Ômega
2 M.
Notas iniciais
Foco na estrada, não em seus pensamentos idiotas.
Maddox Ziegler sentia como se estivesse andando sobre uma passarela de poucos centímetros de altura acima de um poço com crocodilos famintos, seguido de um carrasco sinistro com uma lança pontuda às suas costas. Acelerou, o barulho do motor da moto nunca falhou em acalmá-lo, porém foi repreendido por uma buzina irritada. Estendeu a mão como um pedido de desculpas.
A passarela em questão era a estrada, o carrasco e os crocodilos, sua mãe dentro da Range Rover do novo namorado. Ele bufou.
Ambos seguiam caminho rumo ao seu primeiro dia de aulas em um lugar novo, sua mochila nas costas, os guidões da moto às mãos com mil coisas na cabeça exceto um capacete. Tentava ao máximo se concentrar mais no vento lambendo suas bochechas e rugindo em seus ouvidos do que no alto barulho da buzina do maldito carro atrás dele. Maddox havia sugerido para ela ir na frente, assim ninguém se incomodava com o barulho, porém a mãe, com o tom gélido que já lhe era familiar, expressou seu descontentamento com a possibilidade de o filho arranhar o carro ou fugir. Assim, Lilian o seguia e direcionava (duas buzinadas para esquerda, uma para a direita) para um internato que parecia ter como principal objetivo cortar os alunos de qualquer contato familiar. Obedeceu às direções quando ouviu uma buzina rápida, que indicava virar a última direita. Assim que o fez, a vista quase o fez cair da moto.
O lugar era imponente e pomposo, a reencarnação de Luís XIV como um edifício. O ar de tradicionalismo do castelo em movimento criava borboletas com asas enormes de ferro em seu estômago. Seus tijolos eram centenários, talvez milenares, mas a construção era forte e parecia que duraria mais tempo. A sua estadia também prometia parecer uma eternidade. Quando Maddox realmente perdeu o equilíbrio, tirou seus olhos do castelo e voltou a focar no caminho.
A dupla direcionou seus veículos para o estacionamento, seguindo as placas minúsculas. O garoto por um minuto indagou se a mãe sentia algum remorso de jogá-lo para os lobos. Ambos estacionaram e o maldito carro buzinou novamente, a motorista com pressa.
Nenhum pingo de culpa sequer. Maddox pensou, descendo da moto e se direcionando para o porta malas do carro. Recolheu a única mala que tinha, outrora usada em seu primeiro dia de aula na escola primária, na época em que ainda sentia amor familiar. Puxando a sua mala, os barulhos das rodinhas no asfalto estranhamente reconfortantes e nostálgicos, pretendia seguir caminho para a entrada do lugar, até ouvir o barulho do vidro do carro descer.
— Edward e eu vamos viajar hoje. Qualquer tentativa de ligação será inútil. — Disse ela, por trás de óculos caros que a faziam parecer uma mosca.
Antes que pudesse responder, Lilian já movia o carro para longe, sem ao menos uma despedida. Maddox observou o carro desaparecer a distância, olhou para o castelo que parecia ter sido construído em cima de um cemitério de nobres, deu de ombros e pegou o panfleto azul com o mapa do lugar em sua mochila, folheando ele enquanto ia para a calçada.
A hipótese do cemitério acabou se tornando mais plausível quando ouviu passos, mas não viu o dono dos pés. O som de uma voz ecoava pelo estacionamento, em um constante lamento, até que os passos cessaram. Ele se perguntava qual aparência o fantasma teria, enquanto olhava em volta. No canto encontrou uma aluna de pele morena, longos cabelos pouco mais escuros, usando um colete azul como seu panfleto com um crachá, muito longe para ser lido. Ela estava sentada de lado com a cabeça baixa, soluçando tanto que os óculos de grau de armação redonda em suas mãos balançavam. Houve um minuto em que Maddox refletiu sobre ajuda-la, mas decidiu o contrário, afinal não haveria nada que ele pudesse oferecer a uma desconhecida. Assim, levantando a mala para não fazer barulho e evitar assustá-la, seguiu para o portão.
Ω
Assim que chegou em uma distância segura da garota, Maddox voltou a arrastar a mala, observando as informações no panfleto. Na primeira página, estava em fontes grandes: Instituto Ômega em baixo, o lema da escola “Remodelando personalidades”. Dentro, havia um enorme mapa do instituto, indicando quais eram os prédios de aulas e as torres de dormitórios. Notou que a torre de dormitório masculino era no extremo oposto da feminina. Chegou ao portão de ferro, que era enorme e carrancudo, como se um gigante mal-humorado morasse no castelo e fosse o guardião de um tesouro. No centro do portão havia a letra Ômega, em dourado, e no centro da letra, a campanhia. Maddox a tocou e voltou a observar sua grade curricular no panfleto.
— Cuidado — uma voz o fez pular, olhou para o lado do portão e viu um homem, com barba enorme, vestindo o que um dia foi uma camisa e calça social, moscas pairavam em volta, olhando para seus olhos fixamente. — Esses muros são perigosos, você e a garotinha não estarão seguros nele.
Maddox automaticamente olhou para os lados, para se certificar que não havia alguma garotinha agarrada a ele, não havia ninguém, como suspeitado. Olhou de volta para o homem e seus olhos pareciam saber de algo que ninguém deveria saber.
Antes que pudesse responder qualquer coisa, os portões se abriram. Ele se sentiu salvo de uma situação constrangedora no último segundo, então apressou-se para entrar sem fazer contato visual com o homem sentado.
Ω
Entrar no castelo foi como ser engolido pelo gigante, sua úvula era um enorme lustre de cristais que pendia no teto do hall de entrada. Quanto mais Maddox adentrava as entranhas do internato, mais via as intenções do gigante: fazer a digestão completa de alunos até o fim do terceiro ano.
Fixando o olhar em sua grade curricular, pretendia se tornar alheio às vozes que se avolumavam à sua volta. O pátio onde o mapa indicou entrar estava movimentado, era um grande salão circular a céu aberto com saídas para múltiplos corredores, de onde saía um contínuo fluxo de pessoas, como um formigueiro humano apinhado de hormônios em excesso. Três bandeiras azuis e brancas ondulavam no centro, penduradas no que parecia ser o prédio de aulas, com a letra grega ômega estampada no centro. Sentiu vários pares de olhos o observando, porém manteve a cabeça baixa, querendo o mais rápido chegar em seu maldito quarto. Sua caminhada acabou no centro do pátio, onde parou virando o mapa de ponta cabeça e de volta ao normal, procurando a direção de sua torre.
— Oi, gatinho — uma voz fina chamou ao seu lado. — Você é um rosto novo.
Maddox arqueou as sobrancelhas. Percebeu pelo meu rosto, pela minha mala, ou por eu estar freneticamente procurando onde ir? Levantou o olhar para ver quem o chamava.
Ela usava um salto rosa do tamanho de uma régua escolar, saias pouco mais claras e uma blusa branca. Tinha longos cabelos pretos e uma boca enorme que parecia ter tido influencias de substâncias químicas, a quantidade de maquiagem era estranhamente exagerada para um dia escolar. Ao fundo, ele viu um grupo de garotas com a mesma blusa branca, apenas saias e sapatos de cores diferentes, sorrindo para sua direção e cochichando entre si. Voltou a olhar para a garota que o dirigia a palavra, que agora estendia a mão. Apenas sorriu em resposta.
A menina abaixou a mão, notavelmente abalada, porém sacudiu a cabeça e retomou a pose, sorrindo.
— Meu nome é Regina, qual é o seu?
Ele voltou a olhar para o mapa
— Ma-
— Legal. Quer ajuda? Posso te levar onde quiser — era inevitável notar a malícia em sua voz.
Arrumou sua jaqueta e sondou os arredores novamente. Ele só queria um lugar para se isolar, ele precisava de um tempo sozinho para encarar a nova realidade onde foi jogado. Encontrou um garoto usando a mesma jaqueta azul da menina do estacionamento, porém agora conseguia ler o que estava escrito: MONITORIA. Finalmente.
— Acho que me encontro sozinho, obrigada pela oferta. — Suspirou.
Regina pareceu chocada por um minuto, depois seus olhos arderam em raiva e ela bateu o pé, se virando para o grupo, reação que quase fez Maddox cair aos risos. Arrastou sua mala em direção ao monitor, sem baixar a cabeça essa vez
— Meninas, só o rosto é bonito, quando abre a boca é uma decepção... fui me apresentar e ele praticamente já me chamou para sair, acreditam? — Conseguiu ouvir Regina fofocando enquanto se aproximava do monitor. Pelo menos Maddox achou um pouco de diversão em sua tarde horrível.
— Com licença— cutucou o ombro do monitor — Estou meio perdido, não consigo achar a torre que tem os dormitórios, você poderi-
— Que curioso, um aluno novo no meio do semestre...— o monitor franziu a testa de seu rosto sardento, mexendo em seus cabelos ruivos. Maddox não disse nada em resposta, o que fez o monitor olhar para seus olhos, constrangido — Claro, eu te levo lá. É só me seguir. Antes que me esqueça, sou Derek— ele continuou sua fala e começou a andar.
Ω
Se Maddox tivesse algo bom para dizer sobre esse lugar, definitivamente ele era surpreendente.
Seguia Derek para a entrada da torre, tendo que tomar cuidado para não deixar sua urgência de absorver todos os detalhes o fazer quebrar o pescoço. Épicas batalhas eram narradas em vitrais instalados pelas paredes, tão vívidos e brilhantes que era extremamente difícil desviar os olhos. O novo aluno não deixou de perceber o quanto isso seria uma armadilha para alunos avoados iguais a ele, que mal conseguia prestar atenção nas instruções do ruivo.
— Café da manhã, almoço, e jantar, são todos em horários rigidamente controlados, presentes em seu panfleto e.…oi?
O monitor já estava muitos passos na frente dele quando Maddox parou para observar um vitral específico. Sua palheta de cores era interessante, tons de amarelo e vermelho representavam o céu e tons mais escuros, como marrom e verde profundo, apareciam como chão. Ajoelhado no canto da extrema direita havia um homem, com as mãos para o céu, os olhos para o chão, com um rosto desenhado melancolicamente. No canto da extrema esquerda havia um borrão encapuzado escuro, com uma foice prateada a mostra.
— Desculpe — a voz de Derek estava ao seu lado agora, o que o fez sair do transe. — Nunca perguntei seu nome.
— É Maddox. — Disse, envergonhado por ter se distraído. Os dois voltaram a andar, seguindo para as escadas.
— Os andares são por ordem alfabética. As letras KLM ficam no quarto andar. — Explicou, tentando ao máximo distrai-lo dos vitrais. — Atrás da sua grade horária tem o número e chave do seu quarto, no bolsinho do panfleto. Veja.
— Número 78. — Disse baixinho.
— Será no final do corredor. Te levo lá. — Ele espiou para trás para garantir que tinha sua atenção. — Os quartos não são ruins, não tem porque se decepcionar.
Se o monitor não tivesse uma aura tão sóbria, seria possível rir da aparência que tinha naquele uniforme, parecendo uma versão modernizada do clássico soldadinho de chumbo. Seus passos eram contidos, como se em volta dele houvesse um quadrado invisível, por onde tropeçava vez ou outra. Deixou Maddox passar na frente quando alcançaram o terceiro andar e passou a segui-lo, fazendo tec tec com seus sapatos pelos caracóis que eram as escadas da torre, passando por tapeçarias coloridas que cobriam quase totalmente as paredes dos corredores do quarto andar, quando finalmente chegaram ao final do corredor, abriu a porta, um pouco nervoso.
O quarto, diferentemente de tudo que ele tinha visto até agora, tinha uma combinação de cores nem um pouco surpreendente, a iluminação não era nociva aos olhos e havia uma escrivaninha enorme no canto. Sobre a cama havia um lençol azul esticado, sem ruga alguma como se tivesse sido passado umas dez vezes; por cima de seu travesseiro, estava um cobertor verde-esmeralda. Tudo estava tão organizado que dava náusea, Maddox segurou o instinto de bagunçar a roupa de cama e arrancar aquelas cortinas pesadas que cobriam a janela (sem nenhum desenho interessante dessa vez). Se aproximou delas e abriu, dando de cara com uma janela cheia de barras de ferro. Curioso, já que na altura que estavam se alguém pretendia se esgueirar por fora, encontraria uma missão suicida.
— Caso pareça que as paredes estão se fechando. — Derek disse, encostado no batente da porta. — Temos terraços nas torres. A gente se vê por aí. — Ele sorriu em despedida e saiu do quarto, fechando a porta.
Maddox suspirou e jogou a mochila na cama. Folheou a grade horária e notou que estava atrasado para única aula do dia, paciência, pensou, ele tinha acabado de chegar então ninguém ia sentir falta. Refletiu sobre o terraço que seu monitor havia falado, colocando as mãos no bolso. Lá, teve uma surpresa que seria o equivalente a achar o bilhete dourado.
Um maço de cigarros.
Ω
O terraço era um labirinto de árvores tortas, flores mortas e estatuas medonhas de anjos que pareciam chorar, Maddox se sentia na obrigação de manter os olhos bem abertos para captar cada detalhe, o padrão dos ladrilhos no chão e a vista à sua frente, onde podia ver todo o internato de cima. Não arriscou se aproximar da beirada já que não conhecia muito bem a reação de seu corpo a lugares muito altos. Encostou-se na parede de costas para o labirinto.
Risadas abafadas vieram de trás de um arbusto particularmente mais cheio e alto que os demais. Maddox instintivamente começou a recitar em sua mente um exorcismo em latim que viu uma vez em uma série de televisão. Não que ele acreditasse naquelas besteiras, mas precaução não mata ninguém. As risadas cessaram e indagou se foi resultado dos versos que proferia mentalmente e ao virar não viu ninguém. Concluindo que o monte de mato não estava possuído, tirou o maço do bolso, abrindo para ver o último cigarro do pacote.
Vá em paz, amigo. Posicionou-o entre os lábios e buscou os outros bolsos por um isqueiro, o encontrando no bolso da calça. Calmamente o aproximou do cigarro.
— Oi— uma voz animada cortou o silêncio que Maddox precisava. Ele se virou para a direção da voz, o cigarro ainda apagado, e deu de cara com um garoto pálido de cabelos amarelos se encostando na parede, bem ao seu lado, provando que o exorcismo não serviu para impedi-lo de se deparar com assombração, esse sendo um fantasma amigável demais, com um sorriso largo demais. Logo atrás dele, Derek abotoava a camisa, abrindo a porta de saída tentando passar o mais despercebido possível. O sorriso do menino a sua frente aumentou, o que fez Maddox franzir a testa.
— Meu nome é Enoch, nunca te vi por aqui, você é novato? Ah legal.— Ele tomou o mapa de suas mãos e o cigarro da sua boca, o aproximando da chama do isqueiro, quase fazendo com que Maddox começasse um incêndio com sua reação exasperada. Começou a ler.
— Maddox? Que nome engraçado. Bem, você já ouviu o meu e também é bem curioso, mas mesmo assim... — o loiro parecia uma metralhadora de palavras. Colocou seu cigarro na boca e tentou tomar um trago, mas engasgou feio, e devolveu o cigarro para ele, o que fez Maddox rir.
Até lembrar que era o último cigarro.
— Então, o que te fez parar aqui? Por que eu...-
A partir desse momento qualquer palavra proferida pelo loiro lhe pareceu russo, e passou a assentir positivamente para qualquer pergunta. Ele precisava de um minutinho de paz, de um único trago para se sentir melhor. Porém ele não fazia ideia de onde aquela boca passou, e não fazia questão de descobrir. Jogou o cigarro no chão e pisou, refletindo sobre fumar fósforos para se acalmar a partir de agora.
Voltou sua atenção para o loirinho assassino de rolinhos de tabaco inocentes.
— Cara...— ele disse, estendendo a mão que Maddox com um pouco de ressentimento apertou. — Você é um bom ouvinte. Parece-me o início de uma grande amizade.
Só teve um balançar de ombros como resposta, mas sorriu mesmo assim. Enoch olhou para seu relógio.
— Bom, dever me chama, sabe como é, sexta-feira têm muita gente livre para se divertir. Eu vou te encontrar mais ainda pelos corredores, quero saber sua história. — Ele piscou para Maddox. Seria um flerte? Isso era novidade, nunca havia sido flertado por outro garoto, coisa que o deixou surpreso e secretamente lisonjeado. — Vou te deixar aí em paz para fumar.
Refletiu sobre xingá-lo, mas a porta já havia se fechado.
Ω
Uma vantagem de seu quarto era que a cama realmente era tão confortável que ele conseguiu tirar um cochilo, para ela poder se bagunçar um pouco antes do jantar. Quando acordou, ainda estava de luto por seu falecido cigarro, entretanto sentia fome.
Os avisos do panfleto nada indicavam se a ocasião do jantar era formal, mas Maddox se sentia malvestido da mesma maneira, o que era um pensamento estranho vindo dele.
O salão de jantar era quadrado, tomado por quatro mesas verticais compridas para os alunos, cobertas por longas toalhas azuis com o símbolo do instituto bordado. Havia uma mesa específica para os professores, horizontal, que era maior e ficava sobre um ponto mais elevado do chão ladrilhado da sala.
Os vitrais das paredes eram melancólicos sem a luz do sol, porém ele não deixou de ver beleza neles. Foi para o fim da sala pegar a sua comida para depois encontrar algum lugar calmo para sentar-se. Já com sua bandeja cheia de macarrão com molho duvidoso, escolheu sentar-se no canto da mesa central, onde ninguém estava sentado. Na mesa em sua frente, as amigas daquela garota que havia se jogado nele, Regina, supunha estavam sentadas, pareciam perdidas sem ela por lá, entretanto a fofoca não parecia cessar.
Devido aos olhares que recebia de uma hora ou outra, Maddox percebeu que era dele que as garotas falavam, então passou a prestar atenção. Concentrou-se tanto que não percebeu a assombração de hoje cedo se instalando ao seu lado.
— Oi — Enoch cochichou.
Maddox pulou e levantou a faca automaticamente
— Ai merda. — Exclamou. Quando viu o mesmo sorriso de mais cedo, deu-lhe um olhar repreensivo enquanto abaixava a faca, lutando para afastar pensamentos como apresenta-la ao novo amiguinho — Você tem que parar de achar que eu sou uma garotinha sonsa de filme de terror e se enfiar do meu lado sem aviso. — Pediu, falando mais baixo.
O loiro não conseguia conter o riso.
— Desculpe — riu. — Mas olha só quem tem cordas vocais.
Um grito extremamente agudo e desesperado cortou o ar da noite, e o salão inteiro caiu em silêncio. Maddox olhou para frente e notou uma menina faltando, a que usava saia azul. Roboticamente, alunos e professores começaram a levantar, se apressando em direção ao pátio e os sons dos gritos.
Enoch e Maddox trocaram um olhar antes de se levantarem.
Quando chegaram, o pátio já estava cheio, a garota, que ainda não tinha nome para ele, estava provavelmente o mais histérica que esteve em toda sua vida. As pessoas à sua volta demoraram um pouco para notar o que estava de errado, até que olharam para onde saias azuis apontava, no prédio principal. Pendurado pelo pé na bandeira do Instituto havia um corpo de olhos abertos, porém vazios, que Maddox reconheceu pelos longos cabelos cor da noite.
Regina.
O pano azul mexendo à sua volta por causa do vento a fazia parecer uma borboleta saindo do casulo pela primeira vez, porém, com as asas quebradas.
O pátio explodiu em prantos e exclamações de surpresa, as garotas de antes pareciam estar no meio de uma performance, desmaiando uma a uma, caindo como peças de dominó. Maddox sentia os olhos de Enoch sobre ele, com certeza relembrando o seu comentário sobre garotas em filmes de terror. Não pode ser negado que o aluno novo estava tão chocado quanto os outros, mas ele reparou em um pequenino detalhe, que ninguém conseguiu no meio da confusão.
A pequena janela, que tinha tamanho suficiente só para passar um corpo esbelto e não muito grande como o de Regina, emitia uma fraca luz amarela, falhando aos poucos. Foram por míseros segundos, mas Maddox tem certeza do que viu antes da luz se apagar por completo.
Um borrão preto em movimento.
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