Estava mais uma vez pensando naquela cova, onde estava enterrado aquilo que sem eu seria incompleto para sempre. E é isso que eu sou. Alguém incompleto, quebrado e inútil. Pergunto-me porque ainda estou aqui... O mundo é feito de mentiras, e a única coisa que o liberta delas é a morte.
Mas eu não tenho coragem para o suicídio; tenho medo do mundo lá fora, das pessoas... mas mesmo assim tenho esperança de que algo aconteça e eu morra. Já não visito um médico há muito tempo. Espero morrer em breve. Enquanto aguardo este grande momento – e ultimo – da minha vida, continuo escrevendo minhas histórias.

“Quando o dia nasceu, a cidade toda parecia congelada. Havia neve por toda parte, cobrindo casas e campos, poucas pessoas saíam de casa naquela manhã. O frio é algo bom, mas como tudo em excesso, pode te fazer mal, ou até mesmo matar. Jon sabia disso, mas saber não o ajudava muito. Estava enterrado 5 metros abaixo do chão, em um velho caixão de madeira. Como foi parar lá, ele não sabia, porém isso não importava.
Estava vestido somente com sua camisa preferida. Quem quer que o tenha colocado lá, o conhecia muito bem. O pouco ar que conseguia respirar era o que ainda o mantinha vivo. Ele não estava sozinho. Havia, em sua mão, uma arma apontando para sua própria cabeça. Se ele quisesse, poderia tirar sua vida agora. Nenhum futuro problema, nada com que se preocupar.
Como disse Alex DeLarge: "Um momento de dor, talvez, e depois o sono; para sempre, e sempre, e sempre..." Não havia nada que o fizesse mudar de ideia. Todo o mundo ao seu redor mudou... mas ele não. Agora estava sozinho. Todas as pessoas são como os monstros que temos medo na infância, mas elas são reais, tendo nomes e rostos comuns.
Todavia algumas mereciam ser lembradas; seus pais e alguns amigos, por exemplo. A melhor época da sua vida foi quando estava ao lado deles, por isso, quando essas pessoas morreram, o sofrimento tomou conta dele. Não há espaço para outra coisa a não ser a dor. O vazio que elas deixam na sua vida é preenchido pela tristeza, que o consome aos poucos, todos os dias.
Ver uma pessoa que você gosta tanto indo embora para sempre, dói muito, e o mundo parece não ligar. Ele continua normalmente, como se a morte fosse algo fácil de superar. Como se ela fosse algo normal. Para Jon ela não era, e por isso nada o impediu de encostar a arma o mais próximo possível da cabeça e puxar o gatilho. Agora estava morto, e quem sentiria sua falta?”

Escrevi essa pequena história querendo que alguém, mesmo que fictício, sofresse o que eu sofro todos os dias. A saudade de pessoas que já morreram, o que me faz pensar que viver não tem mais sentido. Estou sempre esperando por algo melhor, por pessoas melhores ao meu redor, talvez seja essa esperança que me faça continuar aqui ainda... vivo.

Mas continuo me decepcionando nessa longa espera. Nada que é bom dura muito tempo. Acho que a felicidade não existe de verdade, é só um período sem tristeza em nossas vidas. As vezes desviamos do melhor caminho da vida e nos encontramos com o sofrimento. Eu o encontrei e agora ele mora dentro de mim.
Me sinto quebrado, assim como um pássaro deve se sentir quando quebra uma asa. Ele nasceu para voar, mas se não pode ou não consegue, como continuar? Ele espera pela morte — ou pela vida, mas uma coisa é certa: ele nunca mais será o mesmo. Acredito que eu também não, mas tenho esperança de reencontrar o caminho que faz com que muitas pessoas sorriam. O caminho da felicidade.


Notas finais
Talvez essa one se torne uma história maior. Talvez. (Se a história estiver muito confusa, avisem por MP.)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!