O primeiro cheiro que Kagome reconheceu ao atravessar o Poço Come-Ossos foi o da terra úmida. Depois vieram o das árvores, o das folhas secas e o ar fresco que lhe tocou o rosto assim que ela ergueu a cabeça.

O Japão Feudal.

Por um instante, permaneceu de pé no fundo do poço, olhando para o céu que se abrira acima dela.

Havia passado tanto tempo imaginando como seria voltar. Durante aqueles longos meses, aquela possibilidade parecera distante demais, quase um sonho que não ousava alimentar. Agora, estava ali outra vez, e pela primeira vez não havia nada a decidir.

— Kagome?

Ela olhou para o lado.

Inuyasha a encarava, as orelhas se movendo inquietas enquanto a observava.

— O que foi?

Kagome sorriu.

— Estou olhando o céu, Inuyasha.

— Você pode fazer isso lá em cima, sabia?

— Eu sei.

— Então vem logo!

Ela riu e estendeu os braços para envolver o pescoço dele.

Inuyasha saltou com uma facilidade que a fez perder o equilíbrio por um instante, e quando seus pés tocaram a grama, Kagome olhou ao redor.

Tudo parecia familiar. O velho poço, as árvores, a pequena trilha que levava à aldeia.

Inuyasha agora segurava a sua mão.

Kagome baixou os olhos para os dedos entrelaçados dos dois. A aliança em sua mão esquerda brilhou sob a luz do sol.

Ela sorriu.

— O que foi agora? — ele perguntou.

— Nada.

— Você está sorrindo sem motivos.

— Não posso?

Inuyasha franziu a testa.

— Pode. Só perguntei.

Kagome se aproximou e beijou sua bochecha.

— Vamos para casa, marido.

As orelhas dele se ergueram imediatamente.

— P-Pare de me chamar assim!

Ela soltou uma gargalhada.

— Mas você é o meu marido!

— Eu sei disso!

— Então não vejo o problema.

— Kagome!

E ela já andava pela trilha, enquanto ele resmungava alguma coisa sobre mulheres humanas e sua mania de provocar os homens e ela apenas apertava sua mão.

Era bom estar em casa.


A primeira pessoa que encontraram foi Shippou.

O youkai raposa estava correndo pela aldeia quando parou tão abruptamente que quase caiu de cara no chão, seus olhos se arregalando.

— KAGOME! INUYASHA!

Ele disparou em sua direção.

Kagome mal teve tempo de se abaixar antes que ele a abraçasse.

— Vocês voltaram!!

— Sim, voltamos!

Shippou a abraçava com força, e Kagome acariciou seus cabelos claros, rindo enquanto ele tentava falar três coisas ao mesmo tempo.

— Vocês demoraram! Kaede-obasama disse que vocês voltariam, mas eu não sabia quando, e a Sango disse que...

Ele parou de repente, seus olhos se voltando para Inuyasha e depois novamente para Kagome.

— Espera...

Kagome sorriu.

— O que foi, Shippou?

Shippou apontou para a mão dela.

— Isso é...?

— Um anel — respondeu ela.

O pequeno youkai ficou boquiaberto.

— É especial?

— Sim, ué — respondeu Inuyasha, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo — É a nossa aliança de casamento.

E Shippou soltou um grito tão alto que algumas pessoas saíram das casas para descobrir o que estava acontecendo.

— KAGOME E INUYASHA SE CASARAM!

— Não precisa anunciar para a aldeia inteira!!! — Inuyasha rosnou.

Tarde demais.

Sango-chan foi a primeira a chegar, seguida por Miroku-san. Quando viu Kagome, levou as mãos à boca e correu para abraçá-la.

— Kagome-san!! Vocês voltaram!!

— Sango-chan! Miroku-san!

As duas se abraçaram com força. Kagome sentiu os olhos arderem, mas conseguiu rir quando Sango se afastou o suficiente para segurá-la pelos ombros e examiná-la.

— Vocês estão bem?? Como foi a viagem?? E sua família?? Todos estão bem??

— Estamos bem. Minha família também.

Sango sorriu, aliviada. Então seu olhar desceu para a mão de Kagome. Por alguns segundos, ela ficou em silêncio.

— Ah?

Kagome ergueu a mão, mostrando a aliança.

— É uma aliança de casamento. Eu e o Inuyasha nos casamos.

Sango soltou um pequeno grito e a abraçou novamente.

Miroku, por sua vez, observava Inuyasha com uma expressão de satisfação quase irritante.

— Ora, ora. Parece que finalmente decidiu assumir suas responsabilidades, meu amigo hanyou!

— Do que está falando, monge pervertido?

— De seu casamento, naturalmente!

— Eu vou matar você se não se calar!

— Inuyasha! — Kagome repreendeu.

Mas Miroku sorriu, imperturbável.

— Meus parabéns aos dois! Que tenham uma vida longa e com muitos filhos.

Dessa vez, Inuyasha não encontrou uma resposta imediata. Ele apenas desviou o olhar, coçando a nuca.

— Hm. Obrigado.

Kagome sorriu.

Era estranho como uma palavra tão simples podia significar tanto.


Mais tarde, reunidos na cabana de Kaede, eles finalmente conseguiram contar a história sem serem interrompidos por gritos, perguntas ou ameaças de violência.

Ou quase.

— Então vocês se casaram no seu mundo? — perguntou Kaede.

Kagome assentiu.

— Sim. Com a presença da minha família. Foi uma cerimônia pequena, mas muito especial.

A velha sacerdotisa sorriu.

— Imagino que sua mãe tenha ficado feliz.

— Muito.

Kagome baixou os olhos por um instante, lembrando-se do abraço da mãe antes de partir. Então olhou para Inuyasha, sentado ao seu lado.

— Eu queria que vocês também estivessem lá...

Sango sorriu.

— Gostaríamos de ter visto.

— Eu sei. Por isso...

Kagome hesitou, procurando as palavras.

— Pensei que talvez pudéssemos fazer alguma coisa aqui também. Não outro casamento, exatamente... Nós já somos casados. Mas... uma pequena cerimônia, para que todos possam testemunhar a nossa união.

Inuyasha virou a cabeça para ela.

— Hã?

Kagome sorriu.

— Uma celebração. Aqui, com nossos amigos.

— Mas nós já fizemos isso!

— No meu mundo.

— E daí?

Ela o encarou.

Inuyasha sustentou o olhar por alguns segundos, até que suas orelhas se abaixaram ligeiramente.

— Ah.

Kagome esperou e ele suspirou.

— Você quer que eles também estejam presentes...

Ela assentiu.

— Sim, eu quero.

Inuyasha ficou em silêncio por um momento. Então pegou a mão dela e entrelaçou os dedos nos seus.

— Tudo bem.

Kagome piscou.

— Tudo bem mesmo?

— Eu disse que tudo bem!

Ela abriu um sorriso tão grande que ele imediatamente desviou o rosto.

— Mas não vou usar aquelas roupas ridículas de novo.

— Inuyasha...

— Nem pensar!

Miroku soltou uma risada.

— Neste caso, teremos de encontrar algo adequado para a ocasião.

— Você não vai escolher nada para mim, monge!

Kagome riu, encostando a cabeça no ombro do marido.

Dessa vez, não havia poço fechado, despedida ou incerteza esperando por eles. Havia apenas uma cerimônia a preparar e pessoas com quem compartilhar aquele momento.


A notícia se espalhou pela aldeia nos dias seguintes.

Kaede-obaasan ajudou a organizar a pequena cerimônia. Sango-chan ficou encarregada de auxiliar, enquanto Miroku-san se ofereceu para cuidar de alguns preparativos e foi imediatamente proibido por Inuyasha de tomar qualquer decisão sem supervisão.

Shippou, por sua vez, assumiu a responsabilidade de anunciar o acontecimento a todos que encontrava, o que significava que, ao final do segundo dia, todo mundo já estava sabendo.

Foi durante os preparativos que Kagome ouviu a notícia.

Estava sentada perto da entrada da cabana de Kaede, ajudando a separar algumas ervas, quando Sango se aproximou.

— Ah, Kagome! Você soube?

— Do quê?

Sango se sentou ao seu lado.

— Rin se casou.

Kagome deixou cair uma das ervas. Rin...!

— A... Rin...

Sango arregalou os olhos com a reação.

— Também foi uma surpresa para nós, mas... de certa forma, era esperado.

— Quando isso aconteceu??

— Parece que foi há alguns dias. Kaede-obaasama soube por um dos viajantes que passou pela aldeia.

Kagome ficou olhando para ela.

Rin.

Ela estava mesmo casada, como havia imaginado.

E com Sesshoumaru.

Uma parte de Kagome queria dizer que aquilo era impossível. Outra, mais honesta, reconheceu que talvez fosse a notícia mais surpreendente que poderia ter recebido e, ao mesmo tempo, a menos inesperada. Ela se lembrou das últimas conversas com Rin. Da maneira como a jovem havia aprendido a falar sobre o que desejava sem pedir desculpas por isso. Da firmeza com que defendera sua própria escolha, e de Sesshoumaru, que sempre parecia tão distante, mas que havia demonstrado repetidas vezes que Rin ocupava um lugar que ninguém mais poderia ocupar.

Kagome levou a mão à boca.

— Meu Deus...

Sango sorriu.

— Você está surpresa?

— Na verdade, não... Eu... imaginei que isso aconteceria. Cedo ou tarde.

Ela parou, incapaz de organizar os próprios pensamentos, então Sango começou a rir.

— Acho que entendi.

Kagome cobriu o rosto com as mãos.

— Rin e Sesshoumaru...

— Ela veio anunciar o casamento, mas não ficou. Logo partiu com ele e, desde então, nunca mais foram vistos.

Kagome ergueu a cabeça.

— Foram embora para sempre?

— É o que parece. Ninguém sabe exatamente para onde foram.

Kagome ficou em silêncio por alguns instantes. Então, lentamente, começou a sorrir.

— Bem... acho que isso faz sentido.

Sango inclinou a cabeça.

— Será que faz mesmo?

— Faz. Quer dizer, estamos falando de Sesshoumaru.

As duas riram.

Kagome olhou para a mão onde a aliança brilhava discretamente.

Era estranho pensar que, enquanto ela e Inuyasha se preparavam para celebrar seu casamento diante dos amigos, Rin e Sesshoumaru também haviam dado aquele passo. Cada casal à sua maneira. Ela se perguntou o quanto Rin estava feliz, então se lembrou do sorriso da jovem amiga quando falara sobre o que queria para o próprio futuro.

Kagome não teve mais dúvidas.

— Ela deve estar muito feliz — murmurou.

Sango acompanhou seu olhar.

— Espero que sim.

Kagome assentiu, e pela primeira vez desde que ouvira a notícia, sentiu uma vontade enorme de reencontrar Rin.


O dia da cerimônia amanheceu claro.

Não havia nada grandioso na pequena estrutura preparada perto do santuário de Kaede. Algumas flores enfeitavam a entrada, e os assentos haviam sido organizados para acomodar os amigos e os moradores mais próximos.

Kagome usava um quimono simples, escolhido com a ajuda de Sango. Inuyasha, ao lado dela, parecia estar tentando decidir se a cerimônia inteira valia o esforço.

— Você está amassando a manga — ela sussurrou.

Ele olhou para o próprio braço.

— Não estou.

— Está sim.

Inuyasha soltou o tecido imediatamente.

Kagome conteve uma risada.

— Nervoso de novo?

— Não.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Tem certeza?

— Kagome, nós já somos casados!

— Eu sei.

— Então por que eu estaria nervoso?

Ela sorriu e apertou sua mão.

— Não sei. Quem sabe?

As orelhas dele se inclinaram para trás.

— Kagome...

Ela começou a rir, e Inuyasha resmungou, embora não soltasse sua mão.

Então Kaede se aproximou para avisar que estava na hora.

Os amigos já estavam reunidos. Shippo mal conseguia ficar quieto. Miroku sorria como se estivesse prestes a testemunhar algum acontecimento particularmente divertido, enquanto os três filhos dele e de Sango também acompanhavam tudo com entusiasmo. Sango, por sua vez, estava com os olhos brilhantes.

Kagome respirou fundo.

Estava feliz.

Não porque precisasse provar alguma coisa a alguém, nem porque a segunda cerimônia tornaria seu casamento ainda mais verdadeiro.

Ela já era esposa de Inuyasha, mas aquelas pessoas também faziam parte de sua vida. Tinham lutado ao seu lado, sofrido com ela, ajudado-a a chegar até aquele momento. Queria que participassem também do seu casamento. Queria que pudessem compartilhar sua felicidade.

Foi então que ouviram um burburinho.

Kagome virou a cabeça e ficou imóvel.

Na entrada do caminho que levava ao santuário, Rin, trajada em um elegante quimono branco, caminhava ao lado de Sesshoumaru.

Por um instante, ninguém disse nada.

Rin parecia tranquila. Havia algo diferente em sua postura, uma segurança serena que Kagome reconheceu imediatamente. Ela não caminhava atrás de Sesshoumaru, nem precisava apressar os passos para acompanhá-lo. Ela caminhava ao lado dele. E Sesshoumaru, como sempre, parecia perfeitamente indiferente aos olhares que se voltavam para os dois.

Kagome levou as mãos à boca.

— RIN!

A garota sorriu.

— Kagome-sama.

Kagome se levantou e correu até ela, abraçando-a.

— Você se casou!!

Rin riu baixinho.

— Sim...

Kagome se afastou apenas o suficiente para olhar para ela.

— Com o Sesshoumaru!

— Sim.

— E eu não estava aqui para ver isso!

Rin corou ligeiramente.

— Não foi planejado. Nós... não pensávamos em nos casar.

E Kagome olhou para Sesshoumaru, que ficou alguns passos atrás, observando a cena.

— Sesshoumaru!

— Kagome.

— Eu sabia... eu sentia que algum dia você...

Ele a encarou.

— Este Sesshoumaru veio a pedido de Rin.

Kagome abriu a boca, fechou-a e tornou a abri-la.

Atrás dela, Inuyasha finalmente pareceu compreender o que estava acontecendo.

— Sesshoumaru!

Todos se viraram para ele.

Inuyasha apontou para o irmão.

— Você... se casou mesmo com a Rin?!

Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha.

— Há algo que não tenha entendido?

— Não desvie o assunto!! Você se casoumesmo com ela, ou a tomou?! Se fez algo com a Rin...!!

— Rin fez sua própria escolha.

Inuyasha avançou um passo.

— Seeu...

— Inuyasha! — Kagome repreendeu. — Não é hora para discutir! A Rin não estaria feliz se algo de ruim tivesse acontecido, certo?

Ele apontou para Sesshoumaru novamente, indignado.

— Esse maldito se casou...!

— Eu estou vendo!

— E VOCÊ ACREDITA NISSO?

Rin levou uma mão à boca, tentando conter o riso.

Kagome, por sua vez, já não conseguia conter a própria gargalhada.

Sango se aproximou de Rin e a abraçou calorosamente.

Kaede também veio cumprimentá-la, sorrindo com a serenidade de quem já suspeitava que aquele dia chegaria.

Miroku inclinou a cabeça para Sesshoumaru.

— Eu o congratulo, Senhor do Oeste.

— Hm.

— E a você também, Rin.

— Obrigada, Miroku-sama.

Shippou ainda observava os dois recém-chegados com os olhos arregalados, mas parecia convencido do que via.

Kagome voltou-se para Rin.

— Fico tão feliz por você, Rin...

O sorriso da garota suavizou.

— Eu também estou feliz por vocês, Kagome-sama.

As duas se abraçaram novamente.

Por cima do ombro de Rin, Kagome encontrou o olhar de Sesshoumaru.

Ele apenas observava a esposa, sem nenhuma expressão particularmente evidente em seu rosto, como de costume.

Kagome sorriu.

Sim.

Rin estava feliz.

E Sesshoumaru também, à sua maneira.


A cerimônia continuou pouco depois.

Rin e Sesshoumaru permaneceram entre os convidados, destacados dos demais, enquanto Kaede conduzia a celebração de Kagome e Inuyasha.

Kagome olhou para Inuyasha, que segurava sua mão com firmeza, as orelhas erguidas e o olhar voltado para ela.

— O que foi? — ele murmurou.

— Nada.

— Você está sorrindo de novo.

— Acho que vou continuar fazendo isso por um bom tempo.

Ele pareceu considerar a resposta, então, sem desviar os olhos dela, apertou um pouco mais suas mãos.

— Ótimo.

Kagome sentiu o coração aquecer.

A cerimônia foi breve. Kaede falou sobre união, confiança e o caminho que duas pessoas escolhiam percorrer juntas. Não tentou definir o que um casamento deveria ser, nem exigir que os dois prometessem algo que já não estivessem dispostos a oferecer.

Quando chegou o momento, Inuyasha não hesitou. Ele já havia aprendido que, às vezes, não bastava sentir; era preciso dizer. E, diante de todos aqueles que faziam parte de sua vida, ele reafirmou sua escolha.

Kagome fez o mesmo.

Quando tudo terminou, Sango estava enxugando os olhos. Miroku e as crianças sorriam. Shippou chorava abertamente e negava estar fazendo isso. Kohaku era o único que não estava presente, mas porque havia feito uma viagem de treinamento como taijiya, e logo menos estaria de volta.

Inuyasha puxou Kagome para perto.

— Pronto — murmurou. — Agora acabou de verdade?

Ela riu.

— Sim. Agora acabou.

Ele pareceu aliviado.

— Ótimo. Estou com fome.

Kagome bateu de leve no braço dele.

— Você é impossível!

— E você se casou comigo mesmo assim.

Ela olhou para ele e, por um instante, não encontrou resposta, então sorriu e encostou a testa na dele.

— Sim. Casei. E casaria mais vezes.

Inuyasha beijou sua testa, dessa vez não tentando esconder o sorriso.


A celebração se prolongou até o fim da noite.

Os moradores conversavam, as crianças corriam entre as casas e, por algum milagre, Inuyasha não havia ameaçado ninguém ainda.

Kagome encontrou Rin perto de uma árvore, afastada, observando os outros à distância. Sesshoumaru estava ao lado dela, embora parecesse mais interessado no horizonte do que na movimentação da aldeia, mas logo se levantou para deixá-las a sós.

Kagome se aproximou.

— Posso me sentar com você?

Rin sorriu.

— Claro.

E ela sentou-se ao lado da garota.

Por alguns instantes, as duas permaneceram em silêncio, observando a aldeia.

— Então... — Kagome começou. — Como está sendo?

Rin virou-se para ela.

— O quê?

— Ser casada.

O rosto de Rin ficou corado.

— Kagome-sama...

Kagome começou a rir.

— Desculpe! Não resisti.

Rin cobriu o rosto por um instante, mas logo também estava sorrindo.

— Ainda estou me acostumando.

— Eu também.

As duas trocaram um olhar cúmplice.

Kagome baixou a voz.

— Você está feliz?

Rin olhou para Sesshoumaru, agora afastado dela.

Ele não se virou, mas Kagome teve a impressão de que estava prestando atenção à conversa das duas.

Então Rin voltou a olhar para ela.

— Sim. Muito.

Não havia hesitação em sua voz, e isso fez Kagome sorrir.

— Então fico feliz por você.

Rin segurou sua mão por um breve instante.

— E eu por você.

Elas permaneceram juntas por mais algum tempo, conversando sobre a cerimônia, sobre a aldeia e sobre todas as coisas que ainda tinham para contar uma à outra. Quando Kagome finalmente se levantou, Inuyasha já estava chamando por ela do outro lado do caminho.

— Kagome! Vamos embora!

Ela fechou os olhos.

— Eu vou matar esse homem...

Rin soltou uma risadinha.

— Acho que ele está esperando por você.

Kagome suspirou, resignada.

— É. Está.

Ela se despediu de Rin com um abraço e então se aproximou do marido.

— Você não pode esperar cinco minutos?

— Posso!

— Então por que está gritando?

Inuyasha franziu a testa.

— Porque você não estava vindo.

Kagome olhou para o céu e pediu paciência aos deuses.

Atrás deles, Rin ria baixinho.

Sesshoumaru observou a cena por um instante antes de voltar os olhos para a esposa.

— Rin.

Ela se virou.

— Sim?

Ele estendeu a mão.

Rin sorriu e a segurou.


Na manhã seguinte, Kagome e Inuyasha deixaram a aldeia para caminhar um pouco.

O caminho até o poço estava tranquilo. As sombras das árvores se alongavam sobre a terra, e o vento movia suavemente as folhas.

Kagome caminhava com a mão entrelaçada à de Inuyasha.

— Foi uma ótima cerimônia — disse ela.

— Hm.

— Você não acha?

Ele olhou para ela.

— Acho.

Kagome sorriu.

— Até conseguiu não brigar com o seu irmão.

Ele resmungou, mas logo seu olhar se voltou para a frente.

— Rin parecia feliz. Foi o que me impediu de agredi-lo.

Kagome riu.

— Parecia sim.

— Hm.

Eles caminharam mais alguns passos.

— Aquele idiota parece estar cuidando bem dela... — acrescentou ele, como se a observação lhe custasse um esforço considerável.

Kagome apertou sua mão.

— Acho que sim.

— Será que um dia eles voltam?

— Eu não sei.

Inuyasha não respondeu mais, mas Kagome percebeu que ele não estava mais receoso com a notícia do casamento do irmão.

Ela sorriu para si mesma.

Algumas coisas nunca mudariam.

Quando chegaram perto do poço, Kagome parou e olhou para o céu.

Ela se lembrou da garota de quinze anos que havia caído naquele mesmo poço sem imaginar que sua vida mudaria para sempre. Lembrou-se de tudo o que perdera, de tudo o que encontrara e de todas as vezes em que precisara escolher entre caminhos que pareciam impossíveis de conciliar. Agora, não precisava mais olhar para trás com medo de ter escolhido errado.

Tinha sua família no outro mundo.

Tinha seus amigos naquele.

E tinha Inuyasha.

O homem que a esperara, que aprendera com ela e que agora caminhava ao seu lado, segurando sua mão como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

— Inuyasha?

— Hm?

Kagome se aproximou e apoiou a cabeça em seu braço.

— Obrigada por ter vindo comigo.

Ele ficou em silêncio por um momento, e então passou o braço ao redor dos ombros dela.

— Você é minha esposa, não é?

Kagome sorriu.

— Sou.

— Então é claro que eu vim.

Ela fechou os olhos.

Era uma resposta simples. Tão simples quanto ele. Ainda assim, significava tudo.

Inuyasha beijou o alto de sua cabeça e voltou a olhar para o caminho.

Kagome entrelaçou os dedos nos dele.

Juntos, começaram a caminhar de volta para a aldeia.

Não havia mais nada a provar. Nenhuma escolha a justificar. Nenhum destino a temer. Apenas os dias que ainda viriam.

E, pela primeira vez, isso era mais do que suficiente.

Notas finais
E assim chegamos ao fim de 犬の花嫁 Inu no Hanayome ❤️ Muito obrigada a todos que acompanharam esta história, deixaram comentários, deram likes ou simplesmente dedicaram um tempinho à leitura. Significa muito para mim saber que vocês estiveram comigo nesta jornada ao lado de Kagome, Inuyasha, Rin e Sesshoumaru! Se vocês gostaram desta história e quiserem ler mais do que escrevo, fiquem à vontade para conferir minhas outras obras! Escrevo sobre diferentes fandoms e gêneros, então talvez encontrem alguma outra história que desperte o interesse de vocês😊 Mais uma vez, obrigada pela leitura! Espero encontrar vocês nas minhas outras histórias❤️
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!