Sansa acordou novamente sozinha. Vestiu-se e penteou o cabelo prendendo apenas duas mexas atras pois lembrou-se que ele lhe havia dito que preferia cabelo solto e ela não estava com disposição para fazer penteados muito elaborados.

Desceu as escadarias e procurou pela cozinha para poder comer algo. Sandor estava lá, sentado a comer um pedaço de pão com carne e vinho. Algo demasiado pesado para ela comer de manhã pensou.

- Dormiu bem passarinho?- perguntou e ela respondeu que sim com um aceno de cabeça. — Coma qualquer coisa que vou-lhe mostrar o resto das terras. Agora é a sua casa.

- Podemos ver o canil?! – Sansa perguntou com uma curiosidade genuína.

- Sim. Penso que há cachorros pequenos que vai gostar. – Ambos sorriram. E ela sentou-se a seu lado para petiscar um pedaço de pão com chá que a cozinheira havia preparado.

Ela reparou que ele já não cheirava a vinho, muito pelo contrário, ele cheirava a lavanda, um cheiro leve que se misturava com o cheiro de couro e de pele das suas roupas. Ela não tinha dado por ele tomar banho no quarto mas talvez ele o tivesse feito noutro sítio.

Quando acabaram e comer ambos se levantaram para um passeio. Sandor dispensou ser seguido pelas aias, ele sabia tomar conta dela sozinho, não precisava de ninguém atrás.

Passaram por os campos cultivados onde havia pessoas a recolher legumes e fruta, grande parte do terreno era rochoso mas eles arranjaram maneira de plantar coisas para armazenar para o inverno. Já era possível notar que o tempo estava mais frio e isso aumentava a urgência recolher os produtos antes que se estragassem. Havia também outros animais como ovelhas e vacas que iriam ajudar a abastecer para o inverno.

A terra dos Clegane não era nem um pouco parecida a Winterfell e também estava muito distante da riqueza de Kingslanding mas Sansa sentiu-se feliz por ter um sítio que podia chamar Lar.

O passeio havia sido demasiado silêncioso, apenas caminhavam lado a lado enquanto Sandor a agarrava pelo braço ou envolvia os seus ombros sempre que tinham de mudar de direção. Sansa decidiu quebrar o silêncio.

- Porque voltou a Kingslanding? – Ele olhou-a desconfiado e pouco disposto a responder.

- Esqueci-me de algo lá.

- O quê? A sua capa? Você a deixou no meu quarto e eu a guard… — Sansa percebeu que tinha falado demais e rezou para que esse assunto não o irritasse e para ele não lhe bater.

- Não foi a minha capa. Nunca gostei dela de qualquer maneira. – Riu e Sansa sentiu-se aliviada. – Ali é o canil. Não se assuste.

Sansa acenou positivamente com a cabeça mas quando entraram no canil, um corredor comprido com celas de ambos os lados. Os cães eram todos grandes e assustadores, mesmo para alguém que já tinha tido um lobo como animal de estimação. Ela agarrou o braço de Sandor quase instintivamente e ele não a afastou, apenas olhou para ela.

Ao ver todos aqueles cães ela sentiu saudades de Lady, tudo parecia bem mais triste desde que o seu pai a tinha morto. Lembrou-se desse tempo e de como a sua vida havia mudado desde ai.

- Onde está seu irmão? – Perguntou ainda agarrada ao seu braço embora já tivessem saído do canil.

- Deve ter ido a algum torneio. Na verdade não interessa. Isto é melhor sem ele aqui. – Ele disse com uma voz que expressava claramente o ódio que tinha pelo irmão.

- Ele assusta-me. – Comentou baixinho.

- Tudo a assusta passarinho. – Riu. – Eu ainda a assusto? Mal consegue olhar para a minha cara. – Perguntou mas desta vez de forma séria.

- Não. – Largou o braço dele e olhou para cima para conseguir ver a expressão na cara dele e provar que não tinha problemas em olhar. Ficaram um bom bocado em silêncio antes de ela começar novamente a falar. — Talvez tenha um pouco de medo mas por causa de tudo o que Joffrey fez.

- Naquela noite da batalha eu não prometi que não a iria magoar?! – Ela acenou positivamente com a cabeça em resposta. – Então eu irei cumprir a minha promessa. Não a vou magoar passarinho.

Sansa respirou fundo. Ela sempre se sentira segura perto dele, mesmo quando ele lhe encostou o punhal ao pescoço, mesmo ali ela teve a sensação que ele seria incapaz de lhe fazer mal mas tudo o que Joffrey lhe havia feito tinha-a deixado com medo.

Ambos entraram num barracão e lá estava uma cadela de porte médio rodeada por 3 cachorros pequenos com pelo comprido e levantado. Pareciam miniaturas de crias de lobo pensou Sansa.

- Estes devem ter cerca de 1 ou 2 semanas de vida. Um dos criados disse-me que estariam aqui, Gregor não sabe, senão já lhes tinha posto um fim.

- Ele ia mata-los? Porquê?

- Não são muito grandes e esta raça não é boa nem para caçar nem para segurança ou guerra. Alem disso o Inverno está chegando e eles não irão sobreviver de qualquer maneira.

Ele percebeu a tristeza dela mas tirou-a do barracão fechando a porta com um cadeado. Sansa observou atentamente onde ele metia a chave na cozinha pois planeava voltar ao barracão.