convite para ler outras fics, embora muitas delas sejam bem longas. Até agora, "Casa dos Jogos" e "Pesadelo do Real" foram as melhores que escrevi.

Até mais!

PS: Fiquei curioso com a sua história. Se um dia resolver republicar aqui, manda o link.