Énas Állos Kósmos

3 Capítulo 3 - A Descoberta [Parte Final]


Notas iniciais
Desculpem a demora, ae está. Ah! E respondendo a uma pergunta. É grego, quer dizer Um Outro Mundo. ^^

Lillian se sentou no sofá branco da sala e chamou com a mão a gata que se encontrava deitada ao pé da escada. Ela andou lentamente até a dona e pulou com agilidade em seu colo.


– Onde está Lila, Luna? – ela indagou a gata, que apontou a cozinha – Lila! Venha aqui! – a idosa bradou, chamando a criaturinha.


Logo um brilho sutil saiu voando pela porta da cozinha, era difícil saber o que estava dentro daquela cobertura cintilante, mas Enrique tinha certeza absoluta do que se tratava.


– É a fada do meu quarto! – ele disse, apontando para ela e depois olhando pra Lillian – não me diga que é sua?


A anciã deu uma risada forte e assentiu, chamando com os dedos e fazendo-a pousar em seu ombro.


– Lila é uma Fada Eiou, espécie pouco acostumada à luta e muito gentil. Costumam ser utilizadas como fadas de campainha por seu instinto de amizade e generosidade, por serem pequeninas e por adorar entreter seres, inclusive humanos. A infelicidade é que, como a maioria dos seres mágicos, elas não gostam muito das cidades, tão barulhentas, sujas e cheias de humanos grandes e perigosos. Mas Lila é bem esperta, não é Lila?


O serzinho soltou um de seus guinchos esganiçados característicos. Lillian deu um sorriso e depois direcionou o olhar a Enrique, agora mais séria.


– Sente-se, por favor, Enrique.


Ele assentiu e se sentou no sofá a frente de Lillian. Nicholas sentou-se do lado de Lillian e puxou Luna para seu colo, esta seguiu sem relutar para um novo colo quentinho para se aninhar. Enquanto isso Marcos e Susana continuavam lá. Lillian os fitou.


– Se preferirem podem se sentar, Susana e Marcos.


– Ah! Claro, claro! – e os dois se sentaram junto ao filho.


Lillian olhou para Nicholas e sorriu.


– Nick, eu conto sobre A Natureza, já que sei mais sobre toda a história e você conta sobre as características dos Herdeiros, tudo bem?


– Aham – ele disse, sorrindo para ela e depois para a gata branca em seu colo.


– Pra começar Enrique, qualquer dúvida pode me interromper e indagar que eu responderei o que souber, ok? – o garoto assentiu e ela começou, depois de um pigarreio – desde tempos e eras imemoriáveis que existem seres mágicos. Estes coexistiram com os humanos durante milênios. Em diversas culturas, épocas e locais afloravam feras e seres, alguns semelhantes a humanos, como elfos e anões, monstros que se assemelham a seres já conhecidos, como a famosa quimera, o Cérbero – nesse momento Enrique levantou a mão e Lillian sorriu, permitindo que ele falasse.


– Todos os seres mágicos citados em todas as culturas existem realmente?


– Bem, nem todos, mas a grande maioria sim. Desde a mitologia escandinava, celta e nórdica, á grega, romana, egípcia, asteca, maia, brasileira, africana, indiana e etc. Prosseguindo, todos estes seres existiam junto aos humanos, estes ainda tendo a capacidade de vê-los. Mas então surgiu a “Época do Meio”, era que separou quase que definitivamente os humanos dos seres míticos. A Era Medieval é conhecida por ter muitas histórias de dragões, elfos e outros seres. Mas na verdade foi a época onde eles mais sofreram. A partir do século XV ou XVI a Igreja Católica da época passou a perseguir tudo que fosse relacionado a magia e misticismo. Mataram muitas pessoas que nem sabiam que magos existiam, como parteiras e mulheres que faziam chás medicinais, mas também mataram muitos magos e feiticeiros. A situação estava mesmo crítica, tudo que existe de místico, mágico, sobrenatural no mundo estava sendo caçado e morto. Duendes foram exterminados, elfos foram mortos, até vampiros eram exterminados – Enrique levantou a mão, mas antes que falasse algo Lillian já respondeu sua pergunta – sim, vampiros também existem, em diversas espécies, inclusive. A situação estava tão grave que o alto conselho de magia, com os maiores magos da época se reuniu, buscando uma solução. O local escolhido foi a ilha de Chipre ao sul da Turquia, no ano de 1499, aos 31 de dezembro deste mesmo ano. Eles escolheram essa data, óbvio, especialmente pela passagem de ano, segundo diziam lendas, durante a passagem de século ocorreria uma sobrecarga de energia mística e um dos locais onde a energia poderia transbordar de maior forma seria a ilha. Eles aguardaram ansiosamente e então, em um gigantesco templo secreto, se reuniram vinte e um magos poderosos. Discutiram por três dias o que fariam e então decidiram: iriam invocar uma das mais poderosas energias do universo: A Natureza. Ela é uma espécie de energia cosmo-mística. Tão leve e fraca que seu toque nem pode ser sentido por uma teia de aranha, tão pesada e forte que poderia arrastar com brutalidade o sistema solar integralmente através de todo o universo a uma velocidade absurda. Tão abstrata que poderia atravessar o sol sem nada mudar dele, tão física quando uma barreira de milhares de quilômetros de espessura feita de diamante contida em apenas meio centímetro de toda sua dimensão. E então eles o fizeram, durante e passagem do milênio eles o fizeram. A energia tombou sobre a ilha de forma absurda, fez-la tremer toda, multiplicou em cem toda a energia mística do momento. Atingiu cada um dos vinte e um magos e tomou seus corpos em uma energia desconhecida e poderosa. Eles criaram uma magia poderosíssima, tão poderosa quando A Natureza apenas seria capaz de fazer. Eles invocaram aquele poder e criaram a Naturalidade, algo que faz com que todo ser mágico seja invisível, inaudível e intangível a todo e qualquer humano, menos a um grupo seleto deles, os Herdeiros. Bem, agora passo a palavra a Nicholas, ele adora falar sobre os Herdeiros.


Nicholas sorriu descontraidamente e acariciou a gata que já dormia em seu colo.


– Bem. Algo ainda precisava existir para manter o equilíbrio presente na Naturalidade e manter os naturales, nome que se dá a todo ser sob o efeito da Naturalidade. Os Herdeiros têm qualidades únicas. Inicialmente poder enxergar os naturales. Mas, como são descendentes do poder dos Eicósenas, como são conhecidos os vinte e um magos reunidos na Ilha de Chipre, todo Herdeiro desenvolve... habilidades especiais. A sua mãe pode ver através de locais, a Lillian tem uma estranha habilidade psíquica e eu posso assumir formas de pura energia – Enrique parecia gostar muito dessa última parte.


– E meu pai? – ele indagou.


– Ãhn... bem, seu pai Rick...


– Ele não é um Herdeiro?


– É... mais ou menos...


– Seu pai é um bastardo Enrique – disse Lillian de supetão e viu como o garoto demonstrou confusão – bastardos são os filhos de Herdeiros com humanos comuns, alguns desenvolvem habilidades, outros não, mas grande maioria poder ver os naturales. Seu pai está nesses todos, mas também no cinquenta por cento que não desenvolve habilidades.


Enrique assentiu, demonstrando que entendia o que eles haviam dito. Mas então ele se deu conta de algo.


– E eu? Qual o meu poder? Eu tenho um, não é? – ele parecia razoavelmente preocupado com a possibilidade de não desenvolver habilidade alguma, mas logo Lillian lhe acalmou.


– Oh! Sim, sim. Você, com certeza, desenvolverá alguma habilidade. Mas elas costumam aflorar junto com sua visão através da naturalidade, mais ou menos na puberdade. Logo, logo você a terá.


Enrique estava gostando cada vez mais disso. Mas então ele se recordou.


– Ah! Nich, a gente ia sair, você disse que ia me levar em um lugar. Onde?


– Ah! Seria na casa da Lillian, mas isso nós podemos fazer depois, quero te levar lá em casa pra te mostrar uma coisa que você vai adorar, tenho certeza.


Enrique sorriu e se levantou, se despediu dos pais e de Lillian e saiu da casa com Nich.


Notas finais
Eicósenas bem do grego também:
είκοσι ένα - eíkosi éna = Vinte e um.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.