A mesma música tocou três vezes seguidas, Nick e Pete, protagonizavam uma cena daqueles casais dos filmes de comédia romântica, Joe estava desmaiado em um colchão no canto da sala com o cobertor até o nariz. Minha taça de vinho estava quase vazia, mas ainda assim, eu a segurava firme enquanto olhava para Noah no sofá oposto ao que eu estava sentado.

Depois que ouvi ele confessar que já tinha ficado com Joe, não quis ouvir o resto da história, apenas sai do quarto e voltei para a sala, ele correu atrás de mim e pediu que eu dissesse alguma coisa, mas o que eu poderia dizer? Isso provavelmente aconteceu a muito tempo atrás, eu não tinha o direito de criticá-lo, as pessoas com quem ele ficou antes de mim, não deveria me incomodar, mas porque tinha que ser o Joe?

- Posso me sentar aqui? – Noah se aproximou, seus olhos estavam vermelhos.

Confirmei balançando a cabeça, ele se sentou do meu lado.

- Querido Tommy, eu...

- Está tudo bem Noah – eu o interrompi – Eu não deveria ter agido dessa forma, desculpa, mas.... sei lá, foi estranho pra mim, ouvir que você e Joe já foram um casal

- Não fomos um casal, apenas ficamos, foi algo sem compromisso.

- Mesmo assim, foi estranho pra mim saber disso.

- Por que? Você ainda sente alguma coisa por ele?

- Não é isso Noah

- Então o que é? Por favor, me fala, se eu corro o risco de te perder, prefiro saber agora.

- Me perder? – Minha voz saiu baixa – Noah, você nunca vai me perder – coloquei a mão em seu rosto enxugando a lágrima que escorreu no canto de seus lindos olhos.

- Eu te amo querido Tommy, como nunca amei ninguém antes, sempre te amei, dês de que nós éramos apenas amigos, naquela época, é claro, não entendia que sentimento era esse, mas a verdade é que eu sempre te amei Tommy, tenho medo de que tudo isso acabe e você, assim como antes, vá embora e não volte mais.

Ele disse essas palavras entre choros e soluços, eu o abracei e o apertei com força, sentia suas lágrimas caindo no meu ombro. Assim que soltei seu abraço, ficamos com nossos rostos próximos por um momento, sequei suas lágrimas com o dedo e ele deu um leve sorriso.

- Noah, eu também sempre te amei, sempre; quando eu fui embora, uma parte de mim ficou aqui, quando eu te reencontrei, foi como se eu tivesse recuperado a outra parte do meu coração, eu estou completo com você.

Ele aproximou seus lábios dos meus, senti o sabor do suco de laranja quando ele me beijou, esse foi o beijo mais intenso que ele tinha me dado, eu retribui com a mesma intensidade, era como se fogos de artifício estivessem explodindo a nosso redor, talvez estivesse mesmo, já era mais de meia noite, já era ano novo.

No dia seguinte, almoçamos um pouco mais tarde, Noah e Joe conversaram, nós precisávamos acabar com o cima estranho, Joe me disse que não contou sobre Noah pois queria que ele mesmo me contasse, é claro que eu entendi. Depois que tudo foi esclarecido, conseguimos passar um ano novo divertido com as melhores companhias.

Enfim voltamos pra casa, nos despedimos de Joe, Nick e Pete na estrada. Noah precisava resolver algumas coisas em sua casa, ele me deixou na porta de casa, nos despedimos com um selinho.

Destranquei a porta de casa, fui direto para o quarto, tomei um banho e cai na cama. Devo ter dormido algumas horinhas, quando acordei, fui para a sala e peguei meu celular, tinha uma mensagem da minha mãe, ela estava na cidade mas como não me encontrou em casa foi para um hotel na cidade. Tentei ligar para ela novamente mas estava caindo na caixa postal. Resolvi ir até o hotel para me encontrar com ela e para levá-la até em casa.

Me vesti correndo, mas me esqueci de pegar um sapato e acabei indo de chinelo mesmo, liguei o carro e saí o mais depressa possível, as ruas não estavam tão movimentadas. Meu celular que estava no banco do passageiro começou a tocar, olhei por um instante e era o número da minha mãe. Estiquei o braço para pegar o celular, olhei por um momento do lado e quando olhei novamente para frente, uma criança que estava no meio da rua, eu desviei da criança, tentei frear o carro mas meu chinelo enroscou no pedal e eu me atrapalhei.

Senti o impacto quando bati o carro no poste, mas depois só me lembro de mergulhar em uma escuridão.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.