Último Resquício de Amor(Quebre as correntes)
15 Bata ou Morra
Notas iniciais
O mundo gira
Minha mente pira
Pus minhas lágrimas na pira
E tornaram-se
Em grande vapor
Mas há um grande ardor
Aqui dentro
Mas sinto mais pavor
Aria andava de bicicleta com seu violão às costas e ouvia os passarinhos. Detestava usar fones de ouvido ao ar livre, preferia se entregar ao canto dos passarinhos ,do White-and-black warbler, comum na Pensilvânia. Avistou as amigas no seu canto favorito no parque, o que de início a incomodou mas logo esse pensamento se dissipou com o chamado da Emily, que foi de uma forma doce, que Aria achou bonitinho. Sentou-se e começaram a conversar bobagens só delas.
–Tava assistindo ao programa da Oprah e me lembrei de ti, Aria
–Lembrou Por quê¿
–Foi uma apresentação e ela canta tão ruim como você e uma gralha
–Hã¿
–Ela tá só brincando – completou Spencer – Ela acha tua voz linda e sexy – findou a fala, com a mão na boca, não pudendo conter a risada e Aria também, com sua típica risada elevando levemente os ombros enquanto sentada.
–Essa palavra nunca saiu da minha boca, sua mentirosa de segunda categoria – Emily enquanto dava cócegas em Spencer
Hanna só observava séria com os braços envolvendo os joelhos e coçando o sapato, o que era um cacoete dela.
–Eu só não sou mais barulhenta que a mastigação de Hanna – brincou Aria naturalmente
Hanna corou mas depois cedeu uma gargalhada seguida de um Não sussurrante. E Spencer pegou dos salgadinhos Cheetos e imitou exageradamente Hanna e abriu mostrando o conteúdo da boca, o que fez as meninas gargalharem.
Aria de pronto pegou do violão e começou a tocar uma canção que era uma das favoritas das meninas: Soldier of Fortune, do Deep Purple. Hanna apesar de gostar da banda, nunca parou para prestar atenção direito na letra que era profunda, e nem naquele momento (!). Estava num balão em uma altura distante.
Aria percebeu ao final da reunião como brincava e apesar de tudo não perdia afeto de amiga para com a loira apesar da confusão dos sentimentos.
Hanna estava só a pensar e não conseguia desviar tais ponderações. Tal cena se repetiu no dia seguinte e Hanna só brincava com seus pensamentos como ioiô, porém a paisagem crepúscula do dia anterior dava lugar ao de um dia ensolarado. Chutou uma pedra distraída e acertou um moleque que praguejou palavrões que surpreendeu a loira por ele conhecer uns bens sujos que só adultos pareciam conhecer. Hanna se esqueceu de desculpar e voltou a olhar para a frente, seguindo seu rumo. Quando chegava perto de casa, um moleque gritou: Ei, gostosa! Hanna nessas situações ficaria séria, mas deu uma risadinha. Olhou para cima e viu que Ashley viu aquela cena e tinha rido logo entrou. Hanna abriu a fria maçaneta e olhou a cena de um casal trocando carinho. Hanna só olhou gelidamente para frente e subiu as escadas. Enquanto se alinhava para a escola, uma canção enérgica do Jackdevil se sobrepunha àqueles pensamentos.
Caminhava lentamente mas a celeridade da canção fazia seu corpo tremer. Dava vontade de bater em algo.”Thrash or Die”. Bata ou Morra.
Hanna sentia um misto de raiva e confusão. Na aula, prestou por alguns minutos na fala da professora que discorria sobre a Primavera de Maio. Sempre achou a professora com cara de hippie, daquelas que não tem preocupação alguma e só quer curtir a vida ao máximo, mesmo que esqueça de pentear o cabelo às vezes. Hanna riu internamente, mas logo mudou o humor ao ver Aria prestando atenção. Hanna voltou a face friamente para a professora. Queria pedir esclarecimentos para a morena e falar-lhe de qualquer forma, mas Hanna teme mandar sms. Engraçado que há tantas formas de comunicar, mas Hanna teme todas enquanto Aria teme mais a si, pelo menos é o que Hanna tenta entender
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