Olá Dona Flor. Eu sou a Larissa e obrigada por me receber aqui. Sério, eu não vejo motivo para me aceitar mas tudo bem. Não pensei em nada melhor para começar do que responder a tua pergunda daquele dia. Então... É. Não, eu não entrei na sala errada. Na verdade, é uma surpresa que eu tenha conseguido fazer algo certo ao menos uma vez na minha vida. Touché. Bem, sendo sincera, é meio difícil estar aqui. Ou melhor, admitir que eu precisaria estar aqui quando neguei que estava no lugar errado. Mas é que depois de ouvir todos esses depoimentos e sentir toda essa coragem em compartilhar eu quis voltar. É. Por isso estou aqui hoje compartilhando a minha história. Sei que demorei para fazer isso, mas eu precisava vir em mais algumas sessões antes de tomar essa decisão. Sou totalmente indecisa, fracassada e admito, preguiçosa. Pois bem.
O primeiro dia em que estive aqui foi bacana. Bacana. Leia-se engraçado e intimidador. Ser a pessoa nova e "obrigar" todo mundo a se apresentar sem querer me deixou ainda mais autodepreciativa. Pense comigo, por culpa minha, todinha minha, pessoas que já se conheciam teriam que passar por aquele estresse novamente. Eu que fui a novata, eu que cheguei de supetão e ainda fiz todo mundo desperdiçar tempo. Eu. Tempo desperdiçado comigo. Tudo para que eu me sentisse parte do grupo. Tudo com um propósito, menos eu. Aliás eu até tinha um propósito: estragar tudo. Não me leve a mal, é o que eu sempre acabo fazendo. E, tecnicamente, foi o que eu fiz. Eba! A Larissa estragou tudo mais uma vez! (Conte-me uma novidade).
Voltando ao foco, já que eu o perco muito rápido porque não tenho habilidade nenhuma em prestar atenção nas coisas, Ricardo, se bem me recordo (Badum tss), foi o primeiro. E, não vou mentir, aquilo foi realmente inspirador. Assim como Ricardo, não sei reconhecer pontos fortes. Até porque eles nem existem. Mas foi legal ver que ele conseguiu citar ao menos dois. Um avanço! Naquele momento eu verdadeiramente senti que o ABA podia mudar vidas. Ou ao menos a minha vida. Tanto é que decidi que, não importasse o desenrolar daquela sessão, eu voltaria numa próxima. E na próxima. E na outra depois dela. E agora eu estou aqui. Falando com vocês. Isso é tremendamente assustador.
Com a Gabi, que não se chama Gabi mas sim Gabriela, eu não tive tanto em comum. Claro que pude me perceber nas inseguranças dela, mas eu não sei o que é transformar isso em ciúme excessivo. Até porque eu não sinto que poderia ter ciúmes de alguém já que não sou suficientemente digna de sequer poder sentir algo por alguém sem que esse fato ofenda esse alguém em questão. Estamos falando de mim aqui e sinceramente, ninguém quer ser relacionado à minha pessoa. Ninguém. Mas, ignorando o raciocínio, sempre achei ciúme uma coisa ruim. De todo o tipo.
O relato de Viviane me lembrou de algumas amizades tóxicas que eu, por incapacidade, ainda não me livrei. É quase como o ex relacionamento dela, mas com algumas ressalvas. Controlavam minhas roupas, o que eu ia dizer e até mesmo se valeria a pena eu ir ou não. E eu, obviamente, ainda não faço nada contra isso além de aceitar e concordar. São meus amigos, eles me conhecem e sabem o que é melhor pra mim, não é mesmo? E eu não sou nada sem eles. Eles se importam tanto comigo...
Maria é, sem dúvidas, com quem eu mais me identifiquei. Fazer graça ajuda a suportar. É a melhor válvula de escape. Se rir é o melhor remédio, rir de si mesma é normal e saudável, não? Esse é um vício do qual não vou superar, não importa em quantas reuniões do A.A. eu venha. E tudo bem continuar assim. Pelo menos alguém deve se divertir em algum momento, mesmo rindo de mim e não comigo.
O Jonathan... bem, foi o favorito. Ele teve a coragem de mostrar algo que todos, sem exceção, acabam por esconder. Até mesmo num ambiente tão acolhedor como esse. E eu não estou falando de cortes. É figurativo e literal. Bem, se quiserem saber, eu desconto as coisas no "bater a porta". Já quebrei algumas numas vezes em que precisava mesmo descontar em algo que não fosse eu mesma. E até tranquiliza. Mas daí você percebe o que fez e se sente um lixo pior. De qualquer forma, eu não disse que era um método eficaz. Música deve funcionar melhor.
Marcos soube como fechar a reunião. O que melhor do que alguém com baixa autoestima e que não sabe dizer não? Exatamente! Não seria esse o grande motivo de estarmos aqui?
Então, Dona Flor, eu não tenho do que reclamar. Quer dizer, além de mim. Acompanhar tudo isso me ajudou bastante, e você também ajudou. Menos quando disse que reconhecer o problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Porque, bem, para alguém com ansiedade, baixa autoestima e depreciação constante, reconhecer é o de menos. E, dessa forma, a resolução parece um pouco mais distante e improvável. Mas eu gosto da sua forma de pensar.
É isso. Obrigada por me deixar falar primeiro hoje. Estou no A.A. só alguns dias e já sinto os efeitos. Mesmo que, em se tratando de autodepreciação, meu recorde seja de -15. Isso, é claro, com margem de erro.
Dona Flor: Eu não vejo porque não aceitaria uma menina tão especial aqui. Esse lugar precisa de mais gente como você. Mais histórias belas e únicas para dividir. E você foi muito forte por voltar aqui e muito corajosa para encarar seus próprios medos e vir para começar.
Ricardo: Isso é verdade. É muito difícil entrar nessa sala no começo.
Gabriela: Eu fiquei com tanta vergonha no começo que passei um mês sem vir depois da primeira sessão...
Viviane: Eu entrei e saí da sala umas cinco vezes com a desculpa de ir ao banheiro... E pensei seriamente em só ir embora sem falar com ninguém.
Maria: Eu entrei em pânico e tive uma crise de riso. Ri tanto que fiquei vermelha e sem ar e chamei a atenção de todo mundo... fiquei tão sem jeito que quis morrer.
Jonathan: E eu fiquei tenso e cravei minhas unhas no meu braço por instinto. Só percebi quando vi manchas de sangue na ponta dos meus dedos.
Marcos: Eu fingi que estava com dor de garganta pra não precisar falar...
Dona Flor: Viu, querida? A primeira vez é sempre a mais difícil. E todos aqui já foram os novatos também, nunca é perda de tempo. Além do mais, eu não diria que estragou a reunião, foi ótimo tê-la aqui conosco. Sua presença deixou a reunião muito mais animada.
Ricardo: Pelo menos mais que a minha, garanto.
Jonathan: Olha a autodepreciação...
Ricardo: O quê? Foi só uma piada!
Maria: Piadas também refletem baixa autoestima...
Ricardo: ...Tá, foi mal...
Viviane: Relaxa, não é pra gente que você deve desculpas, é pra você mesmo.
Ricardo: Enfim, Larissa, que legal você se lembrar de mim! Não tem muita gente que se importa em fazer isso. É, eu fui o primeiro.
Gabriela: E ele mudou de assunto...
Ricardo: Sabe o que é tremendamente assustador? Meu discurso idiota te convencer a voltar. Te garanto que você vai achar bem mais que duas qualidades logo logo!
Gabriela: E você tá certa nessa coisa do ciúme. É doentio. É estranho. É imperdoável. Eu nem tinha o direito de exigir nada de ninguém, afinal eu sou só uma idiota carente que-
Jonathan: Autodepreciação...
Gabriela: Ah, foi mal. Enfim... É bom te ter aqui, Larissa. Gosto da sua opinião.
Viviane: Já sobre amizades tóxicas, bem... Se quiser alguém experiente para conversar, estou às ordens! É difícil desapegar de pessoas que fazem mal porque, no fundo, não achamos que merecemos nada melhor. Eu ainda sinto isso. Acho que todo mundo sente isso um pouco. Pessoas que te controlam se importam tanto com você quanto uma criança se importa com uma boneca. Mas o que eu sei? Nem sou forte o bastante pra romper de vez com eles...
Jonathan: Eu tenho que falar?
Viviane: Já sei, autodepreciação...
Maria: E que bom que minha tragédia exagerada te fez rir, esse é meu defeito e meu vício. Quando ouvimos os outros rirem, parece que temos uma função, não? Uma utilidade... Mesmo que a risada dos outros nos machuque por dentro. Nos rasgue. Não passamos de uns palhaços masoquistas e-
Jonathan: ....
Maria: ....E acho que exagerei. Desculpe. Talvez rir seja mesmo o melhor remédio, então vamos rir dessa idiotice toda. Desse mundo.
Jonathan: E eu, bem, o que dizer? Também gosto de você. Talvez porque você não tenha medo de falar dos meus cortes como o resto do pessoal. Não importa o quanto eu diga que não vou quebrar se comentarem que eu rasgo minha própria carne quando tenho uma crise... Enfim, é bom te ter aqui. Não sou o melhor em conselhos, e sim, esse é um comentário meio autodepreciativo, mas vou te dar o que a Dona Flor me deu: ninguém pode te ajudar se você não quiser ajuda. Então é bom ver você aqui por vontade própria. E, acredite, música é boa, mas não supera o alívio de uma lâmina afiada ou do baque de uma porta quase quebrando. Autocontrole é uma droga. Uma droga necessária, mas uma droga.
Marcos: E que bom que gostou do meu modo de encerrar as coisas. Gentil da sua parte comentar.
Jonathan: Ele só está sendo educado porque não sabe criticar... Ele ficou chateadinho porque você não teve muito a dizer sobre ele.
Viviane: Jonathan! Que coisa rude de se dizer!
Marcos: Tudo bem, Vivi. Ele está certo.
Gabriela: Você realmente precisa se impôr um pouco mais...
Marcos: Eu sei...
Ricardo: Deixem o cara em paz. Estamos todos tentando!
Jonathan: É, mals aí, eu devia ter ficado calado... Eu meio que parei de tomar meu remédio esses dias e meu humor está oscilando mais que o normal.
Dona Flor: E porque você parou?
Jonathan: Eu só... Nada.
Todo mundo: .....
Jonathan: Tá! Eu só queria conseguir ficar bem sem ele, tá? É irritante depender de comprimidos pra não ser nem depressivo nem um idiota arrogante!
Maria: É, deve ser mesmo...
Viviane: Mas você não devia parar assim.
Ricardo: Já pensou em falar com seu médico?
Dona Flor: Olha, querido, não posso te mandar tomar o remédio, mas posso dizer que às vezes precisamos dar passos pequenos para não cair. Porque você não retoma e, na próxima consulta, pede pro seu médico reduzir a dose? Talvez seja possível. Ou ele pode prescrever um remédio mais fraco, que te incomode menos.
Jonathan: É... enfim, estávamos falando da Larissa, lembram?
Dona Flor: Sim. Mas vamos falar disso depois, certo? E Larissa, meu doce, foi encantador te ter como a primeira hoje. Eu também gosto da sua forma de pensar. Bem lá no fundo, você tem muita garra. Para mim, ansiedade, baixa autoestima e depreciação constante são apenas nomes, não definem a pessoa incrível e complexa que você é.
Marcos: É muito bom te ter aqui.
Ricardo: Com certeza.
Gabriela: É sempre bom ter mais uma garota no grupo.
Jonathan: E alguém com mais coragem que todos nós juntos... E eu não tenho certeza se isso foi autodepreciação ou depreciação aos outros. Talvez os dois.
Viviane: Como dá pra vez, o Jonathan é quase nosso medidor de baixa autoestima... Mas você aprende a amar o garoto depois de um tempo.
Todo mundo: Bem vinda, Larissa.
Todo mundo: Clap, clap, clap, clap.
L
Lorde Barão
Olá, sou eu de novo comentando em mais uma historinha sua. E antes de começar, tem um detalhe na sinopse que me chamou a atenção. Não existe essa tal coisa de "sala errada". Estranho porque isso costumava existir quando eu era pequeno e entrava na sala de aula de outra turma. Hmmm, estrutura toda em diálogo, né? Vamos ver se dar pra comentar algo legal por aqui (se esse comentário tiver o dobro do tamanho daquele de Empatia já vou estar no lucro). E já comecei super bem, com uma gentil recepção da Dona Flor. Ok, vou tentar ficar à vontade. Eita, o nome do personagem é Ricardo, já é o suficiente para imaginá-lo com a voz do pai do Gumball (o coelho gordo de O Incrível Mundo de Gumball). Olha, eu também tô aplaudindo o Ricardo (estou digitando com os pés, acredite em mim). Se fosse eu nessa entrevista de emprego, quando me pedissem pra citar duas qualidades minhas eu teria pulado da janela. Puts, nem posso comentar muito a respeito da Gabi e da Viviane. Tenho zero experiência em relacionamentos amorosos. Se ao menos a ciência pudesse desvendar as leis e fórmulas matemáticas que regem os relacionamentos amorosos. A respeito de Maria, eu entendo ela um pouco porque eu me achava feio. Hoje eu tenho a certeza absoluta de que sou feio mesmo. Sobre o Jonathan, tem algumas vezes que me sinto um inútil assim como ele. A diferença é que, nessas horas sombrias, eu curto ver um episódio de O Show do Brak, o desenho que traz luz pra minha vida. Finalmente, o relato do Marcos. "Dizer sempre sim para agradar todo mundo é um erro, porque nossos amigos de verdade não se importam de receberem um não e, se alguém reclamar por isso, não é seu amigo de verdade". Grande verdade essa. Foi nas vezes que disse não para favores e pedidos que descobri que eu não tinha nenhum amigo de verdade. O máximo que tive foram colegas de classe. É, acabou. Olha, acho que esse comentário ficou melhor que aquele de Empatia. E pra encerrar, uma confissão. Lembra quando disse que tava digitando com os pés? Pois é, eu menti. Aplaudi primeiro, comentei com as mãos depois. Pronto, agora acabou de verdade. Tchau.
É, lá vai você de novo comentando em uma historinha minha...
Sério, depois de uma recomendação e vários comentários, estou quase me sentindo mal por estar devendo um montão de comentário nas suas histórias!
(Quase)
Mas, como você provavelmente deve ter percebido, eu não tenho tempo/disposição nem pra responder comentários no mesmo dia, imagine pra fazer alguns!
Coincidência, essa coisa de "sala errada" existiu pra mim em várias ocasiões também!
(Eujá assisti uma aula inteira em outra turma até:
A:Eu me tocar que estava na sala errada.
B:Alguém perceber que eu não devia estar ali)
E, se levar em conta que eu nem comentando estou ultimamente, acho que o seu em Empatia foi ótimo! Só de gastar um pouco do seu tempo pra comentar já significa muito!
Antes eu não imaginava o Ricardo coelho-rosa-gordo... Agora acho que nunca vou conseguir ler sem pensar nisso.
Valeu mesmo.
Pular da janela é pouco!
E, se a ciência explicasse tudo, que graça teria?
Ninguém iria quebrar a cara e render memes divertidos na internet.
Ok, então em um único comentário você é feio, às vezes se acha inútil e nunca teve amigos...
Seu humor refinado sempre me surpreende.
"humor refinado"... Uau, é a primeira vez que alguém me diz isso.
Não sei se fico lisonjeado ou ofendido...
Sei lá, tenho uma birra com a palavra "refinado".
Por outro lado, eu não faço ideia do que um humor refinado é, então: obrigado pela parte que me toca!
E, é claro, valeu mesmo por comentar, Fefa!
Olá Dona Flor. Eu sou a Larissa e obrigada por me receber aqui. Sério, eu não vejo motivo para me aceitar mas tudo bem. Não pensei em nada melhor para começar do que responder a tua pergunda daquele dia. Então... É. Não, eu não entrei na sala errada. Na verdade, é uma surpresa que eu tenha conseguido fazer algo certo ao menos uma vez na minha vida. Touché. Bem, sendo sincera, é meio difícil estar aqui. Ou melhor, admitir que eu precisaria estar aqui quando neguei que estava no lugar errado. Mas é que depois de ouvir todos esses depoimentos e sentir toda essa coragem em compartilhar eu quis voltar. É. Por isso estou aqui hoje compartilhando a minha história. Sei que demorei para fazer isso, mas eu precisava vir em mais algumas sessões antes de tomar essa decisão. Sou totalmente indecisa, fracassada e admito, preguiçosa. Pois bem.
O primeiro dia em que estive aqui foi bacana. Bacana. Leia-se engraçado e intimidador. Ser a pessoa nova e "obrigar" todo mundo a se apresentar sem querer me deixou ainda mais autodepreciativa. Pense comigo, por culpa minha, todinha minha, pessoas que já se conheciam teriam que passar por aquele estresse novamente. Eu que fui a novata, eu que cheguei de supetão e ainda fiz todo mundo desperdiçar tempo. Eu. Tempo desperdiçado comigo. Tudo para que eu me sentisse parte do grupo. Tudo com um propósito, menos eu. Aliás eu até tinha um propósito: estragar tudo. Não me leve a mal, é o que eu sempre acabo fazendo. E, tecnicamente, foi o que eu fiz. Eba! A Larissa estragou tudo mais uma vez! (Conte-me uma novidade).
Voltando ao foco, já que eu o perco muito rápido porque não tenho habilidade nenhuma em prestar atenção nas coisas, Ricardo, se bem me recordo (Badum tss), foi o primeiro. E, não vou mentir, aquilo foi realmente inspirador. Assim como Ricardo, não sei reconhecer pontos fortes. Até porque eles nem existem. Mas foi legal ver que ele conseguiu citar ao menos dois. Um avanço! Naquele momento eu verdadeiramente senti que o ABA podia mudar vidas. Ou ao menos a minha vida. Tanto é que decidi que, não importasse o desenrolar daquela sessão, eu voltaria numa próxima. E na próxima. E na outra depois dela. E agora eu estou aqui. Falando com vocês. Isso é tremendamente assustador.
Com a Gabi, que não se chama Gabi mas sim Gabriela, eu não tive tanto em comum. Claro que pude me perceber nas inseguranças dela, mas eu não sei o que é transformar isso em ciúme excessivo. Até porque eu não sinto que poderia ter ciúmes de alguém já que não sou suficientemente digna de sequer poder sentir algo por alguém sem que esse fato ofenda esse alguém em questão. Estamos falando de mim aqui e sinceramente, ninguém quer ser relacionado à minha pessoa. Ninguém. Mas, ignorando o raciocínio, sempre achei ciúme uma coisa ruim. De todo o tipo.
O relato de Viviane me lembrou de algumas amizades tóxicas que eu, por incapacidade, ainda não me livrei. É quase como o ex relacionamento dela, mas com algumas ressalvas. Controlavam minhas roupas, o que eu ia dizer e até mesmo se valeria a pena eu ir ou não. E eu, obviamente, ainda não faço nada contra isso além de aceitar e concordar. São meus amigos, eles me conhecem e sabem o que é melhor pra mim, não é mesmo? E eu não sou nada sem eles. Eles se importam tanto comigo...
Maria é, sem dúvidas, com quem eu mais me identifiquei. Fazer graça ajuda a suportar. É a melhor válvula de escape. Se rir é o melhor remédio, rir de si mesma é normal e saudável, não? Esse é um vício do qual não vou superar, não importa em quantas reuniões do A.A. eu venha. E tudo bem continuar assim. Pelo menos alguém deve se divertir em algum momento, mesmo rindo de mim e não comigo.
O Jonathan... bem, foi o favorito. Ele teve a coragem de mostrar algo que todos, sem exceção, acabam por esconder. Até mesmo num ambiente tão acolhedor como esse. E eu não estou falando de cortes. É figurativo e literal. Bem, se quiserem saber, eu desconto as coisas no "bater a porta". Já quebrei algumas numas vezes em que precisava mesmo descontar em algo que não fosse eu mesma. E até tranquiliza. Mas daí você percebe o que fez e se sente um lixo pior. De qualquer forma, eu não disse que era um método eficaz. Música deve funcionar melhor.
Marcos soube como fechar a reunião. O que melhor do que alguém com baixa autoestima e que não sabe dizer não? Exatamente! Não seria esse o grande motivo de estarmos aqui?
Então, Dona Flor, eu não tenho do que reclamar. Quer dizer, além de mim. Acompanhar tudo isso me ajudou bastante, e você também ajudou. Menos quando disse que reconhecer o problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Porque, bem, para alguém com ansiedade, baixa autoestima e depreciação constante, reconhecer é o de menos. E, dessa forma, a resolução parece um pouco mais distante e improvável. Mas eu gosto da sua forma de pensar.
É isso. Obrigada por me deixar falar primeiro hoje. Estou no A.A. só alguns dias e já sinto os efeitos. Mesmo que, em se tratando de autodepreciação, meu recorde seja de -15. Isso, é claro, com margem de erro.
P.S: clap clap clap.
Dona Flor: Olá, Larissa.
Todos: Boa noite, Larissa.
Dona Flor: Eu não vejo porque não aceitaria uma menina tão especial aqui. Esse lugar precisa de mais gente como você. Mais histórias belas e únicas para dividir. E você foi muito forte por voltar aqui e muito corajosa para encarar seus próprios medos e vir para começar.
Ricardo: Isso é verdade. É muito difícil entrar nessa sala no começo.
Gabriela: Eu fiquei com tanta vergonha no começo que passei um mês sem vir depois da primeira sessão...
Viviane: Eu entrei e saí da sala umas cinco vezes com a desculpa de ir ao banheiro... E pensei seriamente em só ir embora sem falar com ninguém.
Maria: Eu entrei em pânico e tive uma crise de riso. Ri tanto que fiquei vermelha e sem ar e chamei a atenção de todo mundo... fiquei tão sem jeito que quis morrer.
Jonathan: E eu fiquei tenso e cravei minhas unhas no meu braço por instinto. Só percebi quando vi manchas de sangue na ponta dos meus dedos.
Marcos: Eu fingi que estava com dor de garganta pra não precisar falar...
Dona Flor: Viu, querida? A primeira vez é sempre a mais difícil. E todos aqui já foram os novatos também, nunca é perda de tempo. Além do mais, eu não diria que estragou a reunião, foi ótimo tê-la aqui conosco. Sua presença deixou a reunião muito mais animada.
Ricardo: Pelo menos mais que a minha, garanto.
Jonathan: Olha a autodepreciação...
Ricardo: O quê? Foi só uma piada!
Maria: Piadas também refletem baixa autoestima...
Ricardo: ...Tá, foi mal...
Viviane: Relaxa, não é pra gente que você deve desculpas, é pra você mesmo.
Ricardo: Enfim, Larissa, que legal você se lembrar de mim! Não tem muita gente que se importa em fazer isso. É, eu fui o primeiro.
Gabriela: E ele mudou de assunto...
Ricardo: Sabe o que é tremendamente assustador? Meu discurso idiota te convencer a voltar. Te garanto que você vai achar bem mais que duas qualidades logo logo!
Gabriela: E você tá certa nessa coisa do ciúme. É doentio. É estranho. É imperdoável. Eu nem tinha o direito de exigir nada de ninguém, afinal eu sou só uma idiota carente que-
Jonathan: Autodepreciação...
Gabriela: Ah, foi mal. Enfim... É bom te ter aqui, Larissa. Gosto da sua opinião.
Viviane: Já sobre amizades tóxicas, bem... Se quiser alguém experiente para conversar, estou às ordens! É difícil desapegar de pessoas que fazem mal porque, no fundo, não achamos que merecemos nada melhor. Eu ainda sinto isso. Acho que todo mundo sente isso um pouco. Pessoas que te controlam se importam tanto com você quanto uma criança se importa com uma boneca. Mas o que eu sei? Nem sou forte o bastante pra romper de vez com eles...
Jonathan: Eu tenho que falar?
Viviane: Já sei, autodepreciação...
Maria: E que bom que minha tragédia exagerada te fez rir, esse é meu defeito e meu vício. Quando ouvimos os outros rirem, parece que temos uma função, não? Uma utilidade... Mesmo que a risada dos outros nos machuque por dentro. Nos rasgue. Não passamos de uns palhaços masoquistas e-
Jonathan: ....
Maria: ....E acho que exagerei. Desculpe. Talvez rir seja mesmo o melhor remédio, então vamos rir dessa idiotice toda. Desse mundo.
Jonathan: E eu, bem, o que dizer? Também gosto de você. Talvez porque você não tenha medo de falar dos meus cortes como o resto do pessoal. Não importa o quanto eu diga que não vou quebrar se comentarem que eu rasgo minha própria carne quando tenho uma crise... Enfim, é bom te ter aqui. Não sou o melhor em conselhos, e sim, esse é um comentário meio autodepreciativo, mas vou te dar o que a Dona Flor me deu: ninguém pode te ajudar se você não quiser ajuda. Então é bom ver você aqui por vontade própria. E, acredite, música é boa, mas não supera o alívio de uma lâmina afiada ou do baque de uma porta quase quebrando. Autocontrole é uma droga. Uma droga necessária, mas uma droga.
Marcos: E que bom que gostou do meu modo de encerrar as coisas. Gentil da sua parte comentar.
Jonathan: Ele só está sendo educado porque não sabe criticar... Ele ficou chateadinho porque você não teve muito a dizer sobre ele.
Viviane: Jonathan! Que coisa rude de se dizer!
Marcos: Tudo bem, Vivi. Ele está certo.
Gabriela: Você realmente precisa se impôr um pouco mais...
Marcos: Eu sei...
Ricardo: Deixem o cara em paz. Estamos todos tentando!
Jonathan: É, mals aí, eu devia ter ficado calado... Eu meio que parei de tomar meu remédio esses dias e meu humor está oscilando mais que o normal.
Dona Flor: E porque você parou?
Jonathan: Eu só... Nada.
Todo mundo: .....
Jonathan: Tá! Eu só queria conseguir ficar bem sem ele, tá? É irritante depender de comprimidos pra não ser nem depressivo nem um idiota arrogante!
Maria: É, deve ser mesmo...
Viviane: Mas você não devia parar assim.
Ricardo: Já pensou em falar com seu médico?
Dona Flor: Olha, querido, não posso te mandar tomar o remédio, mas posso dizer que às vezes precisamos dar passos pequenos para não cair. Porque você não retoma e, na próxima consulta, pede pro seu médico reduzir a dose? Talvez seja possível. Ou ele pode prescrever um remédio mais fraco, que te incomode menos.
Jonathan: É... enfim, estávamos falando da Larissa, lembram?
Dona Flor: Sim. Mas vamos falar disso depois, certo? E Larissa, meu doce, foi encantador te ter como a primeira hoje. Eu também gosto da sua forma de pensar. Bem lá no fundo, você tem muita garra. Para mim, ansiedade, baixa autoestima e depreciação constante são apenas nomes, não definem a pessoa incrível e complexa que você é.
Marcos: É muito bom te ter aqui.
Ricardo: Com certeza.
Gabriela: É sempre bom ter mais uma garota no grupo.
Jonathan: E alguém com mais coragem que todos nós juntos... E eu não tenho certeza se isso foi autodepreciação ou depreciação aos outros. Talvez os dois.
Viviane: Como dá pra vez, o Jonathan é quase nosso medidor de baixa autoestima... Mas você aprende a amar o garoto depois de um tempo.
Todo mundo: Bem vinda, Larissa.
Todo mundo: Clap, clap, clap, clap.
Olá, sou eu de novo comentando em mais uma historinha sua.
E antes de começar, tem um detalhe na sinopse que me chamou a atenção.
Não existe essa tal coisa de "sala errada".
Estranho porque isso costumava existir quando eu era pequeno e entrava na sala de aula de outra turma.
Hmmm, estrutura toda em diálogo, né? Vamos ver se dar pra comentar algo legal por aqui (se esse comentário tiver o dobro do tamanho daquele de Empatia já vou estar no lucro).
E já comecei super bem, com uma gentil recepção da Dona Flor. Ok, vou tentar ficar à vontade.
Eita, o nome do personagem é Ricardo, já é o suficiente para imaginá-lo com a voz do pai do Gumball (o coelho gordo de O Incrível Mundo de Gumball).
Olha, eu também tô aplaudindo o Ricardo (estou digitando com os pés, acredite em mim). Se fosse eu nessa entrevista de emprego, quando me pedissem pra citar duas qualidades minhas eu teria pulado da janela.
Puts, nem posso comentar muito a respeito da Gabi e da Viviane. Tenho zero experiência em relacionamentos amorosos. Se ao menos a ciência pudesse desvendar as leis e fórmulas matemáticas que regem os relacionamentos amorosos.
A respeito de Maria, eu entendo ela um pouco porque eu me achava feio. Hoje eu tenho a certeza absoluta de que sou feio mesmo.
Sobre o Jonathan, tem algumas vezes que me sinto um inútil assim como ele. A diferença é que, nessas horas sombrias, eu curto ver um episódio de O Show do Brak, o desenho que traz luz pra minha vida.
Finalmente, o relato do Marcos. "Dizer sempre sim para agradar todo mundo é um erro, porque nossos amigos de verdade não se importam de receberem um não e, se alguém reclamar por isso, não é seu amigo de verdade".
Grande verdade essa. Foi nas vezes que disse não para favores e pedidos que descobri que eu não tinha nenhum amigo de verdade. O máximo que tive foram colegas de classe.
É, acabou. Olha, acho que esse comentário ficou melhor que aquele de Empatia.
E pra encerrar, uma confissão. Lembra quando disse que tava digitando com os pés? Pois é, eu menti. Aplaudi primeiro, comentei com as mãos depois.
Pronto, agora acabou de verdade.
Tchau.
Hey, Lorde Barão!
É, lá vai você de novo comentando em uma historinha minha...
Sério, depois de uma recomendação e vários comentários, estou quase me sentindo mal por estar devendo um montão de comentário nas suas histórias!
(Quase)
Mas, como você provavelmente deve ter percebido, eu não tenho tempo/disposição nem pra responder comentários no mesmo dia, imagine pra fazer alguns!
Coincidência, essa coisa de "sala errada" existiu pra mim em várias ocasiões também!
(Eujá assisti uma aula inteira em outra turma até:
A:Eu me tocar que estava na sala errada.
B:Alguém perceber que eu não devia estar ali)
E, se levar em conta que eu nem comentando estou ultimamente, acho que o seu em Empatia foi ótimo! Só de gastar um pouco do seu tempo pra comentar já significa muito!
Antes eu não imaginava o Ricardo coelho-rosa-gordo... Agora acho que nunca vou conseguir ler sem pensar nisso.
Valeu mesmo.
Pular da janela é pouco!
E, se a ciência explicasse tudo, que graça teria?
Ninguém iria quebrar a cara e render memes divertidos na internet.
Ok, então em um único comentário você é feio, às vezes se acha inútil e nunca teve amigos...
Já pensou em marcar uma segunda sessão no A.A?
(Brincadeira. Ou não).
Foi sim um ótimo comentário!
Êêê!
(A resposta ficou digna dele? Espero que sim)
Até mais!