À Espera De Você...
7 Mágoas, erros e uma promessa
Notas iniciais
– Então, conhece meus pais?
– Sim, conheço... Eu sei quem eles são.
Lia não reconheceu a própria voz, a resposta dita num toma agudo. Sua fala foi sufocada pelo bolo que se formo na garganta, ela não sabia como agir e olhar para aquele garoto tinha se tornado uma tortura.
– Miguel pode me deixas a sós com a Lia?
– Por quê? – Questionou o garoto sem notar o clima tenso que pairava sobre eles.
– Depois eu explico. Agora, por favor, eu preciso conversar com minha amiga.
– Tá bem, tá bem!
Miguel saiu resmungando e caminho ate uma mesa próxima. Fera certificou-se de não perder o menino de vista para depois retomar a conversa. Ele sabia que Lia viria ao casamento da melhor amiga, e por isso decidiu ir à festa. Ele precisava conversar com ela, esclarecer algumas coisas. Fera não esperou que Miguel e Lia fossem se encontrar antes de ter a oportunidade de conversar com ela, mas isso não o impediria. Ele tinha iniciado aquela história e agora iria ate o fim, pelo menos, em partes.
– Lia... Eu to feliz em te ver.
– Desculpe-me se não posso dizer o mesmo. Engraçado... Ele é igual ao que eu imaginei. Fisicamente não lembra em nada o Idiota, mas aquele sorriso, a maneira de se portar... Não dá para negar, é o filho dele. E olha com quem, né? Fatinha! A Periguete que era, supostamente, amiga dele.
– A verdade não é bem essa que você tá pensando. Procure entender que...
– Entender o quê?! Que ele mentiu mais do que eu sei? Fera, me poupa tá? – Exasperou-se, perdendo o controle. Lia não queria ouvir nada, nenhuma explicação. Ver aquele menino a fez entender que a distancia que a separava de Dinho era muito maior – Não me interessa o que se passa na vida de Di-Dinho... Alias, há muito tempo que eu já o risquei da minha vida, assim como qualquer coisa relacionada a ele.
Ela deu as costas para o homem e começou a caminhar. Fera a seguiu e a puxou pelo braço, impedindo que ela escapasse. Lia o olhou furiosa, a raiva que sentia maior que tudo.
– O que pensa que tá fazendo?!
– Impedindo que você faça uma coisa pela qual pode se arrepender amargamente.
– De que merda ‘Cê’ tá falando? Por acaso aquele Idiota te pediu para fazer isso?
– Não, o Dinho nem sabe de você.
– Claro, ele deve tá ocupado demais brincando de casinha com a ‘Facinha’! Será que ele contou à esposa que me enviou uma carta de amor? Uma carta! Só alguém tão brega quanto ele para pensar que precisava somente três, quatro linhas falando sobre arrependimento para eu esquecer tudo o que ele me fez! – Lia estava à beira das lágrimas – Me faz um favor e diz para o teu amigo que eu não to interessada no cargo de amante dele. Eu quero que ele me deixe em paz! Quero que ele vá viver a vida dele bem longe da minha.
Ela transparecia uma mistura de emoções: raiva, mágoa, dor. A primeira em maior intensidade. Para Fera, apesar das palavras duras, era nítido que ainda existia um pouco do amor que ela sentiu na adolescência. Ele sentia-se solidário a ela, Fera sabia o que era amar tanto alguém e de repente ver esse sentimento se quebrar. Mas Lia ainda tinha uma chance, Dinho ainda estava lá... Ela devia agarrar essa oportunidade nem que fosse para dizer adeus.
– A vida dele não conta nada para você?
– Não, Fera! Ele pode morrer que eu pouco me importo!
– Você deveria ter mais cuidado com o que deseja... Eu não vou mais te prender. – ele a soltou, mas invés de ir embora, Lia permaneceu parada.
– Por que não diz o que quer de uma vez?!
– Eu não quero nada... A verdade é que pensei que esse tempo em que esteve longe teria te feito bem. Acreditei que você fosse estar preparada para enfrentar a realidade, mas não. Você ainda nega seus sentimentos, foge quando alguém diz o que não quer escutar... Pensei que ao te enviar aquela carta estaria ajudando um amigo, mas o Dinho não precisa de alguém o atacando. Sabe, muita coisa aconteceu... Nós mudados, cuidamos uns dos outros agora. E se você soubesse, mas não é culpa sua. É minha.
– Soubesse o quê? – Lia não estava mais com raiva e sim bastante confusa. Fera estava tão sério... Falava de uma forma que parecia que algo muito ruim havia acontecido.
– Soubesse que nós não temos controle sobre a vida... Que coisas ruins acontecem com pessoas boas e que quem nós amamos são apenas pessoas que, cedo ou tarde, perdemos.
Uma lágrima escorreu pelo rosto dele surpreendendo Lia. Ela não se lembrava de já tê-lo visto chorar... Simplesmente, aquele não era o cara alegre que ela conheceu. Havia tanta dor no seu olhar que fez ela se arrepiar.
– Bem... A culpa não é sua. Você pode voltar para Londres e sua vida. Foi um erro pensar... Foi um erro desde o inicio, agora eu posso ver.
– X –
– Conhece aquele garoto que está conversando com a Lia?
– Não. Por quê?
– Por nada... Estranho, ele me lembra muito alguém que eu conheço, mas não recordo quem é. Ele é tão bonitinho, não acha? Os pais devem ter bastante orgulho.
– É, pode ser.
Bruno suspirou, entediado. Sua mãe estava, novamente, mostrando seu desagrado, embora sutilmente, pelo fato de ainda não ter netos. Marta não se conformava que ele não tivesse filhos e a noticia sobre o divorcio só piorou a situação. Bruno estava farto de cobranças, somente ele sabia o inferno que viveu por tentar agradar os pais.
– Filho, eu liguei para Ana... Acho que se você a encontrar e esclarecer tudo, talvez ela desista dessa ideia absurda de separação. Você não pode permitir que seu casamento se desfaça, Bruno.
– Por que não? Por que não pegaria bem? Acabou, mãe. Meu casamento era uma farsa e nada nem ninguém vão me fazer voltar para essa mentira.
– Pense bem! Não precisa ser tão radical... Você ainda pode ser feliz.
– Não posso, mãe... Eu deixei a felicidade escapar há muito tempo.
Marta ficou calada absorvendo as palavras do filho. Ela não entendia por que Bruno dizia aquelas coisas... A seu ver, ele tinha tudo necessário para ser feliz. Ele tinha a vida com a qual ela sonhou para ele desde que ele era pequeno. Porém, nada disso parecia suficiente e ela buscava o ponto no qual falhou com o filho. Mas era tão claro... Ela quis aquela vida, não ele. Era o sonho dela, não o de Bruno e ao impor sua vontade sobre o filho acabou anulando qualquer possibilidade de um caminho diferente. Mas Bruno também era culpado, ao permitir que ela o controlasse pagou um preço muito alto.
– Bruno... Eu sinto muito.
– Não, por favor, não fala nada. Eu não te culpo, eu fiz minhas escolhas. Eu e somente eu ferrei com tudo... Você só quis o melhor para mim, mãe.
– Você ainda ama aquela garota, não é?
– O que quer que eu diga?
– A verdade. Não só para mim, mas para você também.
Ele pensou numa resposta. Havia uma resposta para a pergunta que o perseguia há anos? Já fazia tanto tempo que parecia tolice pensar no passado. Fatinha nem devia lembrar que ele existiu ou que o amou... “Ela me amou.” Pensou ele. Sim, ela o havia amado mais que tudo, ate mais do que ela mesma, mas ele nunca foi capaz de compreender esse sentimento. Pior, o menosprezou e o jogou fora. E agora, ele sentia tanta falta dela. Do jeito ‘causador’ que o enervava e lhe envergonhava tanto. Sentia saudades das besteiras que ela falava, pensava... Ela era um erro, e o seu maior erro foi deixá-la escapar.
– Amo.
E dizer aquilo foi como se libertar. Talvez ainda houvesse tempo para ele, e dessa vez Bruno prometeu a si mesmo que faria tudo certo.
Notas finais
Ps: Pessoas, avisando que dia de postagem será toda sexta. Assim, vocês já sabem quando tiver capítulo novo na Fic. Beijos e ate sexta que vem.
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