Comentários em “Meia Lua”: “Ariadne e o Minotauro”

Themis Magalhães

Olá =)

Acho que antes de sentar em frente ao computador para deixar o comentário, tive de organizar meus pensamentos e tentar decidir qual ponto foi mais marcante para mim, para que assim pudesse ser colocado na parte "o que você mais gostou no capítulo?" do comentário. A verdade é que não há como escolher, porque teria de colocar todo o capítulo.

Vamos lá, por onde eu começo? Bem, acho que vou começar pelo final, nas notas. Tive minha fase de ser apaixonada por mitologia grega quando era criança e das coisas que li, o Minotauro era o que mais me chamava a atenção. Toda essa história sobre o motivo de sua crianção, o labirinto, os sacrifícios e, por fim, sua derrota. Lembro de ter lido e pesquisado sobre muitas vezes, mas nunca pensei sob o ponto de vista que você apontou nas notas. Isso abriu muito minha cabeça e, na verdade, trouxe um novo significado para história. Não creio que em momento algum eu cheguei a considerar uma consciência para o Minotauro e em como a culpa do seu nascimento veio por causa de uma "traição" a Poseidon (creio eu, desculpe se estiver errada. Faz muito tempo desde que li sobre). É só que é bastante interessante encarar tudo sob esse novo ponto de vista. Obrigada.

Creio que o outro ponto que mais me marcou aqui foi um questionamento um tanto pessoal. Tive meus problemas ao longo do meu crescimento (sou até que bastante jovem, mas sei que tive certos problemas sérios), todos nós temos. E lendo esse capítulo, ainda que minha mente não chegue nem aos pés da confusão em que estava (ou ainda está?) a mente do Fred, não pude deixar de me perguntar como seria a representação física da minha própria mente? Se fosse eu ali, precisando ser salva e alguém tivesse acesso a todos os meus medos, erros, conquistas, segredos etc, o que estaria lá para ser visto? E ainda, como poderia ser visto? Somos nossa própria companhia constante, por mais que às vezes a vontade de deixar de lado nossos próprios pensamentos e dúvidas seja extremamente forte. Não há nada que tenhamos ouvido mais que nossa própria voz dentro de nossas cabeças. Mas como ela poderia ser representada? Como ela seria, se tudo aquilo que nos atormenta e/ou nos satisfaz pudesse ser transformada em um ambiente físico? É uma pergunta cuja resposta desconheço e não sei o quão saudável poderia ser conhecer. Isso foi um ponto de extrema importância para mim, algo que me fez parar para pensar.

Quanto ao Fred, bem, a cada capítulo que passa eu fico tentando entender qual deles está mais quebrado. Agora vejo que talvez essa não seja uma comparação justa. Nunca é. Como disse anteriormente, todos nós passamos por problemas (e nem mesmo vivemos num cenário apocalíptico, imagine se fosse o caso). Alguns de nós, ainda bem que a maioria (creio eu), possuímos a capacidade de empatia. E ainda assim, não há como saber exatamente o que o outro passa. Assim como esse outro não saberá o que passamos. Meu ponto é: não é justo tentar comparar, quando a vida de cada um é a vida de cada um. Todos estão quebrados, a sua maneira. Parei de tentar colocá-los em um pódio e devo admitir que, assim, as coisas fazem bem mais sentido.

Imagino o quão difícil deve ter sido para ele conviver com tantas vozes e tantas lembranças. É difícil não conseguir confiar em sua própria mente, ainda mais quando ela foi, por tanto tempo, um refúgio e uma base estável (seja pela inteligência ou pela imaginação).

E a cada capítulo que passa, a Marina chama mais minha atenção. A força dela já estava subentendida, após a descrição de tudo o que aconteceu com ela antes de encontrar os meninos. Mas nesse capítulo, sinto que a vejo com outros olhos. Estou começando a me ligar mais a ela e isso me preocupa. Afinal, esse tipo de cenário é instável e não sei qual dos personagens pode morrer, a qualquer momento. Me apegar a mais personagens pode ser preocupante :v

Para finalizar esse comentário, devo parabenizá-la novamente pela excelente pesquisa e empenho na construção dessa história. Isso é ótimo, parabéns.

Excelente capítulo, um dos meus preferidos até agora. Fico muito feliz que tenha postado dois seguidos. Vou correndo ler o próximo =)

P.s.: Poderia me dizer qual o nome que ela sussurrou?

N

Muito feliz pelo capítulo ter lhe despertado tanta reflexão, Themis. Também levei um tempo pra olhar a história do Minotauro um pouco além do básico "Herói mata monstro com ajuda de princesa apaixonada por ele". Mas acredito na ideia de que as histórias que nos marcam são um pouco nossas também, e quando fui dar um título pra esse capítulo, não poderia dar a Marina a posição do "Herói que sai pra matar monstro", mas ela seria bem uma princesa que ajudaria o monstro a parar de errar, mesmo que isso acabasse matando-o. Hoje em dia vejo Ariadne com muito mais simpatia e gentileza.

Quanto à mente do Fred, o que descrevi era como Marina podia entender a situação. Por uma boa parte da história, Fred estava perdido em si mesmo. Não consigo imaginar o que é pra uma pessoa tão racional quanto ele não poder acreditar nos próprios sentidos. Pra Marina, isso se manifestou como um labirinto, e camadas confusas de memórias cujo significado estava perdido.

Sim, todos estão quebrados. Em lugares diferentes, com reações diferentes, mas todos estão quebrados. E isso é uma das coisas que os mantém unidos.

Sim, Marina é muito forte, mas ficamos ainda mais fortes pra defender alguém que amamos.

É um tanto difícil explicar a Marina, e o melhor jeito de resumi-la foi o do Cássio: Foi ele quem fez as máscaras dos três (Claro que a Marina também ganhou uma antes de sair): a dela representa uma elefanta africana. Também acho que ela guarda as melhores características do animal.