Última Dose de Felicidade

24 Everybody Wants To Rule The World


Notas iniciais
Mil perdões por ter ficado tanto tempo sem postar (de novo). Juro que vou tentar voltar à rotina semanal de postagens :) Link da música: http://www.vagalume.com.br/lorde/everybody-wants-to-rule-the-world.html

Quando cheguei na escola naquela terça feira, senti que algo estava diferente, mas não sabia dizer o que era. Tudo parecia exatamente igual, mas dentro de mim havia uma sensação estranha, que eu não consigo explicar. Atribuí-o à tudo o que eu tinha passado – e vinha passando – nos últimos dias. Era só mais uma sensação estranha no meio de tantas outras. Eu poderia lidar com isso.

Encontrei Lauren em seu armário, ao lado do meu. Cumprimentei-a como de costume. Peguei meu material e fiquei ali com ela, esperando que o sinal batesse ou que Ben resolvesse dar sinal de vida. Mas olhando, em volta, não vi sinal dele ou de Chris. A única coisa que me chamou a atenção foi Ivy e suas amigas, que estavam conversando animadamente, ainda mais animadas do que de costume.

Ivy viu que eu estava olhando pra ela e começou a andar em minha direção, então logo me preparei para mais uma de suas provocações em forma de piadinha, mas para minha surpresa ela não o fez. Ela simplesmente andou até a sala de aula, mas parou por alguns segundos ao passar por mim, apenas o tempo suficiente para se virar e dizer:

– Eu te avisei.

Tá, me avisou o quê? Lauren disse que devia ser apenas mais uma das maluquices dela, e eu concordei. Não estava com a mínima disposição pra ficar adivinhando as charadas sem sentido daquela garota.

O sinal tocou e eu me dirigi à sala. Torci desesperadamente para que aquele dia passasse rápido para que eu pudesse voltar para o conforto de minha casa, para o conforto do meu quarto, para a proteção da minha cama. Ali, os murmurinhos e olhares não chegavam. Ali, éramos só eu e meus fones de ouvido, que ajudavam a afastar os pensamentos. Ali, eu estava segura.

No intervalo novamente Ben não se juntou a nós. Nem mesmo Chris, dessa vez. Resolvi perguntar a Peter se ele sabia de alguma coisa, porque ele sempre sabe de tudo. Já que é colunista do jornal da escola, é seu dever estar informado. Claro que o jornal não era uma revista de fofoca e ele não tinha que colher informações sobre a vida dos alunos, mas ele tinha vários contatos, então esse tipo de informação sempre acabava chegando aos ouvidos dele, sem que ele a procurasse.

– Peter, você sabe onde estão Ben e Chris?

– Não, eu não sei, Han. Mas eles devem estar no ginásio – ele disse, sem olhar nos meus olhos. Depois olhou em volta, como se procurasse por alguém, antes de voltar os olhos para o lanche que estava comendo.

Era uma atitude muito estranha vinda do Peter, mas eu estava achando tudo estranho ultimamente, não estava? Talvez o problema não fossem os outros, talvez a estranha ali fosse eu. Era bem provável que fosse, então não comentei nada sobre isso.

O sinal tocou sinalizando o fim do intervalo e eu me levantei para ir para a sala, dessa vez sozinha, já que Lauren não teria a mesma aula que eu. Ia me dirigindo para a mesma carteira que eu costumava sentar às aulas de Filosofia, quando observei um pedaço de papel cor-de-rosa dobrado sobre a cadeira. Peguei-o e me sentei, já que a professora já havia entrado na sala.

Disfarçadamente, abri o papel que dizia, numa letra redonda e delicada:

“Você e o Ben formam um casal perfeito! Dá pra ver que vocês confiam muito um no outro! Com certeza devem compartilhar todos os segredos! Vocês dois se amam muito! Certo?

Beijos de uma amiga.”

Não entendi muito bem o que aquele bilhete estava insinuando, mas com toda certeza eu ia conversar com Ben para saber porquê ele não atendeu aos meus telefonemas e não deu nenhum sinal de vida.

Passei a aula inteira pensando sobre o bilhete e acabei nem prestando atenção na aula. Só fui perceber quando o sinal do fim da aula tocou, me “acordando” do transe. De toda forma, não adiantou nada me dispersar na aula anterior, pois eu ainda teria que esperar mais uma aula até poder confrontá-lo.

Enquanto me deslocava pela escola até a sala onde teria a última aula acabei encontrando Chris.

– Oi, Chris. Você não foi se sentar com a gente hoje no intervalo – disse, tentando não soar desconfiada, numa tentativa de descobrir alguma coisa sobre Ben.

– Ah, eu estava conversando com Ben... Quero dizer, nós estávamos conversando com o treinador – ele respondeu, com uma voz um tanto nervosa.

– Ah sim... Se você o vir de novo, pede pra ele me esperar na porta da escola hoje, na saída? Eu preciso falar com ele – disse, sorrindo, disfarçando minhas reais intenções.

– Claro, Han! Hm, eu tenho que ir agora! Tchau! – ele falou, saindo apressadamente, e eu me virei para ir até a sala de química, enquanto tentava decidir se todos estavam sabendo de alguma coisa ou era apenas minha imaginação.

Entrei na sala de aula e me sentei com Peter, como de costume. Tentei ao máximo me concentrar na aula, mas todo esforço era inútil. O senhor Richard, nosso professor, perguntou várias vezes o que estava acontecendo, pois eu derrubei vários materiais que estávamos usando. Peter também percebeu que havia algo de errado, mas não falou nada, apenas continuou me ajudando.

Logo que a aula acabou saí correndo para encontrar Ben, mas Peter me parou no meio de caminho.

– Hanna... — ele me segurou pelo ombro, mas eu queria continuar correndo.

– Peter, eu preciso esclarecer umas dúvidas urgentemente! A gente não pode conversar depois? — tentei ser o menos rude possível.

– Eu preciso te contar uma coisa que você ainda não sabe. Eu tenho certeza que suas questões podem esperar.

– Então fala, Peter. Porque aparentemente todo mundo está sabendo de alguma coisa que eu ainda não sei e isso está me deixando maluca!

Não dava mais para tentar não ser rude com Peter. Ele sabia de alguma coisa que eu não sabia e provavelmente já estava sabendo na hora do intervalo, por isso estava agindo estranho. Por que ele não me contou antes?

– Vamos para um lugar mais reservado — ele tentou me guiar para perto da estante de troféus, não havia ninguém lá.

– Pode me falar aqui mesmo, Peter — todas as pessoas que passavam estavam olhando para mim e para Peter, mas eu estava tentando ignorar. Tudo o que eu mais queria era saber o que Peter tinha para me contar. – Todo mundo já deve estar sabendo de todo jeito.

– Ok, já que você insiste... — ele olhou no fundo dos meus olhos, transmitindo um sentimento de compaixão, me dizendo com o olhar que o que ele tinha pra me dizer não era fácil de se ouvir, e falou com uma voz muito baixa, para que apenas eu ouvisse: — O Ben transou com a Ivy.

Um sentimento de raiva misturado com agonia e nojo tomou conta de mim. Das milhares de coisas que passaram pela minha cabeça quando eu tentei imaginar o que estariam me escondendo, nenhuma chegou nem perto.

Eu provavelmente fiquei pálida ou com alguma expressão preocupante porque Peter agarrou minha mão e saiu em disparada comigo pelos corredores, em direção à sala de leitura, ninguém nunca ficava lá. Ele abriu a porta e só quando me colocou sentada numa cadeira eu percebi que em todo o trajeto eu tive lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

– Hanna! — ele segurou meu rosto com as mãos e só então eu voltei à tona. Eu comecei a soluçar enquanto chorava. Abracei meus joelhos e ignorei todo o mundo ao meu redor.

Fiquei naquela posição por um longo tempo, até que resolvi me levantar. Eu já estava cansada de chorar. Peter se levantou também e ficou olhando para mim.

– Eu vou embora. Obrigada por ter me contado.

– Você não pode dirigir nesse estado, Hanna. Eu te levo pra casa.

– Eu estou bem, Peter. De verdade. Agora, por favor, me deixe ir.

– Tudo bem — ele me abraçou. — Qualquer coisa me liga.

Saí da sala de leitura, fui até o estacionamento, onde só tinha meu carro e a minivan de Peter, e depois fui até a casa de Ben. Eu não sabia o que ia encontrar lá, ou como ia reagir diante dele, mas eu precisava fazer alguma coisa. Mas, ao chegar lá, seu carro não estava na garagem. Resolvi arriscar e tocar a campainha pra ter certeza, mas a mãe dele me disse que ele não havia chegado em casa.

Voltei para o meu carro e fiquei lá, parada, pensando no que fazer. Ben não poderia se esconder para sempre, mas eu estava impaciente demais para esperar até que ele viesse me procurar, sem fazer nada. Foi então que eu liguei o carro e me dirigi ao único local onde eu poderia achar algumas das respostas que eu precisava: a casa de Ivy.

Estacionei o carro do outro lado da rua e fui até a porta. Respirei fundo, criando coragem, e então toquei a campainha. Esperei um pouco, mas ninguém respondeu. Toquei novamente, e nada. Toquei mais uma vez e já estava quase desistindo e indo embora quando ela abriu a porta. Ela parecia bem feliz, mas quando me viu, seu sorriso deu lugar à uma completa cara de surpresa.

Eu estava prestes a começar a fazer todas as perguntas que estavam na minha cabeça, mas no momento em que abri a boca, nada saiu. Isso porque, através de Ivy parada na porta, eu podia ver um pequeno pedaço da sala de estar. E lá, deitado sem camisa no sofá de couro, estava Ben.

Notas finais
Espero que tenham gostado :) até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.