Estávamos todos sentados na mesa essa manhã, eu finalmente tinha deixado o ambiente adequado para receber visitas para um café da manhã, a mesa ficava em uma área externa da casa, era o lugar preferido da vovó, onde ela também recebia visitas para o café ou chá da tarde. Tinha comprado algumas coisas no mercado uns dias atrás, o que ajudou muito pois confesso que não sou uma pessoa com habilidades na cozinha, diferente de Noah que assumiu o fogão e fez o café e algumas panquecas, eu sabia que estariam deliciosas, o cheiro pelo menos estava muito bom, inclusive tudo o que estava na mesa, o bolo e o pão que eu comprei, até as rosas que estavam em um vaso no centro.

Pensei em tocar no assunto sobre ontem a noite, mas estávamos tendo boas conversas e não queria estragar esse momento, Pete passava a mão no cabelo de Nick que estava bagunçado, depois olhava para mim e ficava apreensivo e voltava a agir como se não tivesse feito aquilo, os dois estavam usando uma regata branca e shorts, estavam descalços assim como eu e Noah, que além de estar descalço usava um short bem curto e uma camiseta xadrez com os botões abertos, diferente de mim que estava apenas com uma camiseta branca longa que parecia mais um vestido, o que era bom pois eu estava apenas de cueca.

— Ninguém vai falar nada sobre ontem? – Tomei coragem de perguntar enquanto passava geléia de morango na panqueca, realmente estava deliciosa.

— O que tem ontem? – Nick me olhou com um sorriso que eu já conhecia

— Ele já sabe, não precisa mais fingir – Noah soltou um leve riso enquanto falava

— Ah.... nossa que bom... não queria mais esconder isso — Nick parecia aliviado

— Então era isso que você estava vindo resolver aqui?

— Desculpa Tommy, eu queria te contar, na verdade eu ia te contar mas não sabia que você era o garoto do Noah

— Agora eu sou o garoto do Noah

— Você é meu garoto – Noah deitou no meu ombro.

Todos começaram a rir na mesa, pra falar a verdade isso soava tão bem, eu era o Garoto do Noah e o Noah era meu garoto, finalmente podia falar isso em voz alta, finalmente isso era real, finalmente estávamos admitindo que a gente sempre pertenceu um ao outro.

— Então a quanto tempo vocês estão juntos? – Perguntei, os dois se olharam e deram um sorriso

— A gente se conheceu a pouco tempo na verdade, eu estava passando por aqui a trabalho e meu carro furou o pneu no meio da estrada, ele estava passando naquele exato momento e me ajudou, foi destino eu acho

Nick era dessas pessoas que acreditava em destino, ele tentou me convencer uma vez de que o destino estava reservando algo para mim, eu duvidei dele na época, mas talvez ele estivesse certo.

— Eu ajudei ele a trocar o pneu e ofereci um almoço, foi assim que a gente se conheceu – Foi Pete quem falou dessa vez

— Estou feliz por vocês

Os dois apertaram as mão e em seguida voltaram a tomar o café.

— Mas e vocês? Estão namorando agora? – Nick estava curioso

Olhei para Noah e ele ficou esperando que eu desse uma resposta

— Acho que a gente precisa de um tempo juntos para saber o que vai acontecer, acabamos de nos reencontrar, temos muito tempo ainda pra pensar em namoro

Noah e Pete se olharam e abaixaram a cabeça quando eu disse isso, o que me deixou intrigado.

— O que foi? – Perguntei

— Nada... você está certo, ainda é cedo pra dizer que estamos namorando, mas eu vou te beijar todo dia só pra deixar claro – Noah me deu um selinho que me pegou de surpresa

— Vão para o quarto – Nick jogou um pedacinho de miolo de pão na gente.

Assim que terminamos de tomar o café, Nick e Pete saíram, os dois ficariam juntos o resto dos dias que Nick ficaria na cidade, Noah foi acompanhar os dois enquanto eu fiquei arrumando as coisas na cozinha. Quando terminei fui até a porta e ouvi quando Pete disse a Noah – Conte para ele – mas assim que ele me viu, ele sorriu acenou e foi embora.

Eu queria muito passar o dia em casa, mas acabamos tendo a idéia de visitar a galeria de Falls City, eu adorava ir lá quando vinha passar as férias aqui, sempre tinha alguma novidade. A galeria era um lugar com muitas lojinhas de artesanato, maquinas de jogos, as melhores sorveterias e um espaço para fazer peças de argila.

Foi o primeiro lugar onde fomos, me lembrei da última vez que estive lá, vovó pediu que eu fizesse um vaso para ela, ainda me lembro da expressão no rosto dela ao ver o que eu tinha feito. – Acho que esse não é seu dom – ela disse rindo.

— Você lembra da última vez? – Falei olhando para Noah que estava sentado do meu lado de frente para a maquina que moldaria a argila

— Ah. Eu gostei da sua estátua – ele riu

— Se não fosse para ser um vaso

Uma mulher com o cabelo preso trouxe duas massas de argila, colocou uma na máquina na frente de Noah e uma na minha frente, ela explicou como a gente deveria fazer, eu realmente prestei atenção dessa vez, Noah também parecia bem concentrado. Parecia mais fácil quando a mulher estava explicando, eu não estava conseguindo fazer nada, sempre que a massa começava a moldar, ela caía e eu recomeçava, Noah ficava rindo da situação. Depois da milésima tentativa eu acabei desistindo, fomos para a sala de jogos e começamos a jogar Super Mario, em seguida Mortal Kombat, nisso eu era bom, consegui derrotar Noah algumas vezes.

— Você ainda é muito competitivo – Ele me empurrou ao mesmo tempo me segurando e me abraçando enquanto caminhávamos para a fila do sorvete

— E você continua sendo muito ruim em Mortal Kombat

— Estou me sentindo aquele garotinho outra vez, correndo por essa galeria segurando sua mão enquanto as pessoas nos olhava de forma estranha

— Você se lembra dos olhares das pessoas?

— Uma coisa assim a gente não esquece Querido Tommy

— Sei la... eu nunca parei pra pensar, quando eu estava com você eu não olhava e não pensava em mais ninguém

Noah parou e ficou na minha frente segurando minha cintura enquanto olhava nos meus olhos

— Então você só pensava em mim? – seu sorriso era malicioso

— Você era meu melhor amigo, claro que eu só pensava em você, mas do jeito que você está pensando – Dei um tapa de leve em seu braço

— Mas e agora? Você pensa em mim do jeito que eu estou pensando?

— Eu não posso falar do jeito que estou pensando porque estamos em público

Eu soltei um riso malicioso e caminhei até a fila do sorvete. Noah pegou uma casquinha de morando o que eu já sabia pois morango era o sabor favorito dele, o meu é claro que era chocolate, caminhamos pela galeria tomando nosso sorvete, em algum momento nossas mãos trombaram e Noah a segurou e eu entrelacei meus dedos nos dele e ficamos vendo as lojinhas de artesanatos segurando a mão um do outro assim como a gente fazia na época, mas agora era de uma maneira diferente, tínhamos sentimentos diferentes.

Voltamos pra casa tarde, pedi a Noah que fosse tomar banho, eu emprestaria algumas roupas, ele avisou seu pai que não voltaria pra casa, comecei a achar estranho, porque ele nunca precisava ajudar seu pai na lanchonete e seu pai nunca se incomodava com isso. O banheiro ficava bem de frente para a porta do meu quarto, ouvi o som do chuveiro ligando enquanto eu tirava minhas calças e arrancava a camisa.

— Toma um banho comigo? – ouvi a voz de Noah e me virei para aporta e lá estava ele, apenas de cueca box branca, me deixando totalmente excitado vendo aquele corpo maravilhoso

— Só se você esfregar minhas costas – brinquei

— Fechado

Entramos debaixo do chuveiro juntos, estávamos sem cueca agora, tentei manter meus olhos na direção do rosto do rosto de Noah, me virei de costas e pedi para que ele cumprisse a promessa de esfregar minhas costas, o que ele fez com toda delicadeza, beijando de leve meu ombro as vezes enquanto tentava me agarrar, então me virei de frente outra vez, ele se aproximou e senti seu corpo e sua pele encostando na minha, fiquei ainda mais excitado, ele tomou a iniciativa e começou a me beijar, um beijo tão intenso que sentia sua língua invadir completamente minha boca, estávamos nos beijando debaixo da água assim como nos filmes, quando abri meus olhos me assustei.

— Noah.... seu nariz – falei, ele passou a mão no nariz que estava sangrando e olhou para as mãos, ele parecia preocupado e ao mesmo tempo envergonhado.

— Tommy... Desculpa.... eu....

Ele saiu correndo pegando uma toalha e colocando papel debaixo do nariz, antes que eu pudesse falar alguma coisa ouvi a porta do banheiro se fechando. Fiquei ali olhando o resto do sangue que ainda estava correndo para o ralo, eu ainda estava assustado, isso nunca aconteceu com alguém que eu conheço, talvez fosse uma coisa simples, mas fiquei muito preocupado, precisava falar com ele, precisava terminar logo o banho.