Notas iniciais
Não me matem! XD Sei, eu prometi caps novos para novembro, mas a falta de tempo aliada a pouca inspiração não me permitiram cumprir essa promessa. Mas como estamos perto do Natal, época de celebração e amor, criei vergonha na cara e me dignei a escrever um cap especial para vocês. Espero que vocês, leitores queridos, não tenham me abandonado. Mil perdões, beijos e alguns afagos... Vamos ao cap!

Juntos no telhado olhando as estrelas.

– No que está pensando? – Perguntou ele roçando o rosto na bochecha dela. Lia suspirou feliz.

– Em nada... Quer dizer, nós bem que poderíamos fazer aquela viagem, né? Você sempre falou que queria conhecer o mundo.

– Eu sei... Talvez um dia.

– Um dia quando? – Perguntou ansiosa. Um dia parecia muito distante.

– Um dia, Lia. Agora, acorde.

Então, ela acordou. Foi um sonho... Como todos os outros que Lia tinha, dormindo ou acordada, de dia ou noite quando estava exausta demais por pensar nele. Ela o encontrava em algum momento quase sempre no telhado, o lugar preferido dele, como faziam anos atrás para fazer planos. Ele aparecia do nada como que para preencher o vazio da sua ausência. Uma fuga, um abrigo que ela criou dentro de si para manter a salvo a esperança de reencontrá-lo. Vê-lo bem. Algum dia... Um dia parecia muito distante.

Mas por mais sonhos que tivesse, não era suficiente... Ela queria mais, precisava de mais. Lia queria tocá-lo, sentir seus cachos entre os dedos, ouvir o som do seu riso, poder rir com ele ou brigar com ele. Lia sentia falta das brigas. Sentia falta das conversas, dos sonhos e planos que eles fizeram e que não se concretizaram. Se ela não tivesse ido embora... Ela se perguntava todos os dias como seria se ela não tivesse partido. Mas como Fatinha uma vez disse, a vida é muito mais que ‘e se’ e o que foi feito estava feito. Ela precisava encarar todas as dificuldades, ser forte por ele.

Doía saber que não era real, que ele não estava lá realmente. Talvez nunca estivesse... Mas ela precisava ter esperança.

– Bom dia!

– Bom... – Resmungou a marrenta pondo os pés para fora do sofá onde dormia. Tinha se mudado há dois dias para a casa de Fatinha e habituava-se a rotina da loira e do filho dela.

– Eu fiz café. Como vai querer? – Perguntou Fatinha enquanto colocava duas canecas, uma cesta com pães e algumas frutas sobre a mesa.

– Café preto para mim tá bom. Obrigada.

– Aqui está. – Fatinha empurrou a caneca com o liquido quente para próximo de Lia quando ela sentou-se numa cadeira frente a sua – Então, quais atividades planejadas para hoje? Já vou avisando que o jantar na casa do Orelha e da Morg de jeito nenhum vai ser cancelado.

– Hum... Não tenho muito certeza sobre isso, mas já que não tenho outra saída... – Lia suspirou pensando em como seria o reencontro com os antigos amigos – O Fera marcou uma visita minha lá na fundação para ver se eu encontro alguma colocação que eu goste.

– Ah... É hoje? Eu não me lembrava... Mas não esquenta, você vai adorar lá. O trabalho que é feito na fundação é muito recompensador.

– Aposto que sim... Err, Fatinha, sobre a Rita... Eu não sabia, sério. Eu sinto muito.

Lia baixou o olhar, emocionada. Se não bastassem todas as ‘surpresas’ que teve desde que voltou ao Brasil, saber do falecimento da antiga colega foi um baque e tanto para a loira. Agora ela entendia um pouco o que Fera quis dizer com se perder quem se ama. Ele perdeu quem amava para sempre. Isso explicava ele ter enviado a carta e insistido para ela procurar por Dinho.

– Você não tinha como.

– Eu me sinto horrível. Mesmo que estivesse magoada com o que o Dinho me fez, não querer mais saber de vocês foi... Mesquinho e egoísta. Eu só me preocupei com o que eu sentia, não fazia ideia do que vocês viviam.

– É passado, Lia. O que aconteceu com a Rita, bem, não estava ao nosso alcance. Não fique mal por isso, ela estava feliz o tempo todo, apesar da doença. Desde cedo, soubemos que era terminal, mas ela não se deixou abater e viveu cada dia com alegria. Ela foi uma guerreira.

– Só consigo pensar no Fera... Ele gostava muito dela.

– Foi duro para ele, mas ele usou a dor para fazer algo maravilhoso. A Fundação Rita Svenson para a ajuda de crianças carentes foi uma prova de amor a ela e sua memória.

– Você tem muita admiração por ele, né? – Perguntou Lia sorridente espantando a tristeza.

– O Fera é um dos caras mais incríveis que já conheci.

Fatinha não fez questão de conter o sorriso e expressão encantada ao falar do amigo.

– Diferente do Bruno... – Arriscou a Marrenta vendo a amiga perder o brilho dos olhos. Bruno tinha feito muito mal a ela, Lia não podia culpá-la.

– Completamente! – Afirmou com veemência – O Bruno é um babaca!

– Mas é pai do seu filho.

– Por acidente... Mas tudo bem, você tem razão. Não quero que o Miguel me escute falando essas coisas dele, apesar dele ser exatamente isso! – Ela levantou-se e foi ate a cozinha onde deixou a sua caneca.

Não era hora para pensar em Bruno ou no que ele tinha lhe feito. Em pouco menos de uma hora, ele estaria em seu apartamento para encontrar o seu filho e ela precisava manter a calma. Ele não merecia que ela se descontrolasse e falasse ou fizesse algo que pudesse magoar Miguel. Já passou o tempo em que o ‘Moreno’ atrapalhava a sua vida, agora era ela quem ditava as regras do jogo e nada a faria ceder a Bruno. Ela tinha certeza que ele não ficaria muito tempo na sua vida, ele apenas não admitiria isso. Foi fácil partir uma vez, com certeza ele o faria de novo.

– A que horas ele vem pegar o Miguel? – Perguntou Lia surgindo na cozinha.

– Daqui a pouco. Por falar nisso, é melhor eu ir acordar aquele dorminhoco.

Fatinha seguiu para o quarto de Miguel e abriu a porta devagar. O menino dormia profundamente agarrado a uma bola de pelúcia, presente de Dinho, o corpo meio coberto pelo edredom com estampa de estrelas, mais uma coisa que lembrava o seu ‘marido’. Sem fazer barulho, ela se aproximou da cama do menino e beijou-lhe a testa.

– Bom dia.

– Bom dia, mamãe. – Murmurou ele se aninhando ao edredom. Fatinha riu e abraçou o pequeno que abriu os olhos já despertos.

– Tá na hora de acordar.

– Só mais um pouquinho, por favor.

– Não dá, o Bruno... Quer dizer, seu pai vem te buscar, lembra? – Fatinha engoliu em seco o desapontamento de ter que ver Miguel e Bruno juntos, mas aquele era um desejo do filho e ela tinha que respeitar.

– Você tá triste por causa disso? – Questionou o menino esfregando os olhos com as mãos.

– Não... – Negou com um sorrisinho nervoso – Eu só quero que você fique bem.

– Eu vou, não se preocupe.

– Eu sei... Te amo.

– Eu também te amo. Um tantão assim, Ó! – Miguel abriu os braços o máximo que pode para enfatizar o que dizia. Fatinha riu um pouco menos apreensiva.

Seu pequeno garoto era uma criança muito especial e ela não permitiria que fosse desapontado como ela foi.

– Hum... Fico feliz em saber. Agora já para o banho, senhor!

Meia hora depois, já de banho tomado e alimentado, Miguel assistia a TV com Lia quando a campanhia tocou. Fatinha se apressou em atender.

– Oi! – Falou Bruno assim que ela abriu a porta, muito bonito vestido de calças jeans, camisa polo azul e tênis. Por um instante, ela lembrou-se do rapaz que ele foi.

– Oi... – “Vai com calma, Fatinha!” Pensou enquanto balançava a cabeça devagar para espantar as lembranças – Você veio.

– Eu disse que viria... É o nosso filho, Fatinha. Ele é meu também.

– Só por algumas horas! – Sussurrou fechando a porta atrás de si para que somente ele a ouvisse – Mas antes, quero deixar uma coisa bem clara: Pense muito bem no que você vai fazer ou dizer ao meu filho. Se por um acaso você o magoar de alguma forma... Eu juro que acabo com a sua vida e sim, isso é uma clara ameaça. Por isso, cuidado, caso contrário, terei imenso prazer em enviar as partes do seu corpo enroladas em plástico bolha para sua mãe!

Bruno a fitou calado, fascinado e aterrorizado pelas palavras de Fatinha. Ele a conhecia o suficiente para saber que ela não faria nada daquilo, mas também sabia que ela falava muito sério quanto a magoar o menino. Ele quis dizer que não era sua intenção, mas tinha certeza que ela não acreditaria. Qualquer coisa que ele dissesse seria inútil. Era esperar demais dela depois de toda a dor que ele causou. Porque só tendo sido muito machucada pra olhá-lo com tamanha hostilidade. Ele podia sentir o medo dela, medo de que ele fizesse o mesmo com o menino. Ele não faria.

– Eu vou cuidar dele, prometo.

– Espero que sim... – Disse contraindo os lábios – Porque se não, juiz nenhum nesse mundo vai me obrigar a permitir que você chegue a um quilômetro de distância dele. Nem que para isso, eu tenha que me certificar que vai ser muito difícil para você sequer respirar!

– Eu entendi o recado! – Falou Bruno levantando as mãos em sinal de entrega.

Fatinha respirou fundo tentando não ser tão intimidadora, mas Bruno fazia seu pior lado vir à tona. Com ele, qualquer cuidado era pouco.

– Miguel... Seu pai chegou! – Ela abriu a porta novamente e adentrou. Bruno esperou que ela retornasse com o menino.

– Você lembra-se do que nós combinamos? – Perguntou ela ao garoto agaixando-se para que ambos ficassem na mesma altura.

– Sim! Não atravessar a rua sozinho, não falar com estranhos, não sumir e me comportar.

– Bom garoto! – Falou emocionada bagunçando os cabelos de Miguel – Te vejo mais tarde.

Bruno admirou os dois, a forma como pareciam se entender e desejou não ter estado longe por tanto tempo. Recriminou-se por tê-la tirado da sua vida e dado as costas para todos os momentos que poderia ter vivido com a mulher que sempre amou e com o filho de quem nada sabia a não ser o nome.

– Aqui está tudo o que ele precisa. Qualquer problema, é só me ligar. – Ela estendeu a mochila com os pertences de Miguel a Bruno.

– Obrigado. – Agradeceu relutante.

Nunca imaginou que ela algum dia fosse assumir o controle de alguma coisa na sua vida, mas era o que ela fazia no momento.

– Tchau, amor.

Fatinha impulsionou Miguel com as mãos para que ele acompanhasse Bruno. Num primeiro momento, o menino olhou o homem desconfiado, mas após receber um sorriso reconfortador da mãe acompanhado de uma piscada de olho, tomou coragem e segurou a mão do seu ‘novo pai’.

– Oi! – Disse ele, curioso analisando Bruno de cima a baixo.

– Oi... – Cumprimentou o ‘Moreno’ encantado com a semelhança entre o menino e ele – Pensei que a gente poderia dar um passeio no parque, o que acha?

– Seria bom... Tudo bem.

Notas finais
Lia sonhando com o Dinho... :*( Ò dó! Fatinha e Lia dividindo a mesma casa XD Rita : *** Fatinha e Miguel :*) Fatinha sádica pisando bonito no Moreno... AHHHH! Como será esse encontro entre pai e filho, hein? Mereço reviews? Espero que sim! Prometo não demorar tanto para postar de novo! Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.