Último Resquício de Amor(Quebre as correntes)
19 Frouxa Fumaça
Hanna olhava pela janela de seu quarto como o sempre fizera. A frouxa fumaça do cigarro contrastava com a dureza de seu ar expirado. Olhou que a outra morena estava lá fora.
–Han, tem algo p’ra você.
– ! – Hanna estava com os braços cruzados e arregalou levemente os olhos antes de apanhar a correspondência.
Olha quem está aqui também. Emily saca o smartphone. Spencer por videoconferência. Skype. Ué, Spence conseguira a sonhada Universidade, mas as Liars já estavam a terminar o tempo de faculdade. Podia ser uma velha reunião das amigas. Mas se passara um tempo desde aquele episódio love-erótico Hanna x Aria. Não era como antes: as conversas, os momentos bobos entre as amigas, passou a adolescência.
–Por que Aria escreve esses poemas? – inquiriu Emily.
–? – Spencer franze o rosto em sua típica expressão indagadora.
... – Hanna somente olha para frente, após ler os poemas.
–Deixe-me ver – manda Spencer.
–Hum, parecem cartas. Aria não quer dizer algo além de seus pensamentos?
Emily refletia por que Aria se afastara. Nunca mais falou com as três amigas. Formou-se e foi embora, não se sabe pra onde – compartilhou essa última frase em seus pensamentos, Hanna: — ...para onde...?...? – enquanto segurava distraidamente os papeis para Spence ler.
“Estou a ir. Sem volta.”
As duas amigas mais a virtual Spencer desceram à cozinha. Ashley havia preparado um lanche. Emily olhou para uns retratos. O rosto alegre de Hanna na foto contrastava com a Hanna Material, que parecia pensativa e séria. E a de Aria, com forte presença na foto enquanto que no real não estava. Spencer, a mesma cara. E quando viu o seu próprio retrato, somente sorriu.
“Um novo amor a cultivar.”
Spencer pensava nos versos também. Queria desvendá-los
“Que este anel seja eterno. Esse anel de espinhos.”
Ashley deitou sobre a mesa a bandeja com os manjares. Hanna não queria assumir aquelas curvas perigosas de antes, mas comia impetuosamente, a morrer de fome. As curvas de agora são belas. Mas novas curvas virão à sua vida. Emily estava a comer bem também. Spencer ainda estava ligada.
“Sofrimento... passou. Passemos por este anel, eu sei, será árduo”
Enquanto segurava a caneca com café, Emily nota que o destinatário estava errado.
– A quem seriam estes poemas? – indagou Emily.
Hanna só absorvia o café e se absorvia nas questões.
– Não sei...
“Árduo”
–Como se ela fosse manter algum compromisso, um acordo ou...
–Um casamento – soou em uníssono Hanna e Spencer.
Emily só olhou com a sobrancelha levantada. Hanna continuou incólume.
“Mas o eterno é assim.”
Hanna repetia os últimos versos em sua mente.
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