Comentários em “Pensamentos de uma Garota Vazia”: “Não há trilhos”

Napolitana
Destacado pelo autor

Tive muitas impressões. Vou escrever mais do que o normal.

Posso começar dizendo que, depois desse capítulo, percebi que posso usar o trem e os trilhos e as estações pra tantas coisas na minha vida que me pergunto se essa foi a sua intenção o tempo todo: prender seus leitores numa dimensão onde não se sabe diferenciar os pensamentos da personagem dos deles próprios.

Acho que é aí que a gente sabe que não consegue nem mesmo empurrar com a barriga: quando as metáforas acabam, e você oscila entre sentir horror e não sentir nada. Ah, as conversas com o abismo!

Tão cheias de lirismo e vazio e agonia e falsas esperanças... É como a maioria das conversas, na verdade. Mas gosto de encarar o abismo. Ele ecoa os últimos resquícios de esperança e autopreservação. Tão baixo, tão descrente... Mas ainda está lá, ecoando. Pensando "ei, talvez até que você ainda consiga olhar para o outro lado". A gente nunca olha.

Não sei o que esperar. Da história, quero dizer.

Sinto uma dose de esperança incomum no último parágrafo. Talvez seja a chuva ou a paisagem ou ainda a carona. No fim do trilho. Uma carona no fim do trilho.

É só o que todo mundo pede.

Nightmare
Nightmare Autor

Heey!

Ah, você e seus comentários! Juro que estou amando lê-los e dessa vez, não foi diferente. Você tem um olhar maravilhoso para com a minha escrita. Eu não sei, mas é como se você entendesse cada ponto, cada palavra, cada frase e eu fico tão, mais tão feliz com isso. Então muito obrigada de verdade por compartilhar isso comigo.

Enfim, sobre suas impressões, acho que sim. É claro que quando escrevo tento ser o mais sincera comigo mesma. Sabe, tornar as minhas palavras fins nelas mesmas ou algum meio para acalmar ou acabar com algo dentro de mim que não sei ao certo o que é. No entanto, quando posto, eu espero isso, sim; que os leitores sintam e se prendem à história.

Está vendo: você consegue captar tudo! Você entende as nuances e eu nem sei o que dizer, o que agradecer... É mais do que um "exatamente", "é isso mesmo". Eu realmente consigo senti-la. E posso, inclusive, dizer o mesmo a ti; sobre se prender e não saber diferenciar se os pensamentos são seus ou meus. Acho que são nossos, de todo mundo.

E é isso que me assusta. Não ser só eu, ser tanta gente querendo uma carona. Tanta gente falando com o abismo. Tanta gente querendo que acabe. Então, quando você escreveu "esperança incomum", foi tão real. Tão verdade. Eu já repeti mentalmente umas vinte vezes essas duas palavras e é simplesmente incrível. Lá vou eu de novo e torço para que não se canse, mas muito obrigada. Pelas palavras, pelos comentários, por tudo. Espero te ver em breve. Beijos e até Ç:

Kikonsam

Hum... Esse capítulo abriu mais portas para a interpretação de nossa personagem...
Nossa personagem simplesmente está farta de seu mundo. Farta das mesmas pessoas falando dos mesmos assuntos sempre com as mesmas expressões para os mesmos problemas. Isso a sufoca. Acho que em uma passagem específica ela se referiu ao dia de Natal... Acredito que quando ela disse "não aguento mais suas bebedeiras, suas palavras" algo desse tipo, quis dizer que chegou a hora da festa de natal e ela estava trancada em seu quarto com depressão, assim como fora todos os dias nos últimos tempos. Vomita, fica enjoada, mas esse enjoo não é físico e sim espiritual, só que ninguém em sua sociedade de merda parece entender isso. E o final, ela experiencia essa "parada de trem" em um sonho, onde se desconecta do mundo ao seu redor e vive em seu próprio, aproximando-se da minha teoria do suicídio. MUITO bom o capítulo, aguardo ansiosamente para o último! Beijos, até...

Nightmare
Nightmare Autor

Heey!

Gostei muito das suas observações. Na verdade, elas sempre me levam a pensar no que escrevi e até mesmo a entender as minhas próprias palavras. Acredito que essa seja a melhor parte: descobrir novos sentidos em coisas aparentemente precisas. Então sou muito grata por isso.

De fato, ela está farta. Exatamente como você descreveu. Essa última parte, a da "parada de trem", foi simplesmente incrível para mim. Gostei demais de como você a viu. Bem, fico muito feliz que tenha achado o capítulo bom. Eu não ficaria muito na expectativa. Não vai ser O CAPÍTULO, mas sei lá, vamos ver... Muito obrigada por comentar e peço desculpas por toda a demora. Espero te ver em breve. Beijos e até Ç:

W
Wendy Narry

Pensei que os capítulos fossem ficar cada vez mais pessoais depois do anterior. Mas até que eu consegui entender o que você disse no capítulo. E tenho que dizer, esse capítulo foi ÓTIMO!

Se interpretei bem, a parte do trem é que eles sempre mandam você seguir em frente. Afinal, é a única solução eficaz que faz com que saiamos da merda por que ainda não inventaram algo que seja relacionado á bebidas alcóolicas e outras drogas (tirando o sexo que ainda não experimentei mas ninguém se importa SAHUHAS). Daí você se sente como um trem barulhento, seguindo o seu caminho, mas sem rumo, pois não há trilhos! E obviamente os trilhos são necessários!

Não há paradas! Eles querem que você continue seguindo em frente (olhando para o lado, se ligando no mestiço na batida do cavacoooooo [desculpa]) e vá indo, tendo que lidar com tudo, sem ouvir o que você tem á dizer, enquanto vamos em direção ao nosso abismo confuso em nossa mente, que não sabe o que quer para nós, se quer que saiamos desse mundo ou se quer que fiquemos.

Afinal, me abismo me enche tanto o saco me enchendo tanto de crises existenciais e sentimentos de culpa sem motivo que eu acabei abaixando as calças e cagando nele (sim, eu não queria dizer isso, mas tive que dizer) e isso não adiantou nada, por que ele tá jogando a bosta de volta em mim.

Enfim! ÓTIMO capítulo! Pena que tá acabando! ;-; Queria que não acabasse tão cedo! Eu me identifico tanto!

Beijos do Wendy Narry e que ele apareça na sua frente algum dia.

Nightmare
Nightmare Autor

Heey!

Tinha me esquecido desse capítulo, que, aliás, já resume na primeira frase o porquê de tal surpresa: eu sou uma contradição. Falo que vai ser de um jeito e opa, não é. Entretanto, você se saiu muito bem. Trouxe sua visão de mundo e as abordagens que eu tanto gosto e sentirei falta.

A parte do trem, você entendeu bastante e eu, particularmente, amei a parte do sem trilhos e sem rumos. Fato muito verídico. As paradas são bem ambíguas, não achou? Mas gostei do que disse e ri alto na parte da música, meu deus!

Esse é o problema: o abismo é o nosso reflexo. Se você caga nele, ele caga de volta. Fico feliz demais que tenha gostado e que se identifique com a história. Eu estou cada vez mais pensando em escrever outra coisa, mas ainda nada definido. Espero vê-lo em breve! Beijos e até Ç: