Ônix
5 Capítulo II - The Funeral
Notas iniciais
Capítulo II — The Funeral
Os dias seguintes são como um borrão em minha memoria, meus pais chorando, familiares chegando de todos os lados para um enterro sem corpo. Pessoas que nem haviam conhecido meu irmão pareciam brotar de todos os lados.
Por onde eu passava ouvia os pêsames pela morte do Tyler, sorrisos forçados e abraços falsos pareciam estar em promoção, os recebia tanto que já nem sabia dizer quais eram reais.
O funeral e o enterro são as partes que melhor ficaram gravadas na minha mente, talvez por serem os momentos mais lúcidos que tive durante todo aquele período. Quando me obrigaram a falar sobre o Ty, na frente da igreja, que continha pessoas que nunca nem haviam trocado uma simples palavra com ele, nunca vou esquecer da raiva que senti naquele instante.
O pior dia a se viver, é quando percebe que alguém que amamos não esta mais lá, quando descobrimos que não poderemos sentar e conversar horas sobre coisas estúpidas, quando sua voz começa a desaparecer para sempre e tudo o que resta é um vazio em sua vida que não pode ser preenchido.
As pessoas choravam o tempo todo, mesmo aqueles que não deviam fazer ideia de por quem chorava. Recebi inúmeros cumprimentos pelo discurso, pela forma poética em que falei e sobre coisas que não fiz questão de prestar atenção.
Durante todo aquele tempo não derramei uma só lagrima, permaneci fria e calma, o que era estranho já que nós dois éramos muito próximos, verdadeiros irmãos. A psicóloga insiste em dizer que eu estou em negação, que não quero admitir para mim mesma que ele morreu, o fato é que, eu sei que ele não morreu, não posso explicar como, apenas tenho essa certeza em minha alma.
O enterro foi terrível, como enterrar alguém sem o corpo? Sem a principal prova de sua morte? Apenas uma lápide foi colocada nos campos verdes do cemitério, fiquei o mais distante o possível durante todo o tempo em que as últimas palavras eram ditas e as pessoas começavam a voltar para suas vidas normais, já se permitindo esquecer de tudo aquilo, da perca, da dor.
Já escurecia quando as pessoas começaram a deixar o cemitério. Eu fiquei um pouco mais, pedi para que me deixassem sozinha e depois de quase meia-hora de insistência de que estava bem e que só precisava de um tempo, todos já haviam ido.
Mas não antes de me fazerem prometer não demorar muito a voltar, afinal, não havia sido fácil para nenhum de nós.
Me sentei na grama em frente a sua lápide de mármore branco, pálido contra a pouca iluminação do cemitério.
Tyler Becrole filho, irmão e amigo querido, para sempre em nossos corações.
Assim que li a frase esculpida na lápide quase comecei a rir, se ele estivesse ali com toda a certeza teria rido, era tão clichê que chegava a ser, de certa forma, cômico. Tyler era muito mais que aquilo, poucas palavras jamais seriam capazes de descreve-lo.
Respirei fundo fitando a pedra a minha frente, sem saber o que fazer, o que dizer, esperando algum tipo de sinal, qualquer coisa.
—Gostaria de saber onde você está — falei em um sussurro, o silêncio fazia minha voz parecer mais alta e fria do que realmente era — sei que não está morto, não posso provar, mas eu sei, de alguma forma eu sei.
A noite estava quieta, sem os costumeiros sons, apenas o vento e a lua cheia, um uivo cortou o ar, próximo de mais, havia um tipo de tristeza, quase como um choro na voz do lobo, ao invés de sentir medo pela presença do animal, apenas fitei a escuridão tentando encontra-lo.
Mas o brilho da lua e dos poucos postes não era o suficiente para iluminar as árvores ao redor da clareira, seria impossível vê-lo.
—Queria que pudesse ver a lua — ergui meu olhar para o céu estrelado, contendo algumas poucas nuvens finas que deixavam tudo com uma aparência ainda mais perfeita — por algum motivo adorávamos fazer isso, porque paramos Ty? Porque você desapareceu?
Outro uivo triste cortou o silêncio da noite, era quase como se o lobo estivesse de alguma forma querendo me responder. Pela primeira vez naqueles últimos dias eu me senti bem, de certa maneira, não saberia explicar o motivo, olhar para a lua era de certa forma reconfortante, trazia memorias de tempos distantes e mais simples.
Admirei o céu por mais alguns instantes antes de finalmente me levantar, encarando a lápide uma última vez antes de seguir em direção a saída e depois para minha casa, jurando para mim mesma que eu iria descobrir o que havia acontecido.
Custasse o que custasse.
Apertei a lua de ônix em minhas mãos, ainda sem desgrudar os olhos do céu, havia algum tipo de significado nisso, não podia entender ainda, mas aquela promessa levaria tudo a um novo rumo, não exatamente o que esperava encontrar, mas de certa forma me levando ao caminho que devia seguir desde o inicio.
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