Último Resquício de Amor(Quebre as correntes)
6 Crestfallen
Aria acordou depois de ter tido estranhos sonhos. Havia sonhado que perdia seu pai. Seu pai havia se divorciado de sua mãe, depois de um caso com sua secretária. Aria ficou crestfallen, desiludida. Mas sempre soube lidar com suas emoções e com situações difíceis. Mas não no sonho, não desta vez. Abruptamente, logo se via uma cena, onde Hanna a confortava em seu colo. E desta cena, passou para um mar, onde flutuava como Vênus, na espuma. Preferia o colo de Hanna. Logo chegou a uma ilha, onde foi recebida por mulheres de beleza divina. Uma delas se aproximou dando-lhe um beijo. Aria gostou e não resistiu. De imediato, havia acordado. Sentiu seus lábios ainda palpitando e sentiu o sabor de frutas tropicais, o sabor do beijo. Sentiu-o como se fosse real.
Aria, depois de pensar um pouco ainda no sonho, levantou-se e, depois de se assear, desceu vagarosamente as escadas, não por causa do sono, mas dos pensamentos que tomaram de conta. Mas, ao cair em si, tomou o café da manhã rapidamente, vestiu seu lindo casaco. Aria tinha bom gosto como ninguém. Casaco trench de veludo vinho onde se dispunham duas colunas de três botões cada de tamanho médio, que se sobrepunha a um fino vestido que terminava com a barra de filó. Completava ao visual um berét. Aria parecia uma francesa, o que combinava com sua personalidade fina, delicada e talvez artística. Pela rua rapidamente caminhava para dissipar os pensamentos. Mas eles vinham mais intensamente. Andou pouco, mas já suava como se estivesse no sonho tropical, o que contrastava com aquela manhã de outono.
A petite brunette entrou no museu de arte. Havia tomado aquele local como refúgio nos últimos meses. Era ali onde esquecia a realidade, de seus problemas. Olhou para um quadro no qual havia uma jovem mergulhada num mar surrealístico, ao qual se misturavam objetos de aparência confusa e incomum. Ela se identificava com a moça, sentia-se confusa. Logo, lembrou-se do mar de seu sonho, azul como os olhos de Hanna. Em seguida, via-se de frente a um espelho, onde seus olhos marejavam e estranhamente tomaram a cor azul cobalto como os olhos da loira. Aria tomou um leve susto e voltou a si, olhou para baixo e não ousou voltar a olhar o espelho. Caminha dessa forma até a saída e deu passos rápidos a fim de escapar àquela realidade surreal.
Hanna, até agora não saiu da cama, a preguiça era imensa. Passava das dez, e Ashley Marin começou a chamá-la para o desjejum.
–Já vou, mãe – mentiu Hanna. Não queria levantar, passou ainda vinte minutos pensando nos estranhos poemas de Aria, pensamento que veio do nada, e grunhiu ao lembrar que tinha academia à tarde, às 16h30. Ashley, impaciente, entrou no quarto sem pedir permissão e ordenou, de forma ainda comedida, à filha que tomasse o café. Hanna deu um suspiro meio que com desânimo e tédio e desceu as escadas. Tomou o café. Agora pensava em nada, só olhava fixamente para o vazio. Em seguida, tomou seu sobretudo e foi andar sem rumo. Pisava as folhas de Faia, laranjas como o amor. Sim, Hanna deu ao laranja a cor oficial do amor. Pensava nos romances e casos que havia tido. Nenhum deles lhe agradou. Tentou varrer com a ponta dos pés uma folha e depois de um suspiro olhou à volta num tom enfadado. Passada meia hora, veio-lhe ao encontro Emily.
– Oi, Han! – disse num tom sereno mas ao mesmo tempo radiante
–Oi, Em. Como vai? – notou Hanna o brilho nos olhos da atleta.
–Muito bem. – respondeu Emily, logo se agitando como se estivesse ansiosa.
–Estou lhe atrapalhando, vais a algum lugar? – perguntou Hanna, gesticulando com ambas as mãos.
–Ah, não, relaxa. Vou à casa de Kristen. Mas não posso deixar de dizer um oi e perguntar às minhas amigas como estão. Sabe? Elas vêm ainda em primeiro lugar
Hanna olhou com uma expressão confusa, mas logo percebeu o que queria dizer:
–Estou meio entendiada...Ah, vai lá. Qual o nome dela mesmo?
–Kristen.
–Hum, você gosta dela? – perguntou Hanna meio curiosa.
–Ah, saímos há uma semana e meia... Hum... Gosto muito dela – disse , logo se despediu e saiu a passos um pouco rápidos.
Hanna depois de alguns segundos a olhar pra baixo, virou-se e viu os tênis all-stars da garota de tez parda. Leu como se seus pés é quem transmitissem a alegria de Emily. Uma leitura estranha... Emily quando se relacionava com alguém era muito alegre. Dava risadas mais frequentes. Nadava melhor. Chegava cedo às aulas disposta. Hanna logo caiu na rede de seus pensamentos: Nunca fora tão feliz quanto Em. A morena só namorava garotas. Namorou um rapaz pra disfarçar sua opção. Mas quando abrira ao mundo seu gosto, se sentira livre. Isto intrigava Hanna. Ela gostava de garotas e era feliz. Hanna gostava de meninos, e...feliz... nem tanto...
Continuou a andar pela cidade até que viu o museu de arte. Arte lembrava os gregos, o que lembrou à Hanna a aula de História, onde se falou sobre Safo. Isto lhe lembrou de Emily. Emily é linda. Com certeza, já chamou atenção e alvo de desejo de muitos rapazes. Era muito amiga e agradável. Pensava se podia pedir pra Emily um beijo, saber como é. Se era bom o sabor de um gloss. Dos lábios de uma mulher. Novamente, Hanna voltou a pensar na poesia de Safo. Aqueles poemas platônicos, amores impossíveis, ou será que eram possíveis? Hanna não sabia se era possível se apaixonar pela mulher. Este pensamento foi rapidamente distraído pelo desejo de se ouvir música. Hanna não tinha interesse em arte, como a conhecemos. O que mais se aproximava de arte era sua playlist contendo Pink Floyd, Coldplay e Radiohead. Hanna nunca se imaginava gostando dessas duas últimas bandas. Já Pink Floyd, claro; achava-os incríveis. Procurou na pleiliste Shine On you Crazy Diamond por Floyd. Durava mais de 20 minutos. Hanna tem tempo, mas adora a banda. Ouvia enquanto em movimento no balanço do parque. Hanna não fazia isto faz tempo. E começou a rodar propositalmente. Seus pensamentos rodavam com ela. Olhou pro céu e não pensava em nada. Só contemplava o azul do céu, que não era mais bonito que os olhos de Marin. Começou a pensar no que as amigas estavam fazendo. Em, ela sabia;mas as outras, não. Perto do parque, havia um rio e começou a cantarolar:
“Ninguém sabe como é..
Ser o homem mau
Ser o homem triste
Por trás dos olhos azuis
Ninguém sabe como é
Ser odiado
Ter o destino traçado
Ter que mentir somente [...] “
The Who
Olhava seu reflexo no azul do rio, o rio tirava o destaque de seus olhos. Era sereno, mas triste. Hanna nada pensava, nada..
Entediada ainda, caminhava até a academia. Procurava espantar o mau humor com Deep Purple. Hanna se preparava para o verão. “Afinal, preciso ficar linda no biquíni”, pensou enquanto esperava na fila da catraca, olha para o frio do cinza da parede de ardósia. Enquanto se exercitava, olhava para o vago. Até que se achou olhando para uma das garotas do gym. Ficou olhando por menos de 5 minutos. Parecia a Spencer, mas com bunda. Hanna não sabia calcular muito bem o tempo, era ruim nisso. O tempo lhe passava como o vento lhe soprava as mechas douradas com traços castanho escuro. Hanna sentiu nada, mas notou como as curvas das mulheres. Como eram belas e bem feitas. Olhava para si mesma, tinha o corpo bonito também, nem parece que já foi mais redonda, com mais curvas acentuadas. Eram curvas perigosas.
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