É Megan!
38 Eu não preciso de você, Jonas Marra!
Notas iniciais
Olhe lhe para mim,
Pense de novo e converse comigo
Eu cresci de acordo com seus planos?
Você acha que eu estou perdendo meu tempo
Fazendo as coisas que eu quero fazer?
Mas dói quando você desaprova tudo
E agora eu dou duro para ser bem sucedido
Eu só quero te deixar orgulhoso
Eu nunca vou ser bom o bastante para você
Eu não posso fingir que eu estou bem
E você não pode me mudar
Me desculpe, mas eu não posso ser perfeito.
Perfect — Simple Plan
– What?! Dad, eu sinto lhe informar mas eu sou maior de idade, namoro quem eu quiser!
– Você sabe o que o Alex, o Joshua e o Davi tem em comum?
– Não me interessa sua opinião
– O Alex queria escrever uma biografia a meu respeito, o Joshua era o espião da minha concorrência e o Davi, quer me destruir, você sabe o que isso quer dizer?
– Que ninguém pode se apaixonar por mim pelo o que eu sou, não é dad?
Ele respirou fundo.
– Para de drama, não é isso que eu tô querendo dizer — ele passou a mão no cabelo — minha filha, eu só tô querendo te dizer que você tá cega pelo Davi, assim como você esteve cega pelo Joshua e pelo Alex, você tá tão cega que não enxerga que no concurso o Davi fazia promessas de amor pra Manuela
Por maior que fosse a quantidade de raiva que meu corpo estava exercendo sobre aquele momento, essa última frase me fez pensar, eu nunca assisti muito aquele reality, só algumas vezes perdidas quando não tinha nada pra fazer, e essas vezes foram suficientes para constatar que dad não está mentindo.
Mas eles terminaram, it's over, Davi me disse com todas as letras, coisa que ele nem precisava se submeter a fazer já que todo mundo viu a briga deles dentro do reality, por conta de uma mentira da nerdestina.
Agora os sentimentos dele por ela, foram questionados desde o começo, mas ele me provou, que sentia alguma coisa por ela, mas que isso acabou, acabou a partir do momento que ela foi capaz de mentir pra ele para se dar bem no concurso, o momento em que ele descobriu quem Manuela Yanes era de verdade.
Não foi only me, foi algo em conjunto, foi de mim pra ele e dele pra mim, algo tão forte que mesmo nos odiando não conseguimos evitar, mas ele cedeu mais rápido, mais uma prova de que a Manuela não tem mais espaço no coração dele, no coração e nem na cabeça! Mas uma prova de que ele me ama de verdade.
Foi algo tão rápido e tão delicado ao mesmo tempo, que se contado para qualquer um é facilmente taxado como imaturo, como uma mentira sem tamanho, só quem sente pode provar a veracidade dos fatos, de que o tempo pode ter sido pouco, mas porque os corações estavam esperando á muito mais.
– É claro que ele quer me atingir — completou
Estava nítida a ausência de interesse dele no meu bem estar, nos meus sentimentos.
– Pra você só existe uma motivação no mundo, não é? Jonas Marra! Tudo gira em torno de você! Será que não dá pra perceber que o Davi é diferente?!
– É, ele é muito pior, eu não vou deixar ele te machucar, você vai terminar esse namoro hoje, eu tô te protegendo
– Você está me manipulando! Como faz com todas as pessoas mas não vai conseguir! Eu estou indo embora
– A é?! Com que dinheiro? A partir do momento que você cruzar aquela porta, eu corto os seus cartões de crédito!
Ele acha que eu não consigo viver sem a ajuda dele, sem que ele esteja interferindo em algum ponto para que tudo saia certinho e eu não acabe morrendo, sempre quis provar o contrário, a oportunidade estava ali, na minha frente, e dessa vez eu não vou deixar ela escapar, dessa vez eu provo, que não preciso dele pra nada!
– Não se dê ao trabalho! Eu não preciso de você — comecei a jogar as coisas da bolça em cima da cama — pode ficar com os cartões de crédito, pode ficar com suas coisas... — jogueis todas as roupas — pode ficar com tudo! Aliás foi você que me deu isso não foi?!
Soltei o laço que segurava meu vestido atrás do pescoço.
– Pode ficar com esse vestido também — joguei em cima da cama — fica com suas coisas! Fica! — me dirigi até a porta
– Pra onde você vai Megan?
– Eu vou embora da sua vida! Jonas Marra
– Megan volta aqui!
Bati a porta do quarto sem olhar para trás, a decisão estava tomada, se não saísse agora não iria sair nunca mais, comecei a andar até a porta, só queria pegar meu carro e sair daquele lugar.
Ele veio atrás de mim mas eu não recuei, joguei tudo aquilo que estava preso em mim, tudo aquilo que ele havia me dado, o colar, os anéis, os brincos, todas as minhas jóias, menos as minhas pulseiras, essas não foi ele que me deu.
A cada coisa que jogava no chão era um peso a menos, me sentia mais leve em todos os sentidos, porque foi ele quem me deu, não eram minhas, eram dele, tudo que me rodeia tem a autoria de Jonas Marra, eu tenho que mudar isso.
Passei pela sala e Dorothy levantou do sofá assustada.
– Megan! Aonde você assim só de lingerie?!
– Megan!! — dad gritou — chega de show! Volta pro teu quarto!
– No! Acabou o seu reinado Jonas Marra!
– Se você sair por aquela porta, Megan, você nunca mais volta!
– Pois é isso mesmo que vai acontecer
– Megan, espere pelo amor de Deus sua mãe chegar! — Dorothy pediu
– Não, eu não fico nem mais um segundo sobre o mesmo teto desse ai! Diga a minha mãe que eu ligo á ela
A decisão foi mais do que imposta, a partir do momento que eu cruzar aquela porta estará decretado, não vai ter mais volta, não por parte dele mas por minha, eu dei minha palavra de que não voltaria, e é isso mesmo que vou fazer!
A última coisa que escutei foi o barulho da porta batendo atrás de mim, o que mais parecia meu coração se dilacerando, com cada palavra, cada pensamento, não só do agora mas de muito tempo, presos no silêncio de muitos momentos, de raiva, de dor... de lamento.
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A Marra Brasil estava em um dia comum, como qualquer outro, apenas um movimento estranho parecia se formar próximo ao escritório do Jonas, que ali não estava, mas nada que tirasse a paz dos funcionários que trabalhavam em um conjunto perfeito.
Um carro, entre muitos outros que passam por ali durante o dia, se aproximou da grande entrada da empresa, descendo do mesmo e entregando as chaves ao porteiro, Baylee entrou na Marra.
A sobrinha, de coração, de Jonas Marra foi recebida com honra, mas ela só estava interessada em esperar uma pessoa que estava quase terminando seus serviços, sentou em um dos sofá coloridos e começou a mexer no celular.
Outro carro se aproximou da entrada, dessa vez muito mais rápido, quase subindo na calçada, a chave dessa vez foi jogada na cara do porteiro que estava ali apenas esperando o outro voltar.
Baylee nem sequer notou o alvoroço na troca de porteiros, aliás outra coisa estava chamando muito mais a sua atenção, Danilo havia acabado de terminar terminar sua rotina de trabalho, bem, pelo menos uma delas, tinha a hora do almoço livre para ficar com ela.
Jonas entrou quase derrubando a porta de vidro, com os olhos arregalados e algumas veias da testa salientes, ele parecia preocupado e até um pouco estressado, com alguma coisa, quando viu a sobrinha com Danilo, foi falar com eles.
– A Megan está com você, Baylee?
– Hi uncle Jonas, no... ela não dormiu em casa ontem mas disse que voltaria hoje
Depois de escutar a resposta já previamente alertada por sua consciência, saiu sem se despedir, foi quase correndo para o seu escritório, talvez resolver aquele estranho movimento na porta do mesmo.
Baylee pegou a bolça e os dois saíram de mãos dadas, pegaram as chaves na portaria e foram até o carro dela, o dia já estava programado, almoçariam em um restaurante, escolhido por Baylee, e depois dariam uma pequena volta no shopping, escolhido por Danilo.
Dentro da Marra o alvoroço no escritório continuava, Jonas entrou empurrando as suas portas, Murphy, dois seguranças e Glaúcia Beatriz, mãe de Jonas, estavam discutindo, ao notar a presença do magnata da tecnologia, todos se calaram automaticamente.
Jonas sentou na sua cadeira, em frente a sua grande mesa, e já foi logo dando as ordens.
– Will Smith, Tommy Lee
– Sim, senhor — os dois responderam
– Tirem essa louca da minha frente, antes que eu chame a polícia
Os seguranças já iam obedecer o patrão, mas antes que o fizessem foram interrompidos por Glaúcia.
– Se eu fosse você não faria isso Jonas, não antes de escutar o que eu tenho pra ti dizer
Jonas ficou apreensivo, não sabia se colocava ela pra fora ou escutava o que a mesma tinha para dizer, mas ele conhecia bem a mãe, era capaz de tudo para conseguir o que queria, ordenou que todos saíssem e que a "dona Glaúcia", começasse a falar.
– Você tá sabendo que a jornalista foi lá em casa? — Glaúcia sentou no sofá favorito da Megan
– Eu não sei do que você tá falando
– É claro que sabe — ela disse arrumando o decote — aquela morena, lá do site da internet, ô Jonas, não se faz de desentendido não que você sabe muito bem quem é, até saiu com ela pra jantar em um restaurante chiquerrímo
Jonas quase voou da cadeira para o sofá, com os olhos esbugalhados, ele estava perplexo.
– Eu não sai com ninguém
– Deixa de ser mentiroso garoto, ela mesma me contou, tava oferecendo a maior grana por uma entrevista com a mãe do poderoso Jonas Marra — ela riu
– Você aceitou?! — Jonas aumentou o tom da voz
– Deixei em aberto, dependendo de quanto você me der, talvez eu pense em não aceitar, porque essa mesadinha de fome que você me dá
– Eu já te dou muito, Glaúcia
– A Pam tá sabendo? — ela disse "Pam" de uma forma precária — acho que eu vou marcar uma almoço com a minha sogrinha — ela levantou — pra colocar a conversa em dia
– Desembucha logo — ele voltou para cadeira
– Acrescente alguns zeros nessa mesadinha fajuta e mande pra minha casa, queridinho da mamãe — ela debochou
Glaúcia saiu do escritório de Jonas cheia de si, foi direto para o shopping, gastar o dinheiro que brevemente estaria em sua casa, os seguranças do lado de fora, ficaram sem sem tender nada, Murphy entrou para conversar com seu boss.
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– Agora tem que fazer o escanteio, a Carol vai chutar — coloquei a pequena na posição
– Davi! Ernesto quer te ver — tia Rita gritou de dentro da Plugar
– Ernesto? Já tô indo! Galerinha, junta aqui — todos formaram uma roda — eu vou sair um instante, continuem jogando, ok?
Deixei a galerinha brincando e fui ao encontro de Ernesto, faz tanto tempo que não o vejo, tivemos poucos encontros após o reality, depois ele entrou na onda de montar uma empresa na internet e eu nunca mais o vi, deve estar bem de vida.
Ernesto estava próximo a mesa da tia Rita, havia acabado de derrubar o porta lápis e o estava arrumando novamente, desastrado como sempre, confesso que o fato de ele querer conversar comigo me deixou um pouco curioso, caminhei até ele.
– Ernesto! Quanto tempo
– Oi Davi
Nos cumprimentamos.
– O que você tá fazendo da vida? Veio só matar a saudade? Como tá a empresa online?
– Eu fui enganado Davi
– O que?
– Os caras levaram o meu dinheiro, bem... o dinheiro da minha vô, agora eu tô em dívida com ela
– Ernesto, eu... eu não sei nem o que dizer
– Davi, eu queria te pedir um enorme favor
– Se estiver ao meu alcance, o que é?
– Você não teria um emprego pra mim aqui na Plugar? Eu posso passar o dia aqui e a noite dormir na sua casa, só por em quanto, é que eu perdi o meu emprego e...
– Eu não vejo mau nenhum nisso Ernesto, minha casa é sua, tem muita vaga aqui na Plugar pra recreadores, mas... não temos dinheiro pra te contratar, quase não conseguimos pagar os que nos ajuda aqui, a maioria ajuda sem nada em troca, como a Megan
– Megan? Megan Lily? A filha da princesa Shelda?
– Da Pam? Sim, é ela
– Chamando a Pamela Parker de Pam? Eu tô enganado ou...
Confirmei com a cabeça.
– Ah moleque!
Ernesto me abraçou e nós dois rimos.
– Você se deu bem, mas é exatamente isso que eu quero, posso ajudar aqui de graça, eu só preciso de um lugar pra ficar, minha família... ela me pôs pra fora, Davi, em quanto eu não pagar minha dívida, não posso voltar
– Nossa, eu sinto muito cara, mas pode contar comigo, minha garagem é sua
Ernesto abriu o maior sorriso, chamei ele para ver as alterações que rinha feito no Júnior, ele é bom em tecnologia, poderia me dar algumas dicas, ele sempre foi um cara preservado, com o sonho de ser o novo Jonas Marra, como muitos outros.
Uns caras de uma companhia de internet propuseram um acordo com ele, logo depois que saiu do reality, um site de vendas online que poderia render milhões, mas precisava de um investimento inicial, uma grana alta.
Pegou sem pedir toda a quantia do cofre a avó, prometendo devolver em dobro em questão de poucos meses, depois disso nunca mais tive contato com ele, algo como que dois meses de distanciamento, agora ele me contou que foi enganado.
Comecei a mostrar as alteração do Júnior no computador pra ele, começou logo a me dar várias dicas, umas inúteis e outra até utilizáveis, mas ele estava feliz, poder tira-lo um pouco de toda essa pressão por parte da família, me fazia bem.
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– Você parece cansada, o ensaio foi tão puxado assim? — Danilo perguntou em quanto tomava seu sorvete
– As vezes eles são mas hoje não, acho que não devo ter dormido direito
– Eu tenho que voltar pra Marra, se não vou me atrasar
– Tudo bem
Danilo e Baylee se levantaram, ele colocou o braço sobre os ombros dela e ela aconchegou a cabeça em seu peito, os dois caminharam juntos até o estacionamento do shopping, onde estava o carro de Baylee.
Os dois tinham os gostos musicais bem parecidos, escutaram uma playlist inteira de sucesso americanos, no caminho para Marra Brasil, onde com um beijo apaixonado, Baylee deixou Danilo e voltou para os seus intermináveis ensaios.
Mesmo com tanto trabalho, os dois sempre davam um jeito de se ver entre os expedientes, nada como o cheiro de um amor novo entre dois jovens apaixonados.
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– Você já vai papai? Mas você acabou de chegar, por favor fica mais um pouco
– Eu não posso Megan, tenho que ir agora
Soterrei a mão no volante, a buzina alta só aumentava a dor na minha cabeça, mas tinha que fazer os idiotas saírem da frente, minha visão estava muito embaçada, as lágrimas que desciam no meu rosto eram as responsáveis.
Visões não paravam de vir na minha mente, lembranças de um passado próximo, para me torturar mais ainda, fizeram questão de vir apenas as ruins, as que eu faço de tudo pra esquecer, vieram todas, de uma vez, sem pena.
– Lily!
Uma dor aguda atingiu minha cabeça, como se alguém enfiasse uma agulha no meu cérebro, faltavam poucas ruas para chegar na Plugar, encontrar Davi e esse sofrimento acabar.
Graças ao mistério o trânsito começou a andar, coloquei o carro em cima da calçada, o fechei rapidamente e entrei na Plugar, Davi estava conversando com alguém próximo a uns dos computadores, não tinha muita gente por ali.
Eu estava só de lingerie, o cabelo preso em um coque mau feito, descalça e com a maquiagem toda borrada, não tinha como estar pior, caminhei até ele, que logo percebeu minha presença.
– Megan?! — ele disse assustado
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