Nick estava dirigindo, seu carro como sempre uma bagunça, joguei algumas roupas e acessórios que eu estava com medo de perguntar pra que serviam, em cima do porta malas atrás do banco, Pete estava a seu lado no banco do carona, os dois cantavam Wouldn’t Change a Thing de Camp Rock que tocava no rádio, eu avisei que essa música não era muito romântica, os dois olharam pra mim no banco de trás e voltaram a cantar ignorando totalmente o que eu tinha dito.

Entramos em uma estrada de terra, a paisagem era apenas árvores e pastos grandes e verdes, não tinha nenhum sinal de Noah, eu não fazia idéia do que ele poderia ter preparado em um lugar distante da cidade, espero que não seja pescaria, nunca fui bom nisso, ainda me lembro de quando tinha 11 anos, Noah e eu reviramos as coisas do vovô, com a permissão da vovó é claro, encontramos os equipamentos de pesca dele, acabei com um anzol no meu dedo e muito sangue, sofri traumas em outras ocasiões que envolvem pescaria que eu prefiro não me lembrar agora, então espero mesmo que a surpresa não seja essa.

Chegamos em uma cabana, mas não era qualquer cabana, era literalmente uma casa na árvore, toda feita de madeira envernizada, tão grande que eu poderia facilmente morar ali, suas grandes janelas de vidro me conquistaram a primeira vista, a visão seria maravilhosa em um entardecer de verão.

— Finalmente temos nossa casa na árvore – Noah me recebeu com um abraço e em seguida me dando um selinho

— Eu não acredito que você fez uma casa na árvore – Eu ainda estava encantado, não conseguia parar de admirar e olhar cada detalhe

— Ele sabe que não foi o Noah que fez a casa não é? – Pete segurou o braço de Nick olhando para ele com certo deboche

— É... eu acho que ele pensou isso sim – Nick deu um sorriso, eu mostrei o dedo do meio pra ele, ele mostrou a língua pra mim

Dentro da casa era maravilhoso, o cheiro da madeira das paredes se misturavam ao cheiro da floresta que estava em volta, os móveis eram bem simples o que deixava tudo ainda mais perfeito, nada de sofisticado ou exagerado, era apenas uma casa na árvore, grande mas simples e aconchegante. Noah me acompanhou até nosso quarto, nos deitamos na cama que ficava de frente para uma varanda o qual a visão era a floresta, linda e encantadora.

— Lembra da nossa primeira casa na árvore? – Noah colocou sua perna no meio das minhas enquanto acariciava meu cabelo

— Prefiro não lembrar, foi trágico — soltei um riso, não pude conter ao me lembrar

— Depois que eu construí, vinha aqui algumas vezes, me deitava e ficava pensando em você, se eu dia eu poderia trazer você aqui, se um dia eu te veria de novo, se um dia seríamos amigos de novo

— Seus pedidos a mãe natureza se realizaram – toquei seu nariz me aconchegando ainda mais em seu peito

— Pois é, preciso agradecer – ele se levantou e colocou as mãos juntas sob o peito — obrigado mãe natureza, por trazer meu Tommy de volta

Eu fiquei observando e rindo ao mesmo tempo, assim que ele voltou para cama do meu lado, demos as mãos e ficamos de frente uma para o outro.

— Gostou da surpresa?

— Você não pare de me surpreender Noah

— E isso é bom?

— É... mas pode ficar melhor – me joguei em cima dele e comecei dando beijinhos em seu pescoço

Noah não perdeu tempo e foi tirando minha camisa, eu fiz o mesmo com ele, não demorou para que os dois estarem pelados, fomos mais intensos do que a primeira vez, dessa vez não nos importamos com os barulhos, mesmo sabendo que Nick e Pete estavam no quarto ao lado. Depois de uma hora estávamos exaustos, Noah estava dormindo, eu o cobri com um lençol, estava ficando frio, me enrolei em outro e sai até a varanda ali do quarto, Nick estava sentado ali em um dos bancos, a varanda dava acesso aos dois quartos.

— Bom saber que ainda está vivo, pelos gritos achei que estivesse sendo assassinado – Nick abaixou a cabeça rindo e cobrindo a boca

— Então você achou que eu estava sendo assassinado e não pensou em me salvar? Belo amigo você é em – retruquei encarando o garoto que me deu um empurrão enquando eu me sentava a seu lado

— Que loucura em Pequeno Tommy, quem diria que você e eu estaríamos assim, enrolados em um lençol olhando para a floresta de Falls City, enquanto nossos lindos e gostosos namorados estão dormindo, depois de um sexo maravilhosamente agressivo

— Concordo... menos com a parte do sexo agressivo

— Pode negar pra si mesmo, mas essas marcas no seu corpo dizem o contrário

Dei uma cotovelada em Nick, o pior de tudo é que ele estava certo, o sexo tinha sido maravilhosamente agressivo, não de uma forma ruim. Ficamos conversando sobre como ele começou a namorar e porque não tinha nos contado antes, Sarah também não sabia sobre isso e provavelmente vai ficar muito magoada quando souber que ele escondeu esse segredo dela. Talvez ele ainda esteja chateado com ela, já passou muito tempo, mas tenho certeza que ainda dói pra caramba lembrar de quando ela ficou com Charlie o menino que Nick era apaixonado, ela sabia disso e sabia também que ele era bi, acabaram se beijando em uma festa, Nick viu a cena e rolou uma briga entre os dois que foi resolvida e perdoada mais tarde, mas acho que Nick mesmo perdoando ainda guarda algum sentimento de decepção quando se trata de Sarah.

— Ei.. porque esta aqui fora, está frio – Pete apareceu se sentando ao lado de Nick esfregando os olhos e bocejando

— Só conversando um pouco com Tommy, estou aliviado, ele está vivo – ele fez um gesto com as mãos enquanto falava

— Ele está, mas não posso dizer o mesmo do meu amigo – Pete riu enquanto dizia isso

— O que tem eu – Noah se aproximou e agora estávamos todos sentados no banco da varanda dividindo um lençol falando bobagens

— Não escute esses dois, só estão falando asneiras – balancei a cabeça com a mão nos olhos, todos riram

Passamos mais algum tempo ali conversando, depois entramos e fomos assistir filmes, Nick tentava de todas as formas nos fazer acreditar que o pé grande existia depois que terminamos de assistir um filme sobre isso, ele nos fez procurar por documentários e ficou explicando teorias, que na minha opinião, mesmo não acreditando, dava um certo medo.

Passamos uma noite encantadora, foi maravilhoso dormir e acordar ao lado de Noah na nossa casa na árvore, voltamos para a cidade na manhã do dia seguinte, eu precisava trabalhar e Nick estava prestes a voltar para sua rotina também. Os dias que se passaram foram maravilhosos, Noah sempre dormia em casa depois que voltava do trabalho, as vezes jantávamos juntos na casa do seu pai, ele não parava de agradecer pela doação que salvou seu filho, Noah pediu que ele não fizesse isso a primeira vez que me viu, mas agora que eu já sabia de tudo ele agradecia e me abraçava em qualquer oportunidade. Toda manhã nós tomávamos café no mesmo lugar e depois eu o levava para seu trabalho que finalmente conheci, Noah dava aulas de educação física em uma escola de Falls City, ele teve algumas folgas, precisava fazer uma bateria de exames para acompanhar se tudo estava indo bem e por Deus, tudo estava bem.

Estava sentado na mesa bem no canto da sala, faltava apenas alguns detalhes da nova propaganda que eu entregaria para a campanha de Natal, meu chefe vinha me apressando para que eu terminasse há alguns dias, faltava apenas um mês para o natal. Assim que enviei o arquivo, quinze minutos depois recebi outro e-mail, era do meu chefe

PARABÉNS SR. TOMMY MAXFORD, PELA DEDICAÇÃO E PELA PROFISSIONALIDADE DE SEMPRE, ESTAMOS TODOS FELIZES COM OS RESULTADOS QUE ALCANÇAMOS DURANTE ESSE ANO, GOSTARIAMOS DE OFERECER UMA VAGA DE VICE PRESIDENTE DE MARKETING, O ANTIGO DIRETOR RECEBEU UMA PROMOÇÃO E TODOS CONCORDAMOS QUE O SR. SERIA A MELHOR OPÇÃO PARA O SUBSTITUIR. DESEJANDO QUE ESTEJA BEM, AGUARDAMOS SEU RETORNO, O CARGO É PARA O PRÓXIMO VERÃO, NOS DÊ A RESPOSTA ANTES DISSO.

Receber um elogio no trabalho é sempre muito bom, ter seu trabalho reconhecido incentiva a querer fazer sempre o melhor, mas dessa vez o elogio veio com uma pontada de dúvida e angústia, ser o vice presidente de marketing sempre foi meu objetivo, mas com isso terminaria meu trabalho em casa e eu teria de voltar a trabalhar no escritório, para isso é claro que eu teria de voltar para Atlanta.

Passei o resto do dia pensando sobre isso e pior, como eu contaria isso para Noah, dizer que vou embora mais uma vez, porque a vida tinha que ser tão complicada, parece que o destino nos uniu para nos separar novamente, que destino frio e cruel. Quando ele chegou eu estava deitado no sofá segurando uma almofada contra o peito, ele se aproximou e me deu um selinho que era comum sempre que ele chegava em casa. Noah se sentou no chão próximo a meu rosto e percebeu que eu estava cm os olhos marejados, ele começou a acariciar meus cabelos

— Ei... o que aconteceu? – Ele perguntou segurando meu rosto, seu olhar era de preocupação

— Eu... recebi uma proposta de promoção no trabalho – Minha voz falhava enquanto eu dizia essas palavras – e é um cargo que eu sempre desejei tanto e....

— Ei.. Querido Tommy, isso não é motivo para você ficar assim

— Eu teria de voltar a morar em Atlanta

Houve um momento de silêncio, Noah soltou meu rosto e ficou sem reação

— E... o que você quer? Quer dizer, você precisa aceitar, se você sempre sonhou com isso, precisa aceitar

— Mas... se eu aceitar eu vou embora e.... como a gente fica? – uma lágrima escorreu pelo meu rosto

— A gente pode pensar nisso com calma, eu odeio o fato de você ir embora mas também não quero que você fique aqui só por minha causa e desista dos seus sonhos.

— Você também é meu sonho – Falei antes de o abraçar, com tanta força que podia sentir seu coração batendo junto ao meu quando nossos peitos estavam colados.

Noah se deitou no sofá do meu lado, mudamos o assunto, não queríamos falar sobre isso agora, ele estava me contando sobre a viajem de Pete para Atlanta, já fazia umas três semanas que Nick tinha voltado para casa, para seu trabalho no hospital e claro que Pete não agüentou tanto tempo longe dele. Ele mandava mensagens todo dia para Noah atualizando sobre sua adaptação na cidade grande, era engraçado a forma com que ele descrevia os momentos que estava passando.