Ángel
2 Amare non è solo guardarsi l'un l'altro
Notas iniciais
Acordou assustado com o barulho de Lovino abrindo a porta estrondosamente.
– Jantar, espanhol maldito! – ele colocou uma bandeja nada delicadamente sobre as pernas do mais velho, quase derrubando o conteúdo do prato na mesma, então se sentou em uma cadeira do outro lado do quarto, próximo à janela, fitando o lado de fora.
Antonio fitou-o ainda desnorteado por conta do sono, então olhou para a gororoba que seria seu jantar. Isso... era pra ser Gazpacho? Er... Bem... ele tentou... É, tentou... Chorava mentalmente, enquanto começava a comer em silêncio, resignado, e, como o italiano também não falou nada, o único som no ambiente pelos próximos minutos foi o da colher batendo no fundo do prato.
O gosto da refeição era tão ruim quanto a aparência, mas o espanhol se contentou com o que tinha porque estava com fome. E, aliás, a comida havia sido preparada pelo rapaz mais birrento do mundo. Ele, que jurava de pés juntos que odiava fazer coisas para os outros porque dava trabalho, mas, no fundo, Antonio sabia que era apenas a vergonha de admitir que não conseguia ou não sabia; e ali estava ele, pelo menos, tentando. Sorriu para si. Quando o prato estava vazio, o ruivo pegou de volta a bandeja e já estava saindo quando parou e perguntou com a voz mais entediada do mundo:
– Precisa mais de alguma coisa?
– Não. Obrigado, Lovino. – o espanhol respondeu, mas prosseguiu rápido antes que ele batesse a porta. – Ah... onde você vai dormir?
– Na sala... Como sempre, idiota. – Lovino respondeu como se fosse a coisa mais óbvia (e era, de fato, no momento).
– Fica aqui comigo.
Nem Antonio sabia de onde havia saído aquilo, mas saíra e dane-se. O italiano, por sua vez, surpreendeu-se a ponto de perder a fala por uns segundos.
– O que você tem? Claro que não. Está louco? Cazzo. – fez menção de fechar a porta, mas o outro insistiu.
– Por favor.
– Não.
– Er... Per favore(?).
Cazzo. Por que havia soado tão...? Er... tão porcaria nenhuma. Apelar falando a língua de Lovino? Ele não prestava.
– Vaffanculo. – ele bateu a porta com a mão livre.
Não acreditou que ele fosse ouvir mesmo, não sabia nem porque havia tentado, pensou tocando as ataduras por cima da roupa. Parecia melhor e Antonio não se sentia mais fraco e cansado, era um bom sinal. Queria muito que ele dissesse que sim. Queria poder sentir a presença de Lovino perto de si por mais tempo. Só um pouco... Pegar sua mão talvez, antes de dormir... Riu mentalmente deste pensamento tolo. Estava querendo demais. Devia ser idiota mesmo, como ele vivia dizendo. Foi escovar os dentes, pesaroso, e voltou mais pesaroso ainda.
Mas não custava tentar, foi o que o moreno pensou, desligando a luz do abajur e virando-se para dormir. Fechou os olhos e já estava sentindo o sono chegar quando a porta foi aberta abruptamente outra vez. Antonio pôde ver os contornos de Lovino contra o vão da porta antes de a mesma ser fechada e ele parecia carregar algo. Ouviu-o se aproximar, bater o pé no pé da cama e xingar; então ele deitou, colocando dois travesseiro entre seu corpo e o do espanhol.
– Lovino? – sussurrou, surpreso.
– Cala a boca e dorme. – resmungou o mais novo, puxando o cobertor para cima de seu corpo. – Não queria que eu dormisse aqui? Pois estou aqui, mas é pra você dormir, então durma!
Ambos ficaram calados um tempo, ouvindo o silêncio, como se nenhum dos dois ousasse respirar – sentindo o batucar de seus próprios corações. Até o espanhol juntar toda a sua loucura e avançar a parede de travesseiros para tatear em busca da mão do mais novo.
– Eu disse pra você dormir. – ele afastou a mão depressa, subindo mais o cobertor.
– Não tenho sono.
– Mas eu sim. – virou-se de costas.
Péssima ideia. A luta com o francês havia acabado totalmente com o senso de perigo de Antonio, provavelmente. Apenas isto explicaria a Lovino porque seus travesseiros voaram para o outro lado do quarto e então o italiano foi abraçado pelas costas, no escuro.
– Mas que diabos...? – murmurou, assustado. “Apavorado” seria a palavra certa. – O que você está...? O que é isso me cutucando aqui embaixo? Eu sabia que não deveria confiar em você, bastardo!
Apesar de seu escândalo, foi virado de costas na cama. Antes que notasse, o espanhol estava sobre si, com uma perna de cada lado e o rosto muito próximo do seu. E aquela coisa ainda o cutucava lá embaixo.
– O qu...? – foi calado com um beijo.
Gemeu em protesto – ou, pelo menos, foi o que pensou – , tentando trancar os lábios, mas a mão de Antonio afastou o lençol e começou a passear por sua cintura sobre as roupas e o ruivo não conseguiu conter um ofego. O espanhol aproveitou esse deslize para esgueirar a língua para sua boca. Era brincadeira, só podia ser. Maldito.
Quando Antonio se virou para acender a luz do abajur, Lovino tentou empurrá-lo e virar para sair da cama, fugir, mas não conseguiu sequer movê-lo. Então, meio torto na cama, virou o rosto e fitou os olhos verdes que emanavam certa nebulosidade na luz fraca da lâmpada à sua direita; entretanto, aqueles olhos também demonstravam uma certeza. Ele queria Lovino. E o teria. Ver isso naqueles olhos fez um arrepio descer por sua espinha; não estava certo. Mas o espanhol não queria saber, por isso puxou sua camisa de cordões para cima, tirando-a e jogando-a longe, prendendo o italiano na cama com o corpo.
– Você esta enlouquecendo? O que pensa que está fazendo, Antonio? O quê...? – perguntou desesperado sentindo dedos invadirem suas calças, resvalarem por entre suas pernas e se fecharem em torno de seu membro. – Não... não! Espera! Hmpf... Nós não somos pagãos, idiota! Como você pode...? Nós somos dois homens!
Lovino podia até ser católico, mas não era exatamente praticante. Entretante, novamente, sentiu tanta raiva de si mesmo quando seu corpo começou a responder àquele toque, que qualquer argumentação parecia válida para negar aquilo. O espanhol, por sua vez, não podia se importar menos. Lovino recebeu um beijo rápido, mas forte, antes que ele descesse para seu pescoço, seu colo, deixando marcas e a única coisa que o italiano pôde fazer foi apertar os lençóis, sem parar de travar sua luta interna.
Nunca fora tocado na vida, não sabia como lidar com a sensação que a mão dele lhe proporcionava. Isso lhe dava medo, por este motivo queria parar. Porém, a calça de linho bege que usava o abandonou junto à roupa íntima e agora estava tão exposto quanto não se lembrava de já ter estado em frente a outra pessoa. Um pequeno protesto escapou por seus lábios, sendo abafado por um gemido. Quando a camisa branca de Lovino aterrissou no chão, o nariz do espanhol encontrou o pescoço do mais novo, então os lábios deixaram uma marca ali. Ele chupou forte o bastante para saber que aquele hematoma não desapareceria tão cedo.
– Você é louco... O que está fazendo, cazzo?
– Você... tem um cheiro tão bom, Lovi... Eu nunca me esqueci desse cheiro...
O italiano era tão sensível que ao menor toque ficava tenso e quente e seu corpo se contorcia. Antonio se aproveitou disso, descendo com a língua por sua pele, por seu pescoço, peito, dando atenção aos mamilos duros, de um castanho bem, mas bem clarinho e também sensíveis. Ouviu com deleite os sons lânguidos que escapavam pela boca ligeiramente aberta dele. Ele queria ceder, Antonio sabia muito bem, ele iria ceder. Era uma questão de saber onde tocar; e iria descobrir. Desceu pelo abdômen, beijando e lambendo, até chegar ao meio de suas pernas. O italiano cobriu o rosto com as mãos sem acreditar no que estava sentindo, sem acreditar que aquela coisa úmida e quente era a boca de Antonio. Aquela coisa que o envolvia e o fazia derreter por dentro.
– Isso é nojento... E sujo! Pare com isso, maldito. É errado.
– Não é nojento. Você está gostando, Lovino.
– N-não estou! Argh!
Ele voltou a pôr sua boca no membro de Lovino que acabou, sem notar, agarrando os cabelos do patrão. Esqueceu-se de protestar porque aquilo era muito diferente de tudo o que já sentira em toda sua vida. Era assustador – todas aquelas sensações juntas pareciam querer engolir a sanidade do italiano: a raiva, o medo, a culpa, o prazer, a excitação e algo mais que não sabia precisar. E, cada vez mais, aquele delírio o desnorteava e envolvia e o tirava da realidade como nada nunca fora capaz de fazê-lo. E tudo isso culminou na sensação de que seu corpo iria implodir ou explodir ou qualquer coisa do tipo, para então a consciência ser arrebatada de si de uma vez.
Ainda ouviu-o cuspir, antes de sentir um beijo delicado nos lábios. Só então percebeu que estava de olhos fechados.
– Lovi?
– Que nojo. – murmurou com a voz trêmula, esfregando a boca com a costa das mãos; então abriu os olhos, unicamente para vê-lo rir. – Bastardo.
– Eres tan precioso. Me faz nunca mais querer largar você.
– Não diga besteiras, idiota. Me solta... Eu não quero isso...
Nem seu protesto, nem seus braços tinham forças para tentar detê-lo. Nem mesmo quando, quase em pânico, sentiu o corpo quente dele sobre cobrindo seu, a boca em seu pescoço e os braços em suas laterais, impedindo-o de fugir. Sem saber o que fazer, tentou virar novamente, mas o espanhol apenas pôs a mão em seu peito, mantendo-o onde estava e afastou suas pernas. Aproximou um dedo coberto o sêmen do próprio Lovino, o qual havia cuspido na mão antes, e o mais novo tentou fechar as pernas. Não podia acreditar que ele estava mesmo fazendo aquilo. E pior, por que não reagia direiro?
– Eu não posso parar... – ele disse com a tão voz rouca de desejo que fez o mais novo engolir em seco. – Tá tudo bem... Eu não vou machucar você.
– Não tá... tudo bem, não... Ah! – cortou-se ao sentir um dedo penetrá-lo.
Podia explodir de vergonha? Esperava que não. Ou melhor, era melhor explodir de vez e desaparecer naquele exato momento. Enterrou o rosto no colchão, mas o espanhol não permitiu, colocando a mão em sua testa e puxando sua cabeça para trás.
– Não se esconda, Lovino. Quero ver você.
E ele falava com uma luxúria tão inocente que não parecia vir da pessoa que movia o dedo dentro do seu corpo de um modo experiente como fazia. E aquele sotaque... Che cazzo, por que sentia como se pudesse derreter com aquele toque enquanto ouvia aquela voz? O italiano tentou se afastar pela milésima vez, mas aquilo só fez sentir o dedo mais fundo em si, fazendo-o se esquecer de lutar.
– Não fique tenso.
– É fácil falar... – sibilou, enfiando as unhas nos braços dele, então um segundo e logo um terceiro dedo foram introduzidos. – Che palle. Chega, chega, Antonio. Para com isso! Para! Por que você nunca me ouve, maldito?
– Eu ouço. – os dedos dele alisavam suas paredes internas, como se estivessem procurando algo.
– E-então por que não faz o que eu digo? – Lovino sentiu uma pequena e solitária lágrima escorrer por sua têmpora, quando os dedos dele foram retirados de onde estavam, deixando uma estranha sensação de vazio.
– Porque eu não acho que seja... o que você realmente quer... – a língua morna dele levou embora a lágrima.
Estas palavras deixaram Lovino sem argumentos. Alias, aquele era o homem que estava lutando por sua liberdade, o homem que sempre o entendia mesmo que não dissesse nada. Seria tão ruim... deixar...? Observou enquanto ele tirava a camisa expondo os músculos bem torneados; as calças a acompanharam, já que o ruivo não demonstrava mais intenções de fugir. É isso mesmo... eu vou fazer esse favor a ele. Fechou os olhos, subindo as mãos até os ombros fortes de Antonio. A sensação da pele dele era áspera e marcada, como a de alguém que já havia lutado e trabalhado muito, não apenas nos últimos anos, mas por toda vida, sob o sol e sob a chuva por horas a fio. Sentiu-se mal por ter dado tanta dor de cabeça durante o tempo em que morara com ele. Ele sempre retribuía seu mau humor com um sorriso, com alegria.
– Odeio você... Por que você invade a minha cabeça desse jeito, maldito...?
Ouvi-o soltar um pequeno risinho, mas não quis mais se importar. Timidamente, o italiano puxou o outro, colando o corpo ao dele, sentindo o próprio coração disparar quando ele lhe deu um beijo demorado, forte e cheio de paixão. Deixou que a língua dele invadisse sua boca, que o ser dele invadisse seus sentidos, mal notou a mão que brincava com seu mamilo esquerdo; estava mais consciente do movimento do quadril dele contra o seu, mandando ondas de uma sensação engraçada do baixo ventre até seu cérebro. Sentia-o tão ereto contra sua própria ereção que já voltava a despontar. Pensou se deveria tocá-lo ou fazer outra coisa, mas antes que sequer pudesse abrir a boca, o rapaz mais velho afastou suas pernas e puxou-as para cima de seus ombros. O nervosismo e a insegurança voltaram. Quis dizer a ele que parasse, mas... simplesmente não pôde, então o empurrou.
– Seu espanhol idiota. – sussurrou, virando o rosto.
– Você quer que eu pare mesmo?
Então se encararam por algum tempo. Lovino não conseguiu dizer que sim. Naquelas orbes verdes havia uma declaração muda que dizia abertamente que Antonio se devotaria para sempre ao italiano sob seu corpo, não importava o que houvesse. E tudo o que ele pedia era um pouco de... coragem talvez. Não, sinceridade. Sinceridade por parte de Lovino O italiano não conseguiu dizer nada, por isso apenas cobriu o rosto com os braços, para esconder toda a sua vergonha.
– Você está me dando permissão?
– Cale a boca.
– Lovi...
– Eu disse pra você se calar!
– Mas assim eu não entendo...
– Estou! – tirou os braços do rosto e gritou, sentando-se. – Che palle! Estou dando permissão! Faça o que quiser, cazzo! Agora cale essa boca idiota e faça o que tem que fazer de uma vez!
De susto, a expressão dele mudou para uma de felicidade, então para algo estranho que o italiano não saberia nomear. Era luxúria.
– Me toque, Lovino...
– Hã? Nem morto!
– Por favor. Tá doendo.
Odiava. Do fundo do coração, odiava. Odiava principalmente aquela habilidade dele de conseguir persuadi-lo de um modo ou de outro a fazer as coisas, mesmo que demorasse. Como água mole em pedra dura. Ódio...
– Odeio você...
Estendeu as mãos alcançando o sexo dele. Estava tão duro que Lovino sentiu o rosto quente. Nunca imaginou que faria aquilo na vida, mas começou a acariciá-lo do seu jeito meio bruto e desajeitado. Então... O maldito teve coragem de rir. O italiano ficou mais vermelho que os tomates que colhiam. De raiva e vergonha.
– Argh! – gritou, soltando-o e fazendo menção de sair da cama. – Maldito! Bastardo! Eu vou matar você, figlio di put...!
– Perdóname. – ele ainda ria um pouco. – Você é único, Lovi...
Então, com delicadeza, pegou uma de suas mãos, beijou as costas e colocou-a de volta ao lugar onde estava, com alguma resistência do mais novo. Fê-la deslizar por sua extensão, devagar, mostrando a ele como se fazia, descrevendo como podia tocá-lo, simplesmente para receber um olhar mortal do rapaz.
– Se você sabe fazer, então faça você mesmo. Cazzo.
– Não. Eu quero que você faça.
– Por quê?
– Shh.
– Não faz "shh" pra m... Hn! – foi interrompido quando ele começou a tocá-lo com a outra mão.
Calou-se, porque ele não ouvia mesmo. Deixou que ele o tocasse e que conduzisse sua mão pela própria ereção e à medida que o ouvia soltar arquejos baixinhos, o italiano fechou os olhos, mal ouvindo seus próprios arquejos, e foi baixando a cabeça até que ela pousasse no ombro do maior. Como ele aceitava aquilo tão naturalmente? Querendo ou não, era estranho, sujo e errado. Mesmo que fosse tão bom, era pecado, pensava enquanto tentava não sentir tanto por causa daquele toque e por tocá-lo ao mesmo tempo; mal notou quando ele soltou sua mão e ela continuou a acariciá-lo por conta própria.
– Lovino... Já chega.
Levantou a cabeça, unicamente para ver o rosto dele brilhante de suor e também corado, mas no caso dele, não era de vergonha. O espanhol o deitou novamente, ignorando os protestos que desta vez teimaram em sair. Sem cerimônia, afastou suas pernas e começou a penetrá-lo. Mesmo que ele o tivesse feito devagar, Lovino ainda considerou traição por ter sido tão de repente e o xingou até sua voz começar a falhar.
– Dói, maldito.
– Vai melhorar, eu prometo.
– Mas eu não... Ah!, não acredito... Pare... Dio... Awn...!
Ele cobriu a boca. Gemera tão alto que quis enfiar a cabeça debaixo da terra e não sair mais. Mas Antonio apenas sorriu e, tirando suas mãos do rosto, o beijou de leve e então mais forte, provavelmente para distraí-lo da dor; Lovino, desprovido de sua capacidade de reclamar, apenas bateu no peito do mais velho com os punhos e apertou seu quadril com as pernas. Tão debilmente. O espanhol, no entanto, não parou. Pelo contrário, sabia que não deveria dar oportunidade ao menor para pensar, por isso, a intensidade com que estocava contra o corpo de Lovino não era exatamente gentil.
O italiano estava lagrimando novamente, mas isso não importava desde que seu coração começara a martelar em seus ouvidos e o ar parecia rarear na penumbra daquele quarto abafado. A dor estava se transformando numa sensação estranha que o queimava, ardia e fazia coçar por dentro ao mesmo tempo. Não conseguia entender aquilo. Parecia que podia sentir cada uma de suas células pegando fogo.
– Antonio... Para... – ofegou, encarando-o com os olhos semicerrados. – Eu odeio isso... Coça... Lá dentro de mim... Coça... – ele gemeu virando o rosto. – Coça...
– Onde?
– Lá dentro, idiota!
Lovino virou para ele, então notou que nunca havia visto os olhos de Antonio tão escuros. Quase sentiu medo. Mas o medo era da dimensão do desejo que nunca notara que ele tinha. Por que negava tanto? Lá do fundo, agora percebia como o queria, como desejava que ele se cravasse bem dentro do seu corpo e isso não surgiu de repente. Puxou os cabelos castanhos e ondulados sem perceber, começando a arquear as costas.
– Faz isso parar... – murmurou, inconscientemente, empurrando o quadril contra o dele, mais forte e mais forte. – Coça... pra mim... Cazzo... Hmpf... Anda!
Acharia impossível, mas sentiu-o ficar mais duro dentro do seu corpo e isso fez ambos gemerem de dor e prazer ao mesmo tempo, quando o espanhol afastou as pernas do mais novo e o ritmo ficou mais forte, mais quente, mais confuso. Lovino agarrou as mãos espalmadas dele que agarravam suas pernas possessivamente, arremetendo-se contra seu invasor, fazendo Antonio gemer abafado junto a si. Ambos os corpos, que já deslizavam no outro por causa do suor, eram chacoalhados pela força da paixão que compartilhavam naquele instante.
– Lovi... Eu...
Fitaram-se e ele não precisou continuar. Lovino entendeu perfeitamente bem.
– I-idi-idiota – gaguejou num sussurro agudo, tremendo quando abriu os braços e o envolveu, apertando forte. – Não f-fale... Che... Eu sei... Ah!
Seu clímax veio primeiro, mil vezes mais forte que o anterior, fazendo-o arquear as costas totalmente e gemer algo incompreensível antes de deixar seu corpo cair contra os lençóis. O espanhol o seguiu, poucos instantes depois, bem quando Lovino abriu os olhos. E ainda pôde ver suas orbes verdes sumirem por trás das pálpebras, os lábios inchados dos beijos se abrirem um pouco, então um gemido profundo e longo saiu, junto com seu sêmen morno que preencheu o mais novo por dentro.
Lovino ainda apertou os lábios, querendo reclamar, mas não conseguiu. Em parte, porque estava cansado, mas também porque, pela primeira vez na vida, não queria estragar o clima.
E felizmente não o fez porque, em seguida, depois de deslizar para fora do seu corpo, ele respirou fundo e deitou com o queixo no meio do peito do italiano. E sorriu. O sorriso mais feliz e radiante que já o vira dar na vida. Se tivesse reclamado, Lovino nunca veria a coisa mais linda que já vira na vida. Entretanto, aquele sorriso o desconcertou e não sabia lidar com isso também.
– Por que você está sorrindo feito idiota, idiota? – ofegou. – Por que você está me olhando? Pare com isso. E saia de cima de mim. Tá quente. – tentou colocar o máximo de rispidez em sua voz, enquanto o empurrava pelos ombros, mas, pela primeira vez também, não foi muito bem sucedido.
– Estou feliz porque estou com você e estou olhando porque não tenho motivos para não estar.
Lovino enrubesceu, mas estava cansado demais para discutir, então se contentou com um "espanhol besta" e um "já disse pra sair de cima de mim! Você pesa!". Antonio até obedeceu e rolou para o lado, mas puxou-o para o seu peito.
– Che palle, você é cansativo.
Já que não havia jeito, puxou o lençol para cobrir seus corpos nus.
– Se eu não fosse, você não me daria espaço. Então estamos bem assim.
– Argh... Tanto faz... – resmungou o ruivo, poucos instantes antes de fechar os olhos e começar a ressonar.
– Buenas noches... Mi Lovino.
–––
A porta do guarda-roupa estava aberta, na manhã que se sucedeu, e Lovino não se lembrava de ter estado assim à noite. Fitou o lado direito da cama – vazio – , tentando entender o que estava errado. Chamou pelo outro, mas não houve resposta. Então se levantou para procurar pela casa – vai ver o maldito rolou as escadas e morreu, pensou – mas não o achou. Havia apenas um bilhete sobre a mesa do hall de entrada e nele lia-se: “Perdóname. Yo volveré…”.
– Maldito... Sabe que eu odeio espanhol...
Lovino começou a pensar que aquilo nunca teria fim. Teria que esperar quatro anos como da última vez? Ou seis? Ou oito? O problema não era tanto estar só ou ficar trancado em casa – ficava irritado em qualquer canto, fato. A questão era... não saber o que acontecia com Antonio, nem se ele voltaria bem. Ou mesmo se ele voltaria. Sentir isso era muito irritante.
–––
Ele finalmente voltou num dia particularmente frio, no fim do segundo ano de sua partida. Lovino lavava sua roupa no tanque do quintal fazendo todo o barulho que tinha o direito de fazer como um legítimo sul-italiano, então não ouviu nada, apenas viu quando ele apareceu por entre os lençóis estendidos. Podia matá-lo de uma vez? Esse inconsequente, pensou ao ver, como da outra vez, sangue e roupa rasgada. Mas desta vez, era diferente, ele sorria.
– Eu disse... que voltaria. Por siempre ahora. – falou.
O italiano pensou em um milhão de coisas para dizer e fazer. Nenhuma delas era agradável, então ficou com um simples:
– Você… venceu?
– Sí. – ele não conteve um sorriso maior enquanto mancava para perto do italiano.
– Sua perna...?
– Não é nada demais… o que importa é que acabou.
Lovino mal notou como sua respiração estava acelerada quando fez menção de abraçar o homem à sua frente. Não estava nos seus planos. Hesitou. Hesitou novamente. Então, dane-se, atirou os braços em volta do pescoço do espanhol, colando o peito no dele. Era bom saber que ele estava vivo, sentir a reverberação do coração dele batendo e de sua voz quando ele falou:
– Lovino, o-o que é isso?
Apenas não sabia admitir nada disso...
– Cala a boca... Só... fica quieto. – sua voz ficou presa no tecido da camisa dele, mal pôde ouvi-la, mas soube que o espanhol entendera.
As mãos dele também hesitaram, mas então pousaram em sua cintura, uns instantes antes de corresponder ao abraço. Lovino sentiu-se quente.
– Agora... você está oficialmente livre. – falou Antonio, num sopro de voz, em seu ouvido. – Pode ir embora... quando quiser...
– Cazzo idiota, como espera que eu vá embora agora... – Lovino fechou os olhos, sem nem notar o que havia dito.
– Como?
– Eu disse pra ficar quieto.
Antonio acatou a ordem do mais novo, mas isso não lhe impediu de colocar a mão no queixo dele e levantar seu rosto. Embora Lovino houvesse relutado em olhá-lo, não conseguiu evitar para sempre e seu rosto tingiu-se de rosado assim que encontrou os olhos verdes do espanhol.
– Achei que você ia querer me espancar quando me visse... Não consigo ler você... – o maior admitiu, um tanto decepcionado, talvez.
– Morra. Eu não sou uma carta pra você ler, caz...
Foi interrompido pelos lábios do espanhol nos seus, mas antes que ele sequer pudesse aprofundar o contato, foi empurrado como na primeira vez.
– Che palle, bastardo...
– Não consegui evitar, desculpa, Lovino. – Antonio sorriu apologeticamente, soltando-o. – Vou tomar banho e dormir agora. Ou talvez durma logo. Estou tão cansado que sinto que poderia dormir por milênios. – ele riu, mas suspirou em seguida, fazendo menção de dar as costas a Lovino.
– Espera...
O italiano recebeu um olhar curioso em resposta, mas não notou porque fitava o chão. Che... Por que era tão difícil falar às vezes?
– Bentornato, cazzo. Obrigado por me proteger.
Surpresa. Alívio. Contentamento. Foi o que Antonio sentiu.
–Denadie, Lovi.
– E nunca mais me beije ou eu vou...! – semicerrou os olhos, já alteando a voz.
– Se incomoda tanto, pararei. – o espanhol suspirou dramaticamente e sorriu visivelmente tentando parecer resignado, antes de virar para rumar para dentro da casa. – Perdóname por irritar você. Eu já esperava isso. Se for pra você ficar mais calmo, pra vivermos sem tantos conflitos, então tudo bem... eu desisto.
Lovino observou-o dar alguns passos adiante, sem ver o sorriso safado que brincou nos lábios dele. O que o italiano pensava era um como o odiava. Odiava como ele era tão bobo. Como levava tudo a sério e como se magoava quando... quando Lovino não tinha a intenção de magoá-lo. Na verdade, nunca tinha. Porque... enfim, num ímpeto vindo... sabe-se lá onde, o italiano deu passo à frente e segurou sua camisa, puxando-o para mais perto e para baixo, então seus lábios estavam nos dele, dando uma demonstração do que significava seu sangue latino.
– O qu...? – recebeu um olhar muito confuso das gemas verdes.
– Não pergunte. Cazzo.
Antonio não perguntou, apenas encostou-o ao tanque, beijando-o com força e intimidade agora. E, pela primeira vez, sentiu a mão dele em seu rosto para dar apoio e foi correspondido. Quando se separaram, fitou a face avermelhada do rapaz à sua frente – o mesmo que vira crescer, o mesmo por quem se obrigara a sufocar seus sentimentos porque não queria induzi-lo a nada, o mesmo por quem daria a vida (e quase dera, de fato). Amava-o. Única e simplesmente, amava-o. Mas, já estava tendo vertigens por falta de sono no momento, precisava dormir.
– Eu gostaria de continuar, mas estou cansado de verdade... – admitiu.
– Vai logo, cazzo... Eu... não vou a lugar algum mesmo... – o italiano murmurou.
Antonio sorriu pelo que parecia a milésima vez naqueles poucos minutos desde que havia voltado, fitando um italiano mortalmente envergonhado. Depois...? Era uma boa promessa. Um novo começo talvez? Deixariam para pensar nisso mais tarde, afinal tinham todo o tempo do mundo agora.
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