É Megan!

57 Branca White


Notas iniciais
Essa é definitivamente uma parte do grande final desta linda história, espero que vocês tenham gostado do enredo pois particularmente estou me sentindo realizada em finalizá-lo, novos projetos viram, boa leitura!

Davi

Megan deitou o rosto sobre meu peito, até que enfim, nós dois estávamos sozinhos em nossa cama, prontos para uma boa noite... de sono, ás vezes me sinto culpado por ficar tão feliz quando Samuel dorme, mas acho que isso faz parte da vida de ser pai.

No silêncio da noite, começamos a decidir nomes, coisa de 1º mês de gravidez, a conversa começou a ficar um pouco complicada quando nenhum dos nomes que eu escolhia, Megan gostava, mas porque eu pensei que seria fácil?

– Se for menino, a gente pode colocar de Cornelius — eu disse — ou então de Davi Júnior

– Oh God... ok, gostei do último — ela disse segurando minha mão e rindo — mas e se for menina?

– Nome de menina eu não sei, pode ser Andréia ou Tábata, qualquer um

– No way! Você não entende mesmo de nome de menina

– Então quais suas sugestões? — perguntei

– Tem que ser um nome delicado e de origem, de preferência com algum significado legal

– Isso tá é muito complicado

– Vamos fazer um trato, se for menino você escolhe, mas se for menina, eu escolho, ok?

– Fechado — eu disse por fim com um sorriso

Puxei o cobertor, enrolando nós dois, desliguei o abajur e a envolvi com meus braços, dormimos alí uma boa e merecida noite de sono, pois teríamos que acordar bem cedo no outro dia, sabe como é, né? Tem escola!

~•~

3 MESES DEPOIS

Davi

Virei a panqueca na frigideira, arrancando uma gargalhada do Samuel, Megan fazia alguma coisa com o leite, antes de entregar o copo para o pequeno.

– O que temos aqui? As famosas panquecas do papai! — coloquei-as no prato do Samuca, que se deliciou — ainda não sei como ele gosta de comer sem a calda de chocolate

– Você sabe o que eu penso sobre doces para crianças, Davi — Megan disse

– Tá, mas e no Halloween? A gente vai distribuir uva passa? — perguntei rindo e ela revirou os olhos

O meu celular começou a vibrar em cima da mesa, o alarme dizia que estava na hora de ir para Brazuca trabalhar.

– Ok, hora do trabalho — eu disse

– E hora de ir pra escola — Megan disse pegando Samuel no colo, colocando-o quase em cima de sua pequena barriga, Samuel é pequeno pra idade, mas nada que nos preocupássemos, ele só é baixinho — te amo — ela me beijou

– Eu também, amo vocês dois — beijei o topo da cabeça do Samuel

Megan pegou a chave do carro dela em cima da bancada e saiu levando nossos dois filhos, um em seus braços e outro dentro de si, fechando a porta em seguida, o pequeno Dino estava com a mochila nas costas, dando um "tchauzinho" com a mão, eu não sei porque, mas naquele momento senti uma sensação estranha, balancei a cabeça e fui me vestir para o trabalho.

~•~

Danilo falava em francês ao telefone, em quanto Baylee brincava de "hora do chá" com Maria Clara e suas bonecas, em alguns meses a pequena faria 3 anos de pura fofura, ela havia crescido da forma mais bela possível, o cabelo passava pouco mais do ombro, escuro como a noite, e uma franjinha, que era seu charme a parte.

– O senhor Porco Espinho precisa de mais chá — Maria serviu uma bebida invisível para o urso de pelúcia, ela tinha uma dicção perfeita para quem fala três línguas fluentemente — duas de açúcar por favor

Baylee levantou a colher vazia e mergulhou duas vezes na xícara de brinquedo, a pequena abriu um sorriso e logo tratou de fazer com que o "senhor Porco Espinho" bebesse tudo sem demora, Danilo terminou a ligação.

– Tudo certo, em duas semanas voltamos pra Paris, querem você na nova campanha da HOPE

– Isso é incrível — Baylee disse beijando o marido — eu só me preocupo um pouco com a Maria

– Se preocupa? Com o que?

– Isso de estar sempre indo e vindo, tenho medo dela não saber onde realmente é o lar dela — Baylee passou mão nos cabelos da filha, que pouco se importava com a conversa dos pais, o "chá" era mais interessante

– O lar dela é aqui e lá — Danilo disse olhando a esposa — é no nosso apartamento aqui no Brasil, perto da minha família, e na nossa casa em Paris, perto da sua família, quando ela for maior vai entender

– Você tem razão — ela sorriu

Os dois começaram a brincar com Maria, que repentinamente havia mudado de história, agora os convidados do chá haviam bebido uma "poção mágica", agora eles podiam voar.

~•~

Pamela falava consigo mesma enquanto folheava uma revista de moda para bebês, soltando coisas como "olha esse!" , "ficaria perfeito".

– Posso saber o que "ficaria perfeito"? — Dorothy perguntou a afilhada, sentando-se em uma poltrona ao seu lado

– Olha essa roupinha — a eterna princesa Shelda levantou a revista — não ficaria a coisa mais linda no meu netinho?

– Espero que esteja falando do Samuel, porque a Megan ainda não sabe se é um menino

– Mas eu tenho certeza que é

– E você deu pra desvendar o futuro, agora? — Dorothy brincou

As duas riram.

– Mas se for uma menina também não tem problema, olha esse vestidinho

As duas ficaram alí por mais uma hora, babando em roupas de grife para crianças, pensando em como será a vida quando essa criança em questão chegar ao mundo, em qual será seu nome e como será sua personalidade, enfim, brincando de imaginar o futuro.

~•~

Davi

Coloquei uma de minhas camisetas preferidas, Megan já brigou comigo diversas vezes para jogá-la fora, mas não farei nunca! Adoro essa blusa...

Fui até geladeira antes de sair, beber um copo de suco que já estava pronto, meu celular começou a vibrar em cima da mesa, "Matias" foi identificado na tela, o suco desceu rasgando, tão cedo assim não podia ser coisa boa, mas atendi logo, podia ser importante.

– Alô? Matias?

– Davi?! Davi é você?! — ele perguntou quase gritando

– Sou eu Matias, o que...

– Davi?! — ele perguntou novamente

– Sou eu Matias! O que foi?

– Onde você tá Davi?! Pelo amor de Deus! Aonde você tá?!

– Fala devagar Matias, eu não tô entendendo nada, eu tô em casa, aconteceu alguma coisa? — perguntei claramente, pra ver se ele se acalmava

– A Megan bateu o carro! — ele gritou

Meu coração praticamente parou de bater na hora, o susto foi tão grande que eu quase soltei o copo, mas tratei de averiguar a situação.

– Como assim bateu? Meu Deus do céu, como ela tá Matias? Ela... ela tá com o Samuel no carro! Como eles tão?

– Eu não sei

– Como assim não sabe?! — me irritei na hora — você não tá aí?!

– Eu tô, mas é que ela não responde

Quase larguei o celular no chão antes de sair correndo pelo corredor, descendo as escadas o mais rápido até chegar ao térreo, peguei meu carro e dirigi pouco menos de três quilômetros, avistei o carro da Megan ao longe, com as rodas infundadas para dentro e a lateral completamente deslacerada, Matias falava ao telefone, a poucos metros do acidente.

Soltei o carro o mais próximo que consegui e fui correndo até lá, as pessoas já estavam quase formando um círculo, curiosas com o que havia acontecido, porque elas não tomam conta da própria vida?!

Passei por Matias e fui direto para o carro, não havia mais vidro no lado do motorista, havia se quebrado completamente, Megan estava com os olhos fechados, a pele branca e os lábios ainda vermelhos, um corte descia do meio de sua testa até a ponta de uma sobrancelha, do qual saia sangue lentamente.

– Amor?! Você tá bem?! Tá sentindo dor?! — ela permaneceu com os olhos fechados, a mão dela, que eu segurava, nem sequer mexeu um dedo — Amor?! Você me escuta?

A chamei três vezes, inutilmente, ela não estava me escutando, até que na quarta vez que gritei seu nome, pude ouvir um choro na parte de traz do carro, onde o vidro estava trincado, porém intacto, Samuel se contorcia na cadeirinha, tentando arrancar o cinto, gritando para que alguém o tirasse dali.

Por conta de seus movimentos, pude ver na hora que ele não tinha nenhum ferimento grave, pedi para que ele cobrisse o rosto com a mãos e se afastasse o máximo que conseguisse, antes de dar um chute no vidro, que se quebrou como um ovo, tão frágil quanto rasgar uma folha de papel.

Samuel ergueu os braços e eu o arranquei dalí, seus dedos apertaram a gola da minha camisa, o coração dele batia rapidamente, não parava de chorar nem por um segundo, chorava ainda mais quando via a Megan parada, sem responder, sem cor e talvez... sem vida.

– Vai ficar tudo bem, meu filho — eu repetia pra ele — o papai está aqui

Fiquei com Samuel no colo até a ambulância chegar, ele chorou todo o susto que estava engasgado em seu peito. Os paramédicos logo trataram de tirar Megan do carro, observei tudo de perto, colocaram-a em uma maca com uma coisa laranja atrelada ao pescoço, e uns cintos para que ela não se mexesse.

– Ela vai ficar bem, não vai? — perguntei enquanto eles caminhavam rumo a ambulância — não vai?!

Eles não me responderam, disseram só que uma pessoa poderia ir na ambulância, eu me vi encurralado pelas circunstâncias, os paramédicos ainda queriam examinar Samuel, para ver se ele estava realmente bem, eu não podia deixar meu filho chorando sozinho, muito menos deixar minha mulher ir ao hospital também desacompanhada.

Foi aí que os anjos do céu me mandaram uma solução, tia Rita apareceu com os olhos arregalados no meio da multidão, quebrando um círculo que se formara, não pensei duas vezes, coloquei Samuel em seus braços e expliquei a situação em alguns segundos, depois subi na ambulância e fomos rumo ao hospital, a Megan não podia esperar mais.

Ver Samuel esgoelando nos braços da minha tia, que posso chamar de mãe, enquanto a ambulância se afastava, apertou o meu coração profundamente, mas eu sabia que ele estava bem, não o deixaria se não estivesse, estava com a vó dele e com mais dois paramédicos, estava em boas mãos.

~•~

A chave do carro já estava quase ficando sem forma, de tanto que a passava nas pequenas divisórias da cadeira, na qual eu estava sentado, o corredor frio fez os pelos do meu braço se arrepiarem, minha cabeça estava fervendo, respirei fundo e deixei o frio congelar tudo por dentro.

Pamela estava sentada no sofá a minha frente, do outro lado do corredor, com os olhos vermelhos de um choro não tão distante, com Dorothy segurando sua mão, no momento eu parei para pensar, ela deve sentir muito a falta do Jonas, principalmente em um momento como esses.

Baylee estava em pé a mais ou menos um metro e meio de mim, alta e de com o corpo magro, com as curvas bem definidas, realmente faz juízo a todos os trabalhos importantes que faz, nem parece que teve uma filha, Danilo a puxou gentilmente antes de beijá-la, passar a mão em seu rosto e lhe dar um pouco de apoio, eles formam um belo casal.

Já havia ligado mais de três vezes pra minha tia, eu estava muito preocupado com o Samuel, mas ela já tinha repetido que ele estava bem, que os médicos disseram que realmente havia sido só um susto, e que se ele não estivesse na cadeirinha, provavelmente não estaria mais entre nós, por ser muito pequeno na estatura.

Isso não me surpreendeu, porque desde que adotados nosso filho, Megan nunca mais dirigiu como antes, sempre verificava se o Samuel estava mesmo preso a cadeirinha e sempre e andava a uma velocidade baixa quando estava com ele, o que me faz novamente pensar e ter a certeza de que não foi a Megan quem bateu o carro, alguém deve ter batido nela e saído sem prestar socorro, os peritos ainda estão investigando, mas eu tenho certeza.

Finalmente o médico apareceu, com uma prancheta na mão ele vinha com uma cara apreensiva, era bem jovem, talvez tivéssemos a mesma idade, todos levantamos rapidamente na direção dele, em busca de repostas.

– Como está a minha mulher? — fui o primeiro a perguntar

– Ela está passando bem agora — respirei com alívio, Pamela abriu um sorriso — mas ela bateu a cabeça, existe possibilidade de ficar com sequelas, estamos fazendo mais exames, mas ainda é muito cedo para saber

Com sequelas ou não, eu já estava grato á Deus por ela estar viva, queria vê-la, tocá-la, beijá-la, sentir sua mão na minha novamente, apertando meus dedos contra os dela, poder tocar seu cabelo dourado e apreciar seus olhos de borboleta, brilhantes, com vida.

Mas foi aí que eu lembrei do nosso filho, não do Samuel, pois graças a Deus, este estava bem e seguro agora, mas sim no que ela carrega em sua barriga, nosso filho que ainda nem sequer tivemos a oportunidade de conhecer.

– E o nosso filho? A Megan tá grávida — ele checou a prancheta — por favor só não me diz que ela perdeu o bebê — tive medo da resposta

Ele olhou duas folhas, respirando fundo e retomando algumas partes, a espera fez meu coração ficar pequeno, até que ele finalmente levantou o olhar e resolveu falar.

– O seu filho está incrivelmente bem, nossa esquipe até se surpreendeu, ele deve ser bem forte — o médico disse por fim

– É, ele é sim — um sorriso se formou no meu rosto — eu posso vê-la?

– Claro, mas uma pessoa por vez agora, ela ainda está acordando

Pamela tocou no meu braço e eu direcionei meu olhar ao dela, ela deixou que eu fosse primeiro, agradeci e acompanhei o jovem de jaleco branco até o quarto em que ela estava.

Megan parecia apenas ter caído no sono, como se tivesse parado para ler um livro e acabou sendo vencida pelo cansaço, tão bonita, sua pele brilhava como diamante, seus lábios vermelhos e cheios de vida.

O corte em sua cabeça já havia sido ponteado e estava com o curativo, seu lábio inferior estava um pouco roxo, machucado por alguma coisa na hora do acidente, estava usando um daqueles vestidos brancos de hospital, coberta com a colcha até a cintura.

Me sentei em um banco ao lado de sua cama, coloquei sua mão sobre a minha, um tubo, através de uma agulha, pingava gotas periódicas de soro e medicamentos em sua veia, outro fio estava ligado em seu peito, marcando os batimentos cardíacos.

– Megan? — a chamei em um tom baixo — Você pode me ouvir, amor? — ela não se mexeu — Eu já estudei sobre isso antes, é possível sim que você esteja ouvindo e sentindo, e é por isso que eu vou te dizer uma coisa que você já sabe, mas só lembramos de dizer quando acontece alguma tragédia como essa — eu olhava para o seu rosto — eu te amo

Senti seus dedos tocarem minha mão, apertarem a palma, apenas olhei para seu rosto, assustado, só esperando que aqueles olhos de borboleta me contemplarem, até que lentamente, eles foram se abrindo.

– Davi?! — ela perguntou assustada — O que... aonde eu tô?! Onde que...

– Tá tudo meu amor, você sofreu um acidente, mas agora tá tudo bem, a gente tá no hospital e eles vão cuidar de você

Estava tão feliz em vê-la acordada que beijei o topo de sua cabeça, enquanto ela permanecia meio assustada.

– E o Samuel? Onde tá o Samuel, Davi?! Ele tava comigo no carro!

– Ele tá com a minha mãe, quer dizer, minha tia, ele tá bem, os médicos disseram que ele não tem nenhum ferimento, mas eu não podia trazê-lo aqui, é um hospital grande e ele ainda é tão pequeno

– E o nosso bebê? — ela tocou na pequena barriga de três meses

– Ele tá ótimo

Ela apenas sorriu, antes de me beijar, o médico entrou bem na hora, ficou um pouco constrangido e a Megan riu, ela não perde o senso de humor nunca!

– Vejo que você está melhor, fico feliz por isso — ele disse

O médico retirou uma pequena lanterna do bolço do jaleco e observou os olhos da Megan, disse que tudo estava bem.

– Você tá ótima, parece que foi só um susto mesmo — ele disse com um sorriso — mas ainda vou fazer mais exames — os dois riram

– Está tudo bem mesmo com o meu filho? — ela colocou a mão na barriga novamente

– O bebê está ótimo, Megan, o feto parece bem, com tantos exames acabamos descobrindo o sexo, estava em uma posição favorável, se você quiser saber...

– Não, eu prefiro que seja uma surpresa — Megan o interrompeu

– O hospital respeita sua decisão, vou solicitar mais exames agora que você acordou, com licença

O médico saiu, anotando em sua prancheta e fechando a porta logo em seguida.

– Surpresa amor? Você não tinha me dito isso

– Eu até queria saber, pra montar o quarto e já ir comprando as roupinhas, mas aí pensei que, poxa, ele já passou por tudo isso, eu não me importo que seja menino ou menina, eu só quero que venha com saúde

Apenas sorri, concordando com ela, Megan tinha razão, não importava o sexo, contanto que viesse com saúde, a beijei novamente, antes de Pamela, Dorothy, Baylee e Danilo entrarem pela porta.

– Espera, o médico deixou entrar vocês todos juntos? — perguntei

– Deixou, disse que a Megan está ótima — Pamela disse, antes de correr para abraçar a filha — está bem querida? Nos deu o maior susto

– Eu estou ótima mãe, seu neto também

– Os dois? — Pamela tocou a barriga de Megan

– Graças aos quânticos

– E a Deus — completei

Megan estava preocupada com a Maria, perguntou com quem Baylee havia deixado sua sobrinha, quando quem era digna de preocupação era ela, constatado que havia sido realmente um susto, Megan foi liberada no dia seguinte, mas com tantos exames, acabamos descobrindo uma coisa que nos deixou arrasados.

O bebê que a Megan espera, sofre de MAAC, Malformação adenomatóide cística congênita, uma doença que antes eu só li em livros, e agora meu filho sofre disso, o pouco que eu sei já assusta, consiste em uma desordem congênita do pulmão, ocorre em 1 a cada 30.000 gestações, o feto tem de ser monitorado durante toda a gravidez e antes do seu primeiro ano de vida tem de fazer uma cirurgia de remoção.

O médico a nossa frente nos tranquilizou em todos os sentidos, dizendo que o bebê estava bem e que essa era só mais uma pequena dificuldade a ser vencida, mas era extremamente importante que o bebê nascesse de parto normal, o que já era um desejo da Megan.

Aparentemente tudo estava indo "bem", mas confesso que ver minha esposa chorar diante de um diagnóstico, me fez chorar junto e deixou meu coração em pedaços, pelo meu filho que estava a caminho, e por ela, pensar no futuro nunca foi uma preocupação na minha vida, claro que penso nele, como todo mundo, mas agora é motivo de preocupação, tenho medo de que meu filho possa sofrer.

Arrumei a mala da Megan naquela noite, deixamos o hospital apreensivos, pensando naquele que assusta, naquele que nos deixa apreensivos, pensando no futuro.

~•~

A Brazuca e a Marra Internacional continuaram crescendo, mesmo com uma gravidez de risco, Megan não deixou de levar um sorriso para o rosto das crianças de sua ONG, o Megan's Solidary.

Com o dinheiro, compramos uma casa maior, com uma piscina, um jardim grande com uma rede de vôlei, uma casa na árvore para o Samuel, três andares e em um condomínio legal, não demorou muito para eu ver minha esposa sorrir de novo, Megan nunca se deixava abater, o que admiro infinitamente.

Mais tarde acabaram descobrindo que o acidente da Megan e do Samuel, na verdade, não havia sido um acidente, descobriram que Manuela, a mando do Herval, aquele que um dia acreditei ser meu mentor, ela foi presa juntamente com o conhecido Zac Vírus, não só pelo atentado contra a Megan, mas por diversos crimes contra pequenas empresas via internet.

~•~

ALGUNS MESES DEPOIS

~•~

Megan

Servimos limonada em copos de plástico para as crianças, que brincavam de escorregar no tapete estendido sob as ondulações do terreno, o sol radiante cobria todo o jardim, Davi, Danilo, Ernesto e seus amigos brincavam de vôlei, sem blusa e só com um calção azul, Davi me deixava louca.

Balancei a cabeça e chamei as crianças para tomar mais um pouco da limonada, tinham de se manter hidratas no meio de toda aquela aventura com água e sabão, pequeninos de no máximo um metro de altura, vestindo sungas e biquinis de personagens infantis, riam de felicidade, aquilo renovava minha alma.

Balões rosas e brancos enfeitavam a mesa, um bolo caseiro de côco com chocolate estava centralizado, escrito nele: "Parabéns Maria Clara", com três velinhas cor de rosa, lembrancinhas em saquinhos com belos laços enfeitavam tudo, garrafinhas com leite rosa também estavam por ali, e Baylee não parava de arrumar a mesa, que já estava maravilhosa.

– Bay... a mesa está tão linda, o que te perturba? — perguntei

– Tem certeza? Não acha que o bolo poderia estar melhor?

– Tá tudo perfeito Baylee, essa mesa tá o maior charme — eu disse e ela mordeu o lábio inferior — e sabe o que é mais lindo? Aquele sorriso alí

Maria brincava com Samuel e as outras crianças, com lançadores de água coloridos, com seu biquíni de florzinha, seu sorriso era radiante, refletindo o quão feliz ela estava, Samuel a protegia como um irmão mais velho, levando os "tiros" de água em seu lugar, arrancando risos de todos.

– Você tem razão — ela disse por fim — e obrigada por emprestar sua casa para a festa

– Ainda tem limonada? — Davi se aproximou ofegante e suado

– Eca Davi — enchi um copo pra ele — toma

Ele jogou todo o líquido amarelo na garganta.

– Ai...

– Tá tudo bem, Megan? — Baylee segurou meu braço

– Tá, o pequenino que chutou, ele fica agitado toda vida que Davi fala perto — passei a mão na barriga, o acalmando e tentando diminuir a dor

– Ok... mas porque você sempre se refere a ele no gênero masculino? Não disse que o sexo é surpresa?

– É meio que intuição, eu sinto que é um menino

– Uau! — Baylee exclamou — Então eu já vou comprar a bola de futebol — ela brincou antes de sair atrás de Danilo

– Tem certeza que tá bem? — Davi perguntou

– Estou ótima

Entrei em casa para pegar mais limonada.

~•~

Davi

Ergui as mãos acima da cabeça e dei um belo toque para o Danilo, que marcou ou bonito mais um ponto para o nosso lado.

– AÊEEEEEEEE! — a galera gritou

– Estão casados de perder ou vai mais uma? — Danilo brincou

– Eu vou pegar mais um pouco de limonada

Cheguei a mesa de bebidas, mas a Megan não estava lá, a limonada também não, olhei ai redor, para ver se a encontrava, ou alguém com um pouco de água, mas ela não estava por alí, foi quando Samuel veio correndo e se esbarrou comigo.

– O que eu já conversei com você sobre correr Samuel... — me abaixei na altura dele, passando a mão em sua testa — se machucou?

– Não — ele disse se desvencilhando de mim — papai a mamãe tá te chamando lá na cozinha, ela acha que o meu irmão vai nascer hoje

– O que?!

Deixei Samuel e corri pra cozinha, atrás da Megan, então não era o bebê chutando, devia ser uma contração! A porta de vidro já estava aberta, não lembrei nem sequer de limpar os pés no tapete, como ela sempre me pedia.

– Megan?!

– Estou aqui

Ela estava próxima a geladeira, se apoiando na pia com uma cara de dor, foi só eu me aproximar para ver o chão e a barra do seu vestido, molhados, a bolsa dela havia estourado.

– Antes do previsto — eu disse

– Percebi, será que dá pra você vir me ajudar?!

– Oh, claro

Desviei do molhado e passei o braço por sua cintura, ajudando-a a chegar até a porta de entrada, o carro estava na garagem, coloquei-a no banco do passageiro e corri para o lado do motorista, a mala com as coisas dela e do bebê, aquela que levamos para a maternidade, já estava a um bom tempo no porta malas, a cadeirinha também já estava instalada, a Megan é bem paranóica com isso, mas facilitou — e muito — a nossa vida.

Lembrei do médica havia nos dito, quando a bolsa estourar não é motivo de desespero e sim de calma e felicidade, foi o que eu tentei dizer quando entrei no carro.

– Nós vamos pro hospital agora e você vai tranquilamente...

– Dirigi esse carro!!! — ela gritou

Dei a partida e saí arrancando condomínio á fora, enquanto ela se contorcia de dor no banco, tentando afrouxar o vestido, evitei ao máximo os buracos na rua, o hospital era perto, aquela hora Samuel já devia ter contado que se irmão estava a caminho.

Eu podia até parecer calmo, e tinha que parecer mesmo pra Megan, mas eu estava suando, meu coração havia dobrado o número de batimentos, eu esperei tanto por este dia, meu filho esta chegando!

Não me deixaram entrar com ela, eu precisava vestir uma roupa especial primeiro, mas nem depois disso aconteceu, Pamela, Dorothy, Danilo, Baylee... todos já haviam chegado com presentes pro meu filho, mas eu nem sabia como ele e minha esposa estavam, a atendente não me deixava entrar e nem me dizia o que estava acontecendo, mas que merda! É importante pra ela que eu esteja lá! Ela me disse!

Quase uma hora depois, quando eu já estava fervendo, usando aquela roupa idiota que não era nada confortável, a assistente social veio falar comigo, informar, para ser mais preciso.

– O seu filho sofre de Malformação adenomatoide cística congênita

– Já sei disso, por que não me deixa entrar?!

– A questão é que é extremamente importante, para o bebê, que o parto seja normal

– É o que ela quer, não é?! — eu estava exaltado, por não me deixarem vê-la

– A passagem da sua esposa é mínima, nessa situações os médicos indicam a cesariana pelo fato do parto normal ser muito sofrido e sem a certeza de que ela sobreviva

– Mas o bebê talvez não sobreviva a cesariana... — comecei a raciocinar

– O hospital não tem autonomia nessas situações, visando que nenhum dos dois, ainda, está em perigo

– Você quer que eu escolha? — perguntei — é por isso que está aqui

– Você também não tem palavra, apenas vim informar que sua esposa optou pelo parto normal e está a sua espera — ela disse por fim antes de sair

A Megan escolheu assim por causa do bebê, ela quer o melhor pra ele, mesmo que pra isso ela tenha que morrer, e isso eu não vou suportar, acompanhei a mulher de jaleco branco hospital a dentro, até entrar na sala que a Megan estava.

Com uma toca no cabelo e suando como se tivessem jogado água nela, ela chamou meu nome, uma voz com dor porém firme, aqueles seriam os piores e os melhores minutos da minha vida.

Sentei ao lado dela, em um banco que haviam me dado, para que eu ficasse na altura de onde ela estava deitada, segurei sua mão e olhei no fundo de seus olhos, não foi preciso diálogo alí, Megan sabia que eu estava com ela, não importava a situação.

Foi aí que a médica pediu que ela empurra-se, por dez segundos, ela segurou minha mão durante o processo, os segundos mais longos de toda a minha vida, Megan gritava de dor, eu enxugava o suor da sua testa com uma pequena toalha, mas o que escorria dos seus olhos eu não pude enxugar.

Megan empurrou por longos 15 minutos, cronometrados e alternados em intervalos de dez e trinta segundos, eu cheguei a pensar que ela não aguentaria, mas tinha fé nela, sabia que não ia se deixar vencer facilmente, e não deixou.

Quando ela já não tinha mais forças para empurrar, e parecia que ia desmaiar a qualquer momento, finalmente eu escutei um choro, a médica cortou o cordão e levantou uma coisinha que chorava desesperadamente, toda engilhada, a enrolou em um pano verde e colocou-a nos braços de Megan.

– Uma menina — Megan disse chorando de emoção, com um sorriso no rosto

Não consegui conter minhas lágrimas também, existe um mistério na vida, o qual a ciência não pode explicar, a emoção que sentimos dentro de nós, a força que temos para lutar por aqueles que amamos, a busca pela vida e como ela se renova a cada segundo, não tem como explicar o inexplicável.

– Ela é linda — passei delicadamente minha mão em sua cabecinha, onde haviam poucos fios de cabelo, dourados como o da Megan

– Ai meu Deus... — Megan beijou seu pequeno narizinho — eu te amo tanto

Até que, aconchegada ao peito de Megan, ela parou de chorar e abriu os olhinhos, vivos e escuros, como os de uma... borboleta, eu ainda não acreditava que ela havia chegado, Megan olhou para mim com o olhar cansado, porém, repleto de felicidade, com nossa filha em seus braços, nos beijamos.

Fiquei observando aquela cena, eu estava orgulho dela, orgulhoso de como havia enfrentado a situação, de como havia lutado para que eu pudesse agora me orgulhar disso, eu a amo, quero me casar com ela, não no civil que é pouco, quero casar na igreja, ou juntar nossos quânticos ou sei lá, o que ela preferir, mas quero que seja minha pra sempre.

~•~

Megan

Finalmente chegamos no quarto, com ar-condicionado, uma mesa de chá e rosas que Davi havia colhido no jardim do hospital e trago para mim, enfim, tudo o que eu precisava, a enfermeira finalmente chegou com a minha pequena nos braços, já vestida com primeiro look que eu havia escolhido e guardado na mala da maternidade, já havia tomado seu primeiro banho, mamado a primeira vez... veio apenas dormir no meu colo.

Enrolada em sua mantinha branca e com macacão amarelo, roupas que dariam tanto pra menina quanto pra menino, a única que mostrava que ela era uma menina, era o seu gorrinho de lã rosa, eu havia trago dois, o outro azul.

A enfermeira saiu para chamar a família, Davi sentou-se ao meu lado na cama, ficamos alí namorando com nossa filha, vendo seus pequenos traços, e como ela era linda, tão pequena, mas já tão preciosa, o cabelinho era loiro como o meu, a pela branquinha e com algumas dobrinhas, resultado do excesso de fofura!

– Oi... — ouvi um sussurro vindo da porta recém-aberta — como vai a mais nova mamãe? — minha mãe veio ao nosso encontro

– Me recuperando ainda — disse desenrolando a coisinha rosa que estava no meu colo

– Ai meu Deus, ela é linda

– Quer pegar?

Mom me olhou com uma cara de: "será que eu ainda me lembro como faz?", sem apreensão alguma, coloquei minha filha em seus braços, ela segurou perfeitamente, com um sorriso que ia de orelha a orelha.

Minha mãe estava maravilhada com a mais nova neta, ela só tinha o Samuel, mas a pequena logo tratou de começar a chorar, então mom me devolveu ela, que logo se calou quando se aconchegou no meu peito.

– Ela tem os seus olhos — mamãe disse, respondi com um sorriso, confirmando

Logo entraram Dorothy, Danilo, Baylee, Maria e Samuel, que veio conhecer a nova irmã, Davi logo tratou de fazer com que todos passassem álcool em gel nas mãos, antes de tocarem em nossa filha.

Samuel subiu na cama e eu abaixei o bebê em meu colo, para que ele visse, esperto como é, logo viu o gorro rosa.

– É uma menina mamãe?

– É sim meu amor, eu sei que você queria um irmão pra brincar de video game mas...

– Tá tudo bem mamãe — ele me interrompeu — eu posso ensinar ela a jogar — ele disse com um sorriso

– Eu concordo plenamente — demos um beijinho de esquimó, encostando nossos narizes

– Ok, agora vem a grande pergunta — Baylee chamou a atenção de todos — qual o nome da pequena?

– O nome dela é uma homenagem a avó da Megan — Davi disse

– Branca — completei — o nome da nossa filha é Branca

– Oh my God Megan... obrigada — mom disse toda emocionada

– A minha vó era uma pessoa muito boa, mas infelizmente eu não pude conhecê-la, se minha filha se parecer só um pouquinho com ela, já sairei ganhando

Todos sorriram em sintonia, em quanto eu observava minha pequena Branca cair em um sono tranquilo, minha família estava toda reunida.

~•~

1 ANO DEPOIS

Davi

Os dois cones estavam lugares opostos do campinho, escondido dos times, é claro, assoprei o apito indicando a largada, as crianças começaram a caçada.

– Você é o técnico de jogo de bandeira mais gato que eu já vi — Megan disse se aproximando e me beijando

– Eu queria te pedir desculpa pela noite passada, eu não quis dizer aquilo, eu te amo e amo as crianças...

– Tá tudo bem — ela me interrompeu, pondo a mão em meu peito — tá tudo bem Davi, a gente está sobre muita pressão, só isso, ninguém nos disse que seria fácil, ter um trabalho, cuidar de dois filhos, ter uma vida de verdade, ninguém nunca nos ensinou, mas mesmo assim tem sido a melhor coisa que eu já decidi fazer

– Eu te amo, sabia?

– É, eu sei — ela disse com um sorriso

Um grito de vitória foi dado, uma das crianças havia conseguido a bandeira do adversário, Samuel a trouxe com um sorriso, ele pode ser baixinho, mas é o melhor em esportes, isso fará dele um grande jogador no futuro.

– Eu ganhei! Eu ganhei! — ele vibrou

– O time ganhou, né pequeno dino?

– Certo

– Alguém quer a mamãe — Baylee disse se aproximando, Megan pegou Branca em seus braços — já tá na hora, vocês tem que ir agora

Megan me olhou e eu confirmei sem dizer uma palavra, pegamos Samuel, a malinha da Branca e fomos para o ponto onde Jonas chegaria a qualquer momento de helicóptero, perto da enseada, Pamela escolheu não ir, Megan perguntou mais de uma vez, na esperança que ela mudasse de idéia, mas não mudou.

Então fomos só os quatro, a família Marra Reis, coloquei Branca na cadeirinha, a pequena não parava um segundo, tentando morder a fivela do cinto, o cabelo dourado brilhava, os olhinhos de borboleta me encararam, como se dissessem: "deixe eu morder esse cinto!", quando finalmente consegui colocá-la na cadeirinha, partimos.

~•~

Megan

Não vou mentir, eu estava mais do que ansiosa, arrumei a camisa do Samuel pela quarta vez e recoloquei a faxinha de cabelo da Branca pela quinta, ela já estava ficando irritada, mas eu não podia evitar.

– Megan se acalma — Davi disse, ele estava com Branca no colo — o seu pai tá chegando, ok? Isso é motivo de felicidade, não? — o vento balançou o cabelo dele

– Claro que é Davi, mas faz um ano que não o vejo, simplesmente parei de visitar, sem dar nem se quer uma explicação, ele nem sabe da Branca — passei a mão em seu curto cabelinho dourado

– Você achou melhor assim, se ele soubesse dela iria sofrer mais do que ja sofre, por não poder conhecê-la, e eu concordei, você não fez nada de errado Megan, você o estava protegendo

– O meu medo é que ele não pense da mesma forma

– Vai pensar, você vai ver — Davi disse pondo a mão em meu ombro

Branca abriu um sorriso, juntamente com uma gargalhada, beijei suas bochechas rosadas, minha pequena esmeralda.

Avistei o helicóptero ao longe, entre as poucas nuvens e sob os raios do sol, pedi para que Davi fosse com Branca para perto da enseada, ficasse com ela lá, brincando na areia.

Respirei fundo, o helicóptero já estava quase pousando, deixei a brisa fria entrar nos meus pulmões, tentei me acalmar um pouco, era impossível, eu não via ele a um ano.

– Nós vamos conhecer o vovô mamãe? — Samuel me perguntou com os olhinhos apertados, por conta do sol

– Vamos querido, vamos sim

O peguei no colo, precisei colocar mais força do que antes, isso é claro, mas ele ainda era baixinho o suficiente pra ficar no meu colo, o que eu particularmente amo, me dá a sensação que posso protege-lo de tudo.

Quando as hélices finalmente pararam de girar e a porta foi aberta, eu me aproximei com Samuel, meu pai saiu de lá, com a barba ligeiramente crescida, um blusa azul marinho e uma calça preta, seu estilo inconfundível, estava até um pouco mais forte, abriu um sorriso quando me viu, eu estava sentindo tanta falta dele!

Eu me aproximei gradativamente, para ter certeza que era ele e não uma miragem ou coisa parecida, passei a minha vida toda sentindo saudade de muitas pessoas, mas que infelizmente nunca poderia voltar a vê-las, mas essa eu podia.

Quando finalmente estávamos cara a cara, a emoção foi sem tamanho, o abracei como não fazia a muito tempo, pois as visitas na penitenciária americana eram restritas, nada de contato físico.

Abarcado junto ai nosso momento, estava Samuel, que passou a mãozinha em meu ombro e a outra no do meu pai, um abraço triplo, eu estava tão feliz, que nem consigo explicar o quanto, meu pai esteve ao meu lado, seja realmente ao meu lado ou não, eu sabia que podia contar com ele, queria ter passado mais tempo realmente com ele do que reclamando por ele não estar aqui o tempo.

Meu pai beijou minha bochecha e depois o topo da minha cabeça, como quando eu era pequena, deitei minha cabeça em seu peito, a dele sobre a minha, com os olhos marejados, ele beijou a testa de Samuel.

– Eu tava com muitas saudades — eu disse colocando Samuel no chão, ele já estava pesando — você não imagina o quanto, me desculpe por eu não ter te visitado no último an, mas é que aconteceram tantas coisas...

– Tá tudo bem Peaunuts, o importante é que você está aqui

– Nossa, você não sabe a falta que eu tinha de você me chamando assim — meus olhos também marejaram — mas mesmo assim, eu quero que você conheça o motivo

– Conheça?

Virei meu olhar para enseada, onde Davi estava de costas para mim, com Branca tão grudada em seu colo, que não dava vê-la, ele virou um pouco a cabeça e me viu, entendeu que estava na hora, disse alguma coisa pra Branca e veio ai nosso encontro, eu amo o jeito que ele conversa com ela, como se ela o entendesse, mas creio que entende sim.

Ficamos os cinco, alí juntos, beijei Davi rapidamente quando ele chegou, Branca olhava meu pai com uma curiosidade nos olhos tão intensa, como se o conhecesse de algum lugar, talvez sejam as fotos de família... mas ele está um pouco diferente agora, será que ela reconhece? Os olhinhos de borboleta o encaravam, com sua faxinha de cabelo azul marinho, blusa da mesma cor e um short um pouco mais claro, com algumas bolinhas, ela estava linda, o cabelinho de lado, bem curtinho como de menino e dourado como o sol, ela sorriu.

– Vo... vô! — ela gaguejou algo entre os dentinhos

– Ai meu Deus! Davi! Ela falou! Oh my God... a câmera! Eu não filmei isso...

– Calma Megan — Davi me interrompeu — eu acho até que você filma ela demais

Acabamos meio que esquecendo que meu pai estava aqui, vivendo aquele momento tão importante que é a primeira palavra da Branca, mas até que ele falou.

– Minha neta? — ele me olhou

– É, minha filha e do Davi

– É inquestionável — ele disse passando o dedo no rostinho dela — ela é sua cara Megan

– Pega ela

Como se fosse preciso pedir, ele já estava a colocando no colo, curiosa do jeito que é, já estava explorando os botões de sua camisa e rindo, aliás, não conhece nada nesse mundo que não faça Branca rir.

– Ela é como você também — meu pai disse com um sorriso — alegre o tempo todo — ele beijou o topo da cabeça dela, que pra variar, riu daquilo também — qual o nome?

– Branca, o nome dela é Branca — respondi

– Como a sua avó — ele disse sorrindo pra ela — precisa de um apelido, como o que dei pra você... que tal, White?

Notas finais
Espero que tenham gostado, sintam-se convidados a comentar, caso nunca o tenham feito, não tem problema, faça agora, só peço que não deixem de comentar, é muito importante pra mim saber se vocês estam gostando, beijos e até a próxima!