Água quente

1 Um desejo de boa sorte


Notas iniciais
Hello, como bem sabemos, isso não rola no filme, sequer no livro.
Entretanto é de livre arbítrio do autor de fics escrever aquilo que lhe der na mente, e isso aqui não interfere a linha cronológica e demais acontecimentos no livro/filme, bjks.

“Runima um pouco as coisas debaixo da água quente. Vai ajudar você a pensar… acredita em mim.”, e ele estava mesmo cogitando isso! O que era, no mínimo, loucura! Ouvir os conselhos de Cedrico Diggory enquanto concorrentes do torneio tribruxo era uma loucura, Hermione o alertaria disto, mas preferida naquele momento deixar os amigos fora da jogada. Se desse certo ou errado, teria apenas a ele mesmo e a Cedrico a culpar.

Olhava para a água por toda a enorme banheira, vislumbrava o reflexo de seu rosto agora que a espuma começava a espaçar. Tocava a nuca com a destra, a mão quente pela água em contato com o pescoço ainda gelado, um contraste e tanto. Quando soltava o ar por entre os lábios, até mesmo via a fumaça esbranquiçada romper por eles.

A hora era aquela, não teria muito mais o que fazer, não quando Murta parecia esperar que ele desistisse e deixasse toda a espuma sumir em meio às águas. Sentia-se ainda mais despido, não pela óbvia nudez, mas pelo desejo dela em vê-lo. Era desconfortável, complexo de explicar quando sequer entendia.

Quando enfim teve o rompante de coragem ao entender sobre os sereianos, e o surto de Murta sobre si para tão logo vê-la partir, estava disposto a sair das águas, o roupão estava próximo e não queria que, por algum motivo, Murta voltasse para espiá-lo. No menor dos sons, cessou. Afundou-se novamente na água ainda quente, o queixo submerso quase fazendo com que entrasse água na boca.

— Entendeu, então, Potter. — Diggory lançava a ele um meio sorriso, caminhando em sua direção, despindo-se do cachecol amarelo da Lufa-lufa, da camisa e para princípio de desespero de Potter: a calça. — Murta complicou as coisas para você? Ela é bem intrusa.

Engoliu em seco, não deveria olhar tanto, mas lá estava ele notando cada detalhe da pele já exposta de Cedrico, das pequenas sardas nas costas enquanto ele virava-se para deixar as peças de roupa sobre a pia mais próxima, inteiramente nu.

Sentiu o ondular da água quando Cedrico juntou-se a ele, haviam pouquíssimas espumas na superfície, tão logo Cedrico também veria seu corpo, menor e mais magro. E isso o incomodou, não por ser visto nu, mas por saber que, muito provavelmente ele há havia visto corpos mais belos que o seu.

— Potter?

— Hm?

Lá estava aquele sorriso de novo.

— Entendeu tudo o que o ovo dizia? — Diggory tinha a aura de um sedutor, não daqueles baratos que Harry julgou ser o estilo de Krum, mas aquela sedução perigosa, a qual se vê preso e sem saída, sem nem ao menos saber como parou ali.

— Sim.

— Bom. Não teria graça vencer por desistência. — A piscadela era sensual demais para uma simples implicância pra competidores.

Harry não sairia dali. Não com a chance de ter seu corpo exposto, mas, não que tivesse muitas mais chances com a espuma evaporando aos poucos, dissolvendo-se em água. Evitava olhar para baixo, com Diggory tão perto, seria como se buscasse o corpo alheio. Estavam há poucos centímetros, mal fazia um metro, Harry calculou breve.

— Veio apenas conferir se seguiria seus conselhos? — tomou a coragem de questionar, virando um pouco o rosto na direção de Diggory, vendo o momento exato no qual ele lhe lançara o olhar, inclinando-se em sua direção, encurtando a distância.

— Para ser sincero, sim. Não pensei que fosse me dar ouvidos, achando que talvez estivesse tentando atrapalhar você, sendo desonesto no jogo — aproximou-se, como quem se acomoda em meio às águas, fazendo a vibração chegar ao corpo de Harry, que naquele momento regia bem à qualquer estímulo pelos hormônios da adolescência que chegavam. — Então vim te dar apoio.

— Obrigado. — Taciturno, não por opção de ser calado, mas por não saber mais o que dizer. Era hora de sair dali, a água já esfriava e logo Murta voltaria, não seria nada agradável, ainda mais se ela espalhasse por aí que viu Potter e Diggory tomando banho juntos. — Melhor ir, antes que Murta volte e espalhe pra escola inteira que estávamos tomando banho juntos. — Acabou por falar o que pensava em voz alta, sentindo a mão de Diggory em seu ombro, um tapinha discreto e breve.

— Claro, boa sorte Potter, na prova.

Levantaram-se ao mesmo tempo, para azar de Harry. Trocaram olhares, discretos, por parte de Cedrico, quase indecentes por parte de parte de Harry.

— Não sente curiosidade, Potter? Porque eu sinto. — Harry não recuou, nem mesmo quando a mão de Diggory chegou à sua nuca puxando-o para mais perto. O corpo nu resvalando ao dele. E tão logo os lábios a sorver de modo tímido a língua alheia que invadia sua boca com experiência e volúpia. — Melhor irmos, antes que Murta volte e realmente tenha o que falar sobre nosso banho juntos.

Ele não tinha problema quanto a nudez, e isso Harry notava. Já ele, bem, só faltava tremer, tropeçar e cair no chão. O que seria patético, no mínimo. Era essa a curiosidade a qual Diggory se referia? O beijo? Ou beijá-lo, em específico? Desde que as meninas suspiravam, por ele… bem, havia sim ficado curioso, mas era notável assim?

Teve tempo de enrolar-se no roupão e logo ouviu a voz de Murta, feliz ao ainda encontrá-lo ali, mas logo triste ao vê-lo sair tão depressa que teve que voltar para recolher os pertences, e o ovo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!