Comentários em “Espírito de Revolução”: “Sexto Sentido”

BadWolf

Na minha opinião, Connor ver o retrato do Haytham e imediatamente referi-lo como pai foi algo que realmente não consigo engolir até hoje. Ziio parecia convicta demais em ser "pai e mãe" do Connor, por isso duvido que ela daria tanta informação precisa sobre o pai dele, por medo de que, quando maior, a curiosidade vencesse o Connor e ele decidisse procura-lo. Acho que ela seria bastante limitada, como dizer "seu pai é um inglês" ou talvez dar algum detalhe físico como "você herdou o queixo de seu pai", mas nada mais do que isso. Achei algo difícil de digerir, especialmente o ódio que ele parece já sentir do Haytham naquele instante, sem sequer te-lo conhecido. E Achilles também parecia ter certeza de quem a Ziio havia engravidado. Ela poderia ter contado a ele? Sim, mas também não sabemos se havia intimidade para tanto, caso a relação deles tenha sido só uma parceria em prol do povo dela.

Há aqueles que aleguem aquela cena do menino Connor lendo escondido um livrinho que presumimos ser um diário - da Ziio ou do Haytham, não sabemos - mas acho pouco provável os dois cenários deste diário: Haytham ser descuidado a ponto de perder seu próprio diário (do contrário, não teríamos Forsaken) e Ziio escrever toda a sua vida no papel tendo uma criança curiosa em casa.

Pra mim, a Ubi adotou uma medida preguiçosa para esvaziar um plot e não alongar muito a história - sei que tem gente que acharia clichê uma cena do Grão-Mestre Haytham dizendo ao Connor algo como "eu sou o seu pai", mas ao menos era algo mais factível do que o fato do Haytham ser pai dele ser algo do senso comum - o que não deveria ser. Deveria ser algo mais inesperado e surpreendente.

Enfim, apesar do meu desabafo, gostei de ver como está abordando isso lentamente. Com esses ares de "suspeita" e a desconfiança sobre a paternidade do Connor começando a rondar o Achilles. Acho que o game pecou em querer ser apressado demais e não explorar algo assim.

Em resposta à sua resposta anterior - uma droga o Nyah! não permitir resposta da resposta - fique à vontade para ler a fanfic do The Witcher. Não sei se já possui os consoles da nova geração ou um PC sinistro, mas de todo modo, recomendo MUITÍSSIMO o game The Witcher 3. A complexidade da história, dos personagens, e até mesmo das missões, desde as principais até as secundárias, é impressionante. Fora o jogo de baralho Gwent, que é viciante. Se não me engano, ele tem em torno de 16 finais diferentes, cada um afetado por escolhas que você toma ao longo do game. Honestamente falando, ele se tornou o melhor game que já joguei em toda a minha vida. Sério. Depois que você jogar, é quase certo que ele abocanhará, no mínimo, algum lugar no seu TOP 3 de games favoritos, vai por mim. Mas se quiser se familiarizar com o game, te indico os livros do Andrzej Sapkowski. Os games foram inspirados nos livros deste polonês. Tenho todos os livros nas versões em português para ler no Kindle/tablet/PC. Se quiser, eu posso te enviar, é só falar comigo.

Aliás Gil, estou interessada em saber se você seguirá esse tom mais de "novelização" de AC3 ou se acrescentará algo inédito à história. Essa suspeita sobre a paternidade do Connor me parece ser uma sutil alteração. Pergunto-me se teremos mais disso lá na frente. Não alterações propriamente, mas acontecimentos inéditos.

GilCAnjos
GilCAnjos Autor

Que bom que você entendeu o que eu tô tentando fazer aqui, haha. Também acho que a cena de Connor já sabendo desde o começo quem é seu pai não faz o menor sentido. Tentei justificar isso na primeira versão da fic, mas acho que a abordagem que eu tô fazendo agora é mais sensata. Entretanto, eu entendo completamente a relutância da Ubisoft em fazer uma cena clichê de Darth Vader, embora concorde que esse arco da relação entre pai e filho teve um certo potencial desperdiçado. Mas de certa forma acho que o Achilles já desconfiava. O fato de que o Grão-Mestre Templário estava tendo um romance com uma mulher indígena não seria bem-visto nem pelos colegas do Haytham nem pela aldeia da Ziio. E, sendo um Assassino com uma grande rede de informantes e contatos entre os nativos, não acho que o Achilles demoraria para ficar sabendo, até porque duvido que o Lee pretendesse levar esse segredo para o túmulo.

E, aliás, até hoje não faço a menor ideia do que era aquele livro que o Connor criança queria esconder da mãe. :P Se eles pretendiam revelar isso, acho que desistiram no meio do caminho e por acidente mantiveram o livro no começo.

E, sim, eu pretendo criar episódios inéditos para a história. Basicamente, entre um acontecimento do game e outro, haverá algum capítulo meu. Seja pra aprofundar o trabalho de um Assassino (que tal se o Connor estudasse seus alvos até os mínimos detalhes antes de assassiná-los?) ou a ambientação da guerra. Como em todo conflito, existem vários eventos interessantes que poderiam ser adicionados a uma história de ficção como essa. Por exemplo, o Incêndio de Nova York, que não foi mostrado no jogo porque os desenvolvedores não conseguiam programar os NPCs para reagir ao fogo. Ou então, sabia que após o fracasso na Batalha de Monmouth, o soldado e abolicionista John Laurens desafiou Charles Lee para um duelo e quase o matou? E no ano seguinte George Washington ordenou uma expedição grandiosa para massacrar completamente todos os povos indígenas que encontrasse pelo caminho. Por que os produtores do jogo resolveram não dar destaque para esse que seria o momento perfeito para Connor ajudar seu povo, eu não sei (em vez disso, fizeram um equivalente fictício bem menos impactante na sequência 10).

Em resumo, eu poderia fazer uma fic spin-off apenas com eventos interessantes da guerra, e eu ainda assim não teria explorado a revolução por completo. Além disso, como eu já mencionei, talvez eu inclua uma narrativa romântica para o Connor, que sabe?

Sobre The Witcher 3, só ouço falar coisas boas desse jogo. Eu nem assisti às gameplays do YouTube porque se um dia eu conseguir um console novo esse é um dos games que pretendo jogar. Eu gosto muito desses jogos em que as escolhas interferem nas consequências (infelizmente a mitologia de Assassin's Creed não permite isso por conta da natureza do Animus). Recentemente eu zerei Deus Ex: Human Revolution (que eu recomendo e também é um dos melhores games que eu já joguei), e fiquei impressionado com a profundidade de caminhos diferentes que o gameplay proporciona para atingir os objetivos. E também foi muito interessante descobrir que os detalhes do final mudam de acordo com o seu estilo de jogo, se você no geral foi piedoso ou brutal. Já ouvi falar dos livros, mas acho que eles consumiriam muito do meu tempo se eu começasse a gostar :v (sem falar que eu não sou familiarizado com o gênero), então não faço muita questão.

P.S.: Em Junho a Titan Comics vai lançar uma HQ especial sobre o Connor, e eu tô muito no hype! :D Quero guardar um dinheiro e comprar assim que possível, em inglês mesmo. Espero muito que deem um desfecho decente para o meu personagem favorito, e quem sabe talvez a HQ me dê ideias para serem incorporadas na fic?