いくつかの星が欠けていますか? ⊰ Tem alguma estrela faltando? ⊱
1 First: Tem alguma estrela faltando?
Notas iniciais
❝O meu coração grita por ela, ela grita por mim, mas é um amor proibido feito de fatos criados por nós. Fico triste em saber que o meu direito de sonharestá virando tarefas e deveres e ela está partindo para outro mundo do qual eu não farei parte.❞ Thiago barros.
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Primeiro de Agosto em plena segunda-feira.
Dá pra ser mais exata? O despertador começou a apitar com aquele ruído extremamente irritante às cinco horas da manhã ━ No qual seu próprio corpo já havia se acostumado, então, tecnicamente falando não servia mais para nada além de precaução caso algum dia estivesse cansada demais. Camille já estava acordar fazia mais ou menos uma hora, que foi exatamente quando havia desistido de tentar pegar no sono novamente.
Aquele dia que havia amanhecido trazia consigo todas as suas ansiedades já vividas e conhecidas. Ia começar a estudar em outro novo colégio, de novo. Pela terceira vez somente naquele ano. Inúmeros eram os motivos que a faziam mudar de colégio com tanta frequência ━ Tem vezes, e na maioria delas, que ela própria era o motivo: Brigas, expulsão ou coisas do gênero. E as poucas outras vezes se davam por conta de opinião de Natali ━ Sua tia.
O final de semana inteiro ouviu Natali fazer diversos e consecutivos discursos de como ela tinha que se adaptar ou ela mesma iria desistir da menina. Que estava cansada de ter tanto trabalho pra cuidar, que se esse colégio que ela havia escolhido com tanta cautela não desse certa a internaria em um colégio interno e nunca mais iria visitá-la. Mas o certo era que sua Tia era sentimentalista demais para tomar atitudes pelas quais ameaçava, Camille entendia as razões de sua Tia ficar reforçando as mesmas palavras pra ela, afinal, ela não era uma garota adaptável com pessoas “normais”.
Mesmo tendo passado por mudanças de colégio com frequência e tinha conhecimento que encontraria os mesmos tipos de pessoas, os mesmos tipos de grupos e as mesmas irritações rotineiras. Não era sociável e não preciso nem ressaltar, queridos leitores, qual o tamanho da dificuldade que Camille tinha para fazer novas amizades.
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Depois de o despertador tocar cinco vezes, apertou o único botão que o fazia parar com aquele som incomodativo. Sabia que teria mais alguns minutos antes que Natali viesse acordá-la, então preferiu passar esses preciosos minutos tentando pegar no sono de novo.
Mas não conseguiu, pois logo Natali entrou em seu quarto em pedir licença nenhuma.
━━━ Acorda menina! Acorda que hoje você tem aula e é melhor não demorar pra se arrumar porque não quero saber de você chegando atrasada! Vamos, vamos, vamos.
Deixando o quarto logo em seguida. Como eram irritantes todas as tentativas de acordá-la. Natali, digamos, não era nem um pouco em momentos motivadores. Suspirou profundamente. Afinal, teria alguma forma de enfiar a cabeça no meio da terra e sumir?
Camille era rápida quando queria ou quando precisava. E esse era um dos momentos em que ela precisava, mas não queria. Ignorou o fato de não querer porque era algo que ela sabia que não ia mudar e então, como de costume tentava evitar discussões, tomou banho e se arrumou e menos de 30 minutos precisamente ditos.
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Sua Tia a deixou em frente a escola, ainda faltavam uns vinte minutos só para a aula começar, o que lhe daria tempo de sobra para poder achar com tranquilidade a sala ━ E se tivesse sorte a acharia vazia e poderia se esconder em um cantinho da sala assim para poder passar despercebida. Pelo menos até o momento em que os professores fizessem as boas vindas.
Primeiro dia sempre significava dia de apresentações. Dia de contar as novidades e as coisas extraordinárias que fizeram ou os lugares inesquecíveis que viajaram. O que tornava tudo ainda mais desagradável porque ela não possuía luxo nenhum. A única coisa que passaria fazendo nos seus dias de “liberdade” era lendo e lendo e lendo. As vezes saía pelas ruas, mas odiava. Detestava o modo como às vezes era obrigada a se socializar ━ Era péssima.
Como de praxe sua Tia a apertou e depositou tantos beijos que Camille quase ficou sem ar naqueles cinco minutos de “Boa Sorte” que Natali sempre fazia sempre. Sempre antes de algum acontecimento que ela desejava que desse certo ━ Mas somente os acontecimentos que ela desejava de verdade, não os dá boca para fora, como às vezes fazia.
━━━ Natali, chega. Preciso sair ou irei me atrasar, saí.
━━━ Eita grosseria viu, depois não entende porque não consegue se vincular a ninguém. Vê se melhora esse humor e arrasa.
Camille revirou os olhos em resposta de desaprovação pelas tentativas de tentar mudar o jeito da garota. Não gostava daquelas atitudes da tia e da falta de compreensão que tinha por ela, mas tudo bem a perdoava por isso.
Camile saiu do carro apressada. Não conseguia olhar nos olhos de ninguém ━ O que fazia a maioria das pessoas acharem que era metida, infelizes eram o que se deixam formar essa opinião sobre a mesma.
Não demorou mais de cinco minutos para encontrar sua sala ━ Ficava no segundo andar, primeira sala à direita. Enquanto ia se aproximando da mesma, cruzou os dedos na esperança de que a sala tivesse vazia ou ao menos que tivesse o número de estudantes reduzidos a número baixos: Um, dois.. Três.
Ao entrar na sala havia uma turminha em um cantinho com algumas garotas que eram lindas, mas tinham ar de arrogantes. Típico daquele gênero de garota que é linda sabe o quanto é linda e abusa disso. Totalmente enjoativo. Observou todos em questão de segundos e logo desviou o olhar para o outro lado da sala, onde havia outro grupinho de três pessoas.
Ela só conseguiu prestar atenção na menina que estava lendo ━ Era linda. Completamente, extremamente linda. Esta possuía cabelos curtíssimos, lia algum livro que se referia aos punks e socialismo. Diferente das outras garotas não usava maquiagem alguma e suas roupas eram tão folgadas que Camile podia jurar que cabiam duas da menina ali dentro.
Só percebeu que havia parado na porta quando dois meninos altos e distraídos esbarraram na mesma, fazendo-a tropeçar para frente. Logicamente que isso atraiu a atenção de todas as pessoas que já estavam dentro da sala, inclusive da menina que ela não havia tirado os olhos.
Ficou instantaneamente vermelha ━ Não sabia definir o motivo: Se era porque agora havia passado de invisível para o centro das atenções, ou porque a menina havia retribuído ao olhar. Deu uma olhada para os caras nos quais tinham esbarrado com ela e agora riam pouco se preocupando se ela estava bem. Revirou os olhos: Já citei o ódio por homens, especificamente, que Camille possuía?
Rapidamente subiu os degraus, indo em direção as mesas no final da sala. Ao passar pela menina olhou-a de canto e pode perceber que ela a encarava com um sorriso no canto dos lábios ━ Isso fez com que ela ficasse ainda mais vermelha do que nunca.
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As aulas foram se passando e cada novo professor que entrava fazia cada um se apresentar novamente, mesmo que já fosse aluno velho. Assim fazia todo mundo se conhecer ou pelo menos ter conhecimento de quem era quem ali dentro. Mas não havia prestado atenção em ninguém, exceto em Allana ━ A menina pela qual havia chamado sua atenção.
“Olá professor Michael. Sou Allana, tenho 18 anos e felizmente estou terminando esse inferno. Adoro você e suas aulas, mas deixamos isso em segredo, haha. Adoro ler e não fiz nada que muitos se interessem por aqui. É isso, deu.”
Conseguia lembrar perfeitamente das palavras de Allana. Seu estomago formigou ao perceber que ela olhou para trás quando foi à vez dela falar. Não conseguia falar nada direito, suas mãos começaram a soar com a troca de olhares. O que era aquilo?
Por fim antes que pudesse terminar de se apresentar o sinal tocou: Hora de ir embora.
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