Notas iniciais
Oi, gente :) então, eu disse que ia compensá-los pelos dois últimos capítulos e aqui está a compensação haha espero que vocês tenham passado bem a virada do ano e que tenham um bom 2014! Boa leitura! Link para a música: http://www.vagalume.com.br/simple-plan/perfect-world.html

A semana passou de forma rápida. Houveram mais algumas provas e consegui notas boas em todas as matérias. Mas minha maior preocupação mesmo era o jogo de hoje; ele poderia decidir meu futuro. Se nós conseguíssemos, passaríamos para as semi-finais e já estaríamos sob a mira de alguns olheiros de times com certo renome. Tudo estava em jogo ali.

Ganhamos os dois primeiros sets, mas houve uma reação do outro time e perdemos o terceiro. O choque serviu para reestimular o grupo, que após isso fez um belo set, garantindo nosso lugar na semi-final, nos deixando mais próximos da vitória, me deixando mais próxima do meu sonho.

Fomos para o vestiário, como de costume, só que dessa vez havia muito mais gritos e aplausos. Combinamos de nos encontrarmos na pizzaria em uma hora e meia para comemorar. Jessie me deixou em casa e quando eu estava subindo para meu quarto, Louis perguntou:

– Como foi o jogo?

– Meio cansativo, mas nós ganhamos. – respondi sorrindo e ele retribuiu.

– Meus parabéns! – ele disse enquanto me abraçava. Louis não pôde ir ao jogo porque estava trabalhando, assim como minha mãe.

– Você vai sair para comemorar? – foi a vez de minha mãe perguntar.

– Vou.

– OK. Amanhã teremos um jantar em família em comemoração aos meus doze anos de casada com Louis. Chame Jessie e Lauren. E, ah, Hanna, parabéns pelo jogo.

Tomei um rápido banho, sequei os cabelos e fiz uma trança lateral que caía sobre meu ombro esquerdo. Coloquei uma saia preta rendada de babados, uma blusinha de alça na cor salmão por dentro da saia, um scarpin preto e um casaquinho bege, pois apesar de estar calor, ventava um pouco lá fora. Passei uma maquiagem leve e saí procurando a chave do carro pela casa, já que não me lembrava de onde havia deixado. Depois de muito procurar e perguntar se não haviam visto, fui encontra-la no local mais improvável de todos: a gaiola de Lucy.

Fiz uma nota mental para me lembrar de dizer a Tom tomar mais cuidado com ela, pois ela poderia engolir alguma coisa que fizesse mal, e saí, já um pouco atrasada.

Fui cumprimentar todos e recebi vários tapinhas nas costas e elogios do tipo "você fez um bom jogo, Hanna", "ótimo jogo" e "o campeonato já é de vocês, com toda a certeza".

Quando fui cumprimentar Peter, ele disse, me fazendo rir:

– Você se mata durante o jogo e depois saí por aí desfilando com esse scarpin lindo? Hanna, você é minha diva!

Me sentei ao lado de Ben, e ele me beijou.

– Você está linda, Han, como sempre – acrescentou ao final do beijo, me fazendo corar e sorrir em agradecimento.

Estávamos todos conversando quando Lillian, do time de vôlei, disse:

– Não sabia que você estava namorando, Jessie.

– Tecnicamente, não estou namorando – ela respondeu, após uma rápida olhada para David, que estava ao lado dela.

– Espera aí, vamos dar um jeito nisso. Jessie, você aceita namorar comigo? – David propôs, para surpresa de todos à mesa e enrubescimento de Jessie.

– Eu... eu não sei... – gaguejou. Eu entendia a situação dela. Não é que ela não quisesse namorar com ele, ela só era tímida e ser o centro das atenções naquele momento a deixou sem jeito até para aceitar o pedido.

– ACEITA! ACEITA! – alguém começou a gritar, e logo a mesa toda gritava em coro. A mesa toda com exceção de Lauren e Ben, que fingiam estar muito concentrados escolhendo o pedido no cardápio para perceber o que se passava à volta.

– Eu aceito! – Jessie respondeu por fim, com um imenso sorriso no rosto, antes de beijar David.

Todos nós parabenizamos o mais novo casal, com exceção – mais uma vez – de Lauren e Ben. Pude perceber que Jessie também notou isso, pois lançou para Lauren um olhar inquiridor, esperando que ela dissesse alguma coisa, ao qual ela apenas disse “parabéns, felicidades pra vocês”, sem muito interesse ou convicção.

– Você não vai desejar os parabéns? – perguntei em voz baixa para Ben.

– Não, você sabe muito bem que eu não apoio esse namoro.

– Mas pelo que eu saiba você apoia a felicidade da Jessie. Faça isso por ela então.

– Apoio a felicidade dela com outra pessoa. Não vou dizer nada.

– Tudo bem então, você é quem sabe – se ele não queria dizer nada, que não dissesse. O que eu menos queria naquela noite era uma confusão.

– Lindo o momento, mas nós viemos aqui pra comemorar a passagem do time para a semi-final ou o noivado dos pombinhos?

– Ninguém aqui tá noivando, Lauren. — retrucou Jessie.

– Que seja. Vamos pedir ou não? Eu estou morrendo de fome.

Mais ninguém além de mim e Jessie pareceu estranhar o comportamento de Lauren, pois logo começaram a olhar os cardápios. Começamos a discutir os sabores das pizzas que íamos pedir e a quantidade, e depois de uns 15 minutos chegamos a um acordo. Chamamos o garçom e fizemos nosso pedido, o que foi mais uma confusão por causa das bebidas. O garçom pareceu ficar um pouco atrapalhado com tantos pedidos, mas logo tudo se resolve e ele se retirou.

As bebidas chegaram antes da pizza e devido à confusão para pedi-las, o garçom se esqueceu de anotar o suco de graviola que David pediu.

Cinco minutos depois eu avistei o garçom trazendo o suco. Quando ele estava se aproximando da nossa mesa, um homem robusto da mesa ao lado se levantou, empurrando sua cadeira, e o garçom, sem perceber, tropeçou na mesma, derrubando todo o suco em Ben. Ben se irritou muito rápido e começou a discutir com o garçom.

– Você não presta atenção no que faz?

– Desculpa, senhor. Eu tropecei na cadeira sem querer.

– No cursinho de garçom eles não ensinam a desviar de cadeiras, não?? — Ben disse com um tom superior, o que me deixou impaciente. Odeio pessoas que se acham superiores às outras.

– Foi tudo minha culpa. Se eu tivesse prestado atenção ao me levantar nada disso teria acontecido — se interpôs o homem robusto.

– Fica na sua, cara. Ninguém aqui tá falando com você.

– Ben, não adianta discutir. Já aconteceu. Vamos sair daqui. — foi a minha vez de interpor.

– Senhor, mil desculpas. Se o senhor quiser eu posso tentar secar sua roupa. — disse o garçom já pegando um pano de prato e tentando limpar a camisa de Ben.

– NÃO ENCOSTE EM MIM!

– Ei, cara, não grite com o rapaz! — disse o homem com sua voz grossa intimidando até o segurança do local que já estava vindo para interferir na briga.

– Vamos sair daqui, Ben, por favor. — eu comecei a puxa-lo para fora dali.

– Cara, é melhor você ir com a Hanna. — Chris tentou aconselhar Ben, mas pareceu não ter adiantado.

– Eu não vou para lugar nenhum. Eu quero acertar minhas contas com esse rapazinho aqui.

– Senhor, foi um acidente. Sinto muitíssimo por isso.

– Senhor, eu vou ter que pedir para se retirar, a não ser que queria ser carregado — o segurança tentou, mas Ben estava tão irritado que insistia.

– Esse garçom vai ter que pagar pela minha camisa. E por ter encostado em mim também.

O segurança pegou no braço direito de Ben e Chris ajudou pegando no outro e o levando para fora enquanto Ben se debatia e gritava que podia sair sozinho. Eu pedi desculpas para o garçom pelo constrangimento que Ben o fez passar e deixei cinquenta dólares para pagar minha parte e a parte de Ben da conta.

– Ben, é melhor você ir embora agora e tentar se acalmar. — Chris ainda estava lá fora, tentando me ajudar a lidar com Ben.

– Eu vou levá-lo para casa, Chris. Não se preocupe.

– É melhor mesmo, Han.

– Você não sabe o que é melhor para mim! — nada parecia acalmar Ben.

– Eu sou seu amigo e estou tentando te ajudar.

– Eu não chamo de amigo quem me expulsa de uma pizzaria.

– Eu não teria te trazido aqui para fora se você não tivesse feito um escândalo enorme por causa de um acidente. Você fez isso consigo mesmo!

Essa parece ter sido a gota d'água para Ben, pois ele partiu para cima de Chris e deu um soco em seu queixo. Eu não sabia o que fazer. Eu não ia conseguir separar a briga dos dois, eles eram muito mais fortes do que eu. Para a minha sorte, Chris conseguiu se afastar de Ben.

– Qual é o seu problema, cara?? — Chris estava gritando agora — Pra mim já deu. Eu vou lá para dentro. Qualquer coisa você me liga, Hanna.

– Será que agora podemos ir embora ou você quer brigar com mais alguém? — eu estava meio insegura esperando a resposta de Ben, já que ele estava bufando e dando socos no ar enquanto andava de um lado para o outro.

– Como ele se atreve a me tirar pra fora da pizzaria e ainda se dizer meu amigo? – embora falasse comigo, parecia não esperar resposta. Não havia resposta.

– Vamos, Ben. Você precisa ir embora.

– E aquele suco. Tinha que ser daquele tal de David. — ele disse o nome de David com um tom de desprezo. — Nada disso teria acontecido se alguém tivesse dado uma surra nele e o feito entrar em coma.

Dessa vez eu tive que interromper as reflexões dele. Eu tinha que exigir uma explicação dessa atitude infantil do Ben e dessa sua birra com David. Parei em sua frente segurando seus braços. Ele olhou para mim assustado, com cara de quem acabara de voltar à realidade, então eu disse:

– Você está fazendo todo esse showzinho só porque um garçom derrubou suco acidentalmente em você?

– Aquele suco era do David. Você sabe que eu não gosto dele.

– E o que ele tem a ver com o acidente? Aliás, qual é o seu problema com ele? Vocês já ganharam o jogo do time dele, isso não basta?

– Não, não basta.

– Então o que mais você quer?

– Quero que ele nunca mais apareça na minha frente.

– Ben, David nunca fez nada de mal para você. Por que você não para com isso e tenta fazer amizade com ele?

– Eu não vou fazer amizade com ele, Hanna. — Ben começou a gritar — Eu odeio ele!

– Tá, que seja, mas tente pelo menos ter uma relação amigável, vocês não precisam virar melhores amigos. Você não tem nenhum motivo para odiar ele, Ben.

– E você não tem motivos para ficar defendendo ele toda hora.

No mesmo instante que Ben disse isso, ele colocou as mãos na minha cintura e me empurrou com toda a força que ele tem, me fazendo cair no chão.

Eu não podia acreditar. Uma coisa é ele ficar estressado, é até aceitável considerando o temperamento explosivo que ele tem. Mas me agredir? Ele nunca chegou a esse ponto. Era a primeira e última vez que ele faria isso.

O olhar que dirigi a ele demonstrava toda minha incredulidade e nojo com o acontecido, o que fez com que ele subitamente parecesse ter compreendido a situação. O olhar dele passou de raiva para arrependimento e ele veio em minha direção, cautelosamente.

– Hanna, eu não... Ai meu Deus, me desculpe – disse, estendendo a mão para me ajudar.

Recusei a ajuda e me levantei sozinha, indo em direção ao meu carro, mas ele insistia.

– Hanna, por favor, espere! Me desculpe, eu não sei porque fiz isso!

Continuei seguindo, na esperança de conseguir chegar ao meu carro e deixa-lo para trás, mas ele me alcançou, segurando meu braço me fazendo virar de frente para ele.

– Hanna, é sério! Me desculpe, você sabe que eu nunca faria nada contra você se eu estivesse em meu normal?

– E qual é o seu normal, Ben? Porque eu já não sei mais! – explodi. Aquilo estava engasgado na minha garganta e eu precisava colocar pra fora antes que me corroesse ainda mais. – Você bateu no Chris! Seu melhor amigo, Ben, lembra??? Tudo isso por causa de que? De um acidente estúpido! De uma tempestade em copo d’água!

– Você sabe que eu sou explosivo! Eu não consigo me controlar, por mais que eu tente. Mas a gente consegue se resolver conversando, Han. Me desculpa, por favor!

– Eu não quero conversar com você. Não hoje. Não vai adiantar, estamos os dois nervosos. Vai pra casa.- eu disse, me desvencilhando de sua mão em meu braço e indo, finalmente, até meu carro.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até quarta que vem :)