À Espada Pelo Sangue

20 Capítulo 17 – Alguém Chame Um Exorcista!


Notas iniciais
Oooii Então, aqui está o capítulo prometido ^^ Gente, esse tá tão curtinho que decidi postá-lo junto com o próximo, já que juntá-los em um só não iria funcionar como que queria. Então, ao terminá-lo, vocês já terão o próximo para ler ^^ Bom, vejo vocês no final :3

— Eu servirei à sua causa.

A voz que saía pela minha boca também não era mais a minha.

“Fui possuída!” concluí angustiada. A sensação era a de estar presa em meu próprio corpo, vendo e ouvindo, mas incapaz de controlar qualquer coisa. Eu não podia sentir meus membros, apenas o frio arrasador.

Olhei meu reflexo no vidro da janela do vagão. Meu rosto contorcido, os músculos rígidos, minhas mãos fechadas com força, tremendo. Meu corpo inteiro suava, minhas pupilas estavam dilatadas. Uma lembrança agitou minha mente.

— Ah! – exclamou o eidolon em meu corpo, fazendo-me esquecer o que quer que estivesse vindo à tona – Como é bom possuir uma Greno novamente, irmão. O poder... – ele inspirou como se pudesse sentir o cheiro – Tão melhor que possuir esses semideuses sem valor que encontramos por aí. O sangue muda tudo.

O velho deu um sorriso odioso, e eu então notei que seus olhos estavam ficando com um brilho dourado.

— Então, cumpra sua missão: mate-os.

— Eu os matarei.

Senti um calafrio subir pela espinha. Ou pelo menos teria sentido, se não estivesse possuída. Eu não sabia a quem ele se referia, mas a ideia do meu corpo sair por aí matando pessoas me deixou mais apavorada ainda. Saindo do meu estado de torpor, lutei contra o maldito eidolon, tentando reaver o controle sobre mim, mas tudo que consegui foi provocar uma careta em meu rosto. Como se aquela carranca dura já não me deixasse horrível o suficiente.

— A garota está lutando – disse o eidolon.

— Eles costumam lutar. – o velho debochou – Mas essa daí não vai poder resistir por muito tempo. Ela é só uma novata. Logo as suas vontades serão as dela, irmão. E então nós reergueremos a nossa raça, e reinaremos junto à Senhora. Os Greno sucumbirão em sua própria desgraça co-como nós uma ve-vez...

O tom orgulhoso da voz gelada do eidolon foi por água abaixo quando o corpo do pobre velhinho se dobrou para frente, a pele começando a fumegar.

— Este hospedeiro fraco não re-resistirá por mais tempo. – recomeçou – Vá, irmão. Cumpra sua missão. Encontramo-nos novamente quando terminar.

Com isso, o corpo caiu de cara no chão. Havia fumaça saindo de sua pele.

“Provavelmente mortais não são capazes de hospedar esses monstros por muito tempo” pensei “Pode até estar morto!”.

Xinguei, enraivecida, o eidolon que me possuía. Fiquei surpresa quando minha voz se fez audível. Não audível de verdade, percebi. Minha voz não havia saído pela minha garganta, mas ainda assim pude ouvi-la.

— Isso não foi muito delicado. – a voz do eidolon ecoou.

Erre es korakas!— gritei. Se é que essa é uma descrição precisa sobre o que quer que eu estava fazendo no momento. – Saia do meu corpo!

Ele respondeu com uma risada ridícula.

O metrô havia parado, e meu corpo começou a se mover para fora do vagão.

— Criança tola. – ele disse – Não sabe o que a aguarda.

— Cale a minha boca! – foi tudo que consegui pensar em dizer.

— Ah, posso sentir sua confusão, Greno. – ele cuspiu meu sobrenome com nojo, e depois riu – Deve ser realmente desesperador ficar presa dentro de seu próprio corpo, não é? Acostume-se. Este é o seu destino e o de toda a sua família. Dos que não morrerem, é claro.

Ele deu risada novamente. Deuses, como eu odiava aquele som.

— Aproveite a vista. – falou e eu voltei a prestar atenção na “minha” vista.

Estávamos na estação, parados em frente a uma placa, indicando bairros e pontos turísticos com setas. No meio da lista, estava o nome do meu bairro.

Se eu tivesse como cair no chão naquele momento, seria exatamente o que teria feito. Ou melhor, acabei descobrindo que podia. Quando dei por mim, estava de cara com um chão dourado. Foram muitas coisas me bombardeando de uma vez só. As perguntas brotaram em minha mente como pipoca numa panela.

— Mas que diabos...?! – foi a coisa mais coerente que pude formular. E expressava perfeitamente todas as perguntas.

O eidolon bufou em desprezo.

— E dizem por aí que os filhos de Atena são inteligentes.

Tentei colocar meus pensamentos em ordem.

Até então, eu havia me concentrado em minha visão. Ou seja, naquilo que os olhos do meu corpo viam. Mas agora busquei olhar ao meu redor.

Havia literalmente uma gaiola circular dourada ao meu redor. Devia ter pelo menos dois metros e meio de um lado a outro e três metros até o topo. À minha frente (para onde estivera olhando o tempo todo) estava a minha visão. Mas para além das barras, do outro lado, havia apenas escuridão. Foi quando percebi. A expressão “presa dentro de mim mesma” não era metafórica. Era literal.

Levei cinco segundos para perceber isso, mas minha próxima conclusão me fez atingir um nível de desespero completamente diferente. Quando voltei a minha atenção novamente para a placa anunciando a direção do meu bairro, eu soube. O sonho era uma previsão do futuro. O eidolon estava indo matar minha família e estava me usando como um Cavalo de Tróia.

Notas finais
Eeee aí?? O que acharam? Tenso, não? Algo errado? Alguma melhora necessária? Alguma teoria? Eu sei que vocês devem estar ansiosos pelo que vem pela frente, então não vou me prolongar. (Peço que não me odeiem pelo próximo capítulo >.< ) Até lá ^^ Beijooos :3